Lavar frango, misturar produtos de limpeza e usar álcool em feridas são hábitos que podem trazer riscos. Veja o que realmente protege a saúde em casa
Lavar o frango antes de cozinhar, recolher rapidamente um alimento que caiu no chão ou misturar diferentes produtos para deixar a casa mais limpa. Hábitos como esses fazem parte da rotina de muitas famílias, mas nem todos ajudam a proteger a saúde. Alguns, inclusive, podem aumentar o risco de contaminação e acidentes.
O alerta é da infectologista Paula Pinhão, diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV). Segundo a especialista, o objetivo da higiene doméstica não é eliminar todos os microrganismos do ambiente, mas reduzir a exposição aos agentes capazes de provocar doenças.
1. Lavar o frango antes de cozinhar
A prática parece fazer sentido, mas pode espalhar bactérias presentes na carne crua. Durante a lavagem, respingos de água podem atingir a pia, a bancada, utensílios e outros alimentos, favorecendo a contaminação cruzada.
A segurança depende do cozimento adequado, e não da lavagem prévia. Para reduzir os riscos, é importante manter carnes cruas separadas de alimentos que serão consumidos sem cozimento, lavar as mãos após o manuseio e higienizar os utensílios e as superfícies utilizados no preparo.
2. Acreditar na regra dos cinco segundos
A ideia de que um alimento recolhido do chão rapidamente continua seguro não tem fundamento como garantia de proteção.
A transferência de microrganismos pode acontecer assim que a comida entra em contato com uma superfície contaminada. O risco varia conforme o alimento e as condições do local, mas o tempo reduzido de exposição não elimina a possibilidade de contaminação.
Por isso, a recomendação mais segura é descartar alimentos que caíram no chão, em vez de confiar na chamada regra dos cinco segundos.
3. Usar mais desinfetante significa limpar melhor
O excesso de produtos não torna necessariamente a limpeza mais eficiente. Na rotina doméstica, água e detergente ou sabão costumam ser suficientes para remover sujeira e grande parte dos microrganismos de muitas superfícies.
A desinfecção pode ser necessária em situações específicas, como quando há uma pessoa doente em casa, mas deve seguir as orientações do fabricante.
Misturar produtos de limpeza é especialmente perigoso. Dependendo das substâncias envolvidas, podem ocorrer reações químicas com liberação de gases tóxicos e risco de intoxicação. Cada produto deve ser utilizado individualmente, conforme as instruções do rótulo.
4. Aplicar álcool ou água oxigenada em machucados
A sensação de ardência pode dar a impressão de que o produto está eliminando os microrganismos, mas álcool e água oxigenada podem irritar os tecidos e prejudicar a cicatrização de determinadas feridas.
Para lesões superficiais, a limpeza com água corrente costuma ser uma medida inicial adequada. Ferimentos profundos, extensos ou com sinais de infecção precisam de avaliação profissional.
5. Esquecer que a esponja da cozinha acumula microrganismos
A combinação de umidade e restos de alimentos favorece a multiplicação de microrganismos nas esponjas utilizadas para lavar louça.
Por isso, o utensílio precisa de cuidados frequentes e deve ser substituído regularmente. Também é importante evitar deixá-lo constantemente molhado e com resíduos acumulados.
6. Confiar apenas no cheiro e na aparência dos alimentos
Um alimento com aparência e cheiro normais não está necessariamente livre de contaminação. Alguns microrganismos capazes de provocar doenças não alteram características perceptíveis, como cor, odor e textura.
A conservação adequada, a refrigeração e o respeito aos prazos de validade são fundamentais para reduzir riscos. Também é importante observar as condições de armazenamento e evitar deixar alimentos perecíveis por longos períodos fora da geladeira.
O que realmente ajuda a prevenir infecções?
Em vez de tentar esterilizar a casa, especialistas recomendam concentrar os cuidados em medidas simples e eficazes:
– Lavar as mãos antes de preparar alimentos e fazer refeições, depois de usar o banheiro e após manipular carnes cruas.
– Separar alimentos crus daqueles que serão consumidos sem cozimento.
– Cozinhar adequadamente carnes e outros alimentos que exigem tratamento térmico.
– Limpar regularmente superfícies e utensílios utilizados na cozinha.
– Utilizar produtos de limpeza conforme as instruções do fabricante, sem misturar substâncias.
– Armazenar corretamente os alimentos e respeitar os prazos de validade.
A higiene doméstica não precisa ser exagerada para ser eficiente. O mais importante é conhecer os riscos reais e adotar medidas que tenham eficácia comprovada, evitando hábitos que podem transmitir uma falsa sensação de segurança.
Fonte: Alto Astral




