Estudo analisou a dor em 118 países e identificou como a frequência do desconforto varia conforme a idade e a região do corpo
A ideia de que as dores aumentam continuamente conforme envelhecemos não corresponde inteiramente ao que a ciência encontrou. Um estudo internacional publicado na revista Nature Medicine mostra que a frequência da dor segue trajetórias diferentes ao longo da vida, dependendo da região do corpo e do tipo de desconforto.
A pesquisa reuniu dados de mais de 6,1 milhões de pessoas, de 118 países, com informações coletadas entre 1990 e 2025. Foram analisadas 11 regiões do corpo, em participantes com idades entre 5 e mais de 100 anos.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores ligados à Universidade McGill, no Canadá, e buscou traçar um panorama global da dor ao longo da vida.
Cada tipo de dor tem um comportamento
Os resultados indicam que, em sete das 11 regiões avaliadas, a prevalência da dor aumenta durante a vida adulta, atinge um pico e depois diminui. Isso não significa, porém, que todas as dores sigam o mesmo caminho.
A dor de cabeça, por exemplo, apresenta maior prevalência por volta dos 34 anos. Já a dor abdominal atinge seu pico aproximadamente aos 23 anos, enquanto a dor facial chega ao nível mais alto perto dos 45 anos.
Em outras regiões, o pico ocorre mais tarde. A dor no cotovelo apresenta maior prevalência por volta dos 59 anos, enquanto o desconforto no pescoço e nos ombros atinge seu ponto mais alto perto dos 62 anos.
O comportamento também muda conforme a intensidade. A dor de alta intensidade alcança seu pico em torno dos 50 anos, enquanto a dor generalizada — percebida em várias partes do corpo — chega ao nível mais elevado por volta dos 70 anos.
Dores nas costas e articulações aumentam com a idade
Nem todos os resultados apontam uma redução da dor depois da meia-idade. Desconfortos nas costas, nos quadris e nos joelhos tendem a aumentar ao longo da vida adulta e podem alcançar níveis mais altos em idades avançadas.
Essas diferenças são importantes porque dores musculoesqueléticas podem estar relacionadas ao envelhecimento, à sobrecarga acumulada e a alterações nas estruturas que sustentam o corpo.
Ainda assim, os dados do estudo identificam padrões populacionais e não permitem determinar a causa de cada caso individual.
A pesquisa também encontrou diferenças entre países. Regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano apresentaram maior prevalência de algumas dores na velhice, indicando que fatores sociais e econômicos também precisam ser considerados na análise.
Mulheres relatam mais dor do que homens
Outro resultado relevante foi a maior prevalência de dor relatada por mulheres nas 11 regiões avaliadas, em diferentes fases da vida. As diferenças foram especialmente marcantes em dores de cabeça, no rosto e no abdômen.
Os pesquisadores apontam que fatores biológicos e sociais podem contribuir para esse cenário. Condições como endometriose, enxaqueca e artrite reumatoide, além das diferenças nas condições de trabalho e nas responsabilidades de cuidado, são aspectos que merecem atenção.
O estudo, entretanto, não estabelece uma única explicação para essa diferença.
Os autores ressaltam que os resultados representam um retrato da prevalência da dor em diferentes faixas etárias, e não o acompanhamento das mesmas pessoas durante toda a vida. Portanto, as idades identificadas não são uma previsão do que acontecerá com cada indivíduo.
A principal conclusão é que a dor não tem uma trajetória única. Compreender como ela varia conforme a idade, o sexo e as condições de vida pode ajudar a orientar pesquisas e políticas de saúde mais adequadas às necessidades de cada população.
Fonte: O Globo




