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Por que cães e gatos reagem de forma tão diferente a novidades na alimentação?

A relação dos animais de estimação com aromas, texturas e estímulos sensoriais influencia adaptação, comportamento e bem-estar

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Por que cães e gatos reagem de forma tão diferente a novidades na alimentação?

Quem tem mais de um animal em casa costuma perceber uma diferença curiosa no momento da alimentação: enquanto os cães demonstram interesse imediato diante de qualquer novidade, os gatos podem passar minutos observando, cheirando e até evitando algo novo antes de decidir se aproximar.

Em alguns casos, basta uma pequena alteração de textura ou temperatura para provocar estranhamento.

Essas respostas não têm relação apenas com preferência individual. Elas fazem parte da forma como cada espécie evoluiu para reconhecer segurança alimentar.

Estímulos

Os cães desenvolveram, ao longo do processo evolutivo, uma relação mais flexível com diferentes fontes de alimento. Como animais socialmente adaptáveis aprenderam a explorar diferentes estímulos e contextos com menor resistência.

Isso ajuda a explicar por que muitos respondem com curiosidade a novos formatos, aromas e experiências associadas à alimentação.

Já os gatos seguem uma lógica diferente. Como caçadores solitários, os felinos evoluíram priorizando cautela diante de mudanças.

Na prática, isso significa que o cérebro do felino tende a interpretar novidades de maneira mais criteriosa, avaliando cheiro, textura, temperatura e até familiaridade antes da aceitação. Esse comportamento, muitas vezes confundido com “exigência”, está ligado a mecanismos naturais de proteção da espécie.

O que diz a veterinária

Segundo a médica-veterinária e gerente de produtos da Pet Nutrition, Bruna Isabel Tanabe, essa construção começa cedo e influencia diretamente a capacidade de adaptação ao longo da vida.

“Os animais aprendem o que é seguro a partir das experiências repetidas quando são filhotes. Quando o repertório sensorial fica muito restrito, o cérebro tende a responder com maior resistência diante de qualquer mudança, mesmo que ela seja pequena”, explica.

Segundo ela, “essa limitação pode se tornar mais perceptível em situações específicas, como mudanças de rotina, envelhecimento ou necessidade de ajustes nutricionais. Animais pouco expostos a diferentes estímulos sensoriais tendem a apresentar maior dificuldade de adaptação, principalmente quando há alteração de textura, aroma ou formato”.

Conexão ao bem-estar

Hoje, esse comportamento vem ganhando mais atenção dentro da nutrição animal. O próprio mercado pet acompanha essa transformação.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), o Brasil movimentou R$ 77,96 bilhões no setor pet em 2025, impulsionado principalmente pela busca por cuidados mais individualizados e conectados ao bem-estar.

Dentro desse cenário, cresce também o interesse por experiências alimentares mais diversas e enriquecedoras.

Isso não significa romper a rotina ou transformar o dia a dia do animal em uma sequência constante de novidades.

Variações sensoriais

Pelo contrário: previsibilidade continua sendo importante para os pets. A diferença está em compreender que, dentro dessa estrutura estável, pequenas variações sensoriais ajudam a promover experiências positivas, favorecer a interação com o tutor e atuar como ferramentas de reforço positivo e enriquecimento ambiental, estimulando comportamentos naturais de exploração e investigação

É justamente nesse contexto que os petiscos passam a ocupar um espaço interessante. Diferentes texturas, formatos e aromas permitem apresentar novos estímulos de maneira gradual, sem alterar a alimentação principal do animal.

Mas o impacto vai além do sabor. A maneira como os snacks são inseridos na rotina influencia diretamente a forma como cães e gatos interagem com o ambiente. Em vez de funcionarem apenas como recompensa, eles podem ajudar a criar experiências mais variadas e cognitivamente estimulantes.

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Soja saca 60kg · Franca
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Atualizado 05/10 06h00 · Agrolink · Franca/SP (dia)

Petiscos

Para os cães, uma alternativa interessante é variar o grau de desafio associado ao consumo. Em alguns momentos, o petisco pode ser oferecido de forma mais simples, em outros, pode exigir pequenas ações antes da ingestão, como abrir compartimentos de brinquedos interativos, empurrar objetos leves, desenrolar tecidos ou encontrar o item escondido entre obstáculos simples.

Esse tipo de atividade estimula persistência, raciocínio e uso do olfato de maneira integrada.

Já com os gatos, mudanças sutis costumam gerar maior impacto. Oferecer snacks em recipientes diferentes, criar pequenos percursos entre pontos de oferta ou posicionar os petiscos em locais que incentivem salto, observação e exploração ajuda a ativar comportamentos naturais da espécie sem gerar excesso de estímulo ou quebra da rotina.

Adaptação

Segundo Bruna, esse tipo de experiência ajuda a construir maior flexibilidade comportamental ao longo da vida.

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“Quando o animal vivencia diferentes estímulos de forma gradual e positiva, ele tende a responder melhor a mudanças futuras. Isso contribui não apenas para adaptação alimentar, mas também para uma relação mais ativa e curiosa com o ambiente”, afirma.

Ao ampliar o repertório sensorial de maneira equilibrada, o responsável não está apenas oferecendo variedade. Está ajudando o animal a desenvolver maior capacidade de adaptação, exploração e interação com o mundo ao redor, algo que impacta diretamente sua qualidade de vida.

Autor

Nene Sanches

Redação · Jornal da Franca

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