Entenda por que cães destroem alguns bichinhos de pelúcia e preservam outros, quais fatores influenciam o comportamento e como evitar acidentes
Quem tem cachorro em casa provavelmente já presenciou a cena: basta entregar um bichinho de pelúcia para o animal para, pouco tempo depois, encontrar o brinquedo rasgado e o enchimento espalhado pelo chão. Mas, curiosamente, outros brinquedos podem permanecer intactos por meses e até acompanhar o pet durante o sono.
Essa diferença não acontece necessariamente por acaso. O comportamento dos cães diante dos brinquedos é influenciado por instintos naturais, características dos objetos e preferências individuais. Por isso, um mesmo animal pode tratar uma pelúcia como algo a ser destruído e outra como um objeto de conforto.
Instinto de caça pode explicar a destruição
Uma das explicações está no comportamento predatório dos cães. Mesmo domesticados, eles preservam padrões de comportamento herdados de seus ancestrais, como perseguir, agarrar, sacudir e morder objetos.
Os bichinhos de pelúcia podem estimular essas respostas, principalmente quando têm partes fáceis de puxar, emitem sons ou contêm apitos que fazem barulho ao serem pressionados.
Nesses casos, rasgar o tecido e retirar o enchimento pode fazer parte de uma brincadeira que reproduz etapas do comportamento de caça. Isso não significa, necessariamente, agressividade ou algum problema comportamental. Para muitos cães, simplesmente é uma atividade estimulante e divertida.
Textura, cheiro e som fazem diferença
Nem todos os brinquedos despertam o mesmo interesse. A textura do tecido, a resistência das costuras, a presença de apitos e até o cheiro podem influenciar a maneira como o cachorro interage com cada objeto.
Uma pelúcia macia, com costuras frágeis e partes que podem ser puxadas, pode ser mais fácil de destruir do que um brinquedo resistente. Já o som emitido por determinados modelos pode estimular o animal a continuar mordendo e sacudindo o objeto.
O cheiro também pode interferir na preferência. Alguns cães demonstram interesse especial por brinquedos que carregam odores familiares, enquanto outros se sentem atraídos pela novidade.
Além disso, o modo como o tutor brinca com o animal pode influenciar o uso do brinquedo. Objetos associados a brincadeiras de puxar, por exemplo, podem sofrer mais desgaste durante a interação.
Por que alguns cães preservam seus brinquedos?
Enquanto alguns animais rasgam praticamente tudo o que recebem, outros carregam determinadas pelúcias pela casa, dormem com elas ou as procuram em momentos de descanso.
Esses objetos podem funcionar como fontes de conforto, especialmente quando estão associados a experiências positivas e a cheiros familiares. A preferência também pode estar relacionada à personalidade, à idade e ao estilo de brincadeira de cada cão.
Não existe, portanto, uma regra segundo a qual o cachorro necessariamente destruirá seus brinquedos favoritos. Em alguns casos, ele pode querer morder e rasgar; em outros, pode preferir carregar, buscar ou simplesmente permanecer perto do objeto.
A destruição também pode ocorrer por tédio ou falta de estímulos, mas não é suficiente, isoladamente, para concluir que o animal está ansioso. Se o comportamento vier acompanhado de outras mudanças importantes, vale conversar com um veterinário.
Como evitar acidentes com os brinquedos
Embora rasgar uma pelúcia possa ser uma brincadeira comum, o comportamento exige atenção quando o cão começa a engolir partes do objeto.
O enchimento, os pedaços de tecido e os apitos podem provocar engasgos ou obstruções no sistema digestivo. Por isso, cães que costumam destruir brinquedos devem brincar sob supervisão, e objetos rasgados precisam ser retirados antes que partes sejam ingeridas.
Também é importante escolher brinquedos adequados ao porte, à força da mordida e ao estilo de brincadeira do animal. Para cães que destroem pelúcias com frequência, opções mais resistentes e brinquedos de enriquecimento ambiental podem ser alternativas, desde que sejam apropriados e seguros.
Se houver suspeita de ingestão de partes do brinquedo, procure orientação veterinária. Vômitos, falta de apetite ou alterações no comportamento após o episódio também merecem atenção.
No fim, a diferença entre a pelúcia destruída e aquela que permanece intacta pode estar em uma combinação de instinto, características do objeto e preferências do próprio cão. Observar como o animal brinca ajuda o tutor a escolher opções mais adequadas e a tornar a diversão mais segura.
Fonte: O Globo




