Flamengo chega como "zebra" para enfrentar o campeão europeu no RJ

Rubro-negro ao lado do Sesi Franca Basquete e do Pinheiros, aponta como favorito ao título do NBB

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Prepare as garganta, a voz e o coração, torcedor: domingo é dia de decisão de mundial. Na Arena Carioca 1, o Flamengo terá a chance de ser bicampeão da Copa Intercontinental da FIBA na decisão do torneio contra o AEK Atenas (GRE), às 18 horas, com transmissão ao vivo pelo Facebook do NBB.

“Tudo pode acontecer. É um jogo, e vamos para cima deles. Sabemos do nosso potencial, respeitamos a equipe deles, sabemos que são caras renomados, que possuem títulos, mas a gente também. Sabemos do nosso potencial”, disse o pivô Anderson Varejão, do Flamengo.

“O mais importante é ter tranquilidade. Vai ser um jogo nervoso, teremos ansiedade. Mas vamos contar com a Nação. Tem tudo para ser um grande jogo e queremos conquistar o bi. Tem que deixar acontecer. Vamos ver como os caras jogam e nos preparar da melhor maneira possível”, concluiu Varejão.

O adversário do Flamengo na decisão da Intercontinental será o AEK Atenas (GRE), atual campeão da Champions League da Europa (BCL).

A equipe venceu com propriedade o duelo semifinal contra o poderoso San Lorenzo (ARG), atual campeão da Liga das Américas, pelo placar de 86 a 64.

Os destaques ficaram por conta do ala/pivô norte-americano Delroy James, autor de 15 pontos e oito rebotes, e do ala/pivô grego Dusan Sakota, que deixou a quadra com 15 pontos e cinco sobras.

Além da dupla de garrafão, o AEK Atenas possui outros nomes a serem observados e que merece toda a atenção. Vamos listas alguns nomes:

Os norte-americanos Jordan Theodore, armador que já foi MVP da Champions League (2017), e Vince Hunter, ala/pivô de 24 anos e destaque da equipe na temporada, com média de 18,7 pontos e 7,7 rebotes por jogo, e o renomado lituano Jonas Maciulis, campeão da Intercontinental em 2015 pelo Real Madrid.

“Não será uma tarefa fácil. Eles têm uma profundidade grande. É um time totalmente diferente do que enfrentamos. Uma estrutura tática diferente. Vamos estudar bastante os jogadores deles. Os americanos deles jogam bem diferente do que vimos hoje. É mais o estilo europeu, sem forçar, trocando passe, mais pausado. Já estudamos bastante todos os times e a partir de agora vamos passar tudo aos atletas”, disse o técnico do Flamengo.

O Flamengo chegará para o duelo contra o AEK com a moral lá em cima. A equipe venceu com sobras a semifinal contra o Austin Spurs, atual campeão da NBA G-League (liga de desenvolvimento da NBA), por sonoros 90 a 58, e avançou à decisão.

O armador argentino Franco Balbi debulhou no primeiro tempo e marcou todos os seus 19 pontos antes do intervalo (5/8 nas bolas de 3 pontos).

Já o ala Marquinhos cresceu na segunda metade do duelo e totalizou 17 pontos, sendo nove deles registrados só no terceiro quarto (3/3 nas bolas de 3 pontos). Com 14 pontos, o ala/armador Deryk Ramos saiu do banco e foi fundamental para os rubro-negros.

Apesar da ótima atuação ofensiva, o técnico Gustavo De Conti preferiu enaltecer a parte defensiva, que foi impecável diante do atual campeão da NBA G-League.

“Conseguimos tornar o jogo mais fácil. Tínhamos muitas informações táticas sobre eles. O Spurs tinha desfalques e sabíamos que o forte deles não seria a parte técnica. Os jogadores fizeram um trabalho brilhante e conseguimos, num jogo internacional contra americanos, tomar menos de 60 pontos. Mérito total dos jogadores”, analisou o técnico Gustavo De Conti.

O domínio rubro-negro se deu depois dos dois minutos iniciais, em que o time norte-americano abriu a partida com uma corrida de 11 a 2 e forçou Gustavo De Conti a parar o jogo. Em seguida, só deu Flamengo.

“Por mais que a gente tenha experiência e nos preparemos bem pro início, a gente sempre sente um frio na barriga, uma ansiedade antes de um jogo tão importante. E acho que aconteceu isso. Estávamos um pouco ansiosos e nos quatro ou cinco primeiros ataques estávamos fora de posição. E ali, quando pedi o primeiro tempo, tentei dar uma acalmada. Os jogadores tiveram a oportunidade de conversar também, se acalmarem e jogarem o que estava combinado”, contou Gustavo De Conti.

Sob comando do maestro Balbi, que fez dez pontos seguidos no primeiro quarto e matou mais três bolas de 3 pontos no segundo, o clube da Gávea não só virou a partida como ainda foi para o intervalo com 15 pontos de frente (44 a 29).

Depois, na volta dos vestiários, o ritmo rubro-negro seguiu lá em cima e a vantagem só aumentou. Com Marquinhos inspirado nas bolas de 3 pontos (3/3), o time da casa abriu 29 pontos ainda no terceiro quarto e ultrapassou a casa dos 30 pontos no período final.

“Fizemos um trabalho defensivo muito bom. Sabíamos que o jogo deles não seria dos melhores, mas o mais importante foi o foco que a equipe entrou no jogo. No início do jogo, eles mostraram que vieram para ganhar, mas nossa resposta foi muito boa. Seguramos o momento deles, jogamos duro e as bolas começaram a cair. Assim, conseguimos abrir a diferença e manter até o final”, analisou o pivô Anderson Varejão.

Momento incrível

O Flamengo chega para a decisão da Intercontinental em um momento incrível.

Falando sobre a temporada, são dois títulos em três competições disputadas – Campeonato Carioca e Copa Super 8. O único tropeço foi na Liga Sul-Americana, em que acabou eliminado na segunda fase, em casa.

Já na atual edição do NBB CAIXA, a campanha também é digna de aplausos: terceiro lugar, com 16 vitórias e apenas quatro derrotas – somente a um triunfo atrás dos dois primeiros colocados EC Pinheiros (1º) e Sesi Franca (2º).

Além disso, são nove vitórias nos últimos dez jogos – oito no NBB CAIXA e uma sobre o Austin Spurs.

Os números no NBB CAIXA não mentem: o Flamengo é dono da melhor defesa (71,7 pontos sofridos por jogo) e do quarto melhor ataque da competição (82,9 pontos por jogo). E qual é o segredo, De Conti?

“Começamos a temporada com um estilo de jogo e fomos nos adaptando. Hoje, o Balbi foi um destaque na pontuação e tem sido assim nos últimos jogos. Lembro de jogo que o Anderson fez 24 pontos, Marquinhos fez 30… Temos uma estrutura em que não dependemos de um jogador só. Se não tivermos um jogador numa noite boa, outro terá que aparecer. Nosso forte é esse. E é uma equipe sem vaidade. Se a noite é do Anderson, a bola vai nele. Se é do Marquinhos, vai nele. Todo mundo faz sua parte para conseguir os títulos”, analisou o comandante rubro-negro.



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