Seguro de carro cobre enchente? Saiba o perigo e cuidados necessários

Muitas seguradoras têm apólices que cobrem o carro em caso de enchente ou outros fenômenos naturais

Postado em: em Economia

Chuva arrasta carros e causa prejuízos em Franca. Foto: Igor do Vale

Com o maior volume de chuva desde fevereiro de 1983, a cidade de São Paulo passou por um grande problema de enchente e alagamentos que, praticamente, transformou a maior cidade do País em uma ‘cidade fantasma’.

Do mesmo modo, Franca registrou o mês com o maior volume de chuva dos últimos anos. A cada tempo fechado e ameaça de chuva, os francanos procuram evitar os locais de baixada, principalmente as avenidas marginais e áreas próximas de canais. 

Os locais mais castigados pelas águas são os canais das avenida Hélio Palermo, Alonso Y Alonso, Ademar Polo Filho, a baixada da Avenida São Vicente e, do outro lado, a baixada da Avenida Miguel Sábio de Mello.

Também são evitados (nem sempre com sucesso) o trecho próximos das faculdades e do antigo Forum, sempre inundados, e a avenida Antonio Barbosa Sobrinho, nas imediações do Galo Branco.

Por serem marginais ou locais de baixada, o volume de água impede o trânsito de veículos, quando não até mesmo arrastam os veículos, batendo-os contra muretas ou jogando-os nas calçadas.

Apesar disso, alguns motoristas foram pegos no meio do caminho por inundações ou mesmo com os carros parados sofreram com enchentes que atingiram seus veículos.

Nessa hora é necessário o motorista ou proprietário do veículo ter  algumas informações sobre qual o tipo de cobertura que existe para esse tipo de situação que são registradas como “fenômenos naturais”.

A maioria dos seguros automotivos tem cobertura compreensiva (colisão, incêndio, roubo e furto). Esse tipo de apólice traz também a cobertura para danos de enchentes se o carro estiver parado, seja rua, garagem ou estacionamento.

A Porto Seguro salienta que o seguro não é válido quando o carro é afetado porque o motorista tentou atravessar um alagamento. Nesse caso, a cobertura contra fenômenos naturais não vai cobrir os estragos no veículo.

Além de enchente, a apólice da Porto Seguro cobre ainda queda de árvore, postes e muros – se causados pela chuva. A Porto Seguro, em caso de dano que possa ser reparado, paga a higienização completa do veículo.

Na Bradesco Seguros, a apólice faz a mesma cobertura, mas não cobre acontecimentos como maremoto, terremoto e vulcões, que de todo modo são fenômenos naturais que não atingem o Brasil. 

A Bradesco faz o mesmo tipo de alerta quanto ao ‘enfrentamento’ de alagamento. Se for constatado isso, o seguro não cobre

Como atravessar uma enchente?

Córrego dos Bagres transformou a Avenida Antônio Barbosa Filho em um rio. Foto: Igor do Vale

​A dica primordial é não sair com o carro. Caso seja necessário, é importante tomar alguns cuidados. 

O ideal é não tentar atravessar alagados ou área de enchente. Especialmente porque não dá para saber o que há sob a água ou se há algum buraco que possa ter surgido pelo volume de água.

Caso seja necessário atravessar, é primordial garantir que o nível da água não supere metade da roda do veículo, ou o centro da roda. 

Mantenha o motor em rotações baixas, em torno de 2.500 rpm no máximo. O ideal é atravessar em primeira, no máximo segunda marcha, onde há mais força para vencer a água.

Em caso de transmissão automática, o ideal é colocar no modo manual, se não houver procurar as opções “2,3” ou “L” que alguns carros oferecem. 

Outros câmbios automáticos tem a função “winter ou snow”, que também funciona para a chuva ao manter a transmissão em giros baixos para dar tração.

Caso o carro ‘morra’ durante a passagem, não tente ligar o carro novamente. O ideal é esperar dentro do veículo por socorro, mas caso a água comece a subir mais, saia pelos vidros e vá para o teto.

Passar por uma enchente?

Avenida Miguel Sábio de Mello tomada pela água. Foto: Leonardo Vieira/

​Independente de tentar manter o carro “na margem de segurança”, ainda há muitos riscos ao atravessar com o carro por uma enchente. A água pode atingir o duto de captação de ar do motor.

Quando o motor aspira água ao invés de água, pode ocorrer o “calço hidráulico”.

Isso é quando o pistão tenta comprimir a água que entrou no lugar do ar nos cilindros. A pressão é tanta que as bielas chegam a entortar.

Além do calço hidráulico, a água pode afetar também a parte elétrica do carro. Os danos nesse sentido, podem dar perda total em alguns casos. 

Se alguma das centrais eletrônicas (EMU) for atingida o custo pode não compensar o reparo.

Passou pela enchente?

Carros danificados durante temporal. Foto: Igor do Vale

​Sempre é, mas nem sempre vale a pena. Dependendo dos problemas, a seguradora vai optar pela ‘perda total’. Se nada for afetado, nem mecânico, nem elétrico, há a higienização a ser feita.

A higienização é feita dependendo do nível que a água atingiu no carro. 

No nível máximo, de carro submergido, é preciso realizar a desmontagem completa do interior do veículo. 

São trocados os carpetes, além de retirada de bancos e revestimento do teto.

A lataria vai receber uma lubrificação nova para evitar ferrugem e corrosão. Bancos tem a espuma retirada para dedetização, assim como o forro do teto. 

É preciso fazer também a lubrificação de outras peças, como trilho de teto solar, entre outros.

Quanto custa uma higienização automotiva?

Deixar o carro quase novo custa de R$ 800 a R$ 2.500

​No caso do serviço completo, que é do carro que foi atingido até o teto ou ficou submerso, o valor médio para um carro compacto é de R$ 800. 

Mas os valores pode superar os R$ 2.500 dependendo da empresa e do porte do veículo. O tempo de serviço vai de dois dias a uma semana.


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