Novo látex hipoalergênico é produzido pela Universidade de Brasília

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 1 de julho de 2018 às 01:26
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:50
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Processo pode ser usado na fabricação de luvas, camisinhas, cateteres e outros itens

Pesquisadores do Instituto de Química da
Universidade de Brasília (UnB) desenvolveram um método para produção de
materiais hipoalergênicos de látex de borracha natural, que poderá ser utilizado
na fabricação de camisinhas, luvas cirúrgicas, cateteres e outros itens.

Além de não causar alergias, os produtos podem ser
mais resistentes. O processo já foi patenteado.

O que os
pesquisadores desenvolveram foi uma forma de inativar proteínas alergênicas no
látex de borracha natural. “O látex é um meio biológico muito rico, temos lá
mais de 200 tipos de proteínas diferentes nele. No entanto, 13 delas são
alergênicas e podem fazer mal à saúde. Quando se trata de usar o cateter em
posição de contato muito próximo da mucosa, se a pessoa for alérgica pode ter
um choque anafilático e vir a óbito”, explicou o professor Floriano Pastore
Júnior, que lidera a pesquisa no Instituto de Química da instituição.

Em experiências anteriores, as proteínas eram retiradas do látex
para evitar a alergia. “Em vez disso, partimos para uma abordagem
diferente, porque vimos que retirar as proteínas tirava a resistência dos
filmes feitos com látex. Então, a forma encontrada para evitar esse efeito foi
não retirar as proteínas e, sim, bloquear a ação delas, o que foi feito por
meio da utilização de tanino. Feito a partir do chá da casca da acácia-negra, o
tanino é usado no curtimento de pele animal, para transformá-la em couro.

Nesse processo, o
tanino passa a funcionar como escudo de proteção das proteínas, evitando
ataques de bactéria, dando estabilidade e longevidade ao couro. “Usamos a
reação química do tanino com a proteína do couro para proteger as proteínas do
látex. Essas proteínas permanecem com uma capa de tanino vegetal e não
desenvolvem mais reações alérgicas”, disse o professor.

Testes

Testes feitos em
Londres comprovaram que a resistência do látex não se perdeu no novo processo.
Novas comprovações estão sendo realizadas em laboratórios do Brasil e de outros
países, como nos Estados Unidos. Embora ainda não haja previsão de prazo para a
adoção do método e seu uso pelo conjunto da sociedade, há expectativa de que
isso ocorra. Assim, os materiais que venham a ser produzidos por meio do
processo poderão ter maior resistência, o que é particularmente importante no
caso das camisinhas, por exemplo, pois ampliará sua eficácia.

Em 1997, a Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA) estimou
que 8% da população em geral têm alergia ao látex. O número é bem maior, quando
observados grupos que convivem cotidianamente com o material. Nesses grupos, estão
incluídos pacientes com Spina
bífida
, que requerem múltiplas cirurgias e frequente cateterização
vesical e os profissionais de saúde, como médicos, dentistas e enfermeiros.
Neste caso, o percentual de incidência do problema chega a 20%.


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