Ejaculação precoce e disfunção erétil não aparecem necessariamente como problemas isolados. Um levantamento realizado com 1.242 homens brasileiros identificou que 41,2% dos participantes relataram simultaneamente as duas condições.
A análise estatística indica ainda que homens que relataram ejaculação precoce apresentaram 1,65 vez mais chance de também relatar disfunção erétil.
É um estudo pioneiro sobre a associação entre as duas condições, o levantamento traz uma amostragem extremamente relevante para a análise da saúde sexual masculina e os seus resultados foram apresentados publicamente pela primeira vez no Congresso Brasileiro de Urologia e no Congresso Americano de Urologia.
O resultado chama atenção também pela presença de homens jovens entre os participantes. 42,7% da amostra está na faixa de 18 a 29 anos, enquanto 74% dos relatos de ejaculação precoce identificados estão concentrados entre homens de 18 a 49 anos.
Os dados mostram que as queixas relacionadas à vida sexual não estão restritas aos homens mais velhos.
Saúde sexual masculina
Realizado pela Lucy, empresa especializada em terapia cognitivo-comportamental aplicada à saúde sexual masculina, o levantamento analisou respostas voluntárias coletadas por meio do aplicativo da empresa. Os participantes tinham entre 20 e 89 anos, com idade mediana de 32 anos.
Outro dado que chama atenção é a distância entre a presença das queixas e a busca por tratamento.
66% dos participantes afirmaram nunca ter procurado ajuda ou realizado algum tipo de tratamento para a queixa sexual, embora 88% tenham demonstrado interesse em melhorar o desempenho e a qualidade da própria vida sexual.
O dado também evidencia um dos principais tabus relacionados à saúde sexual masculina é que embora muitos homens convivam com dificuldades sexuais, a maioria ainda não procura ajuda ou tratamento.
Na amostra, 85% dos participantes relataram algum grau de disfunção ou inadequação sexual. O levantamento identificou que 30% apresentavam apenas ejaculação precoce e 13% apenas disfunção erétil. Outros 15,7% não relataram nenhuma das duas condições.
Jovens também estão no centro da discussão
A predominância de participantes jovens ajuda a deslocar a discussão sobre saúde sexual masculina para além do envelhecimento.
Entre os homens que relataram ejaculação precoce, a avaliação média do próprio controle ejaculatório foi de 35,8 em uma escala de 0 a 100.
Segundo a análise dos dados, os fatores associados às queixas também podem variar de acordo com a idade. Entre homens mais jovens, aspectos psicológicos, como a ansiedade de desempenho, podem ter maior relevância, enquanto fatores orgânicos tendem a ganhar importância com o avanço da idade.
Avaliação individual
Os pesquisadores ressaltam, porém, que esses fatores não permitem estabelecer uma causa única para as disfunções e precisam ser avaliados individualmente.
“Os dados mostram que a saúde sexual masculina precisa ser discutida de forma mais ampla. Muitos homens convivem com uma dificuldade sexual sem procurar ajuda, e isso também aparece entre os mais jovens”, afirma Lucimar Ghelfi, psicóloga, psicoterapeuta sexual e cofundadora da Lucy.
Segundo ela, “quando ejaculação precoce e dificuldade de ereção aparecem juntas, é importante olhar para a saúde sexual de forma integrada, sem reduzir a questão a um único sintoma”.
Associação entre as duas condições
Dos participantes, 41,2% relataram simultaneamente ejaculação precoce e disfunção erétil; 30% relataram apenas ejaculação precoce; 13% apenas disfunção erétil; e 15,7% não relataram nenhuma das duas condições.
A análise estatística apontou uma associação positiva entre os dois quadros. Pelo cálculo de Odds Ratio, homens que relataram ejaculação precoce apresentaram 1,65 vez mais chance de também relatar disfunção erétil do que aqueles que não relataram ejaculação precoce.
Para os pesquisadores, o resultado reforça a importância de uma avaliação integrada da saúde sexual masculina, considerando tanto o controle ejaculatório quanto a qualidade das ereções.
Hábitos sexuais
O levantamento também identificou hábitos relacionados à sexualidade: 83% dos participantes afirmaram se masturbar pelo menos uma vez por semana e, entre eles, 8% relataram frequência superior a cinco vezes por semana.
Os dados foram coletados de forma voluntária, mediante consentimento informado, e, segundo a Lucy, seguindo recomendações das Normas para Pesquisa envolvendo Seres Humanos do Ministério da Saúde, da Declaração de Helsinki e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Trata-se de um estudo retrospectivo não controlado, realizado a partir de respostas obtidas no aplicativo.




