MÚSICOS VIVOS E ATUANTES - EDUARDO PIRES SIMÃO

Postado em:

​Não é nada difícil falar do Eduardo, ao mesmo tempo é quase impossível.

Uma criança que com 6 meses de idade tremia o corpo inteiro quando ouvia Mozart e sem saber falar apontava o aparelho de som com fisionomia de espanto e vibrando o corpo inteiro.

Com 7 anos de idade começou as aulas de piano clássico, hiperativo, com o raciocínio muito rápido, aprendia numa velocidade cerebral incrível. Não gostava de repetir o que seu cérebro já tinha aprendido e talvez por isso tenha cursado apenas 3 anos de piano, aprendendo coisas novas mas não gostando de repetir coisa alguma para o treino diário. Aliado a isso, convites para outras atividades o impediam de aquietar e estudar. Palpites inadequados sobre a função da música em sua vida, talvez tenham ficado gravados e reverberados de forma indevida. Mas o que é de alma, não adianta que permanece.

Durante estes mesmos 3 anos de curso de piano, frequentou os cursos da CASA DOS MÚSICOS – Alfabetização Musical através de Jogos e Brincadeiras, Teatro, visitas escolares, onde ele mesmo explicava para quem chegasse sobre as biografias dos músicos clássicos que estampavam cada sala. Cultura não lhe faltou.  E o leque foi se abrindo em sua vida de tal forma que era um aluno que aprendia ouvindo, no ensino regular.

Idas e vindas ao curso de piano clássico para alguém que tem o ideal transformador como meta, não é compatível, mas sente falta. Tornou-se um letrista com uma capacidade de rima e improvisação que eu jamais vi igual.

Música é um Universo imenso onde podemos atuar cantando, compondo, tocando, criando num estúdio e ‘ n ‘ outras formas de expressão.

Eduardo hoje se expressa pelo rap. Suas letras são um chamado à consciência do homem.

Estuda violão com o Moá que lhe mostrou de fato sua sensibilidade e lhe deu espaço para exercer a música que existe dentro dele, na sua forma peculiar de ser.

Dá aulas de teclado na mesma escola onde o diretor diz que os pais só tem elogios para este novo professor com uma didática gigante porque sabe observar os alunos e dar a cada um o que ele precisa.

Descontraído e sério, focado e sonhador, compositor e advogado. 

Com 16 anos de idade já tinha proficiência no inglês, se defendia com conhecimentos sobre alemão quando foi frequentar um curso de violino na Alemanha, e nesta teia de habilidades aparentemente conflitantes, sobressai a criação. Montou um estúdio caseiro onde faz a criação de seus ‘ beats ‘  e coleciona páginas e páginas de letras de músicas, aguardando quem sabe um parceiro que sintonize nesta mesma  ‘ vibe’.

Questionador como é, ávido por uma sociedade justa e com igualdade de oportunidades, se expressa através de suas letras de rap.

Existem vertentes variadas da música como venho comentando sempre. Já falamos de violonista com a escola tradicional da MPB, falamos do canto que vem da alma com inspiração familiar e nos grandes mestres brasileiros, comentamos sobre o sideman francano e virão tantas outras vertentes na qual um músico pode se expressar.

Músico é ser parte de um UNIVERSO com estrelas, cometas, planetas, poeira cósmica, buracos negros, sóis, luas, satélites e uma infinidade de corpos celestes! 

É ensinar, é se expressar, é se divertir, é acariciar a alma das pessoas, é questionar, é criar, é tudo isso e muito mais!

Eduardo: que em sua alma continue pulsando um paisagista musical, ou um delegado clamando justiça, ou dois, três, dez personagens de um teatro da vida onde em cada momento precisamos desempenhar um determinado papel!

“Na inércia da desistência

Opiniões causam dissidência

Escancaram a divergência

Entre os vários guerreiros da resistência

Perdendo cada vez mais eficiência

Deixando em evidência a existência

Da decadência e da deficiência

De nossa sapiência

Demonstramos com frequência

A impertinência de nossas atitudes

Tudo tem consequência e olha como somos rudes

Só há inapetência da juventude

E isso é consequência

Da ausência

De clarividência

Na adjacencia

Só se enxerga a aparência

Quando se falam

Perguntam da agência

Como anda a reverência

A subserviência


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.