Condição cercada por tabus afeta milhões de mulheres e pode comprometer a saúde íntima, a autoestima e os relacionamentos
A vida íntima feminina ainda é cercada por tabus, e um deles faz com que milhares de mulheres convivam em silêncio com um problema que tem tratamento: o ressecamento vaginal.
Mais comum após a menopausa, a condição também pode ocorrer no pós-parto, durante a amamentação, em pacientes em tratamento contra o câncer ou em decorrência do uso de alguns medicamentos.
A redução da lubrificação natural pode causar ardência, coceira, sensação de secura e dor durante a relação sexual, afetando não apenas a vida íntima, mas também a autoestima, os relacionamentos e a qualidade de vida.
Explicação de ginecologista
Segundo a ginecologista e especialista em Medicina Estética, Dra. Mirelle Ossipi Ruivo, fundadora da rede Mulherez, muitas mulheres acreditam que esses sintomas fazem parte do envelhecimento e, por isso, deixam de buscar tratamento.
“Sentir dor durante a relação sexual nunca deve ser considerado normal. Independentemente da idade, esse é um sinal de que existe uma alteração que precisa ser investigada. Hoje dispomos de tratamentos capazes de devolver conforto, bem-estar e qualidade de vida”, afirma.
A queda dos níveis de estrogênio durante a menopausa torna a mucosa vaginal mais fina, menos elástica e menos hidratada, favorecendo o ressecamento. No entanto, alterações hormonais relacionadas ao pós-parto, à amamentação e a alguns tratamentos médicos também podem provocar o problema.
Além da dor durante a relação sexual, é comum haver irritação, pequenas fissuras, sangramento após o ato sexual e maior predisposição a infecções urinárias recorrentes.
Desconforto físico
Quando há ressecamento, muitas mulheres passam a sentir desconforto para caminhar, praticar exercícios físicos ou permanecer muito tempo sentadas. Em alguns casos, o atrito constante da mucosa ressecada compromete atividades rotineiras e interfere diretamente no bem-estar.
Para a especialista, o impacto vai muito além da sexualidade. “Muitas pacientes acreditam que perderam o desejo sexual, quando, na verdade, passaram a evitar as relações porque sentem dor. Ao tratar a causa, a mulher recupera seu conforto, sua confiança e sua qualidade de vida.”
O tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas. Hidratantes vaginais, lubrificantes específicos e terapias hormonais podem ser indicados em alguns casos.
Já para outras pacientes, tecnologias como o laser íntimo representam uma alternativa eficaz, especialmente quando há contraindicação ao uso de hormônios ou quando os sintomas persistem.
Tratamento deve ser individualizado
Realizado em consultório, o procedimento estimula a produção de colágeno, melhora a vascularização da região e favorece a recuperação da mucosa vaginal, contribuindo para aumentar a hidratação e a elasticidade dos tecidos.
“O laser é uma ferramenta importante da ginecologia moderna, mas a indicação deve ser sempre individualizada. Cada mulher precisa de uma avaliação para definir o tratamento mais adequado”, ressalta a Dra. Mirelle.
A médica reforça que o principal passo é romper o silêncio. “Nenhuma mulher precisa conviver com dor por acreditar que isso faz parte da idade. Buscar ajuda é cuidar da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida.”