Mudanças de comportamento, alterações na rotina e até expressões faciais podem indicar problemas de saúde nos cães e gatos
Ao contrário dos seres humanos, cães e gatos não conseguem dizer quando sentem dor ou quando algo não vai bem. Isso faz com que muitos problemas de saúde passem despercebidos pelos responsáveis, especialmente porque os animais desenvolveram, ao longo da evolução, mecanismos para esconder sinais de fraqueza.
Segundo a professora do curso de Medicina Veterinária do UniCuritiba, Ana Elisa Arruda Rocha, identificar mudanças sutis no comportamento é fundamental para garantir o diagnóstico precoce de doenças e melhorar a qualidade de vida dos pets.
“Eles não falam a nossa língua. Por isso, precisamos aprender a interpretar os sinais que manifestam por meio das expressões faciais, da postura corporal e das mudanças de comportamento. Muitas vezes, quando percebemos algo diferente, o problema já está mais avançado do que imaginamos”, explica.
A especialista destaca que cães e gatos demonstram desconforto de maneiras diferentes. Enquanto os cães costumam apresentar sinais mais evidentes, os gatos são conhecidos por esconder a dor com maior eficiência.
“Essa tendência de mascarar sinais é um mecanismo de defesa herdado da natureza. Nos gatos, isso é ainda mais marcante, o que torna a observação diária ainda mais importante”, afirma.
Mudanças de comportamento merecem atenção
Um dos primeiros sinais de que algo não está bem costuma aparecer no comportamento do animal. Isolamento, apatia, agressividade repentina, medo excessivo, ansiedade e vocalizações incomuns podem indicar tanto problemas físicos quanto emocionais.
“A saúde emocional também é saúde. Hoje sabemos que ansiedade, estresse e depressão podem causar sofrimento significativo em cães e gatos e precisam ser levados a sério”, ressalta Ana Elisa.
A professora explica que os animais estão cada vez mais integrados à rotina familiar e acabam sendo impactados pelo ambiente e pelo estado emocional das pessoas com quem convivem.
Alterações na rotina podem indicar doença
Mudanças nos hábitos diários também servem de alerta. Redução do apetite, diminuição do consumo de água, dificuldade para dormir, inquietação durante a noite e alterações na disposição merecem atenção.
Nos gatos, um dos sinais mais importantes é o uso inadequado da caixa de areia. “Quando um gato começa a urinar ou defecar fora da caixa, isso pode indicar diversos problemas de saúde e não deve ser interpretado apenas como um problema comportamental”, explica.
Sinais físicos frequentemente ignorados
Além das mudanças de comportamento, alguns sinais físicos costumam passar despercebidos pelos responsáveis. Alterações na postura, mudanças na qualidade da pelagem, lambedura excessiva de uma região específica do corpo, queda de pelos, olhos semicerrados e respiração mais ofegante podem indicar dor ou desconforto.
Nos cães, sinais como olhar mais triste, orelhas baixas, corpo arqueado e resistência à movimentação costumam ser indicativos de que algo está errado.
Já nos gatos, a observação precisa ser ainda mais cuidadosa. Orelhas voltadas para os lados, pupilas dilatadas, bigodes tensionados, corpo retraído, cabeça rígida e cauda balançando de forma intensa podem ser sinais de desconforto.
“Os gatos costumam ficar mais quietos quando sentem dor. Muitas vezes, o responsável interpreta isso apenas como um comportamento normal ou uma característica da personalidade do animal”, comenta.
Quando procurar ajuda veterinária?
A orientação da especialista é simples: qualquer mudança fora do padrão habitual do animal merece investigação.
“Se o responsável percebeu algo diferente, vale procurar atendimento veterinário. Como cães e gatos escondem os sinais de doença, quando alguma alteração se torna perceptível, geralmente já existe alguma condição em desenvolvimento”, alerta.
A recomendação vale tanto para sintomas físicos quanto emocionais. Casos de ansiedade intensa, agressividade repentina, tristeza persistente ou alterações importantes de comportamento também devem ser avaliados por um profissional.
“Quanto mais cedo identificarmos um problema, maiores são as chances de tratamento e de recuperação. Observar o animal diariamente continua sendo uma das principais ferramentas para preservar a saúde e o bem-estar dos pets”, conclui.