PARALELO COM A PARTITURA III

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Depois que falamos sobre aquecimento, convergência para o estudo ou a aula fluir melhor, vamos a um outro item : a leitura.

Cada aluno necessita de um tipo diferente de desenvolvimento porque cada um tem um tamanho de mão diferente, é como sua identidade, sua impressão digital. A partir do momento que entendemos que cada um é um ser único e essencialmente individual, vamos observando suas necessidades e aplicamos a metodologia para cada pessoa.

Quando pedimos para o aluno fazer uma leitura, podemos observar o quanto ele é:

  • Observador ou desatento
  • Detalhista ou não
  • Se enxerga o todo ou as partes
  • Se é atento para tudo o que é pedido ou se realiza somente parte do que está escrito.
  • Se consegue ter ergonomia para o estudo
  • Se lê somente notas ou se consegue observar ao mesmo tempo tudo o que é pedido em determinado trecho: ritmo, onde está a melodia, ligaduras, se tem controle no andamento, se respeita o ritmo, se consegue transmitir os sons com a intenção do compositor ou se apenas abaixa as teclas na nota certa...
  • Outra questão importante é o dedilhado. Quando se observa atentamente ao dedilhado e com um lápis e borracha vai adequando o melhor dedilhado às suas mãos, para uma melhor execução, sua interpretação e desenvolvimento serão muito mais rápidos.
  • Qual é sua capacidade de foco para se concentrar exatamente em executar o que é pedido. A concentração é fundamental.
  • Se consegue ter independência de mão esquerda e direita quando é pedido algo bem diferente em cada uma das mãos. ( lado direito e esquerdo do cérebro)
  • Se existe o enfrentamento necessário para ler e transmitir o que está escrito como se fosse ler um texto com vírgulas, pontos, exclamações, interrogações, acentos, entonações, etc.
  • Se desiste mediante uma dificuldade, se passa por cima, ou se procura entender o que se pede e executa

Então, com estas manifestações diante da leitura podemos observar como esta pessoa está agindo em sua vida.

O estudo de uma partitura proporciona à pessoa, um desenvolvimento cerebral, cognitivo e principalmente comportamental que vai ecoar em todas as suas atividades ou profissão.

Falamos da leitura de um texto, quem lê interpretando o texto , respirando onde tiver vírgulas, exclamando onde é pedido. Assim é na leitura da partitura com suas vírgulas, pontos, exclamações mas com notações diferentes: ligaduras, staccatos, marcatos, pontos de aumento, crescendo, diminuindo, forte, leve ( piano) e assim consegue dar à HISTÓRIA que foi escrita musicalmente, a sua intenção real.

Podemos ajudar a pessoa a ser mais observadora e detalhista. Assim, em sua vida, terá mais atenção aos detalhes em tudo o que for realizar e com certeza terá maior êxito.

Ajudamos a pessoa a ver o todo mas entender as partes, e isso vai reverberar em sua vida enxergando os fatos como um todo mas analisando as partes.

A pessoa poderá ser favorecida quando perceber que precisa ser mais atenta, ouvir mais as pessoas, estar em sintonia num diálogo.

Outra ajuda é quanto à ergonomia, que citamos no livro O piano um escultor da alma, ensinando o aluno a organizar o espaço, seu corpo e mente para fluir melhor o estudo.

Quando a pessoa aprende a se concentrar, é como se ela fizesse meditação ou yoga através do estudo da partitura. Estar atenta, tranquila, observando os mínimos detalhes, serenando a mente agitada.

A coordenação motora vai lhe ajudar a fazer sinapses entre lado direito e esquerdo do cérebro, se tornando uma pessoa mais eficiente, com rendimento melhor em tudo o que for fazer.

A perseverança, atributo indispensável ao estudo de um instrumento, vai enviar informações a este ser de que tudo o que é feito com dedicação e perseverança, o resultado será infinitamente melhor.

Enfim, incentivá-laa não desistir, porque indo em frente vem a recompensa da boa execução.

Estes atributos todos desenvolvidos na ‘ leitura’, vão ecoar na vida, ela adquire estas habilidades para sempre!

Que tal?

Como dia 27 de Janeiro é a data de nascimento de Mozart, deixo um trecho de uma partitura dele.

Uma curiosidade sobre Mozart : ELE NÃO FAZIA RASCUNHO.Escrevia a partitura e já saía como se fosse impressa numa gráfica, tamanha perfeição nos detalhes e escrita!


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

PARALELO COM A PARTITURA II

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​Continuando nossa conversa sobre como identificar a personalidade do aluno através da partitura, vamos comentar ainda sobre o exercício anterior, que foi retirado do método HANON – O PIANISTA VIRTUOSO.

Primeiramente quero dizer que este método é utilizado até hoje por muitos profissionais na Europa, Japão, China, Emirados Árabes, enfim, é um método de fácil leitura, fácil execução, favorece o aluno e lhe dá estímulo e força para prosseguir. Existem muitos outros métodos de técnica que eu também utilizo e são excelentes. Escolhi este, por ser utilizado por muitas pessoas.

Então vamos àquela foto do artigo passado:

Por ser repetitivo, fácil, não exigir atenção na leitura, ele desenvolve outras vertentes. Gosto de dizer que ele é o RELAXANTE. É interessante aquecer com Hanon. Por que? Demoramos cerca de 20 minutos para sairmos de uma atividade e entrarmos noutra totalmente concentrados. Nosso cérebro leva este tempo para focar. Então, quando o aluno vem ter aula de piano, peço para chegar pelo menos 20 minutos antes para aquecer.

No aquecimento com este tipo de exercício ( não tem que ler o tempo todo, é repetitivo, por isso talvez seja um pouco hipnótico), o aluno vai relaxando sua musculatura, vai aquecendo os dedos, seus pensamentos vão se voltando para o piano e se concentrando . A única coisa que tem que estar atento é sobre a POSTURA E POSIÇÃO DAS MÃOS que foi orientada em aula. Cada mão vai precisar de uma orientação especial de como se colocar.

Passados 20 minutos de aquecimento, o aluno vai pegar outras peças, métodos e estará com os dedos ‘ quentinhos ‘ e preparados para tocar. Sua concentração estará ativada através do relaxamento que foi feito anteriormente. Estará mais focado e atento para ler porque deixou pra trás os outros pensamentos referentes ás atividades anteriores.

Se for entrar para a aula em seguida, terá em média 30 % a mais de rendimento na aula do que se chegar da rua para ter aula imediatamente sem ter se preparado.

Este método também é útil por vários exercícios avançados que ele apresenta, com terças, escalas, preparação de polegar e outros. Mas o grande valor que dou a ele no início é de conseguir fazer este momento de ‘ meditação’ com o aluno, este momento de preparação para a aula, este momento de aquecimento dos dedos, deixando o cérebro descansando um pouco e se focando que agora vai estudar piano, ou vai ter aula e observando apenas as orientações de postura e posição de mãos.

Quanto às emoções que os alunos apresentam ao se depararem com ele pela primeira vez, vou comentar somente uma delas agora:daquele aluno que resiste e não quer enfrentar o livro, acha que técnica é desnecessário, acha que música são somente melodias para serem tocadas, e vai deixando o método, vai ‘ esquecendo’ propositalmente em casa, enfim, do aluno que quer fazer o curso do seu jeito e não aceita as orientações do profissional.

Primeiro: procurou orientações de um profissional para ajuda-lo a se desenvolver, precisa seguir.

Segundo: Provavelmente esta pessoa tem características de quem gosta de controlar. Não está aberto para aprender, experimentar, ‘experienciar’.

Terceiro:Resiste ao que lhe é proposto. Falta-lhe flexibilidade, seu comportamento é mais rígido, difícil de abrir mão de algo.

Quarto: pensa que trabalhar musculatura é desnecessário, conceito completamente equivocado porque se vamos tocar, estamos utilizando músculos e tendões que precisam estar bem preparados para uma execução melhor. Mãos duras, inflexíveis, travadas, não interpretam bem, tem dificuldade de serem ágeis.

Quinto: Estudar música não é só tocar melodias. Existe um conceito muito equivocado de que música é pra relaxar e ser feliz. Tudo bem, quando se liga um aparelho de som, um celular e vai ouvir música, ela pode ter esta finalidade, mas para APRENDER a tocar um instrumento é preciso debruçar sobre conceitos, sobre musculatura, é preciso se dedicar com perseverança para que de fato aprenda. Fazer de conta que está aprendendo é altamente frustrante porque após 2 anos de estudo de faz de conta a pessoa vai se sentir completamente incapaz porque perdeu 2,3, 4 anos fazendo de conta que estava aprendendo, tocando qualquer melodia que provocasse um som no instrumento mas quando quiser avançar, não terá recursos nem físicos, nem psicológicos, nem cognitivos.

Por estes 5 rápidos itens, sem aprofundarmos muito, já temos uma noção de como um comportamento pode adiantar ou atrasar o desenvolvimento do estudo de piano.

Por hoje fica esta dica!

Espero que haja reflexão e aproveitamento!

Boa semana amigos!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

PARALELO COM A PARTITURA

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Às vezes me perguntam na Assessoria para professores, como identificar o comportamento do aluno através da partitura.

Aqui vai uma pequena dica inicial:

  • Mostre uma partitura aparentemente difícil mas que na verdade é repetitiva. Por exemplo, esta:

Então vamos por partes. O aluno já é alfabetizado, mas lê somente partituras simples, às vezes cifradas, somente clave de sol ou sem muitas notas. Quando ele vê esta partitura, de imediato se assusta e pensa: - ai meu Deus, vou sofrer com esta professora, olha só que partitura difícil, quantas notas! Não entendo nada do que está aí.

Primeiro: - este aluno foi moldado para estudar somente o fácil. Isso limitou sua capacidade de análise, se tornando uma pessoa insegura. Este é o primeiro ponto: sente medo da partitura. E como sabemos que existe uma reverberação no sentido vai e vem, se o aluno tem o hábito de encarar e ler e enfrentar, ele fará isso na vida também, seu comportamento se estende para outras áreas da vida. Se ele tem o hábito de olhar e se assustar, quer somente o imediato, não consegue parar, analisar e ver o quanto este exercício é fácil, repetitivo, tem o mesmo desenho, sobe e desce, ou seja, na vida ele nem vai experimentar algo novo porque o medo irá paralisá-lo.

Então você mostra que existe um desenho que se repete e que ele vai fazer a mesma coisa percorrendo o piano, que nem vai precisar pensar, nem vai precisar ler, porque é tudo igual.

As reações:

  • Ufa... Que alívio, vou experimentar então.
  • Ah.. Mas tem notas demais, eu não sei se vou conseguir.
  • Ah .. Mas eu nunca fiz isso antes, não vou dar conta.
  • Mas vou levar um tempo pra aprender esta nova forma.
  • Mas pra que serve isso? Tenho mesmo que fazer?
  • Será que meus dedos vão obedecer?
  • Nossa... Que ridículo, eu pensei que fosse difícil, mas é só aparência.
  • Poxa... Fiquei até com vergonha agora, é óbvio demais.
  • Ah mas... Quanto tempo vou demorar pra tocar fluente?
  • Eu não sabia que poderia percorrer o piano todo logo no início... Que bacana !

E por aí vão os comentários mais diversificados. Em cada um deles você pode identificar um comportamento, que não significa que seja permanente, mas que naquele momento está dominando a pessoa.

Então, o primeiro passo é mostrar além do que se vê.

Tirar os olhos da foto geral do exercício e focar apenas num trecho (um compasso).

Fazendo isso, a pessoa vai perceber que este ‘ modelo ‘vai se repetir o tempo todo percorrendo um grande trecho do piano. E ela ficará feliz (ou ainda não) em ver que pode se aventurar mais!

Tudo vai depender de como aquela pessoa REAGE a algo novo e aparentemente difícil.

Ela encara ? Foge? Quer sair da aula porque tem medo de não conseguir? Fica apavorada? Sente-se confiante porque afinal a professora lhe deu algo mostrando que ela é capaz?

Como reage esta pessoa?

Gosto muito de lecionar para crianças e adolescentes porque eles embora apresentem este medo, logo enfrentam e tentam e tentam de novo e se sentem felizes por verem que conseguem. O adulto, mais resistente, em geral coloca barreiras, mas tem aqueles acostumados a lidar com desafios, encaram e se desenvolvem rapidamente.

A princípio analisamos um detalhe, um comportamento, mas acima citei 10 respostas ao mesmo exercício. Cada uma com um enfoque diferente. A partir daí podemos imaginar como será o curso deste aluno, como ele irá encarar as propostas, o quanto está disposto a receber e a investir em si mesmo, etc.

O brasileiro muitas vezes tem mania de querer simplificar tudo. Quando lhe apresentam algo que PARECE ser difícil, ele resiste.

Com isso, alguns professores desistiram de ensinar a leitura de partitura aos alunos e simplificaram o máximo que puderam, lançaram aulas na internet pelo youtube, aplicativos, metodologias diversas alegando que o importante é ser feliz e não sofrer para aprender.

Discordo em gênero, número e grau que seja um sofrimento aprender a ler. Se assim o fosse, a maioria seria analfabeta em seu idioma porque se aprender a ler é tão difícil, deveríamos criar símbolos para facilitar, ler por gravuras, gráficos, desenhos, etc.

Por este e outros motivos, escrevi dois livros: A HORA DE TOCAR PIANO eO PIANO UM ESCULTOR DA ALMA, no intuito de informar às pessoas sobre o que é estudar piano.

Na entrevista inicial que adotei com família e aluno, percebo quais as reais intenções e peço que leiam os livros se eu perceber que realmente se interessam em aprender. Se quiserem um passatempo ou um hobby, não é meu caso. Existem várias formas de se dedicar à música e cada pessoa tem sua digital única, e vai escolher de acordo com sua busca.

Hoje, deixo claro que ensino o todo: ler, tocar, interpretar, analiso comportamento, aplico PNL. É necessário se colocar para receber o ensinamento. O aluno precisa adquirir INDEPENDÊNCIA, saber ler qualquer coisa relacionada à música e depois se expressar, se desenvolver. E esta é a minha opção: alfabetizar com o clássico. Quem não estiver preparado para isso ou não se identificar, vai perceber nos meus livros e certamente irá procurar outra didática. Isso é natural! São escolhas!

Temos muito a falar ainda sobre esta pequena mostra. Se fôssemos discorrer sobre cada reação de aluno, veríamos uma tese comportamental. Mas não é o caso. É somente um alerta!

“Empodere” as pessoas!

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OUVIDO ABSOLUTO

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Feliz 201!

Amigos, selecionei um material sobre Ouvido Absoluto para que possamos entender um pouco mais sobre isso.

Seguem alguns deles e tem muito mais para ser pesquisado. Aventurem-se!

Cérebro de músico é bem especial
Lobo temporal é o nome da região do córtex cerebral onde são processados os sinais sonoros. “Deduzo que a habilidade de produzir música também deve estar lá”, afirma o neurologista alemão Helmut Steinmetz, um dos pesquisadores da Universidade Henrich Heine, de Düsseldorf, Alemanha, responsáveis pela descoberta de que os músicos têm o lobo temporal esquerdo maior que o dos outros indivíduos.
Steinmetz e seu parceiro Gottfried Schlaug compararam, em exames de ressonância magnética, o cérebro de trinta músicos – onze com ouvido absoluto e dezenove sem – com os de outros trinta indivíduos. Em todos, o lobo temporal esquerdo é um pouco maior que o direito, mas essa diferença chega a ser duas vezes maior entre os músicos e maior ainda entre os portadores de ouvido absoluto.
Para o neurologista Robert Zatorre, do Instituto Neurológico de Montreal, no Canadá, essa constatação torna-se ainda mais surpreendente se considerarmos que o lado esquerdo do cérebro é associado a funções verbais e analíticas e o lado direito à intuição e às artes. Se os músicos têm o lobo temporal esquerdo maior, isso significa que esse hemisfério cerebral também recebe informações musicais – e não apenas o direito. O que indica, claramente, que a música, além de arte, também é linguagem. “Cada um desses hemisférios deve processar diferentes elementos musicais”, conclui Zatorre.
Na experiência realizada por Steinmetz e Schlaug na Alemanha, o mais extraordinário foi a conclusão de que o cérebro pode aumentar de tamanho com treinamento. Schlaug disse à SUPER que “um lobo temporal esquerdo maior do que o direito é a condição necessária para a formação de um ouvido absoluto”. Parece espantoso, mas não é. Segundo Daniel Levitin, as imagens do desenvolvimento do cérebro feitas pela neurologista Helen Neville, em 1994, na Universidade de Oregon, “revelam um enorme crescimento das conexões neurais até os 9 anos de idade e o final desse processo aos 18 anos”. Isso explica tanto a facilidade das crianças de aprender línguas ou de adquirir ouvido absoluto quanto de até aumentar o tamanho do cérebro. Assim, ter percepção genial fica mais fácil.

https://forum.cifraclub.com.br/forum/9/296045/

Ouvido Absoluto é a capacidade de identificar qualquer nota musical ou cantar sem um tom de referência. Mas não se limita à música, a pessoa é capaz de identificar tons em qualquer tipo de som, desde barulhos na rua até sons de animais e pessoas. Na parte musical, quem tem ouvido absoluto é capaz de cantar ou tocar quando necessário, mesmo que não saiba a nota da música.

Não apenas músicos têm essa habilidade, qualquer pessoa pode ter o ouvido absoluto. Estima-se que uma pessoa entre dez mil, possui esta característica. Não há uma explicação unânime para este dom. Há linhas de pesquisa que afamam que o ouvido absoluto é herdado geneticamente, outros linhas acham que pode ser desenvolvido com treino diário.

Pessoas que possuem ouvido absoluto tem uma certa dificuldade em compreender a harmonia da música, o acorde é formado por um conjunto de notas e a pessoa que tem essa habilidade, ela apenas ouve notas musicais.

https://biosom.com.br/blog/curiosidades/saiba-tudo-sobre-ouvido-absoluto/

A educação do ouvido começa cedo

É fácil para um professor de música reconhecer os alunos que têm ouvido absoluto. Essa tribo superdotada costuma sofrer da compulsão de identificar musicalmente qualquer ruído. Há até uma anedota a respeito do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) quando jovem. Uma vez ele teria exclamado “Sol sustenido!” ao ouvir o guincho de um porco.

https://super.abril.com.br/ciencia/um-dom-de-genio/

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PROFISSIONALISMO

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Vamos falar de profissionalismo, seja ele em que área for. Vou falar da área em que atuo: professora de piano clássico. Como me especializei na parte didática e mais direcionada ao clássico, preciso sempre me atualizar e oferecer o máximo em didática, o máximo em clássico ( biografias, workshops, etc.)

Na parte didática, para se ter um bom resultado é preciso conhecer o ser humano e principalmente observá-lo com olhos de diagnóstico:

Como o cérebro responde aos estímulos, como a musculatura responde ao  trabalho realizado, como é a emoção do aluno, suas características psicológicas que influenciam em toda sua performance, como é o cognitivo , enfim .. o aluno é um TODO. Um ser humano inteiro  está ali e é preciso observá-lo ou até diagnosticá-lo dentro do que pode ser feito para ajuda-lo a tocar bem o instrumento.

É como o médico. O clínico geral, por exemplo, vê a pessoa como um todo, ou pelo menos deveria. E considera as várias influências que podem existir para que a pessoa tenha tal doença. E então indica o tratamento.

A medicina chinesa, que admiro profundamente, estuda até a equivalência, se é que posso denominar assim,  de um órgão com outro no organismo. Quem tem problemas nos olhos, algumas vezes está apenas manifestando um problema no fígado porque estes dois órgãos estão interligados.

Venho admirando a MEDICINA INTEGRATIVA que nada mais é do que juntar todos os conhecimentos para acertar no diagnóstico e também no tipo de tratamento  ideal para aquele paciente. Outro dia, conversando com um músico que teve problemas de saúde, ele me disse que hoje ele conhece seu corpo porque teve que estuda-lo para  cuidar melhor dele. Foi uma conversa muito produtiva onde concluímos a importância da fé e de Deus na nossa vida.

Gosto também da homeopatia, mas não a homeopatia que trata a doença, mas aquela que trata a pessoa. Tratar a doença a alopatia faz.  Vai à farmácia e compra o remédio para aquela doença e de repente tem efeitos colaterais e causa outras doenças. Na homeopatia bem estudada e aplicada, trata-se a pessoa, o ser humano, no seu âmbito global : mente, corpo e espírito. Tenho um livro do Nilo Cairo e é impressionante a questão do remédio de fundo. Se bem receitado, ele cura todos os males. Sou prova viva disso, já dei vários depoimentos a respeito. Tanto, queas pessoas me perguntam qual homeopatia eu tomei para sarar – a minha resposta sempre é  a mesma : CADA UM É UM.  Tem o remédio de fundo a ser descoberto senão a pessoa não melhora e tudo volta.

Isso tudo resvala no profissionalismo.

O bom profissional, ou o profissional consciente da sua responsabilidade e compromisso com a profissão, estuda sempre e procura o todo.

Em aulas de piano clássico, não ensino somente as notinhas, símbolos, etc. Tem uma gama de outras ciências a serem estudadas para poder ter um resultado melhor.

O aluno de piano não tem somente os dedos e o cognitivo. É um ser humano ali se expressando, aprendendo, saciando suas vontades, desenvolvendo habilidades e competências, enfim... CADA UM É UM!  A DIGITAL É ÚNICA!

Se o aluno me pede aulas, eu não vou me restringir a ensinar parte do que sei. Ou fazer o aluno ter um curso mais longo para que eu possa garantir a parte financeira. Jamais!  O valor da mensalidade ou da consulta ou do tratamento, já deve incluir o todo. Estamos falando de profissionalismo com responsabilidade. Por este motivo  a medicina alopática está perdendo terreno para os bons profissionais homeopatas. Ela trata só a doença e não o doente. Por isso os tratamentos alternativos estão aumentando.

Que possamos exercer qualquer função com consciência!

O mesmo deve ocorrer com quem se matricula num curso: procurou aquele profissional é porque confia em seu trabalho. Então deve seguir às orientações. Se não concorda com o trabalho, melhor ir em busca de alguém que satisfaça seus objetivos.

Sintonias. Compromisso. Ética. Profissionalismo. Responsabilidade.

O Brasil precisa melhorar. Nós precisamos melhorar.

Em música clássica, pingo é letra! Talvez por isso observemos mais.

Outras opiniões sobre o assunto:

http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2013/07/25/1038850/10-regras-profissionalismo-voce-precisa-saber.html  


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PAPAI NOEL EU QUERO UM INSTRUMENTO DE VERDADE

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Não são poucos os momentos que presenciei de crianças, jovens ou até adultos contando que se lembram de seus pianinhos de brinquedo, de violãozinho que ganharam quando tinham 7 anos ... Mas eram apenas brinquedos e guardaram aquela sensação de que poderiam ter aprendido a tocar um instrumento mas ficou só no brinquedo.

Nesta correria para buscar o presente que agrade a criança, muitas vezes recorre-se ao apelativo do consumismo. O que vende mais ?O que dará mais lucro? O que poderá ser feito em série e com preço melhor? E nos esquecemos da UTILIDADE dos brinquedos. Ou da mentira e da verdade contidas neles.

A mensagem SUBLIMINAR que existe num brinquedo é uma coisa tão séria, tão forte, tão significativa para o mundo infantil , para o mundo da imaginação , que aquilo se torna parte de sua vida. A fantasia vira realidade. E se o brinquedo lhe oferecer ideias deturpadas, aquilo para a criança se torna uma verdade.

Não forma nem uma nem duas pessoas que me apareceram para ter aulas de piano me contando sobre o ‘ pianinho de brinquedo ‘ que ganharam quando crianças. E guardaram aquela sensação de que um dia poderiam estudar piano.Um aprendizado tão acessível para todas as pessoas, mas comprar um piano se tornou um TABU. Muitas vezes é mais acessível do que um celular novo, um computador, ou qualquer utensílio que as pessoas compram desenfreadamente. Um televisor por exemplo.

Então falemos do televisor de x polegadas , aquele cinema dentro de casa. Pois bem, compra-se um piano usado pelo mesmo preço de um televisor desses.

E se formos elencar cada utensílio com o valor de um piano, vamos perceber que é muito fácil comprar um piano.O problema está na lista de PRIORIDADES.

Ao invés de uma pessoa pensar em dar um piano para uma criança se divertir, aprender, se desenvolver muitas vezes compra um tablet ou compra uma TV cinema para que ela fique quietinha assistindo ou um vídeo game.Agora me diga , qual deles estará proporcionando mais desenvolvimento à criança ?

A medida do piano ... cabe em qualquer espaço. Veja por exemplo as pessoas que colocam vídeos no facebook com seus pianos ao lado da cama ou num corredor, ou no cantinho da sala ou mesmo pomposo no meio da sala ou num quarto só pra ele. A medida varia de 1,40ou 1,50x0,60ou0,80 É quase que um aparador( muitas vezes usado como tal, para colocar fotografias).

Apenas imagine um espaço de 1,50x 0,70... Que simplicidade conseguir um espaço desse numa casa ... Vejo alunos de piano publicando no facebook que retiraram sapateira do quarto para colocarem seu piano. Piano no lugar de uma sapateira... é simples demais . Sapato pode ser guardado em vários locais , adaptáveis.

PAPAI NOEL !EU ACHO QUE CABE UM PIANO EM CADA CASA PARA CADA CRIANÇA OU ADULTO DEIXAR A TV DESLIGADA E SE DIVERTIR , SE DESENVOLVER,BRINCAR, SE REALIZAR, DESESTRESSAR ! 

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FRANCA SERESTEIROS

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“ ...SERESTEIROS EVOQUEMOS UM PRETÉRITO IMORTAL, POIS NA PRESENTE GRANDEZA FULGE A GRATA CERTEZA DE UM PORVIR SEM IGUAL”

Esta é uma parte do refrão do Hino da Franca.

Seresteiros EVOQUEMOS !

A cidade da música, dos festivais, das VALSAS FRANCANAS, da orquestra do Laércio da FRANCA, das inesquecíveis serenatas como diz Beto Eliezer em sua música Saudade da Primeira Sessão.

Tive a honra de levar meus alunos para juntos inaugurarmos o monumental piano de cauda tcheco colocado no gigantesco complexo da LUIZA LABS E LUIZA RESOLVE , com 1000 funcionários.

Minha alegria foi tanta que eu não sabia se estava alegre porque meus alunos queriam participar, se estava alegre porque tem um piano de cauda numa empresa disponível para os funcionários, se estava alegre porque esta empresa pertence à Luiza Helena, uma pessoa que ajudou em minha formação de ideias num grupo de jovens que ela coordenava chamado Alpinistas, não sabia ainda se estava alegre porque os mil funcionários do Magazine poderiam se beneficiar com o som de um piano de cauda quando quisessem, não sabia enfim o motivo da alegria, mas agora compreendo que é um conjunto de alegrias.

Franca tem mais um piano de cauda.

Uma empresa de renome coloca um piano de cauda no seu Boulevard para seus funcionários.

A empresa convida meus alunos para se apresentarem.

Eu tive a honra de inaugurar este piano com meus alunos, mas antes, levando um afinador espetacular, que dia a dia mostra o quanto é um profissional requisitado e competente , Armando Aronne.

A esperança reina seresteiros da Franca !

Evoquemos um pretérito imortal... a música que soa nesta cidade e sempre soou.

Fulge a grata certeza de um porvir sem igual.

NA FOTO:

Priscila Andrade, Davi Tomazini, Augusto Idalgo Costa, Michelle Davanço e seu filho Enrico, Denis Constante.

Estes alunos se apresentaram no Boulevard do Luiza Labs dia 21 novembro 2018ao meio dia na véspera do DIA DA MÚSICA.

Muito feliz por FRANCA estar cada vez mais soando música por todos os lados, músicas de todos os tipos e gêneros, música para cuidar das nossas almas, músicas que trazem esperança e que nos deixam mais felizes.

OBRIGADA FRANCA QUERIDA POR ESTA OPORTUNIDADE!

OBRIGADA LUIZA LABS POR NOS CONVIDAR PARA INAUGURARMOS O MAJESTOSO PIANO!

BLACK FRIDAY

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Sonho com o dia em que as pessoas se preocupem com Black Friday de Livros

com Black Friday de programas culturais

com Black Friday de oportunidades de viagens culturais aos filhos

com Black Friday de redução de gastos. Sexta-feira sem supérfluos !

com Black Friday de proibição de celulares e tablets para crianças

com Black Friday de 50 % da sexta-feira a família toda lendo na sala

com Black Friday de 50 % de baixa na arrogância, intolerância, preguiça, reclamação, futilidades

com Black Friday de REDUÇÃO DE ATITUDES EGOÍSTAS

com Black Friday de 50% DO TEMPO OUVINDO A CRIANÇA TOCAR SEU INSTRUMENTO.

É importante comprar quando se PRECISA comprar.

Ficamos acumulando lixos eletrônicos, comprando, comprando, comprando sem necessidade e superlotando o planeta de lixos.

Desejaria uma Black Friday sobre CULTURA, VIAGENS, LAZER FAMILIAR, BATE-PAPO SAUDÁVEL SEM TV LIGADA ... 50 % DE REDUÇÃO DA CORRERIA para priorizar o que realmente é importante !

E por hoje só 50%do artigo, para que fique registrada a necessidade de comprarmos menos, alimentarmos mais o espírito !

Bom final de semana!

Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

GIOVANNI ARONNE: o ANJO DOS PIANOS

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Um homem que viveu para dignificar os humanos... Como ele gostava de pessoas... de boas conversas, bom vinho, boa comida e celebrava a vida!

Hoje sinto a necessidade de perpetuar algumas palavras sobre este profissional exemplar que passou por nós e deixou tão forte sua marca que vive ecoando nos filhos, na empresa que construiu, nas palavras que dizia, no jeito forte de imprimir sua presença com tanta doçura , generosidade e competência!!!

Giovanni... Como posso esquecer aquelas mãos afinando o meu Fritz Dobbert na sala da casa de meus pais, e como bom contador de histórias não poderia ficar sem fazer soar lembranças de sua Itália querida, histórias sobre os pianos que tinha em sua oficina, pianistas que ele conhecia, grandes talentos e pessoas simples. Lembro-me que ele dizia que existem grandes pessoas em todos os lugares que ele visita, algumas famosas e conhecidas, outras se tornam inesquecíveis.Algumas colocações dele ficaram ecoando para todo o sempre.

Vou contar em detalhes o caso do meu piano que embolorou. Era Outubro de 2006, minha mãe faleceu. Meu piano Fritz Dobbert estava num cômodo nos fundos da casa onde preparei para dar aulas, fiz uma biblioteca e uma sala infantil com jogos. E quando minha mãe adoeceu fechei tudo, a diretora da escola onde eu dava aulas de Arte permitiu que eu desse quantas faltas precisasse e foram 21 dias ficando com ela no hospital revezando mas com o pensamento todo o tempo la. Recebi um aviso do Alto que ela iria embora e eu precisava prepara-la. Isso aumentou minha responsabilidade espiritual. Então, a salinha do piano foi fechada. Como era nos fundos da casa, tem um aterro pois minha casa é a última de uma ladeira, a umidade era grande.

A salinha ficou fechada em Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro... fiquei por conta de ajudar na limpeza da casa da minha mãe, separar coisas para doação, desocupar a casa, enfim, providências normais. Aulas no Estado, final de ano, fechar notas, cadernetas, etc. Parei com as aulas de piano naquele final de ano. Os alunos compreenderam.

Em Fevereiro liguei para o Giovanni em São Paulo contando que eu havia aberto a salinha e o piano estava verde. Bolor por fora formando uma camada de lodo, bolor por dentro deixando a marteleira verde, batia nas teclas e parecia um tambor sem som, totalmente abafado, não soava mais. O piano também morreu.

Fiquei desesperada.

Liguei para o meu amigo e melhor afinador da América do Sul – eleito por um Jornal famoso de época – e implorei sua presença para salvar meu piano.

Não tinha dinheiro para comprar outro piano. O inventário iria demorar ( como demorou 3 anos) e então este homem maravilhoso, um mensageiro divino veio a Franca para me atender, amenizar meu sofrimento e salvar meu pianinho , meu instrumento de trabalho. Era Fevereiro e eu precisava voltar às aulas.

Pacientemente ele orientou alguém ( que agora não me lembro quem) a transportar o piano para a minha sala e ali ele trabalhou por 9 horas neste piano, fazendo uma limpeza geral, uma faxina mesmo na marteleira. Desmontou e trocou todos os feltros de rodinha e todos que estavam mofados, um artesão, um mestre um verdadeiro médico cuidando de seu paciente terminal. E o salvou.

Como ele percebeu que eu estava muito triste pela perda recente de minha mãe, pelo estado do piano, por estar me sentindo perdida... ele me tranquilizava contando histórias e me mostrando todas as partes do piano, tirou as teclas e me mostrou por baixo delas e ia me dizendo o que estava fazendo e que iria ficar tudo bem. O que eu mais adorava ouvir era ele ensinar sobre afinação, tocava a tecla e me dizia : “ ouça! O som faz uma curva, temos que esperar que ele faça esta onda para saber se está bem afinado” e pacientemente ia me contando os segredos de seu trabalho, o qual sou fascinada até hoje. Tanta é minha fascinação que me matriculei no curso para afinadores de piano de Buenos Aires, para entender um pouco mais sobre este instrumento que salvou minha existência!

Giovanni! Como eu gostaria que você ainda estivesse por aqui... para ouvir suas histórias, para beber de seus ensinamentos, para me sentir mais gente...

Mas, caro amigo Giovanni, esta semana Armando esteve aqui e ele lida com o piano como você, ele tira som das teclas como você, ele afina como você, se interessa pelo cliente como você, conta histórias também, e eu fico em roda como ficava quando você vinha... absorvendo as bênçãos. E quando ele foi embora eu senti que você foi embora também . E chorei.

Armando cuida dos pianos como um médico cuida dos pacientes, como você cuidava, e xa ta men te como você fazia: não tem diferença entre o pobre e o rico, entre o piano da sala de concertos que custa milhões e o pianinho do quartinho dos fundos. Ele cuida dos pianos sem distinção, com amor, com cuidado e dá vida a eles novamente, vida plena e as pessoas ficam felizes e quem traz felicidade para as casas é um abençoado.

Antes de terminar quero recordar aquela vez em 2001 ou 2002 que fui a São Paulo participar do Congresso Internacional de Educação Musical na Itaú Cultural e você foi me buscar na esquina da Itaú Cultural e me levou na oficina . UAU !!! AQUELA OFICINA... MEU DEUS ! Experimentei um Steinway de cauda inteira logo na sala de entrada reservada aos pianos prontos para venda, vi uma pianola funcionando e quase chorei e entramos na área dos pianos em espera para serem reformados ou vendidos. Hummm foi como entrar no mundo dos sonhos. E cada piano tinha uma história, mas não dava para contar todas. Então, entre poeira que hoje sei que protegem a madeira e pianos sendo lustrados, você arrastava um piano de armário e me mostrava por dentro, a marca, a história, o som. E então fomos andando até la nos fundos onde tinha um piano de causa sendo reformado, todinho marchetado com rosas em tons claros e escuros na madeira ... nunca vi uma coisa tão linda ... E exclamei: - Giovanni... que piano mais lindo!!! Foi quando ouvi as palavras que jamais esqueci: “- este piano só tem beleza por fora, é piano de enfeite , piano pra surdo”. Fiquei olhando pra ele sem entender e ele disse que era piano para gente que não sabia ouvir um belo som e queria só a beleza externa e me contou que existem clientes assim, que procuram um móvel de enfeite...Me chamou para mostrar um piano com som bonito e me pediu pra tocar nele. Toquei. Isso era 2002 ...Mal sabia eu que em 2009 você partiria para a casa do Pai.

Antes de sua partida tive a felicidade de comprar um Essex vertical vendido por você! Mas o piano de cauda foi só em 2010 quando chegou o dinheiro do inventário. Mas tenho certeza que você esteve presente!

Deixo-te minha homenagem caro Giovanni, agradecendo pelos filhos que você deixou, formou, amou e ainda ama, e que seguiram teus passos, cada um no seu talento especial mas todos em volta deste "ser vivo" chamado PIANO.

A presto amico!

Em breve estarei na sua amada Itália... tenho uma aluna de piano em Firenze, para quem dou aulas online. E em 2019 ela terá um bebê, espero poder visita-la e conhecer a bambina Miriam!

Ciao! Amico! 

Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

PIRATARIA – ‘ BAIXARIA’ E CORRUPÇÃO

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Falando de música e vendo o quanto as pessoas exploram os músicos e ainda tiram os direitos daquilo que muitas vezes eles demoraram pra conquistar, vamos pontuar algumas atitudes que acabam se misturando à corrupção no governo e é tudo a mesma coisa : roubo do que não lhe pertence.

Antes disso, penso muito em algo que as pessoas fazem constantemente: pechinchar. Isso é uma coisa que me entristece. Quando fui para Alemanha, um aluno bolsista que estava me preparando para ir para lá com aulas de alemão , me disse o seguinte: nunca pechinche na Alemanha. Se você tiver o dinheiro compre, se não tiver não peça para diminuírem o valor do produto. E este ensinamento ficou comigo desde então. Eu já não gostava de desvalorizar o produto do outro ou ficar chorando as pitangas para que a outra pessoa se comova e me faça mais barato, quando fui pra Alemanha então... aí entendi o que é o comércio sem exploração.

A melhor atitude a se fazer quando alguém está cobrando além do que a mercadoria vale, é virar as costas e comprar em outro lugar. Pedir descontos é de certa forma fazer algum tipo de acordo com quem está explorando. Mas se o produto vale aquele preço, tem que ser pago o que vale. Pechinchar é desvalorizar o produto. Isso é feio demais. Se a pessoa quer, junte dinheiro e pague o que vale.

Outra coisa é BAIXAR livros da internet sem autorização, baixar partituras e tudo aquilo que alguém um dia CRIOU e muita vezes vive disso pois é sua única fonte de renda e sua única habilidade na vida. Vem um cidadão QUERENDO LEVAR VANTAGEM e BAIXA aquilo que o outro demorou uma vida, ou demorou meses ou demorou um dia , mas que lhe pertence. A não ser que seja permitido ‘ baixar ‘, este ato de ficar baixando tudo à revelia é BAIXARIA ...

Músicas, CDs, livros, partituras, trabalhos diversos que as pessoas levaram tanto tempo para disponibilizar ao público deveria ser muito valorizado. Alguém se preocupou e fazer algo de qualidade , gastou seu tempo e dinheiro para que as pessoas pudessem compartilhar daquele conhecimento. E a pessoa vive daquilo, mesmo que não vivesse, foi ela quem fez...

Outra coisa que ouço muito é : - este lugar aqui é caro demais. Encontro com pessoas frequentando lugares e depreciando o local por ser caro. Então não vá. Por exemplo, eu gosto muito de frequentar uma loja de conveniências por tudo o que ela oferece, fácil estacionamento, produtos de qualidade, alimentação com vigilância constante sobre a temperatura, horário flexível 24 horas, pessoas alegres e que atendem bem, wi-fi disponível, enfim, uma série de vantagens que se encontra num único local. ISSO TEM UM CUSTO. E tem que ser pago. Os proprietários investem naquilo, tem custo a mais em tudo a mais que é oferecido, então cliente que usufrui destas facilidades todas e qualidade, precisa pagar o que vale sem reclamar.

Também frequento um local onde compro frutas, verduras, etc. Tudo fresquinho, tem estacionamento com um funcionário auxiliando nas sacolas, o local tem de tudo desde padaria, hortifrúti, açougue e produtos em geral , tudo limpo, bem cuidado, produtos excelentes, todas as facilidades que alguém quer para comprar rápido,ser bem atendido e encontrar qualidade. ISSO TEM CUSTO. Precisa ser pago. Encontrei uma pessoa outro dia comprando neste local e dizendo: ah aqui é bom mas é mais caro que os outros lugares. E respondi : - estamos pagando os benefícios todos que recebemos pela qualidade e outras facilidades agregadas.

Será poderíamos começar a pensar que cada mínimo ato de querer LEVAR VANTAGEM sobre a outra pessoa , é uma CORRUPÇÃO ?

Citando ainda a Alemanha, fui a um supermercado lá e não tinham várias marcas de sabão em pó por exemplo. Tinham duas e ótimas. Não tem o de péssima qualidade e o de excelente qualidade. Tem duas marcas boas. Todos usufruem da mesma marca e da mesma qualidade e o preço é acessível.

Um amigo chegou recentemente da Itália e me disse assim: - comida é barato demais na Itália, come-se bem e paga-se pouco.

Eu fiz um curso numa Universidade alemã que tinha um restaurante lá dentro e a refeição para os alunos custava quase 2 euros. E uma refeição completa.

O Brasil é um país de muitos exploradores e viver aqui é extremamente difícil.

Ofereço em aulas de piano o que encontro de melhor, busquei a didática em sua melhor forma numa Escola Superior de Música alemã, outra Suíça, o mais alto nível em curso de piano para poder oferecer o melhor às pessoas. Gastei o que poderia ter poupado para continuar tranquila sem ter que trabalhar tanto. Mas investi por 4 viagens dispendiosas, esforço físico extremo, mas com o objetivo de trazer ao meu país o que há de melhor em termos de alfabetização musical, técnica e interpretação no piano. Hoje, as pessoas que frequentam a Sala Franz Liszt sabem o quanto eu gasto permanentemente para manter a qualidade e não pechincham, apenas observam e sabem que estão recebendo o melhor e pagam em dia as mensalidades.

Em 2018 fiz o ANO DA GRATIDÃO em mensalidades. Baixei todos os preços para agradecer aos alunos que aqui estiveram em 2017 me pagando religiosamente no dia correto para que eu pudesse continuar investindo no espaço, na metodologia, e mantendo os pianos rigorosamente afinados, adquirido tudo o que possa agregar qualidade, fazendo reformas e oferecendo alto nível em tudo.Foi um ano mais difícil mas cada hora que se apresentava a dificuldade eu oferecia a GRATIDÃO àqueles que estiveram aqui e ainda estão me pagando no dia certo para que eu continue investindo cada vez mais ou na minha formação, ou em materiais ou no ambiente.

E espero sinceramente que o BRASIL reconheça onde existem profissionais investindo na qualidade e nunca pechinchem ou cometam as ‘ baixarias ‘de usurpar de seus trabalhos na internet ou ainda tentem levar vantagem naquilo que custou tanto para ser oferecido.

Tomo a liberdade de apresentar alguns detalhes da Sala Franz Liszt e convido-os para visitarem nossas páginas no Facebook SALA FRANZ LISZT,CLIP COM PIANO DE CAUDA,AULAS DE PIANO MARIA ANGELA PIRES.

Muito bom dia! Bom final de semana! Bom Brasil pra todos nós!

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