A indústria calçadista de Franca acompanha com atenção os números mais recentes do comércio exterior brasileiro.
A combinação entre queda nas exportações e crescimento das importações provocou uma retração superior a 56% na balança comercial do setor em dólares, no acumulado de janeiro a setembro de 2026, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
O cenário preocupa um dos setores mais importantes da economia francana e regional, responsável pela geração de empregos, renda e movimentação de uma extensa cadeia produtiva.
A pressão dos produtos importados, somada às dificuldades de acesso a mercados internacionais, amplia os desafios para fabricantes brasileiros.
Os dados compilados pela Abicalçados, com base nos registros da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que o Brasil exportou 71,6 milhões de pares entre janeiro e setembro, com receita de US$ 621,14 milhões.
O resultado representa queda de 6,7% no volume embarcado e de 15,6% no faturamento em comparação com o mesmo período de 2025.
Importações avançam
Na direção contrária, as importações de calçados cresceram nos primeiros nove meses do ano. O país recebeu 36,6 milhões de pares, que movimentaram US$ 491,25 milhões.
Os números representam aumentos de 9,1% na quantidade e de 12,5% na receita, na comparação anual.
Somente em setembro, entraram no Brasil 3,57 milhões de pares importados, por US$ 61,55 milhões. O volume foi 5,2% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, enquanto o valor desembolsado aumentou 23,7%.
Mercado externo
No mercado externo, as exportações brasileiras também apresentaram retração em setembro. Foram embarcados 9,15 milhões de pares, com receita de US$ 79,7 milhões. Na comparação com setembro de 2025, houve queda de 0,5% em volume e de 6,6% em valor.
Balança comercial
A combinação entre os dois movimentos reduziu a diferença entre o valor exportado e o importado pelo setor. A balança comercial de calçados, considerando o saldo em dólares, caiu mais de 56% no acumulado de janeiro a setembro, conforme a Abicalçados.
O presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, atribui parte das dificuldades à instabilidade internacional e às barreiras comerciais que afetam mercados estratégicos, como os Estados Unidos.
Segundo a avaliação da associação, as mudanças no comércio global também favorecem o redirecionamento de produtos para o Brasil, ampliando a concorrência no mercado doméstico.
A entidade alerta ainda para o crescimento das pequenas remessas de plataformas internacionais, além das importações convencionais. Esse movimento acrescenta pressão sobre os fabricantes nacionais, especialmente em um cenário de demanda interna enfraquecida por isso
Diversificação de mercados não compensa perdas
Apesar do recuo geral, alguns destinos apresentaram resultados positivos. Os embarques para países da América Latina, com exceção da Argentina, cresceram 11,2% em dólares e 10,4% em pares entre janeiro e setembro, na comparação com o mesmo intervalo de 2025.
A diversificação comercial, porém, não foi suficiente para compensar as perdas em outros mercados. De acordo com a Abicalçados, o calçado brasileiro está presente em mais de 160 países, mas o avanço em parte da América Latina não reverteu o resultado negativo das exportações totais.
Para Franca, tradicional polo produtor de calçados masculinos de couro, a evolução desses indicadores é relevante para o planejamento das empresas e para a manutenção da competitividade. A concorrência internacional pode afetar decisões sobre produção, investimentos, contratação de trabalhadores e estratégias de comercialização.
Indústria francana acompanha cenário
O desempenho do comércio exterior reforça a importância de acompanhar as mudanças no mercado e buscar alternativas para ampliar a competitividade da produção local.
A indústria calçadista francana integra uma cadeia que envolve fabricantes, fornecedores de matéria-prima, prestadores de serviços e empresas de distribuição.
A queda nas exportações representa um desafio para as empresas que dependem de compradores estrangeiros, enquanto o avanço das importações amplia a disputa pelo consumidor brasileiro.




