Mais técnicas antigas...

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Quando o assunto é  produção de vinho, aparecem alguns lugares onde se produziam vinhos em enormes recipientes, as chamadas por alguns de “Pipas”. Mas isto sempre ficou na nossa memória como tecnologia superada, não usadas nos dias de hoje. Quase sempre encontramos estes recipientes como decoração ou encostados sem uso.

Grande erro, pensarmos assim... estes “barris” enormes hoje já fazem a diferença em algumas produções de vinho. Isto mesmo, mais uma técnica usada tempos atrás voltando a ser usada hoje, com bons resultados. Lembrando que em alguns lugares , nunca foi deixada de lado.

Estes enormes recipientes, onde cabem mais de mil litros, chegando até 30 mil litros, apesar de terem uma manutenção mais difícil, além do alto valor, estão sendo usados para produção de vinhos, onde o enólogo produz um vinho com intenção de ser menos oxidado e com menos madeira.

Isto acontece porque o vinho tem menos contato com a madeira, diferente dos tonéis menores que são usados hoje em dia, devido ao seu custo e a sua praticidade, inclusive no transporte.

Quando a ideia é ter um vinho onde as características da uva são respeitadas e além disto , são necessárias no produto final, estes recipientes, também chamados de Foudre ou Batti, são essenciais.

Assim como as “Pipas” as Ânforas , ou talhas, também voltaram a fazer parte do mundo do vinho.  Na verdade,assim como a Pipas em alguns lugares nunca deixaram de existir.

Mas a nossa ideia que o novo é melhor  deixou muitas boas ideias para trás. Ainda bem que estamos revendo isto , redescobrindo e reconhecendo a importância destas ideias e o quanto fazem do vinho ainda mais especial.

As Ânforas eram usadas além de transportar o vinho, pois antigamente não existiam garrafas de vidro, como para fermentar e guardar. Isto, estamos falando de mais de 8 mil anos atrás.

Hoje, com o reconhecimento da eficácia e qualidade no produto final, que estas técnicas antigas estão mostrando, a fermentação em ânforas voltou , e com sucesso.

São usadas por enólogos para fazer a fermentação de cachos inteiros com maceração longa, onde são enterradas para manter uma temperatura baixa e constante.

E como falei acima de fermentação de cachos inteiros, esta também é uma prática antiga que voltou. Ainda era usada em Bordeaux , mas foi novamente reconhecida como uma técnica de produção de melhora o vinho, mostrando toda a característica do terroir.

Lembrando sempre que estas técnicas são usadas por grandes produtores, não de quantidade, mas de qualidade, onde o que interessa é mostrar todas as características do seu produto. Para vinhos de baixa qualidade, estas técnicas só mostrariam o que realmente são, além de elevar o custo, pois demandam atenção dobrada e bons profissionais.

É também o caso dos vinhos não filtrados. Onde normalmente um vinho turvo é sinal de defeito, para um grande produtor que preferiu não filtrar o vinho, isto só aumenta a qualidade do aroma e sabor.

Mas para isto deve estar no rótulo “unfiltered” ou na língua onde foi elaborado. Cuidado com produtores oportunistas que com certeza irão se aproveitar disto e fazerem vinhos mais ou menos visando só ganhar dinheiro.

O melhor é sempre conhecer um pouco da Vinícola que produz o vinho ou ter uma loja de confiança, que vai indicar os melhores produtos.