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O que seu pet faz quando sente dor? Pesquisa mostra sinais que podem passar despercebidos

Estudo mostra a importância de combinar avaliação veterinária e percepção dos tutores para individualizar o controle da dor

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O que seu pet faz quando sente dor? Pesquisa mostra sinais que podem passar despercebidos

Como identificar se um animal está sentindo dor (e em qual intensidade) quando ele não consegue verbalizar o que sente e nem sempre demonstra sofrimento de maneira evidente?

Foi movida por esse desafio que a médica-veterinária Brunna Gomes Re aprofundou seus estudos sobre avaliação da dor crônica em cães e gatos ainda durante sua formação na Universidade de São Paulo (USP), tendo como orientadora a professora dra. Denise Fantoni, referência em dor e anestesiologia veterinária; e participação da veterinária Terezinha Martins.

Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a pesquisa analisou 602 pacientes atendidos pelo Serviço de Cuidados Paliativos e Controle de Dor do Hospital Veterinário da USP (HOVET-USP).

Os registros abrangeram 10 anos de estudos, e envolveram cães e gatos com doenças crônicas que demandavam um protocolo estruturado de controle da dor, mas que antes, com ferramentas padronizadas de mensuração na primeira consulta e no acompanhamento, não obtinham o resultado de alívio esperado.

Sem controle

O interesse de Brunna pelo tema surgiu a partir da cirurgia e da anestesia, áreas em que o controle adequado da dor tem papel importante na recuperação dos pacientes.

“Aprendemos que a própria dor é uma peça fundamental na recuperação do paciente e pode piorar o quadro apenas pelo fato de não ser controlada. Além disso, diferente dos humanos, os animais muitas vezes não expressam a dor de forma óbvia”, explica.

Outro desafio é que cada animal responde de maneira individual tanto ao estímulo doloroso quanto às medicações utilizadas para controlá-lo. Por isso, segundo a veterinária, é necessário considerar cada paciente e cada caso separadamente na definição do protocolo.

Nesse processo, a percepção de quem convive diariamente com o animal é fundamental. Diminuição do apetite, menor nível de atividade, alterações na interação com os tutores e, em alguns casos, mudanças gastrointestinais podem indicar a presença de dor.

Escala visual de zero a dez

Na avaliação analisada pela pesquisa, uma das ferramentas utilizadas era uma escala visual de zero a dez, na qual zero representava ausência de dor e dez, o nível máximo. O tutor indicava o grau que considerava mais coerente com a situação do animal.

Essa percepção era associada à anamnese, ao exame clínico e à avaliação do veterinário. Um questionário sobre comportamento e sinais físicos também gerava uma pontuação que permitia avaliar quanto a presença e a intensidade da dor afetavam a qualidade de vida daquele paciente.

Entre os 602 casos estudados estavam animais com afecções oncológicas, artrite, artrose, problemas de coluna e outras alterações ortopédicas. O ponto em comum era a necessidade de um controle de dor estruturado e eficiente.

Para o estudo, a eficácia das ferramentas e dos protocolos instituídos seria considerada alcançada quando houvesse melhora de pelo menos 20% na qualidade de vida. O resultado era medido pela comparação dos escores obtidos nos questionários aplicados no início do tratamento e aproximadamente 30 dias depois.

“Quando o paciente seguia as recomendações corretamente e não apresentava nenhuma outra condição concomitante, a grande maioria apresentava a melhora esperada, superando as nossas expectativas”, relata Brunna.

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Gatos exigem atenção especial

Nos felinos, reconhecer a dor pode ser ainda mais desafiador. Segundo a veterinária, gatos nem sempre apresentam sinais tão visíveis quanto cães e são altamente sensíveis ao estresse e a alterações de rotina, fatores que também podem provocar mudanças comportamentais.

É nesse cenário que a combinação entre as informações fornecidas pelo tutor e um bom exame físico se torna especialmente importante. Alguns sinais podem ser bastante discretos.

“Muitas vezes, os gatos com dor podem apresentar mudanças na posição das orelhas e fechamento leve dos olhos, o que, dependendo da interação do paciente com o tutor, pode facilmente passar despercebido”, explica Brunna Re.

Dor crônica exige individualização

A avaliação ganha ainda mais importância em animais com doenças crônicas e oncológicas. Segundo os dados levantados na pesquisa, cerca de 50% dos pacientes oncológicos apresentam dor importante durante a progressão da doença. Nos estágios avançados, essa proporção poderia chegar a 75%.

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Para Brunna, esses casos reforçam porque um mesmo protocolo não necessariamente funciona da mesma maneira para todos. “Como cada paciente apresenta uma resposta individualizada, o protocolo padronizado muitas vezes pode não resultar no controle adequado da dor”, afirma.

Ao considerar a enfermidade, as características individuais do animal e o tratamento ao qual ele está sendo submetido, é possível estabelecer uma abordagem específica e acompanhar sua resposta por meio da avaliação clínica, da escala visual e dos questionários de qualidade de vida.

Mesmo após o período contemplado pela pesquisa, as ferramentas continuaram a fazer parte da rotina dos pacientes selecionados pelo serviço. Brunna também participou do acompanhamento de novos casos e de tratamentos e protocolos específicos.

Avaliação em parceria

Para a veterinária, a principal mensagem permanece atual: reconhecer e controlar a dor depende da combinação entre conhecimento clínico e observação cotidiana.

“É importante destacar como a dor deve ser corretamente avaliada pelo veterinário em parceria com o tutor para, assim, aplicar ao paciente o protocolo mais indicado às suas características individuais”, conclui Brunna Gomes Re.

Autor

Nene Sanches

Redação · Jornal da Franca

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