sábado, 31 de outubro de 2026 sábado, 31 out 2026 18° 27°/18° Franca
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​Ler para que, se você pode se esconder?

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Houve um tempo em que o governo, para se mostrar preocupado com a crescente ignorância da juventude, inseriu a prova de redação nas provas dos vestibulares e fez uma campanha bombástica para estimular a leitura. A tática de “dominar um povo burro chegou ao limite”. Para conseguir tal milagre, criou um órgão pomposo, a “Câmara do Livro”. Nele instalou “burocratas”, “sabujos”, “apaniguados” nem imaginação. Aquele, que se acreditou o iluminado, pariu um slogan sugestivo: “Quem lê, viaja!”.

Viciados em drogas começaram a mergulhar nas páginas dos livros na esperança de alçar altos voos. Não conseguindo, rasgaram as páginas, enrolaram-nas para fumá-las. Vendo a inutilidade do feito, pararam para contemplar as letras, depois as palavras, os parágrafos, as páginas, os personagens. A partir daí, afogaram-se em histórias. Às vezes riam, às vezes choravam; ora olhos impregnados de horizontes; ora, afundados no chão. Ora perscrutavam os olhos de pessoas; ora, mergulhavam no seu íntimo.

Pais, entre preocupados e desesperados, começaram a monitorar os filhos na ânsia de saber aonde iria dar a tal viagem. Eles próprios tentaram experimentar. Cheiraram as páginas, mas só encontraram odor de papel com tinta. Não entendiam como uma capa com um miolo causava tanta euforia, desejo, medo… Então decidiram se aventurar pelas primeiras linhas, todavia pararam no primeiro parágrafo. Largaram. A droga não os drogava. Não como um lança-perfume. Não como a sonolência da maconha ou a avidez da cocaína.

Um problema, nascido dessa campanha, se tornou crônico: crianças não desgrudaram mais dos livros, andavam com eles debaixo do braço ou dentro das mochilas. Contavam histórias fantásticas em que viajavam para planetas nem pais nem professores imaginavam onde ficavam. Pior, começaram a construir mundos para si, livres das amarras de um sistema educacional que pretendia deseducá-las: professores e coordenados que tentavam moldá-las.

Os jovens pareciam loucos, choravam porque se identificavam com lugares já há muito esquecidos e pessoas estranhas, com as quais jamais tinham convivido, os tais personagens. Pior, contavam mentiras descaradas, absurdas, impossível de serem concretizadas. Chamavam a isso enredo. Desesperaram-se os dadores de aulas, pregadores de emoções baratas e lineares, que não conseguiam consolá-los, usando suas fórmulas amarrotadas.

Era comum ver pessoas nos parques, nas filas, nos consultórios, no metrô e, até mesmo nos banheiros, lendo. Era ainda mais comum ver aquele olhar perdido a sonhar com o destino de outras pessoas que as influenciavam. Leitores de todas as idades começaram a se embrenhar, contaminados pela doença das linhas e entrelinhas. Traziam consigo aquele olhar sôfrego de quem se revira em busca de um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói, não sei por que. Muitos mergulhavam nos significantes das palavras, para se travestirem com seus significados, como se se carnavalizassem. As cidades passaram a criar feiras, nas quais, ao invés de frutas e legumes, as barracas vendiam passagens para a imaginação, a alegria, o sofrimento, os desejos dos mais superficiais aos mais ocultos. O impossível se tornou possível; possível, impossível.

Crianças, jovens, adultos, velhos que se embrenhavam pelo intrincado mundo da literatura político-social, tornaram-se incrivelmente críticos. Críticos ferinos, intragáveis na sua sanha de justiça. Passaram a usar expressões ofensivas contra os poderosos, como: “Justiça social”, “Abaixo a censura” e coisas tais. Os que se dedicavam aos romances começaram a expor seus sentimentos com tal falta de pudor, que incomodaram os carolas e os violentos, dando-lhes motivos para essas mentes obtusas agredi-los fisicamente em quaisquer lugares, pois não conseguiam agredir suas convicções. Vários deles se dedicaram ao suspense e à ficção científica. Os civis passaram a usar suas habilidades dedutivas para resolver intrincados crimes, que a polícia não resolvia com suas armas. Os idiotas da objetividade acreditavam no seu poder de decidir destinos, não suportavam ser confrontados por personagens egressos da história, agora desvestidos pela literatura.

Os que se criam detentores de algum poder, vomitadores de regras, normas, leis, disseminadores do medo, começaram a se preocupar com o seu próprio futuro. Espalharam, sem nenhuma vergonha, o boato de que a leitura tornava as pessoas frouxas, sensíveis em demasia, desconectadas da realidade objetiva. Tecnocratas transformaram o boato na teoria do comportamento. Várias reportagens tomaram conta do horário pobre. Era preciso mudar esse estado de coisas. Urdiram, então, um plano demolidor. A primeira medida: aumentar o preço dos livros. A segunda: colocar capas monumentais com couro bordado com fios de ouro em obras ocas. Arrancaram as páginas, estupraram obras, para que pudessem servir como objetos decorativos. A terceira: contratar pseudoescritores para reescrever obras de grandes autores dando a elas roupagens simplórias. Dos dedos frouxos e imaginações capengas, brotaram histórias rasas de autoajuda, com o intuito de embotar, fazer uma lobotomia nos viciados. A quarta: transformar livrarias em papelarias, cafeterias, sorveterias, brinquedotecas tirando delas a sua essência. A quinta: encarcerar os críticos, arrancar sangue das suas frontes para que reneguem seus ideais e se tornem cidadãos papel higiênico.

Os “burrocratas”, subornados, submissos, sabujos fizeram pior, espalharam que ser escritor era ter uma espécie de doença da alma, um sério desvio de caráter. Todo escritor é um mentiroso compulsivo. Pior, afirmaram, de pés juntos que, quem lê, se torna chato, intragável, porque se torna crítico demais e ser crítico, é muito ruim, afasta os amigos.

Os comedores de dicionários, já deformados pela superficialidade, prolixos, puramente gramatiqueiros, ditadores da palavra, cultuadores das denotações olhavam desconfiados os aficionados pela subjetividade, os idealismos, os amantes das revoluções internas, das conotações sem entender o real motivo de uma pessoa passar a vida sendo governada, sem o desejo inerente aos humanos de governar. Não entendiam também, como leitores encontravam o equilíbrio entre a ficção e as evidências, tornavam o histórico, atual; o atual, histórico; o histórico e o atual, atemporais.

Os magnatas, comerciantes de palavras, organizaram grupos de mercadores de consciências, de acordo com a sua conveniência, para falarem o óbvio para os óbvios, tolices para os tolos, para os inseguros, os medrosos, os impotentes, os desiludidos, os iludidos, os tímidos, os inseguros. Conclamaram aproveitadores das desgraças alheias: executivos, psicólogos, técnicos de esportes, os que criam ter encontrado o milagre para atrair o dinheiro fácil, os que criaram modelos de qualidade de vida para parirem livros apelativos: “Como emagrecer em sete dias”. “Como deixar de ser tímido”. Batizaram o amontoado de palavras de “literatura” de autoajuda. No entanto, não só faltava a literatura como também a ajuda. Como o apelo comercial é enorme, as pessoas sempre estão doentes da razão, o grande negócio do negócio é fazer chorar. Para começar o ridículo périplo de páginas, cunharam coisas assim: “Toda caminhada começa com o primeiro passo”. Então, tolos viram sabedoria na ignorância.

De fantasias heréticas a lendas urbanas, de ilusões românticas a pesadelos realistas, a literatura foi perdendo gradativamente o contato com a palavra. Com o tempo, o óbito de personagens, enredos, tramas, fantasias foi inevitável. Morreram os leitores de livros, nasceram os internautas. Esses se entregaram ao Instagram, ao Facebook, como às balinhas de ecstasy. O Google passou a ser a casa, a consciência, seu mundo. No auge da excitação, os argonautas do ciberespaço inventaram até um novo idioma, sem as palavras. Comunicavam-se por gestos, grunhidos, carinhas, bichinhos, que substituíram momentos de amor, desespero, raiva, pudor, humor por frases desconectadas de textos ínfimos, sem enredo. As redes sociais pescaram a criatividade.

Houve um tempo em que as pessoas entendiam melhor o mundo, porque entendiam melhor as palavras. Sabiam que tudo que está dentro ou fora de cada um, na imaginação ou na razão, é traduzido por palavras. Ler é adquirir vocabulário, portanto entender melhor as coisas e poder falar melhor com elas e sobre elas. Talvez seja por isso que as guerras são cada vez mais frequentes. O discurso faliu. A diplomacia morreu As pessoas se tornam cada vez mais agressivas, não conseguem expressar mais suas emoções, se é que ainda as têm. Será que ainda têm capacidade de se indignar? O mundo de hoje está muito sem graça. A arte de transmutar o mundo em palavras, letras e significantes e significados faliu. A criação parece um deserto. Virou “cover” e “releitura”. A originalidade agoniza. Caminhamos massificados em um deserto criativo: uberização; macdonaldização. 

Horóscopo

Lua minguante em Câncer · Sol em Escorpião

Áries 21/3 a 19/4

Sua energia habitual pede uma pausa estratégica neste sábado para cuidar do lar e dos afetos mais íntimos. Aproveite para esvaziar a mente de cobranças profissionais e curtir o aconchego de quem você ama.

Touro 20/4 a 20/5

A lua minguante favorece conversas sinceras e o fortalecimento de laços familiares importantes. Desacelere o ritmo da rotina e permita-se desfrutar de momentos de puro descanso sem culpa.

Gêmeos 21/5 a 20/6

Organize suas finanças com calma e evite gastos impulsivos em sua lista de tarefas pendentes. O momento pede introspecção para redefinir prioridades e cuidar melhor do seu bem-estar emocional.

Câncer 21/6 a 22/7

Com a lua em seu signo, sua sensibilidade estará à flor da pele, facilitando a empatia nas relações. Use essa energia para acolher quem precisa e renovar suas próprias esperanças.

Leão 23/7 a 22/8

O dia convida ao recolhimento e ao cuidado silencioso com a sua saúde mental e emocional. Deixe os holofotes de lado por algumas horas e valorize o repouso em um ambiente tranquilo.

Virgem 23/8 a 22/9

Reencontros com velhos amigos podem trazer uma sensação reconfortante de pertencimento e paz. No trabalho, deixe as demandas de lado e foque em alinhar suas expectativas pessoais.

Libra 23/9 a 22/10

Reflita sobre suas metas de longo prazo e ajuste o passo com suavidade e paciência. Nas relações, priorize a escuta atenta e evite discussões desnecessárias sobre pequenos detalhes.

Escorpião 23/10 a 21/11

Com o sol em seu signo, sua intuição está afiada para guiar escolhas importantes na vida pessoal. Compartilhe momentos de qualidade com parceiros de jornada e fortaleça alianças verdadeiras.

Sagitário 22/11 a 21/12

Transformações internas profundas pedem um dia de silêncio e reconexão com sua essência. Cumpra apenas o essencial na rotina e reserve o resto do dia para restaurar suas energias.

Capricórnio 22/12 a 19/1

Parcerias afetivas e profissionais ganham destaque com um clima de cooperação e cumplicidade. Diga o que sente sem medo e permita que o outro cuide de você por um instante.

Aquário 20/1 a 18/2

Sua rotina ganha leveza se você aceitar o convite para desacelerar e focar no autocuidado. Organize seu espaço físico para trazer mais harmonia e clareza aos seus pensamentos.

Peixes 19/2 a 20/3

Sua criatividade e empatia encontram solo fértil para expressar afeto de maneiras singulares. Dedique este dia aos seus hobbies favoritos e deixe a intuição guiar seus passos.

Indicadores Agro
Boi gordo arroba · Franca
R$ 376,00 0,0% 23/10/2026
Café arábica saca 60kg · Franca
R$ 1.700,00 1,2% 23/10/2026
Laranja pêra cx 40,8kg · Franca
R$ 28,58 0,3% 23/10/2026
Milho saca 60kg · Franca
R$ 58,00 0,1% 23/10/2026
Soja saca 60kg · Franca
R$ 126,00 21/10/2026
Algodão pluma 15kg · São Paulo/SP
R$ 139,00 3,5% 05/10/2026
Atualizado 24/10 09h00 · Agrolink · Franca/SP (dia)
Previsão do tempo · Franca
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Mín 18° · Máx 27°
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Ter
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19°
Qua
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30°
19°
Qui
🌧
26°
20°
Loterias
Mega-Sena Concurso 3078 29/10/2026 Acumulou Último resultado
05 07 12 29 34 36

Prêmio estimado: R$ 6.000.000,00 Próximo: 30/10/2026

Quina Concurso 7155 29/10/2026 Acumulou Último resultado
14 29 33 53 72

Prêmio estimado: R$ 8.300.000,00 Próximo: 30/10/2026

Lotofácil Concurso 3817 29/10/2026 Último resultado
02 06 08 10 11 12 13 15 16 18 19 22 23 24 25

Prêmio estimado: R$ 2.000.000,00 Próximo: 30/10/2026

Atualizado 30/10/2026 22h30
Notas de falecimento
  • AMELIA GUILHERME REZENDE Falecimento 29/10/2026
  • MARIA APARECIDA DA CONCEICAO MACHADO Falecimento 29/10/2026
  • DANILO PERIRA DUARTE Falecimento 29/10/2026
  • SERGIO SILVA BENEDITO Falecimento 29/10/2026

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