A URGÊNCIA CULTURAL E EMOCIONAL

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Esta semana tivemos a chacina numa escola ( ESCOLA!!!) que sacudiu o país e até o mundo. Uma escola considerada de muito boa qualidade, professores, coordenadores empenhados, alunos que gostam da escola, inclusive os ex-alunos que também frequentaram e se beneficiaram do ambiente escolar.

Pela primeira vez vi um governador indenizando as famílias pelo ocorrido em uma Escola Estadual. Segundo o pronunciamento dele, antes que terceiros ganhem dinheiro das vítimas oferecendo para processar o Estado, ele se adiantou, como nunca visto antes. Isso me chamou a atenção.

Notícias diversas, boatos e fatos foram mostrados pela TV e fiz questão de acompanhar como educadora, para estar mais atenta ao que causa este tipo de atitude em um jovem.

  • 1. Falta de estrutura familiar: AMOR!

  • 2.    Falta de oportunidade de descobrir talentos. Eu acredito que TODO ser humano tem talentos para desabrocharem. Vejam bem: desabrocharem... Estão ali guardados, esperando uma oportunidade para serem manifestados para o bem. Serem manifestados para resgatar a autoestima, para auto realização, para que a criança ou o jovem se sintam importantes, valorizados, felizes, produtivos, reconhecidos em seu meio. E neste campo a ARTE, a MÚSICA são os grandes trunfos colocados à disposição para curas ou oportunidades.

  • 3.    A liberação de jogos violentos. Não são todas as pessoas que tem amor suficiente dentro de si, para jogarem um jogo violento e saberem descartar isso em suas atitudes. Funciona como potencializador, funciona como válvula de escape para a revolta que sentem e a falta de chance de se expressarem de alguma forma positiva. A raiva que sentem de SI PRÓPRIOS e do contexto de vida que lhes foi oferecido é descarregada inicialmente no jogo, até que possivelmente possa ser descarregada na sociedade, pois foi a única forma de colocarem pra fora sua raiva.

  • 4. A raiva: recentemente um médico amigo meu, falou sobre a utilidade da raiva na realização de projetos. Fiquei atenta a este ensinamento e vi que ele tem razão: tem pessoas que usam a raiva para criarem, para executarem projetos, para impulsionarem o trabalho, para de certa forma provar ao mundo que são bons em alguma coisa. Mas é preciso que sejam oferecidas oportunidades para isso. A raiva não é um sentimento unicamente ruim. É uma força energética que impulsiona atitudes. Quais são as atitudes que uma pessoa pode realizar? O que tem dentro dela de talentos para que isso possa sair para o bem?

  • 1.    Venho falando sobre a UTILIDADE DE SE ESTUDAR PIANO, mas pode ser qualquer instrumento, pode ser a dança, o esporte, a ginástica rítmica, o desenho, a pintura, a leitura, aprender idiomas, fazer trabalho voluntário ( dividir o que se sabe, mesmo que pouco).

    2.    A internet : gosto muito da internet, do Facebook, de estar aqui escrevendo no Jornal da Franca online. Como sinto prazer em escrever, este canal me propicia dialogar com pessoas escrevendo. Mas a internet oferece de tudo, dentro de sua casa, fechado num quarto, ou no silêncio de uma criança mexendo no celular e vendo assuntos que ainda não fazem parte de sua maturidade. Vejo crianças usando celulares dos pais, muitas crianças. É uma arma, tem alguém falando alguma coisa pra uma criança que o adulto não está vendo. Tem artigos que ele está acessando que está formando sua personalidade. Tem mensagens privadas de conversas adultos que esta criança lê. Acredito que celular para criança é um dos maiores perigos da atualidade. Os pais tem medo de não ser amados porque estão dizendo “ não”. Mal sabem eles que mais tarde não serão amados por não terem dito este não.

    http://g1.globo.com/musica/noticia/2012/12/musica-do-grupo-foster-people-e-retirada-das-radios-apos-tragedia.html  

    3.    No link acima, uma música que fala sobre matar crianças em escolas.

    Será que ninguém está vendo que há necessidade de CENSURA para crianças?  Um bebê recém nascido não pode comer um bife. E por aí poderão criar as mais variadas metáforas sobre o AMADURECIMENTO FÍSICO E EMOCIONAL. Como jogar uma criança numa rede social indiscriminada onde se prega todo tipo de ideias? Ela está em formação!

    4.    Esta coluna fala de MÚSICA. FOFOCAS MUSICAIS. E batendo sempre na mesma tecla sobre as letras de músicas. OBSERVEM, parem e observem as letras das músicas que ficam martelando na TV sem parar, falando de VINGANÇA, ÓDIO, CIÚMES, TRAIÇÃO, venenos para os ouvidos. É uma hipnose coletiva. Reparem no FEMINICÍDIO... Proveniente de onde? Está muito claro que existe uma hipnose, uma delas vem das músicas. E quando isso vai ser observado com mais critério? ATÉ QUE PONTO A LIBERDADE DE CRIAÇÃO PODE AJUDAR A HUMANIDADE OU ENVENENÁ-LA?  Sou a favor da censura sim. Nenhuma criança merece ficar cantando músicas que falem de prazer na cama, de traição, de vingança, ódio. NINGUÉM MERECE, quanto mais uma criança!

    Suplico pelas crianças! O DIREITO À INOCÊNCIA, ÀS BRINCADEIRAS SAUDÁVEIS, À PUREZA, À CONSTRUÇÃO DO SABER DE FORMA SAUDÁVEL E PRINCIPALMENTE O DIREITO AO AMOR!

    As pessoas estão terceirizando a educação dos filhos para as máquinas. ISSO É TRISTE DEMAIS!

  • *Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

Analogia com Adoniran Barbosa - ​Saudosa vidinha

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Se o senhor não tá lembrado

Dá licença de contá

Que aqui onde agora está

Essa sexagenária

Era uma moça forte

Lutadora e sorridente

Foi pra ela seu moço

Que um dia o pai dela falou

Sou seu maior amigo, pode inté acreditá

Mas um dia, nem quero me lembrá

Veio o destino com as ferramentas

O dono mandô derrubá

Peguemos tudo que aprendemo

E fumos pra luta diária

Enfrentá a demolição

Que tristeza que eu sentia

Cada ofensa que eu recebia

Doía no coração

Meus amigo quis gritá

Mas em cima eu falei

O destino tá cá razão

Nós ta aqui pra nos transformá

Só se conformemos quando alguém falou

Deus dá o frio conforme o cobertor

E hoje nós lembra das foto do álbum que dei fim

E prá esquecê, nós cantemos assim

Saudosa vidinha construída inté aqui

Dim-dim donde nós vivemo os dias feliz de nossa vida

Saudosa vidinha, vidinha querida

Dim-dim donde nós vivemo os dias feliz de nossas vidas


Adoniran Barbosa

SAUDOSA MALOCA DE ADONIRAN BARBOSA... VAMOS OUVIR:

Cada pessoa que encontro que já passou dos 50, tem suas análises sobre a vida, a maioria deles no silêncio de suas reflexões que agora saltam através das palavras, pois a incompreensão anda reinando pelo mundo e todos querem ter razão e desvalorizar tudo o que foi construído até aqui.

Outro dia, recebi um áudio com uma palestra de Padre Léo onde ele fala das músicas de ADONIRAN BARBOSA e da resiliência em ver as desgraças e ainda fazer música melodiosa e que são cantadas com nostalgia e quase sem dor. Como é difícil isso!

Então, fiz uma analogia aos sexagenários, aos cinquentões que hoje se calam perante a ingratidão que recebem da vida, são chicoteados com palavras ofensivas e o pior: com a falta de amor, ou falta de respeito.

Nós, fomos criados na Ditadura como dizem muitos, e aprendemos a obedecer. Aprendemos a respeitar os mais velhos sem perguntar porquê, simplesmente porque os mais velhos deveriam ser respeitados. Respeitados pelo que já caminharam, respeitados pelo que já construíram, respeitados pelo simples fato de terem vivido mais e poderem nos ensinar o que aprenderam. Era assim e assim recebemos as informações. Me lembro dos orientais que reverenciam os mais velhos...

Respeitar os pais porque nos deram a vida!

Respeitar o teto onde fomos criados, seja ele de palha, de madeira ou de tijolo... Então me lembrei da fábula inglesa dos 3 porquinhos, nos ensinando a construirmos um caráter forte, indestrutível, onde possamos na velhice nos abrigar nas nossas virtudes desenvolvidas durante toda a vida. Pois era assim que entendíamos a fábula, além da parte prática mesmo de lutarmos para termos um lar bem construído para nos abrigar quando não pudermos mais ter a força da juventude.

Nós aprendemos estas coisas. E como obedientes que sempre fomos, lutamos, lutamos e lutamos para deixarmos para nossos netos o nosso exemplo, nosso nome limpo, nossa casa edificada com muito suor, para que eles possam usufruir do nosso nome, nosso exemplo e nosso teto. Sim, deixarmos para os netos significa que aprendemos a cuidar das próximas gerações.

“Os personagens do conto são três porquinhos - Prático, Heitor e Cícero - e um lobo (lobo mau), cujo objetivo era devorar o trio. Ao decidirem sair do lar da mãe (em algumas versões, e avó), eles foram construir cada um a sua própria casa.

Cícero, o mais preguiçoso, não se queria cansar e construiu uma cabana de palha e pilhas de lama. Heitor, decidiu construir uma cabana de madeira sem usar os devidos pregos de aço, enquanto Prático optou por construir uma casa melhor estruturada, com cimentotijolos e vidro. Como a sua casa demorou mais tempo para ser construída, Prático muitas vezes via os irmãos se divertindo enquanto se esforçava para terminar o trabalho.

Um dia, o lobo surgiu e bateu na porta da casa de Cícero na cabana de palha, que se escondeu. Mas o lobo, com um sopro forte, desfez a casa. Enquanto Cícero fugia, o lobo então sai e foi bater na porta de Heitor o da casa de madeira e, com dois sopros fortes, destruiu também a cabana de madeira.

Heitor fugiu para a casa de Prático, onde Cícero se encontrou com o dono. O lobo então foi à casa de Prático e soprou, soprou, soprou, mas não conseguiu derrubá-la. Após muitas tentativas, o lobo decidiu esperar a chegada da noite.

Quando anoiteceu, o lobo foi tentar entrar na casa descendo pela chaminé, mas começou a sentir cheiro de queimado. Era Prático que, com uma panela estava a queimar a cauda do lobo. O lobo então fugiu assustado e nunca mais voltou, e eles viveram felizes para sempre.” Wikipedia.

Mas de repente consigo ver na fábula dos 3 porquinhos que embora tenhamos tentado aprender a fazer a casa de tijolos, as novas gerações quase que se apresentam como o lobo mau que vem soprando tudo o que fizemos com críticas, análises modernas, reavaliação de nossos comportamentos e elas conseguem abalar a casa de tijolos porque agora souberam que existe o aço, a tecnologia, as mudanças de paradigmas, outros valores, derrubam tudo o que nós sexagenários construímos, e nós então ficamos desabrigados no meio da rua, como nos diz Adoniran, perdidos sem saber pra onde ir, porque tudo o que aprendemos foi colocar um tijolo em cima do outro, uma massa no meio por anos a fio, portas resistentes, chaminé e dentro como os porquinhos reunidos, juntarmos todos, dançarmos e cantarmos juntos, cada um com seu instrumento musical.

É... Adoniran. Nos ensine esta resiliência! Transformarmos em música o que foi derrubado através dos tempos, senão, com certeza vamos sucumbir na depressão.

E esta nova geração simplesmente está sofrendo, e na ânsia por acertarem, querem destruir o velho. Mas estão destruindo a si próprios pela falta de amor. E exalam o sofrimento com as críticas , como nos disse Tich Nhat Hanh.


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

CONFETES E SERPENTINAS

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​O Carnaval era uma festa alegre. Passávamos o mês de janeiro inteiro confeccionando fantasias, improvisando, arrumando costureiras de fantasias para blocos e muitas conversas, risadas, alegrias! Marchinhas ... Era só diversão saudável, sonhos, fantasias, muito sol pra pele ficar bonita e bronzeada... Nada mais.

Hoje temos a alegria de ver em Franca o Bloco Cangoma puxando as marchinhas carnavalescas e as danças folclóricas brasileiras. Alegria, tudo saudável e cultural.

Mas minha intenção hoje é contar uma conversa que tive com uma amiga, professora de piano, formada pela USP e veio me pontuar sobre a DIDÁTICA CARNAVALESCA que estamos testemunhando pelos alunos que recebemos de alguns lugares.

O aluno chega pra gente tendo “ estudado”meses ou anos de “ piano” e quando vamos avaliar o que ele sabe de conteúdo para darmos continuidade, vemos o quanto se perdeu de tempo. Um aluno dela se queixou que entrou numa escola que prometia felicidade e que instrumento existe para fazer as pessoas felizes. OK... tudo bem. Ouvirmos alguém tocando bem é algo que nos dá prazer e felicidade mesmo. Mas para aquele músico chegar a tocar bem, ele precisa estudar, treinar, se dedicar muito aos estudos para que seja realmente um bom executante daquele instrumento. Mas a promessa ficou em oferecer um ambiente de boas conversas, ( CONFETES ) um pouquinho de experimentação musical,( SERPENTINAS) mas nada de ENSINO. Então ela me perguntou o que eu achava disso que ela tinha ouvido, pois até então, não estava lecionando e de repente se depara com um marketing muito estranho a respeito do estudo de um instrumento musical.

Eu disse a ela que isso é só carnaval, ou seja, passageiro, dura muito pouco tempo, gasta-se dinheiro preparando o carnaval (anos investindo em ser feliz sem estudar), usa-se fantasias ao invés de roupas normais ( veste-se a partitura com formas adaptadas de se ler música – verdadeiras fantasias quase imitando alguma realidade), e no final a frustração da 4ª feira de cinzas, a ressaca dos estudos mal feitos, da felicidade prometida e não alcançada porque era apenas uma ilusão.

Assim é o ensino de mentirinha. É um carnaval. Joga-se muitos confetes nos alunos, dizendo que o importante é a folia e a alegria... Serpentinas em formas de elogios também, mantendo a ilusão de que se está ESTUDANDO OU APRENDENDO um instrumento musical. Todo mundo pode fazer uma fantasia e até vendê-la para pular no carnaval de rua. Mas não passa de um carnaval de rua, ou não passam de 4 dias, ou se for investir o ano todo para sair na avenida, também foi um alto custo para ter a ilusão do desfile numa passarela.

Estou ouvindo agora alguém tocando muito bem, estudando, veio uma hora antes da aula para estudar e estou aqui de plantão ouvindo seus estudos enquanto escrevo, avaliando o que preciso corrigir em aula na forma de estudar. Este alguém tem apenas 12 anos de idade e me procurou porque queria aprender música de verdade.Cansou de investir desde os 7 anos e sempre ficar no mesmo lugar. Música é evolução como a ciência ! Evolui-se em Geografia, Matemática, História e evolui-se em Música.

Hoje criei um curso intenso porque antes, o que um aluno meu demoraria 2 anos para aprender, hoje ele aprende em 2 ou 3 meses. É intenso, organizado, com ergonomia e outros detalhes que fazem o aprendizado ser mais rápido e eficiente.

Fiquemos atentos.

Estudo sério e sistematizado traz felicidade. O resultado é compensador, além de ter desenvolvido muitas habilidades.

Ser feliz na música, no futebol, no basquete, na escola, é sinônimo de dedicação, perseverança, para no amanhã, colher felicidade!

Vamos nos alimentar o ano inteiro com os estudos que trazem saciedade! E brindemos depois com um bom Champagne ou um vinho ou o que quer que seja! Brindemos com a saciedade de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades. Mas entendamos que MÚSICA É PARA SER LEVADA A SÉRIO COMO QUALQUER OUTRA CIÊNCIA!

Alimente-se do básico, essencial, completo!

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A “BAGUNÇA” DE BEETHOVEN – só uma reflexão!

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​Fico impressionada ao ler as biografias e constatar como os músicos e compositores sofreram preconceitos ou bulliyng e ninguém se oferecia para ajuda-los no que precisassem, mas era o eterno julgamento da sociedade.

Beethoven escreve a seu amigo e médico Franz Gerhard Wegeler:


Você tem tido notícia da minha situação? Os meus ouvidos nos últimos 3 anos estão cada vez mais fracos. Frank, o diretor do Hospital de Viena, procurou retonificar o meu organismo com tônicos e meus ouvidos com óleo de Mandorle. Não houve nenhum efeito, a surdez ficou ainda pior. Depois um asno de um médico me aconselhou banhos frios, o que me levou a ter dores fortes. Outro médico me aconselhou banhos rápidos no Danúbio, todavia a surdez persiste, as orelhas continuam a rosnar e estalar dia e noite. Te confesso que estou vivendo uma vida bem miserável. Há quase 2 anos me afastei de todas as atividades sociais, principalmente porque me é impossível dizer para as pessoas : Sou surdo !... Se minha profissão fosse outra, talvez poderia me adaptar à minha doença, mas no meu caso a surdez representa um terrível obstáculo. E se os meus inimigos vierem a saber ? O que falarão por aí? Para te dar uma ideia desta estranha surdez, no teatro eu tenho que me colocar pertíssimo da orquestra para entender as palavras dos atores e a uma certa distância não consigo ouvir os sons agudos dos instrumentos e do canto. Surpreendentemente, nas conversas com as pessoas muitos não notaram minha surdez, acreditam que eu sou distraído. Muitas vezes posso ouvir o som da voz mas não entendo as palavras, mas se alguém grita eu não suporto ! O doutor Vering me disse que certamente meu ouvido melhorará, se isso não for possível tenho momentos em que penso que sou a mais infeliz criatura de Deus.” Ludwig Van Beethoven

Como somos pequenos!

O julgamento sempre severo e cheirando a maledicência acusava os gênios, apontava seus defeitos, mas a eternidade se encarregou de mostrar a que vieram.

Beethoven tinha tantas ideias, sua mente, coração, pensamentos, estavam na música e somente na música. Não conseguia ser comum ( e não era para sê-lo mesmo) e as pessoas criticavam sua bagunça, papéis jogados no chão, livros esparramados, cabelo despenteado. Nada disso poderia interromper seu processo criativo. Penso que é como se ele parasse para arrumar a casa, a inspiração fosse embora ou então ele não conseguia fazer outra coisa senão dedicar-se ao que vinha em sua mente, o que sentia em seu coração e passar tudo para o papel em forma de sons.

OS GÊNIOS SE RESPEITAVAM E SE RECONHECIAM

Não foi a primeira vez que li numa biografia que um músico reconhece o talento do outro e o coloca no patamar onde merece. Liszt pagou a construção do salão de concertos e a estátua de bronze de Beethoven. Antes, quando Liszt estudava, Beethoven lhe mandou um piano de presente. E assim os missionários se reconhecem e se ajudam.

Não houve julgamento, muito menos competição entre os grandes. Houve um profundo respeito de uns para com outros. Isso não é sublime ? Maravilhoso e celestial ?


Salão Beethoven 

A inauguração oficial do Monumento de Beethoven seria o ponto alto de um Festival de Beethoven de três dias. Um mês antes do início do festival, não havia um local adequado para acomodar os 3.000 participantes esperados. A pedido de Liszt, e somente depois que ele se ofereceu para arcar com todo o custo, o comitê contratou um arquiteto e construtores para construir o Salão de Beethoven. Quando finalmente começaram, tinham menos de duas semanas para fazer isso e precisavam trabalhar contra o relógio para terminá-lo a tempo.


E o grande Beethoven deixou muitos relatos sobre os problemas que vivenciava.


“Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas ações; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos. [...]Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Foi a arte, somente a arte, que me salvou. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim![...]Esta foi minha vida, angustiosa. Quando lerem estas linhas saberão que aqueles que de mim falaram, cometeram grande injustiça. Peçam ao Dr. Schmidt para descrever minha doença para que o mundo possa se reconciliar comigo, ao menos após minha morte. Ludwig van Beethoven, in Testamento de Heilingenstadt, 6 de Outubro de 1802. [O testamento foi encontrado em Viena, numa pequena escrivaninha, anos após a sua morte.”


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O NOSSO TODO

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http://esbrasil.com.br/preserve-seu-cerebro/?fbclid=IwAR34lKEJVj9II3jNxRpX4nRd2CONeds2oQm6VAvif-wtZnM0DyaIHs5PtH0

Gostaria imensamente que lessem este artigo sobre esta senhora, Vera Camargode 96 anos de idade e também sobre a necessidade de entendermos que somos um todo , somos um ser por inteiro e não somos partes.

Tenho percebido a necessidade de olhar o aluno como um todo e venho escrevendo sobre isso desde o livro O PIANO UM ESCULTOR DA ALMA.

Recentemente alertei meus alunos postando no Facebook da necessidade da boa alimentação, da prática de exercícios físicos, da importância de se tomar água e principalmente deixar o celular de lado.

Deixo hoje, carinhosamente o artigo sobre a importância da música como prevenção de doenças. Leiam o artigo do link acima.

BOA SEMANA!


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A CULTURA DO BRASILEIRO ESTÁ MUDANDO

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Desde meados de 2018 que tenho percebendo um interesse pela música clássica.

Leio matérias relacionadas, vejo vídeos no youtube, participo de grupos do Facebook e vejo as pessoas se interessando muito mais pela Música Clássica, com letra maiúscula porque ela merece assim ser destacada.

E para completar esta observação, vejo isso no meu trabalho. Também desde meados de 2018 as pessoas procuram por aulas de piano clássico. O mais incrível é que a maioria destas pessoas são crianças e jovens. E pessoas que já estudaram piano antigamente estão voltando para resgatar suas almas musicais que foram de certa forma, sufocadas pelo tempo e pela mídia que joga somente músicas depressivas nos ouvidos das pessoas, agressivas, sem conteúdo de esperança, mas somente falando de sexo, cama, traição, depressão. Ninguém aguenta mais ser invadido por esta hipnose avassaladora de perspectivas emocionais positivas.

Minha alegria tem sido cada dia maior ao fazer uma entrevista com crianças e elas escolherem estudar música clássica, quererem conhecer partitura, se interessarem e ficarem ali tentando descobrir como se faz um som através daquele montante de bolinhas pretas e quando vão desvendando aparecem sorrisos, suspiros e um pensamento que dá para captar: - ufa... era só isso?

Jovens que estão procurando por algo que preencha mais a alma.

Uma coisa é fato: as escolas com seus shows de talentos tem promovido esta busca, e com isso acredito que as próprias escolas estejam motivando os alunos a desenvolverem habilidades e competências através de um instrumento musical.

Ainda bem que chego numa fase de minha vida, que ainda posso presenciar estas mudanças culturais em nosso país.

Esta semana vi um pequeno vídeo da cantora Baby do Brasil falando que colocou em seus arranjos, introduções de músicas, etc o que há de melhor na música:- a música clássica. E tocou um rock que começa com Vivaldi , citando que outras músicas se utilizando de melodias de Beethoven e outros. Ufa... saímos da escuridão.

O piano é um brinquedo. Minha netinha gosta de passar por ele e tocar algumas teclas. Em alguns momentos ela se senta e simula tocar uma música, com ar inspirado, focado, concentrado e no final se levanta e agradece a atenção. Em alguns momentos toca delicadamente as notas dizendo que está fazendo suas bonecas dormirem. Em outros momentos coloca todos os dedinhos como se fizesse um acorde perfeito e simula um concerto vigoroso.Deixo-a brincar o quanto quiser no piano.

Vejo também que as casas estão soando com mais pianos acústicos. As pessoas estão sabendo escolher. Os ouvidos estão ficando mais apurados. Estão rejeitando os digitais e escolhendo o SOM PURO. Por mais que um digital tente imitar um piano acústico, ainda é um computador fazendo um som que tenta se assemelhar. É falso. E esta cultura também está mudando. A era dos teclados, da tecnologia digital que invadiu as casas, colocando os pianos de lado como se eles fossem tomar seus lugares, não conseguiu fazer isso, porque não se consegue esconder o som verdadeiro e puro. Quando as pessoas começam a ouvir de verdade, escolher de verdade, sentir de verdade, elas querem o que há de mais puro. Esta semana ouvi de uma pessoa algo assim : “ me aconselharam a não comprar um piano digital porque é o mesmo que eu usar adoçante , tenta imitar mas nunca vai ser.”

Sejam bem vindos todos os pianos acústicos que estão chegando na cidade de Franca!!

Sejam bem vindos crianças e jovens que despertaram para a música clássica! Sua colheita será farta!

Assista ao vídeo: https://www.facebook.com/isaquekeyboard/videos/1595664667245813/


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99% é transpiração e 1% é dom

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Então um Chef de Cozinha disse: “meu hobby é cozinhar... E para chegar a ser um hobby eu me dediquei a vida toda estudando, experimentando, vendo vídeos, colecionando receitas, criando, inovando, me aperfeiçoando e não paro de aprender.”

Uma pessoa disse ao pianista Arthur Moreira Lima: “ ah ... eu daria a minha vida para tocar Chopin como você toca...”No que o pianista respondeu: - “ eu dei a minha vida, quarenta anos 9 a 10 horas por dia.”

A artista plástica que expôs todas as suas obras numa linda noite de vernissage ouviu alguns comentários sobre seus quadros, dentre os quais uns diziam: - “ Deus dá o dom para algumas pessoas só” ... E no que ela não se conteve e interviu: -“Desde criança eu junto sobras de lápis de cor, de giz de cera, de tintas, pincéis e materiais que pudessem me dar a chance de criar e aprender novas técnicas, Deus me deu o gosto pelas Artes, mas quem aprimorou este dom foi o meu esforço diário, constante, incessante, buscando a cada dia ser melhor”

Um senhor que conheceu meu Espaço Franz Liszt fez o comentário: “ ah mas desse jeito é fácil se inspirar e dar aulas, num local tão bem montado, com pianos de qualidade, assim até eu... é um privilégio ter um hobby assim”...Sim, até ele, até qualquer um que se disponha a dar tudo o que tem e o que não tem, para investir no seu local de trabalho de maneira que possa oferecer às pessoas o que há de melhor... Abra mão de passeios, supérfluos, e até do necessário para poder direcionar todo o investimento a oferecer qualidade, tanto no aprimoramento pessoal como no espaço físico.

Aquele ditado sábio cabe muito bem aqui: ‘ as pessoas só veem as pingas que eu tomo mas não sabem dos tombos que eu levo’ ...

Em tudo, meus amigos, tem o chamado ESFORÇO.

Música pode ser hobby sim, mas para se chegar a ser um hobby ou até mesmo uma profissão, existe um longo caminho a trilhar. Não dá para ir pra cozinha como hobby e não saber misturar os ingredientes certos, não dá para pintar um quadro sem ter experimentado técnicas e mistura de cores, não dá pra tocar Chopin sem antes ter preparado suas mãos para que sejam uma excelente ferramenta de interpretação.

Música é Ciência!

Música é Arte!

Música é meditação!

Música é hobby.

Música é cura!

E vamos falar de virtudes... A partir do momento que você resolve se dedicar à música, ao estudo de um instrumento, sua vida vai mudar. Para o Chef de cozinha , é necessário ter ingredientes, talheres, eletrodomésticos, tempo, material para se executar o que quiser. E acima de tudo é necessário o material VIRTUDE. Virtude da perseverança, virtude da vontade, virtude da paciência, virtude do capricho, virtude do espírito investigativo... E virtudes se adquirem ao longo da vida!

A vida vai mudar, a pessoa vai mudar, porque se ela é desorganizada, inconstante, impaciente, não quer abrir mão de algo para poder adquirir os materiais necessários, se não tem a VONTADE, a paciência, é hora de começar a adquirir. Eu não conheço até hoje, alguma atividade que possa oferecer tantas mudanças de comportamento e aquisição de virtudes como o estudo de um instrumento musical. Não conheço ainda. São atributos que a pessoa agrega à sua personalidade e quando agregados, eles reverberam em toda as atividades que a pessoa realize.

O esportista também precisa destes atributos desenvolvidos para que um dia possa dizer que o esporte é seu hobby.

Thomas Edison : 99%é transpiração e 1% é dom.

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“Após um concerto magnífico do exímio pianista Arthur Moreira Lima, um jovem foi até ele e falou: "Gostei demais do concerto, eu daria a vida para tocar piano como o senhor". E ele, de pronto, respondeu: "Eu dei minha vida. Foram quarenta anos de dedicação, de nove a dez horas diárias de esforço".

Normalmente as pessoas veem o resultado, poucos conhecem o processo.

(Por que fazemos o que fazemos? - M. S. Cortella)

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PARALELO COM A PARTITURA III

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Depois que falamos sobre aquecimento, convergência para o estudo ou a aula fluir melhor, vamos a um outro item : a leitura.

Cada aluno necessita de um tipo diferente de desenvolvimento porque cada um tem um tamanho de mão diferente, é como sua identidade, sua impressão digital. A partir do momento que entendemos que cada um é um ser único e essencialmente individual, vamos observando suas necessidades e aplicamos a metodologia para cada pessoa.

Quando pedimos para o aluno fazer uma leitura, podemos observar o quanto ele é:

  • Observador ou desatento
  • Detalhista ou não
  • Se enxerga o todo ou as partes
  • Se é atento para tudo o que é pedido ou se realiza somente parte do que está escrito.
  • Se consegue ter ergonomia para o estudo
  • Se lê somente notas ou se consegue observar ao mesmo tempo tudo o que é pedido em determinado trecho: ritmo, onde está a melodia, ligaduras, se tem controle no andamento, se respeita o ritmo, se consegue transmitir os sons com a intenção do compositor ou se apenas abaixa as teclas na nota certa...
  • Outra questão importante é o dedilhado. Quando se observa atentamente ao dedilhado e com um lápis e borracha vai adequando o melhor dedilhado às suas mãos, para uma melhor execução, sua interpretação e desenvolvimento serão muito mais rápidos.
  • Qual é sua capacidade de foco para se concentrar exatamente em executar o que é pedido. A concentração é fundamental.
  • Se consegue ter independência de mão esquerda e direita quando é pedido algo bem diferente em cada uma das mãos. ( lado direito e esquerdo do cérebro)
  • Se existe o enfrentamento necessário para ler e transmitir o que está escrito como se fosse ler um texto com vírgulas, pontos, exclamações, interrogações, acentos, entonações, etc.
  • Se desiste mediante uma dificuldade, se passa por cima, ou se procura entender o que se pede e executa

Então, com estas manifestações diante da leitura podemos observar como esta pessoa está agindo em sua vida.

O estudo de uma partitura proporciona à pessoa, um desenvolvimento cerebral, cognitivo e principalmente comportamental que vai ecoar em todas as suas atividades ou profissão.

Falamos da leitura de um texto, quem lê interpretando o texto , respirando onde tiver vírgulas, exclamando onde é pedido. Assim é na leitura da partitura com suas vírgulas, pontos, exclamações mas com notações diferentes: ligaduras, staccatos, marcatos, pontos de aumento, crescendo, diminuindo, forte, leve ( piano) e assim consegue dar à HISTÓRIA que foi escrita musicalmente, a sua intenção real.

Podemos ajudar a pessoa a ser mais observadora e detalhista. Assim, em sua vida, terá mais atenção aos detalhes em tudo o que for realizar e com certeza terá maior êxito.

Ajudamos a pessoa a ver o todo mas entender as partes, e isso vai reverberar em sua vida enxergando os fatos como um todo mas analisando as partes.

A pessoa poderá ser favorecida quando perceber que precisa ser mais atenta, ouvir mais as pessoas, estar em sintonia num diálogo.

Outra ajuda é quanto à ergonomia, que citamos no livro O piano um escultor da alma, ensinando o aluno a organizar o espaço, seu corpo e mente para fluir melhor o estudo.

Quando a pessoa aprende a se concentrar, é como se ela fizesse meditação ou yoga através do estudo da partitura. Estar atenta, tranquila, observando os mínimos detalhes, serenando a mente agitada.

A coordenação motora vai lhe ajudar a fazer sinapses entre lado direito e esquerdo do cérebro, se tornando uma pessoa mais eficiente, com rendimento melhor em tudo o que for fazer.

A perseverança, atributo indispensável ao estudo de um instrumento, vai enviar informações a este ser de que tudo o que é feito com dedicação e perseverança, o resultado será infinitamente melhor.

Enfim, incentivá-laa não desistir, porque indo em frente vem a recompensa da boa execução.

Estes atributos todos desenvolvidos na ‘ leitura’, vão ecoar na vida, ela adquire estas habilidades para sempre!

Que tal?

Como dia 27 de Janeiro é a data de nascimento de Mozart, deixo um trecho de uma partitura dele.

Uma curiosidade sobre Mozart : ELE NÃO FAZIA RASCUNHO.Escrevia a partitura e já saía como se fosse impressa numa gráfica, tamanha perfeição nos detalhes e escrita!


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

PARALELO COM A PARTITURA II

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​Continuando nossa conversa sobre como identificar a personalidade do aluno através da partitura, vamos comentar ainda sobre o exercício anterior, que foi retirado do método HANON – O PIANISTA VIRTUOSO.

Primeiramente quero dizer que este método é utilizado até hoje por muitos profissionais na Europa, Japão, China, Emirados Árabes, enfim, é um método de fácil leitura, fácil execução, favorece o aluno e lhe dá estímulo e força para prosseguir. Existem muitos outros métodos de técnica que eu também utilizo e são excelentes. Escolhi este, por ser utilizado por muitas pessoas.

Então vamos àquela foto do artigo passado:

Por ser repetitivo, fácil, não exigir atenção na leitura, ele desenvolve outras vertentes. Gosto de dizer que ele é o RELAXANTE. É interessante aquecer com Hanon. Por que? Demoramos cerca de 20 minutos para sairmos de uma atividade e entrarmos noutra totalmente concentrados. Nosso cérebro leva este tempo para focar. Então, quando o aluno vem ter aula de piano, peço para chegar pelo menos 20 minutos antes para aquecer.

No aquecimento com este tipo de exercício ( não tem que ler o tempo todo, é repetitivo, por isso talvez seja um pouco hipnótico), o aluno vai relaxando sua musculatura, vai aquecendo os dedos, seus pensamentos vão se voltando para o piano e se concentrando . A única coisa que tem que estar atento é sobre a POSTURA E POSIÇÃO DAS MÃOS que foi orientada em aula. Cada mão vai precisar de uma orientação especial de como se colocar.

Passados 20 minutos de aquecimento, o aluno vai pegar outras peças, métodos e estará com os dedos ‘ quentinhos ‘ e preparados para tocar. Sua concentração estará ativada através do relaxamento que foi feito anteriormente. Estará mais focado e atento para ler porque deixou pra trás os outros pensamentos referentes ás atividades anteriores.

Se for entrar para a aula em seguida, terá em média 30 % a mais de rendimento na aula do que se chegar da rua para ter aula imediatamente sem ter se preparado.

Este método também é útil por vários exercícios avançados que ele apresenta, com terças, escalas, preparação de polegar e outros. Mas o grande valor que dou a ele no início é de conseguir fazer este momento de ‘ meditação’ com o aluno, este momento de preparação para a aula, este momento de aquecimento dos dedos, deixando o cérebro descansando um pouco e se focando que agora vai estudar piano, ou vai ter aula e observando apenas as orientações de postura e posição de mãos.

Quanto às emoções que os alunos apresentam ao se depararem com ele pela primeira vez, vou comentar somente uma delas agora:daquele aluno que resiste e não quer enfrentar o livro, acha que técnica é desnecessário, acha que música são somente melodias para serem tocadas, e vai deixando o método, vai ‘ esquecendo’ propositalmente em casa, enfim, do aluno que quer fazer o curso do seu jeito e não aceita as orientações do profissional.

Primeiro: procurou orientações de um profissional para ajuda-lo a se desenvolver, precisa seguir.

Segundo: Provavelmente esta pessoa tem características de quem gosta de controlar. Não está aberto para aprender, experimentar, ‘experienciar’.

Terceiro:Resiste ao que lhe é proposto. Falta-lhe flexibilidade, seu comportamento é mais rígido, difícil de abrir mão de algo.

Quarto: pensa que trabalhar musculatura é desnecessário, conceito completamente equivocado porque se vamos tocar, estamos utilizando músculos e tendões que precisam estar bem preparados para uma execução melhor. Mãos duras, inflexíveis, travadas, não interpretam bem, tem dificuldade de serem ágeis.

Quinto: Estudar música não é só tocar melodias. Existe um conceito muito equivocado de que música é pra relaxar e ser feliz. Tudo bem, quando se liga um aparelho de som, um celular e vai ouvir música, ela pode ter esta finalidade, mas para APRENDER a tocar um instrumento é preciso debruçar sobre conceitos, sobre musculatura, é preciso se dedicar com perseverança para que de fato aprenda. Fazer de conta que está aprendendo é altamente frustrante porque após 2 anos de estudo de faz de conta a pessoa vai se sentir completamente incapaz porque perdeu 2,3, 4 anos fazendo de conta que estava aprendendo, tocando qualquer melodia que provocasse um som no instrumento mas quando quiser avançar, não terá recursos nem físicos, nem psicológicos, nem cognitivos.

Por estes 5 rápidos itens, sem aprofundarmos muito, já temos uma noção de como um comportamento pode adiantar ou atrasar o desenvolvimento do estudo de piano.

Por hoje fica esta dica!

Espero que haja reflexão e aproveitamento!

Boa semana amigos!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

PARALELO COM A PARTITURA

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Às vezes me perguntam na Assessoria para professores, como identificar o comportamento do aluno através da partitura.

Aqui vai uma pequena dica inicial:

  • Mostre uma partitura aparentemente difícil mas que na verdade é repetitiva. Por exemplo, esta:

Então vamos por partes. O aluno já é alfabetizado, mas lê somente partituras simples, às vezes cifradas, somente clave de sol ou sem muitas notas. Quando ele vê esta partitura, de imediato se assusta e pensa: - ai meu Deus, vou sofrer com esta professora, olha só que partitura difícil, quantas notas! Não entendo nada do que está aí.

Primeiro: - este aluno foi moldado para estudar somente o fácil. Isso limitou sua capacidade de análise, se tornando uma pessoa insegura. Este é o primeiro ponto: sente medo da partitura. E como sabemos que existe uma reverberação no sentido vai e vem, se o aluno tem o hábito de encarar e ler e enfrentar, ele fará isso na vida também, seu comportamento se estende para outras áreas da vida. Se ele tem o hábito de olhar e se assustar, quer somente o imediato, não consegue parar, analisar e ver o quanto este exercício é fácil, repetitivo, tem o mesmo desenho, sobe e desce, ou seja, na vida ele nem vai experimentar algo novo porque o medo irá paralisá-lo.

Então você mostra que existe um desenho que se repete e que ele vai fazer a mesma coisa percorrendo o piano, que nem vai precisar pensar, nem vai precisar ler, porque é tudo igual.

As reações:

  • Ufa... Que alívio, vou experimentar então.
  • Ah.. Mas tem notas demais, eu não sei se vou conseguir.
  • Ah .. Mas eu nunca fiz isso antes, não vou dar conta.
  • Mas vou levar um tempo pra aprender esta nova forma.
  • Mas pra que serve isso? Tenho mesmo que fazer?
  • Será que meus dedos vão obedecer?
  • Nossa... Que ridículo, eu pensei que fosse difícil, mas é só aparência.
  • Poxa... Fiquei até com vergonha agora, é óbvio demais.
  • Ah mas... Quanto tempo vou demorar pra tocar fluente?
  • Eu não sabia que poderia percorrer o piano todo logo no início... Que bacana !

E por aí vão os comentários mais diversificados. Em cada um deles você pode identificar um comportamento, que não significa que seja permanente, mas que naquele momento está dominando a pessoa.

Então, o primeiro passo é mostrar além do que se vê.

Tirar os olhos da foto geral do exercício e focar apenas num trecho (um compasso).

Fazendo isso, a pessoa vai perceber que este ‘ modelo ‘vai se repetir o tempo todo percorrendo um grande trecho do piano. E ela ficará feliz (ou ainda não) em ver que pode se aventurar mais!

Tudo vai depender de como aquela pessoa REAGE a algo novo e aparentemente difícil.

Ela encara ? Foge? Quer sair da aula porque tem medo de não conseguir? Fica apavorada? Sente-se confiante porque afinal a professora lhe deu algo mostrando que ela é capaz?

Como reage esta pessoa?

Gosto muito de lecionar para crianças e adolescentes porque eles embora apresentem este medo, logo enfrentam e tentam e tentam de novo e se sentem felizes por verem que conseguem. O adulto, mais resistente, em geral coloca barreiras, mas tem aqueles acostumados a lidar com desafios, encaram e se desenvolvem rapidamente.

A princípio analisamos um detalhe, um comportamento, mas acima citei 10 respostas ao mesmo exercício. Cada uma com um enfoque diferente. A partir daí podemos imaginar como será o curso deste aluno, como ele irá encarar as propostas, o quanto está disposto a receber e a investir em si mesmo, etc.

O brasileiro muitas vezes tem mania de querer simplificar tudo. Quando lhe apresentam algo que PARECE ser difícil, ele resiste.

Com isso, alguns professores desistiram de ensinar a leitura de partitura aos alunos e simplificaram o máximo que puderam, lançaram aulas na internet pelo youtube, aplicativos, metodologias diversas alegando que o importante é ser feliz e não sofrer para aprender.

Discordo em gênero, número e grau que seja um sofrimento aprender a ler. Se assim o fosse, a maioria seria analfabeta em seu idioma porque se aprender a ler é tão difícil, deveríamos criar símbolos para facilitar, ler por gravuras, gráficos, desenhos, etc.

Por este e outros motivos, escrevi dois livros: A HORA DE TOCAR PIANO eO PIANO UM ESCULTOR DA ALMA, no intuito de informar às pessoas sobre o que é estudar piano.

Na entrevista inicial que adotei com família e aluno, percebo quais as reais intenções e peço que leiam os livros se eu perceber que realmente se interessam em aprender. Se quiserem um passatempo ou um hobby, não é meu caso. Existem várias formas de se dedicar à música e cada pessoa tem sua digital única, e vai escolher de acordo com sua busca.

Hoje, deixo claro que ensino o todo: ler, tocar, interpretar, analiso comportamento, aplico PNL. É necessário se colocar para receber o ensinamento. O aluno precisa adquirir INDEPENDÊNCIA, saber ler qualquer coisa relacionada à música e depois se expressar, se desenvolver. E esta é a minha opção: alfabetizar com o clássico. Quem não estiver preparado para isso ou não se identificar, vai perceber nos meus livros e certamente irá procurar outra didática. Isso é natural! São escolhas!

Temos muito a falar ainda sobre esta pequena mostra. Se fôssemos discorrer sobre cada reação de aluno, veríamos uma tese comportamental. Mas não é o caso. É somente um alerta!

“Empodere” as pessoas!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​