Sorriso de amor

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  • Publicado em 29 de outubro de 2015 às 09:32
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 17:29
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Eu sorrio um sorriso de amor quando você escancara as trancas da vida e chega com seu sorriso contagiante, fazendo ainda mais jovem o meu coração que nunca teve idade. E continuo a sorrir quando você coloca na minha boca o gosto doce da vida, como a sobremesa do almoço de domingo, feita na aflição de um desejo e saboreada na cumplicidade de um amor que não precisa de palavras para existir. Só de gestos. Intensos, desordenados, como a brisa da noite a brincar com a chama que arde dentro de nós. Cumplicidade que vive sem planejamento, mas não abre mão dos sonhos para fazer de cada dia uma eternidade. Que mistura noite e dia, esconde segredos, cria mistérios e sussurra melodias como trilha sonora de prazeres caprichosos, esperando a explosão interna que dói sem dor e confunde os sentidos para fortalecer seus laços. Quando vejo você com seu sorriso vindo na minha direção, com flores numa mão e mistérios na outra, não sei se corro a favor ou contra o tempo, não sei se sou jovem ou criança, se estou feliz ou perdi o juízo. Nem paro para pensar sobre o significado da vida. Só me preocupo com as conversas quase silenciosas fazendo planos. Sonhando viagens para os lugares exóticos, imaginando castelos, praias desertas, riachos cristalinos, gargalhadas como companhia e girassóis para admirar essa falta de compromisso que anda de mãos dadas. Só tenho olhos para os seus olhos e atenção para os gestos. Um olhar que vê, mas nem sempre entende. Caminho sem sair do lugar, marcando o compasso do desejo. Então me deparo com a mansa loucura de fazer algo novo a cada novo encontro. Uso minhas mãos como uma vara mágica, crio o vazio e o preencho com a chama de um amor que não enxerga limites, não conhece tamanhos, não caminha com o tempo. Que se equilibra sobre um alicerce que espera para ser construído. Que faz os seus momentos, balbucia suas próprias palavras, cria seus próprios sons, compõe suas próprias melodias. Que ninguém vai entender e nem poder cantar.