Para quem ainda não tem experiência, conseguir a primeira oportunidade de trabalho costuma ser um dos maiores desafios no início da carreira.
Para facilitar esse acesso, existe o Programa Jovem Aprendiz, regulamentado pela Lei da Aprendizagem (Lei nº 10.097/2000). A iniciativa permite que estudantes conciliem a formação profissional com a rotina de estudos, por meio de um contrato formal de trabalho e direitos garantidos.
Em 2026 o Brasil alcançou recorde histórico no número de jovens aprendizes. Segundo dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Brasil registrou saldo positivo de 54.821 jovens aprendizes entre janeiro e abril de 2026, elevando para 726.025 o número de contratos ativos.
“Cada vez mais empresas percebem o potencial de formação de jovens talentos e nos procuram para entender como tornar esse potencial em oportunidades reais”, explica Luiz Philipe F. Cardinali, Coordenador Administrativo de Aprendizagem na Companhia de Estágios, líder em recrutamento e seleção de estagiários, trainees e jovens aprendizes.
Segundo ele, “apesar desta maravilhosa marca de mais de 726 mil jovens com contratos ativos, ainda estamos abaixo de 50% do potencial total, ou seja, ainda é possível dobrar esse número de contratos ativos”.
O que é o programa e quem pode participar?
O programa funciona a partir de um contrato especial de até dois anos e possibilita ao jovem vivenciar o mundo do trabalho em diversas áreas, como finanças, RH, administração e logística, recebendo apoio prático e teórico das organizações.
Para participar, é preciso ter entre 14 e 24 anos completos até o fim do contrato e estar cursando fundamental ou médio, ou ter concluído o Ensino Médio. É importante lembrar que, para pessoas com deficiência, não há limite de idade para participar.
Quais as diferenças entre o Programa Jovem Aprendiz e o Estágio?
Jovem Aprendiz e estágio têm regras, objetivos e formas de contratação diferentes.
“No primeiro caso, a oportunidade está ligada a abertura de uma primeira oportunidade para jovens que ainda não tenham experiências, mas tenham aquela vontade e energia de ingressar de maneira formal e regular ao mercado de trabalho”, explica o especialista.
Ele complementa: “Um estudante de Direito, por exemplo, pode estagiar na área jurídica de uma empresa para aplicar na rotina profissional os conhecimentos aprendidos na faculdade”.
No caso do Jovem Aprendiz, o jovem é contratado sob as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por meio de um contrato especial e por prazo determinado de até dois anos.
O que é o estágio
Já o estágio não estabelece vínculo empregatício e segue uma legislação específica, a Lei do Estágio (Lei nº 11.788/2008), que regulamenta que o contrato seja firmado por meio de um termo de compromisso entre estudante, instituição de ensino e empresa.
A jornada costuma variar entre quatro e seis horas diárias, e o pagamento de bolsa-auxílio e benefícios não é exigido por lei no estágio chamado obrigatório, mas é comum no estágio não obrigatório.
É possível ser Jovem Aprendiz mais de uma vez?
Sim. A legislação permite que a pessoa tenha contratos de aprendizagem sucessivos desde que seja com empresas diferentes e em arcos ocupacionais distintos, mantendo-se o cumprimento dos requisitos do programa, como idade e escolaridade.
Com a mesma empresa, porém, o contrato não pode ultrapassar dois anos, salvo nas exceções previstas em lei para pessoas com deficiência.
Qual a faixa salarial e os benefícios garantidos?
O aprendiz deve receber, no mínimo, o salário mínimo por hora, mas a empresa pode optar por pagar um valor maior. Como o cálculo é feito por hora, o salário mensal varia conforme a jornada de trabalho e acompanha o reajuste anual do salário mínimo.
De acordo com dados internos da Companhia de Estágios, a média salarial na modalidade é de R$ 1.218,37. Além da remuneração, o jovem tem direito à carteira assinada, 13º salário, vale-transporte e FGTS, com alíquota de 2% para o empregador.
Em alguns casos, também são oferecidos benefícios como vale-refeição e vale-alimentação, aproximando o pacote oferecido aos aprendizes daquele destinado aos demais profissionais.
Onde encontrar oportunidades e o que colocar no currículo quando ainda não se tem experiência?
Esses programas são divulgados em portais de notícia, sites especializados que conectam os candidatos a diferentes empresas, além de ONGs de aprendizagem.
Para quem está buscando uma oportunidade a recomendação é destacar no currículo a formação, cursos, habilidades e atividades que demonstrem comprometimento e iniciativa.
Ressaltar o objetivo profissional também ajuda a direcionar os interesses que fazem sentido para a vaga. Como muitas empresas precisam contratar aprendizes, há vagas em diferentes áreas e setores.
Como um candidato deve se portar ao ser chamado para uma entrevista?
Se a entrevista for presencial, convém avaliar a distância e o tempo de deslocamento antecipadamente para chegar 30 minutos antes do horário da entrevista. Já nos processos seletivos online, a recomendação é verificar antes a conexão de internet, o microfone e a câmera.
É essencial escolher um ambiente iluminado e silencioso, com privacidade. Mesmo participando da entrevista de casa, é importante manter uma postura profissional, vestir-se adequadamente e estar conectado com antecedência na reunião virtual.
A dica de ouro é pesquisar sobre a empresa antes, já que conhecer a cultura e o estilo das pessoas que trabalham lá ajuda a escolher a roupa mais adequada.
Em caso de dúvidas, a recomendação é sempre apostar em peças básicas e confortáveis, como calça e camiseta ou camisa, que funcionam bem na maioria das empresas.




