Como países usam dados de localização de celular no combate à Covid-19

Tecnologia tem sido usada em vários países, incluindo o Brasil; entenda como ela é usada e suas implicações

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​Enquanto o coronavírus se espalha pelo planeta, governos do mundo inteiro tentam desenvolver formas de conter a transmissão e identificar mais rapidamente pessoas contaminadas antes que elas possam infectar outras pessoas. 

Dentro desse cenário, uma ferramenta poderosíssima está sendo analisada por vários países pela sua vantagem: ela já está no bolso de bilhões de pessoas ao redor do planeta. 

O smartphone tem virado arma pela capacidade de monitorar a localização de seus usuário em tempo real. 

A Coreia do Sul é hoje o maior exemplo de um país que conseguiu controlar o coronavírus. 

Desde que o governo percebeu a dimensão do problema que teria em mãos, passou a testar ampla e ostensivamente a população para obter diagnósticos rápidos e isolar os contaminados antes que pudessem repassar para o vírus para outras pessoas.

O que não se fala tanto é o componente tecnológico envolvido nesta política tão ampla de testes, que tem o smartphone como peça central. 

Graças a ele, o governo sul-coreano é capaz de intensificar o combate à Covid-19 utilizando a geolocalização como forma de identificar contaminados.

Quando alguém é diagnosticado com o coronavírus, sua vida é completamente revirada. 

O governo olha o histórico de uso do cartão de crédito, que permite saber quais estabelecimentos a pessoa visitou, mas talvez mais impactante é o monitoramento do histórico de localização por meio do GPS do smartphone. 

Com isso, é possível traçar uma linha do tempo de todos os lugares por onde a pessoa contaminada andou.

Com essa informação em mãos, o governo passa para a parte dois. Isso envolve cruzar a trajetória da pessoa contaminada com a de outras e publicar alertas para todos que potencialmente dela se aproximaram, dando dados detalhados dos locais por onde o paciente infectado passou. 

Isso serve de orientação para que o público possa se testar e buscar atendimento o mais rápido possível.

E o Brasil?

O Brasil também começou recentemente a utilizar a tecnologia de geolocalização para ajudar a combater o coronavírus no Brasil. 

O destaque vai para a prefeitura do Recife, que fechou uma parceria com uma empresa chamada In Loco, empresa especializada em soluções de marketing e segurança digital utilizando, como o nome indica, em dados de localização.

Por meio da parceria, a prefeitura do Recife pode planejar ações para garantir o isolamento dos cidadãos. 

Com os dados, é possível perceber se, por exemplo, um bairro não está seguindo a recomendação, com muitas pessoas na rua. 

A partir daí, é possível tomar alguma ação, como enviar um carro de bombeiro para o local para avisar as pessoas para que fiquem em suas casas.

Da mesma forma, aplicativos da prefeitura podem ser equipados com a tecnologia, o que permitiria dispensar a presença física para emitir o alerta.

Assim, caso percebam um comportamento perigoso em uma região, é possível enviar apenas uma notificação para os celulares das pessoas em vez de precisar direcionar um agente até a área para orientação.

É possível identificar se alguma pessoa saiu de casa quando não deve e orientar

Como informou André Ferraz, CEO da In Loco, a empresa está presente em 60 milhões de smartphones no Brasil, sendo que 700 mil destes aparelhos está localizado na cidade de Recife, o que representa cerca de metade da população da capital pernambucana. 

Os dados são obtidos por meio de aplicativos que contam com a tecnologia da empresa.

Ferraz diz que o processo é voluntário. O usuário verá um alerta para saber se ele gostaria de oferecer seus dados para contribuir com os relatórios para auxiliar no combate ao coronavírus. 

Segundo o CEO da In Loco, o papel da empresa na parceria é oferecer estes relatórios, e os dados dos usuários são anonimizados, o que diz que nem a empresa, nem a prefeitura pode identificar quem são as pessoas por trás daqueles dados.

A abordagem da In Loco e da prefeitura do Recife é bem diferente do que se tem visto em outros países, principalmente na Coreia do Sul, que utilizam as informações de geolocalização quase como um método de prevenção pela humilhação.

André Ferraz defende que o método coreano “é um constrangimento para a pessoa e muito invasivo”, principalmente pela natureza delicada dos dados de localização. 

“É um tipo de informação muito sensível, porque é coletada passivamente. A pessoa não aperta um botão para declarar por onde ela passou


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