Professor arrisca sete temas que merecem atenção para a redação do Enem em 2026

  • Robson Leite
  • Publicado em 16 de agosto de 2026 às 20:00
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O mais importante não é tentar prever o tema da prova, mas desenvolver repertório, capacidade de interpretação e argumentação

Com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se aproximando, candidatos de todo o país intensificam os estudos e um dos conteúdos que pode fazer a diferença na prova é o repertório utilizado na redação.

Para além do domínio das disciplinas, a prova valoriza a capacidade de análise crítica, argumentação e conexão com o mundo real.

Segundo o professor Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, acompanhar as principais notícias do país pode contribuir tanto para as questões objetivas quanto para a redação, que tradicionalmente aborda problemas sociais de grande relevância.

“O Enem busca avaliar o pensamento crítico do estudante, ou seja, como a pessoa se posiciona diante de questões atuais e estruturais do país. Ter bagagem sobre os acontecimentos recentes ajuda muito na construção de argumentos sólidos e coerentes”, afirma.

Já deve estar definido

Celedônio ressalta ainda que o tema da redação costuma ser definido entre os meses de junho e julho.

“O objetivo não é tentar adivinhar o tema da redação, mas identificar assuntos atuais que dialogam com características recorrentes da prova, como problemas sociais brasileiros, garantia de direitos, invisibilidade de determinados grupos e necessidade de construção de propostas de intervenção.”

A partir das discussões que ganharam força no país ao longo dos últimos meses, Ademar Celedônio selecionou sete temas que dialogam com questões recorrentes da redação do Enem e que merecem atenção dos estudantes durante a preparação:

Desafios para a proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais brasileiros: 

O uso crescente das tecnologias expõe crianças e adolescentes a conteúdos inadequados, publicidade direcionada, coleta indevida de dados, cyberbullying e outras formas de violência. O tema envolve a responsabilidade compartilhada entre família, escola, Estado e empresas de tecnologia.

Por que é relevante? Novas leis e discussões sobre responsabilidade das plataformas e educação digital tornam o tema urgente e bastante atual.

Possíveis abordagens

educação digital e letramento midiático nas escolas;

responsabilidade das plataformas pelos conteúdos e mecanismos de recomendação;

proteção de dados pessoais e verificação de idade;

cyberbullying, assédio e exploração sexual on-line – criação de canais acessíveis de denúncia e acolhimento;

impactos do uso excessivo de telas na saúde mental;

formação das famílias para a mediação do uso da tecnologia;

Desafios para garantir o direito à vida e ao futuro da juventude brasileira: 

A violência letal, a evasão escolar, o crime organizado e a falta de oportunidades atingem especialmente jovens negros e moradores das periferias. Discutir o futuro da juventude significa articular segurança pública, educação, trabalho, cultura e redução das desigualdades.

Por que é relevante? O tema reúne discussões sobre direitos humanos, segurança pública, educação, trabalho, cultura e desigualdade social.

Possíveis abordagens

desigualdade racial e territorial na distribuição da violência;

prevenção da violência e atuação integrada das políticas públicas voltadas à juventude;

acesso ao ensino, técnico e ao primeiro emprego;

aliciamento de jovens pelo crime organizado;

ausência de espaços culturais, esportivos e de lazer;

saúde mental e perspectivas de futuro;

valorização da participação juvenil nas decisões públicas.

Desafios para promover a alfabetização plena como condição para o exercício da cidadania no Brasil: 

A redução do analfabetismo não significa que todos os brasileiros consigam interpretar textos, informações públicas, dados científicos ou conteúdos digitais. A alfabetização plena envolve leitura, escrita, compreensão e autonomia para participar da vida social.

Por que é relevante?

Alfabetizar é garantir autonomia, acesso ao trabalho, à informação e participação social de forma plena.

Possíveis abordagens

ampliação e valorização da Educação de Jovens e Adultos;

desigualdades regionais, raciais e socioeconômicas;

combate à evasão e ao abandono escolar;

formação e valorização dos professores alfabetizadores;

alfabetização funcional e compreensão de textos;

alfabetização digital e acesso às tecnologias;

alfabetização científica para interpretar evidências;

letramento midiático para enfrentar a desinformação;

busca ativa de jovens, adultos e idosos fora da escola.

Caminhos para fortalecer a confiança da população brasileira na ciência e nas instituições de saúde: 

A desinformação, notícias falsas e interpretações equivocadas comprometem decisões individuais e políticas públicas essenciais.

Por que é relevante? A pandemia mostrou a importância da ciência. O tema permite discutir comunicação científica, educação, transparência e combate à desinformação.

Possíveis abordagens

educação científica desde a Educação Básica;

combate à desinformação sobre vacinas e tratamentos;

transparência na divulgação de riscos e eventos adversos;

comunicação pública em linguagem clara e acessível;

responsabilidade das plataformas na circulação de conteúdos falsos;

valorização das universidades e instituições de pesquisa;

formação de profissionais de saúde para a comunicação com a população;

aproximação entre ciência, imprensa e sociedade;

recuperação da confiança por meio de dados abertos e prestação de contas.

Desafios para identificar e incluir estudantes com altas habilidades ou superdotação na educação brasileira: 

Muitos estudantes com altas habilidades permanecem invisíveis porque as escolas não possuem instrumentos de identificação, profissionais preparados ou propostas pedagógicas adequadas. A inclusão também exige atender quem aprende em ritmo ou profundidade diferentes.

Por que é relevante? A nova lei sobre o tema em 2026 prevê mapeamento, atendimento especializado e valorização das potencialidades, inclusive da dupla excepcionalidade.

Possíveis abordagens

identificação precoce de diferentes tipos de altas habilidades;

formação docente para reconhecer potencialidades;

atendimento educacional especializado;

enriquecimento e flexibilização curricular;

aceleração dos estudos quando pedagogicamente recomendada;

criação de centros e programas de referência;

desigualdade de acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento;

apoio socioemocional aos estudantes;

combate ao estereótipo de que todo estudante superdotado tem desempenho elevado em todas as áreas;

reconhecimento da dupla excepcionalidade, como altas habilidades associadas a autismo, TDAH ou dislexia.

Perspectivas para a inclusão das pessoas neurodivergentes na sociedade brasileira: 

Pessoas com autismo, TDAH, dislexia e outras condições ainda enfrentam barreiras educacionais, profissionais, comunicacionais, sensoriais e culturais. A inclusão depende não apenas do diagnóstico, mas da adaptação dos ambientes e da superação do capacitismo.

Por que é relevante? Avanços legislativos recentes indicam novos caminhos, mas a inclusão real depende de mudanças culturais, formação profissional e eliminação de preconceitos.

Possíveis abordagens

formação de professores para práticas pedagógicas inclusivas;

adaptação de avaliações, metodologias e espaços escolares;

acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento multidisciplinar;

inclusão no ensino superior e nos processos seletivos;

empregabilidade e adaptação dos ambientes de trabalho;

criação de espaços com menor sobrecarga sensorial;

combate ao preconceito, à infantilização e ao capacitismo;

valorização da autonomia das próprias pessoas neurodivergentes;

apoio às famílias e aos cuidadores;

garantia de acessibilidade em serviços públicos, eventos e espaços culturais.

Perspectivas para o enfrentamento das calamidades climáticas e da degradação ambiental no Brasil: 

Enchentes como as do Rio Grande do Sul e o desmatamento da Amazônia mostram como eventos extremos e degradação ambiental atingem, sobretudo, as populações mais vulneráveis.

Por que é relevante?  O assunto permite discutir prevenção, planejamento, justiça climática e a responsabilidade compartilhada entre governos, empresas e sociedade.

Possíveis abordagens

prevenção de desastres e sistemas de alerta;

planejamento urbano e fiscalização de áreas de risco;

adaptação das cidades aos eventos climáticos extremos;

combate ao desmatamento e às queimadas;

proteção da Amazônia e de outros biomas;

recuperação de matas ciliares e áreas degradadas;

justiça climática e proteção das populações vulneráveis;

responsabilização de governos e agentes econômicos;

educação ambiental e consumo sustentável;

reassentamento digno das famílias atingidas;

integração entre ciência, Defesa Civil e gestão pública;

continuidade das políticas ambientais, independentemente das mudanças de governo.

Como se preparar para qualquer tema?

Para o professor, o mais importante não é tentar prever o tema da prova, mas desenvolver repertório, capacidade de interpretação e argumentação.

“Para atingir a nota 1000 é importante saber interpretar o problema, argumentar e propor soluções viáveis. Recomendo que os candidatos pratiquem redações com temas atuais para construir argumentos consistentes e propostas de intervenção.”376150-2


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