Estudo aponta que 6 em cada 10 pessoas com pressão alta não sabem do diagnóstico. Veja os riscos da hipertensão e por que o tratamento falha
Considerada um dos maiores fatores de risco para Acidente Vascular Cerebral (AVC), doenças cardíacas e morte precoce, a hipertensão arterial — popularmente conhecida como pressão alta — continua avançando de forma silenciosa e sem o devido controle na população adulta.
É o que revela uma nova análise conduzida pela Oxford Population Health com base nos dados do programa Our Future Health, publicada na revista científica BMJ Public Health.
O levantamento aponta um dado alarmante: quase seis em cada dez pessoas com pressão alta não fazem ideia de que possuem a condição.
Como o Estudo Identificou a Hipertensão?
Utilizando os critérios rigorosos da Organização Mundial da Saúde (OMS), os pesquisadores consideraram hipertensos os participantes que apresentavam leituras a partir de 140 por 90 mmHg ou que já faziam uso regular de medicamentos para baixar a pressão.
Entre os principais achados da pesquisa destacam-se:
Prevalência geral: Mais de um terço dos avaliados (37%) preencheu os critérios para hipertensão;
Fator idade: A incidência dispara conforme os anos passam — vai de 15% entre jovens de 18 a 39 anos, saltando para impressionantes 71% na faixa dos 80 anos ou mais;
Diferença por gênero: A condição apareceu com mais frequência entre os homens (42%) do que entre as mulheres (29%);
O grande alerta: O dado mais chocante é que 59% dos hipertensos nunca haviam recebido um diagnóstico médico e tampouco tomavam remédios.
O Controle Falha Mesmo com Tratamento
O problema, no entanto, vai muito além da falta de descoberta precoce. O estudo mostrou que, entre os pacientes que já realizavam algum tipo de tratamento, metade ainda apresentava os níveis de pressão acima do limite seguro de 140/90 mmHg.
Para os especialistas, isso demonstra que a falha não está apenas no diagnóstico inicial, mas também no acompanhamento médico contínuo e na eficácia dos tratamentos adotados.
Crítica às Diretrizes e Necessidade de Mudança
Os autores do estudo apontam que os protocolos tradicionais de saúde pública — que muitas vezes exigem múltiplas medições antes de confirmar o quadro ou priorizam apenas mudanças de hábitos leves em vez de intervenções medicamentosas rápidas — já não dão conta do problema.
Segundo Wenyu Liu, principal autor da pesquisa, a hipertensão tem atingido faixas etárias mais jovens e perfis variados, exigindo uma abordagem muito mais agressiva e ativa.
Os cientistas defendem que o foco mude para a avaliação do risco cardiovascular global do paciente, indo além da simples medição isolada no consultório.
Fonte: Metrópoles




