PARALELO COM A PARTITURA III

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Depois que falamos sobre aquecimento, convergência para o estudo ou a aula fluir melhor, vamos a um outro item : a leitura.

Cada aluno necessita de um tipo diferente de desenvolvimento porque cada um tem um tamanho de mão diferente, é como sua identidade, sua impressão digital. A partir do momento que entendemos que cada um é um ser único e essencialmente individual, vamos observando suas necessidades e aplicamos a metodologia para cada pessoa.

Quando pedimos para o aluno fazer uma leitura, podemos observar o quanto ele é:

  • Observador ou desatento
  • Detalhista ou não
  • Se enxerga o todo ou as partes
  • Se é atento para tudo o que é pedido ou se realiza somente parte do que está escrito.
  • Se consegue ter ergonomia para o estudo
  • Se lê somente notas ou se consegue observar ao mesmo tempo tudo o que é pedido em determinado trecho: ritmo, onde está a melodia, ligaduras, se tem controle no andamento, se respeita o ritmo, se consegue transmitir os sons com a intenção do compositor ou se apenas abaixa as teclas na nota certa...
  • Outra questão importante é o dedilhado. Quando se observa atentamente ao dedilhado e com um lápis e borracha vai adequando o melhor dedilhado às suas mãos, para uma melhor execução, sua interpretação e desenvolvimento serão muito mais rápidos.
  • Qual é sua capacidade de foco para se concentrar exatamente em executar o que é pedido. A concentração é fundamental.
  • Se consegue ter independência de mão esquerda e direita quando é pedido algo bem diferente em cada uma das mãos. ( lado direito e esquerdo do cérebro)
  • Se existe o enfrentamento necessário para ler e transmitir o que está escrito como se fosse ler um texto com vírgulas, pontos, exclamações, interrogações, acentos, entonações, etc.
  • Se desiste mediante uma dificuldade, se passa por cima, ou se procura entender o que se pede e executa

Então, com estas manifestações diante da leitura podemos observar como esta pessoa está agindo em sua vida.

O estudo de uma partitura proporciona à pessoa, um desenvolvimento cerebral, cognitivo e principalmente comportamental que vai ecoar em todas as suas atividades ou profissão.

Falamos da leitura de um texto, quem lê interpretando o texto , respirando onde tiver vírgulas, exclamando onde é pedido. Assim é na leitura da partitura com suas vírgulas, pontos, exclamações mas com notações diferentes: ligaduras, staccatos, marcatos, pontos de aumento, crescendo, diminuindo, forte, leve ( piano) e assim consegue dar à HISTÓRIA que foi escrita musicalmente, a sua intenção real.

Podemos ajudar a pessoa a ser mais observadora e detalhista. Assim, em sua vida, terá mais atenção aos detalhes em tudo o que for realizar e com certeza terá maior êxito.

Ajudamos a pessoa a ver o todo mas entender as partes, e isso vai reverberar em sua vida enxergando os fatos como um todo mas analisando as partes.

A pessoa poderá ser favorecida quando perceber que precisa ser mais atenta, ouvir mais as pessoas, estar em sintonia num diálogo.

Outra ajuda é quanto à ergonomia, que citamos no livro O piano um escultor da alma, ensinando o aluno a organizar o espaço, seu corpo e mente para fluir melhor o estudo.

Quando a pessoa aprende a se concentrar, é como se ela fizesse meditação ou yoga através do estudo da partitura. Estar atenta, tranquila, observando os mínimos detalhes, serenando a mente agitada.

A coordenação motora vai lhe ajudar a fazer sinapses entre lado direito e esquerdo do cérebro, se tornando uma pessoa mais eficiente, com rendimento melhor em tudo o que for fazer.

A perseverança, atributo indispensável ao estudo de um instrumento, vai enviar informações a este ser de que tudo o que é feito com dedicação e perseverança, o resultado será infinitamente melhor.

Enfim, incentivá-laa não desistir, porque indo em frente vem a recompensa da boa execução.

Estes atributos todos desenvolvidos na ‘ leitura’, vão ecoar na vida, ela adquire estas habilidades para sempre!

Que tal?

Como dia 27 de Janeiro é a data de nascimento de Mozart, deixo um trecho de uma partitura dele.

Uma curiosidade sobre Mozart : ELE NÃO FAZIA RASCUNHO.Escrevia a partitura e já saía como se fosse impressa numa gráfica, tamanha perfeição nos detalhes e escrita!


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​