​Servidores da Educação em Minas fazem paralisação e acenam com greve longa

Segundo entidade, luta é contra parcelamento dos salários e pela volta do pagamento no 5º dia útil

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O governo de Minas vai enfrentar mais uma paralisação de servidores estaduais. Segundo a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-Ute), Beatriz Cerqueira, a paralisação foi aprovada em um congresso do sindicato que teve início na última quinta-feira e terminou no domingo (3).

Na terça-feira (5) está ocorrendo um ato com os trabalhadores da saúde e eletricitários, que também estão em greve. 

“A nossa pauta é a luta contra o parcelamento dos salários e a volta do pagamento no 5º dia útil”, explicou Beatriz. 

De acordo com uma fonte ligada ao Sind-UTE, que preferiu não se identificar, a revolta dos servidores é ainda maior este mês. Isso porque o governo ainda não divulgou as datas em que serão depositadas as parcelas do pagamento. Segundo a fonte, nos bastidores, a informação é de que o pagamento da primeira parcela não deve sair antes do dia 20. 

“Isso gera um problema enorme para a nossa categoria, principalmente porque todas as contas vencem antes dessa data. A informação que nós temos é que a previsão de pagamento da primeira parcela seja depositada apenas no dia 22 desse mês”, disse. 

O interlocutor também contou que está sendo conversado no sindicato uma paralisação maior na próxima semana. Segundo ele, a partir de segunda-feira, dia 11 de junho, será convocada greve com fim apenas quando o valor for depositado. 

“A intenção é forçar a antecipação da data. É inadmissível que o governo atrase o pagamento mais de 30 dias como ele está querendo fazer e como ele fez mês passado”, disse a fonte.

Essa informação não foi confirmada pela coordenadora do Sind-Ute, Beatriz Cerqueira. De acordo com a Secretaria de Fazenda, a data do pagamento das parcelas será definida ainda nesta semana.

Apesar da crise, o governo vinha conseguindo pagar os salários, mesmo escalonados e com atraso, no mês corrente. Mas, no mês passado, isso não aconteceu. 

A terceira parcela, que deveria ter sido depositada no dia 30 de maio, só foi paga no dia 1º de junho. Ainda em maio, a primeira parcela estava prevista para o dia 16, mas só foi quitada no dia 18.

Na ocasião, o Executivo afirmou ter adiado o pagamento da primeira parcela por causa de uma lista divulgada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que mostrava servidores que estariam sob suspeita de acumular cargos ilegalmente.

De acordo com o levantamento da Corte de Contas, mais de cem mil servidores públicos estão sendo investigados por acúmulo ilegal de cargos. 

O estudo apontou que, em decorrência desse o acúmulo irregular de cargos, o prejuízo mensal aos cofres públicos pode chegar a mais de R$ 480 milhões. 

Por outro lado, fontes do governo de Minas afirmaram a possibilidade de que, dos 96 mil nomes de servidores do governo apontados pelo TCE-MG como casos de acumulação ilegal de cargos, apenas 1% esteja, de fato, irregular.

“Foram apontados 80 mil servidores da educação e mais de 6.000 da saúde, setores em que a legislação permite certo nível de acúmulo de cargos”, comentou um membro do governo na ocasião. 



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