Alienação eleitoral cresce no Brasil, especialmente entre jovens e no Sudeste

  • Robson Leite
  • Publicado em 12 de julho de 2022 às 17:00
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Baixo comparecimento às urnas tem aumentado de forma lenta e consistente no país desde 2006, especialmente nos pleitos do Sudeste

A alienação eleitoral tem crescido no Brasil de forma lenta, mas consistente, desde 2006. O baixo comparecimento às urnas é ainda mais acentuado na região Sudeste e entre os jovens, o que é motivo de atenção.

A análise é do estudo “A alienação eleitoral no Brasil Democrático”, do Instituto Votorantim, que levantou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Eles mostram que, desde 2006, a alienação eleitoral –soma de abstenções passiva (não comparecimento) e ativa (votos brancos e nulos)– nos pleitos presidenciais passou de 25,1%, em 2006, para 29%, em 2014 e 2018.

Já no segundo turno a alienação eleitoral foi de 25% em 2006. Em 2018, atingiu 30,8%, um crescimento de quase 6 pontos percentuais.

Desinteresse

Segundo notícia da CNN Brasil, esse aumento representa um maior desinteresse da população com o processo eleitoral. No caso dos jovens, se essa menor participação permanecer na vida adulta, a alienação brasileira pode se aproximar de situações mais preocupantes observadas em democracias consolidadas do Atlântico Norte.

O cientista político e diretor do Ipespe, Antonio Lavareda, explica que a participação eleitoral está associada ao interesse com o processo eleitoral, o que não tem sido observado entre as novas gerações do país e do mundo.

“Os jovens têm um grau de distanciamento da política. Isso não é uma singularidade brasileira. Nos Estados Unidos e na Europa temos observado uma maior abstenção”, afirma o professor.

Ele aponta que o desinteresse desse público tem sido uma preocupação constante dos partidos, que fazem campanhas específicas. Afinal, o voto dos mais novos se mostrou importante em eleições ao redor do globo.

Força jovem

“O incremento da participação dos jovens foi fundamental na campanha de Barack Obama nas primárias democratas, contra Hillary Clinton. Foi a participação surpreendente deles que viabilizou a vitória nas primárias”, conta Lavareda.

Após vencer primárias –espécie de prévias, como ocorreu no ano passado para definir o candidato do PSDB no pleito presidencial– Obama foi eleito presidente em 2008.

De acordo com o estudo do Instituto Votorantim, “é preciso incentivar uma geração com valores baseados na cultura e em atitudes democráticas” para combater esse problema.

A pesquisa também pontua que o padrão de votos brancos e nulos mostra a insatisfação com a democracia e a identificação partidária.

Nível educacional

Além disso, no caso das abstenções, o nível educacional ainda é a variável que mais influencia a presença nas urnas. Eleitores com educação superior comparecem até três vezes mais que aqueles com ensino primário (até o último ano do ensino fundamental I), segundo o levantamento.

Também chama atenção o baixo interesse pelos pleitos eleitorais na região Sudeste. Em São Paulo, quando o ex-prefeito e ex-governador João Doria foi eleito prefeito de São Paulo no primeiro turno, em 2016, ele recebeu 3,085 milhões de votos (53,3% dos votos válidos no pleito). Apesar disso, a sua votação foi menor do que o número de eleitores que não compareceram às urnas ou apertaram branco ou nulo, 3,096 milhões.


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