PARALELO COM A PARTITURA II

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​Continuando nossa conversa sobre como identificar a personalidade do aluno através da partitura, vamos comentar ainda sobre o exercício anterior, que foi retirado do método HANON – O PIANISTA VIRTUOSO.

Primeiramente quero dizer que este método é utilizado até hoje por muitos profissionais na Europa, Japão, China, Emirados Árabes, enfim, é um método de fácil leitura, fácil execução, favorece o aluno e lhe dá estímulo e força para prosseguir. Existem muitos outros métodos de técnica que eu também utilizo e são excelentes. Escolhi este, por ser utilizado por muitas pessoas.

Então vamos àquela foto do artigo passado:

Por ser repetitivo, fácil, não exigir atenção na leitura, ele desenvolve outras vertentes. Gosto de dizer que ele é o RELAXANTE. É interessante aquecer com Hanon. Por que? Demoramos cerca de 20 minutos para sairmos de uma atividade e entrarmos noutra totalmente concentrados. Nosso cérebro leva este tempo para focar. Então, quando o aluno vem ter aula de piano, peço para chegar pelo menos 20 minutos antes para aquecer.

No aquecimento com este tipo de exercício ( não tem que ler o tempo todo, é repetitivo, por isso talvez seja um pouco hipnótico), o aluno vai relaxando sua musculatura, vai aquecendo os dedos, seus pensamentos vão se voltando para o piano e se concentrando . A única coisa que tem que estar atento é sobre a POSTURA E POSIÇÃO DAS MÃOS que foi orientada em aula. Cada mão vai precisar de uma orientação especial de como se colocar.

Passados 20 minutos de aquecimento, o aluno vai pegar outras peças, métodos e estará com os dedos ‘ quentinhos ‘ e preparados para tocar. Sua concentração estará ativada através do relaxamento que foi feito anteriormente. Estará mais focado e atento para ler porque deixou pra trás os outros pensamentos referentes ás atividades anteriores.

Se for entrar para a aula em seguida, terá em média 30 % a mais de rendimento na aula do que se chegar da rua para ter aula imediatamente sem ter se preparado.

Este método também é útil por vários exercícios avançados que ele apresenta, com terças, escalas, preparação de polegar e outros. Mas o grande valor que dou a ele no início é de conseguir fazer este momento de ‘ meditação’ com o aluno, este momento de preparação para a aula, este momento de aquecimento dos dedos, deixando o cérebro descansando um pouco e se focando que agora vai estudar piano, ou vai ter aula e observando apenas as orientações de postura e posição de mãos.

Quanto às emoções que os alunos apresentam ao se depararem com ele pela primeira vez, vou comentar somente uma delas agora:daquele aluno que resiste e não quer enfrentar o livro, acha que técnica é desnecessário, acha que música são somente melodias para serem tocadas, e vai deixando o método, vai ‘ esquecendo’ propositalmente em casa, enfim, do aluno que quer fazer o curso do seu jeito e não aceita as orientações do profissional.

Primeiro: procurou orientações de um profissional para ajuda-lo a se desenvolver, precisa seguir.

Segundo: Provavelmente esta pessoa tem características de quem gosta de controlar. Não está aberto para aprender, experimentar, ‘experienciar’.

Terceiro:Resiste ao que lhe é proposto. Falta-lhe flexibilidade, seu comportamento é mais rígido, difícil de abrir mão de algo.

Quarto: pensa que trabalhar musculatura é desnecessário, conceito completamente equivocado porque se vamos tocar, estamos utilizando músculos e tendões que precisam estar bem preparados para uma execução melhor. Mãos duras, inflexíveis, travadas, não interpretam bem, tem dificuldade de serem ágeis.

Quinto: Estudar música não é só tocar melodias. Existe um conceito muito equivocado de que música é pra relaxar e ser feliz. Tudo bem, quando se liga um aparelho de som, um celular e vai ouvir música, ela pode ter esta finalidade, mas para APRENDER a tocar um instrumento é preciso debruçar sobre conceitos, sobre musculatura, é preciso se dedicar com perseverança para que de fato aprenda. Fazer de conta que está aprendendo é altamente frustrante porque após 2 anos de estudo de faz de conta a pessoa vai se sentir completamente incapaz porque perdeu 2,3, 4 anos fazendo de conta que estava aprendendo, tocando qualquer melodia que provocasse um som no instrumento mas quando quiser avançar, não terá recursos nem físicos, nem psicológicos, nem cognitivos.

Por estes 5 rápidos itens, sem aprofundarmos muito, já temos uma noção de como um comportamento pode adiantar ou atrasar o desenvolvimento do estudo de piano.

Por hoje fica esta dica!

Espero que haja reflexão e aproveitamento!

Boa semana amigos!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​