Especialistas destacam a importância do capacete na prevenção do traumatismo cranioencefálico e na proteção da vida dos motociclistas
Os acidentes de trânsito representam um dos maiores desafios para os serviços de emergência brasileiros, sendo o traumatismo cranioencefálico (TCE) uma das consequências mais preocupantes para a neurocirurgia.
Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre 2011 e 2021, o número de internações de motociclistas por lesões no trânsito saltou de 70.508 para 115.709, um crescimento de cerca de 55% que coloca essa parcela da população no grupo de maior vulnerabilidade nas ruas.
Durante uma colisão ou queda, a desaceleração brusca faz com que o cérebro se desloque dentro da caixa craniana, provocando lesões que variam desde concussões leves até hemorragias e edemas graves.
O perigo muitas vezes é silencioso: uma pessoa pode aparentar consciência logo após o impacto e, horas mais tarde, apresentar um quadro neurológico severo devido a sangramentos internos.
O Papel Decisivo do Equipamento
Embora nenhum dispositivo elimine totalmente o risco de um trauma, o capacete atua diretamente na absorção e na distribuição da energia gerada pela batida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de capacetes seguros e de boa qualidade pode reduzir em até 74% o risco de lesão cerebral e diminuir em mais de seis vezes o risco de morte.
No entanto, os especialistas ressaltam que o equipamento precisa cumprir requisitos rigorosos de segurança:
– Deve possuir qualidade certificada e tamanho adequado para a cabeça do condutor ou passageiro;
– Precisa estar corretamente afivelado, pois capacetes frouxos ou mal fixados frequentemente se soltam no momento do impacto, anulando sua proteção.
Muito Além da Sobrevivência
Para a medicina de emergência, evitar o óbito é apenas a primeira etapa; o foco também recai sobre as sequelas de quem sobrevive a um TCE grave.
Danos neurológicos podem comprometer de forma permanente a memória, a atenção, a linguagem, o equilíbrio e o comportamento, exigindo longos períodos de reabilitação e alterando a autonomia do paciente e de sua família.
A prevenção no trânsito envolve uma combinação de prudência — como o respeito aos limites de velocidade e a abstenção de álcool ao dirigir —, mas, no momento limite de uma queda, é o capacete devidamente ajustado que se interpõe entre a vida e as sequelas irreversíveis.
Fonte: CNN




