O nome dela não é Jenifer!

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O nome dela é Marissa Zappas, antropóloga e perfumista que tem como trabalho e passatempo combinar essa duas paixões, sua tese foi sobre a história da construção do cemitério ao redor da Revolução Francesa. Um tanto quanto diferente, ela concentrou o seu trabalho no olfato e na perfumaria como uma extensão do corpo. Uma abordagem única e profundamente pessoal à fragrância foi inspirada na própria experiência de Marissa de usar o perfume de sua avó, Shalimar (Guerlain, 1925), para ‘canalizar seu espírito e invocar sua força’. Logo que formada ela passou a trabalhar simplesmente em uma das maiores casas de perfumaria do mundo, a Givaundan, sob orientação de Olivier Guillotin que foi o treinador do seu ‘nariz’.

Ali, em um dos berços da perfumaria mundial, ela ficou por dois anos desenvolvendo Redamance, uma coleção sua de perfumes em que cada um seria o retrato olfativo de uma mulher da história que nunca recebeu o devido reconhecimento. As mulheres que a inspiraram são: Maria, a Alquimista; Imperia, a Divina; Ching Shih e a Rainha Nzinga. Seu primeiro pensamento para criar essa coleção, foi a necessidade de se conectar com outras mulheres. Ela conta que costumava usar os perfumes dos seus melhores amigos, namorados e o famoso perfume da avó, isso a fazia sentir menos sozinha. E quando surgiu a ideia de transformar esse hábito em fragrâncias ela pensava muito sobre essas histórias ‘apagadas’, e que faria todo o sentido trazer as histórias dessas mulheres negligenciadas de uma maneira envolvente e poderosa para inspirar as mulheres dos dias de hoje.

Cada uma dessas 4 personagens foram escolhidas por três razões: mulheres complexas, relativamente desconhecidas e que tiveram vidas longas. Além de tudo são muito diferentes uma das outras em termos de personalidade, ambiente e da época em que viveram.

Maria, a Alquimista, foi a primeira alquimista da Grécia antiga e tinha uma teoria sobre como os metais se reproduzem que foi referenciada por Sócrates e Carl Jung, apesar de ter muito pouca informação sobre sua vida.

Imperia, a Divina, era da Roma do século XV e a primeira cortesã a alcançar o status de celebridade. Posava em sua janela e cobrava dos transeuntes que passassem por ali. Tinha regras rígidas também que seus clientes precisavam incorporar, como por exemplo, espírito, bom humor e deixar dinheiro ou um presente considerável ao sair. Ela foi pintada por Raffael, como um clássico arquétipo de Vênus e seu funeral foi uma das maiores celebrações que Roma já viu.

Nzinga, era uma rainha do século XVII de Angola, uma estrategista militar brilhante que não apenas lutou nas linhas de frente com suas tropas, mas derrotou os portugueses duas vezes, salvando Angola da invasão. Foi totalmente reverenciada pelo seu povo, mas infelizmente quando morreu as tropas portuguesas voltaram e assumiram o controle do local e seu povo.

Ching Shih, era uma cortesã do século XVIII em Xangai, que depois se casou com um pirata e assumiu o controle do seu navio, expandiu suas viagens em 70 e se tornou o mais poderoso pirata da história. Os governos portugueses e chineses foram atrás dela por décadas e ela finalmente se rendeu por uma grande soma de dinheiro e abriu e administrou um cassino em Xangai e morreu já bem velhinha.

Foram mulheres inspiradoras que lutaram e defenderam o que acreditavam, e apesar de não terem uma historia fácil, sobreviveram a tudo isso. E estão sendo honradas com suas lutas e vivências, depois de uma larga pesquisa histórica, trazendo vida através dos perfumes da linha Redamance. O lançamento está quase para acontecer do primeiro da linha, o Rainha Nzinga, assim que a campanha de crowdfunding acabar. Os outros três serão lançados no próximo na, 2020. E a ideia que fica com toda essa pesquisa e novidades? Que as pessoas usem os perfumes como fonte de coragem, inspiração ou para manifestar um ‘futuro eu’.​

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​​