​Ler para que, se você pode se esconder?

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Houve um tempo em que o governo, para se mostrar preocupado com a crescente ignorância da juventude, inseriu a prova de redação nas provas dos vestibulares e fez uma campanha bombástica para estimular a leitura. A tática de “dominar um povo burro chegou ao limite”. Para conseguir tal milagre, criou um órgão pomposo, a “Câmara do Livro”. Nele instalou “burocratas”, “sabujos”, “apaniguados” nem imaginação. Aquele, que se acreditou o iluminado, pariu um slogan sugestivo: “Quem lê, viaja!”.

Viciados em drogas começaram a mergulhar nas páginas dos livros na esperança de alçar altos voos. Não conseguindo, rasgaram as páginas, enrolaram-nas para fumá-las. Vendo a inutilidade do feito, pararam para contemplar as letras, depois as palavras, os parágrafos, as páginas, os personagens. A partir daí, afogaram-se em histórias. Às vezes riam, às vezes choravam; ora olhos impregnados de horizontes; ora, afundados no chão. Ora perscrutavam os olhos de pessoas; ora, mergulhavam no seu íntimo.

Pais, entre preocupados e desesperados, começaram a monitorar os filhos na ânsia de saber aonde iria dar a tal viagem. Eles próprios tentaram experimentar. Cheiraram as páginas, mas só encontraram odor de papel com tinta. Não entendiam como uma capa com um miolo causava tanta euforia, desejo, medo... Então decidiram se aventurar pelas primeiras linhas, todavia pararam no primeiro parágrafo. Largaram. A droga não os drogava. Não como um lança-perfume. Não como a sonolência da maconha ou a avidez da cocaína.

Um problema, nascido dessa campanha, se tornou crônico: crianças não desgrudaram mais dos livros, andavam com eles debaixo do braço ou dentro das mochilas. Contavam histórias fantásticas em que viajavam para planetas nem pais nem professores imaginavam onde ficavam. Pior, começaram a construir mundos para si, livres das amarras de um sistema educacional que pretendia deseducá-las: professores e coordenados que tentavam moldá-las.

Os jovens pareciam loucos, choravam porque se identificavam com lugares já há muito esquecidos e pessoas estranhas, com as quais jamais tinham convivido, os tais personagens. Pior, contavam mentiras descaradas, absurdas, impossível de serem concretizadas. Chamavam a isso enredo. Desesperaram-se os dadores de aulas, pregadores de emoções baratas e lineares, que não conseguiam consolá-los, usando suas fórmulas amarrotadas.

Era comum ver pessoas nos parques, nas filas, nos consultórios, no metrô e, até mesmo nos banheiros, lendo. Era ainda mais comum ver aquele olhar perdido a sonhar com o destino de outras pessoas que as influenciavam. Leitores de todas as idades começaram a se embrenhar, contaminados pela doença das linhas e entrelinhas. Traziam consigo aquele olhar sôfrego de quem se revira em busca de um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói, não sei por que. Muitos mergulhavam nos significantes das palavras, para se travestirem com seus significados, como se se carnavalizassem. As cidades passaram a criar feiras, nas quais, ao invés de frutas e legumes, as barracas vendiam passagens para a imaginação, a alegria, o sofrimento, os desejos dos mais superficiais aos mais ocultos. O impossível se tornou possível; possível, impossível.

Crianças, jovens, adultos, velhos que se embrenhavam pelo intrincado mundo da literatura político-social, tornaram-se incrivelmente críticos. Críticos ferinos, intragáveis na sua sanha de justiça. Passaram a usar expressões ofensivas contra os poderosos, como: “Justiça social”, “Abaixo a censura” e coisas tais. Os que se dedicavam aos romances começaram a expor seus sentimentos com tal falta de pudor, que incomodaram os carolas e os violentos, dando-lhes motivos para essas mentes obtusas agredi-los fisicamente em quaisquer lugares, pois não conseguiam agredir suas convicções. Vários deles se dedicaram ao suspense e à ficção científica. Os civis passaram a usar suas habilidades dedutivas para resolver intrincados crimes, que a polícia não resolvia com suas armas. Os idiotas da objetividade acreditavam no seu poder de decidir destinos, não suportavam ser confrontados por personagens egressos da história, agora desvestidos pela literatura.

Os que se criam detentores de algum poder, vomitadores de regras, normas, leis, disseminadores do medo, começaram a se preocupar com o seu próprio futuro. Espalharam, sem nenhuma vergonha, o boato de que a leitura tornava as pessoas frouxas, sensíveis em demasia, desconectadas da realidade objetiva. Tecnocratas transformaram o boato na teoria do comportamento. Várias reportagens tomaram conta do horário pobre. Era preciso mudar esse estado de coisas. Urdiram, então, um plano demolidor. A primeira medida: aumentar o preço dos livros. A segunda: colocar capas monumentais com couro bordado com fios de ouro em obras ocas. Arrancaram as páginas, estupraram obras, para que pudessem servir como objetos decorativos. A terceira: contratar pseudoescritores para reescrever obras de grandes autores dando a elas roupagens simplórias. Dos dedos frouxos e imaginações capengas, brotaram histórias rasas de autoajuda, com o intuito de embotar, fazer uma lobotomia nos viciados. A quarta: transformar livrarias em papelarias, cafeterias, sorveterias, brinquedotecas tirando delas a sua essência. A quinta: encarcerar os críticos, arrancar sangue das suas frontes para que reneguem seus ideais e se tornem cidadãos papel higiênico.

Os "burrocratas", subornados, submissos, sabujos fizeram pior, espalharam que ser escritor era ter uma espécie de doença da alma, um sério desvio de caráter. Todo escritor é um mentiroso compulsivo. Pior, afirmaram, de pés juntos que, quem lê, se torna chato, intragável, porque se torna crítico demais e ser crítico, é muito ruim, afasta os amigos.

Os comedores de dicionários, já deformados pela superficialidade, prolixos, puramente gramatiqueiros, ditadores da palavra, cultuadores das denotações olhavam desconfiados os aficionados pela subjetividade, os idealismos, os amantes das revoluções internas, das conotações sem entender o real motivo de uma pessoa passar a vida sendo governada, sem o desejo inerente aos humanos de governar. Não entendiam também, como leitores encontravam o equilíbrio entre a ficção e as evidências, tornavam o histórico, atual; o atual, histórico; o histórico e o atual, atemporais.

Os magnatas, comerciantes de palavras, organizaram grupos de mercadores de consciências, de acordo com a sua conveniência, para falarem o óbvio para os óbvios, tolices para os tolos, para os inseguros, os medrosos, os impotentes, os desiludidos, os iludidos, os tímidos, os inseguros. Conclamaram aproveitadores das desgraças alheias: executivos, psicólogos, técnicos de esportes, os que criam ter encontrado o milagre para atrair o dinheiro fácil, os que criaram modelos de qualidade de vida para parirem livros apelativos: “Como emagrecer em sete dias”. “Como deixar de ser tímido”. Batizaram o amontoado de palavras de “literatura” de autoajuda. No entanto, não só faltava a literatura como também a ajuda. Como o apelo comercial é enorme, as pessoas sempre estão doentes da razão, o grande negócio do negócio é fazer chorar. Para começar o ridículo périplo de páginas, cunharam coisas assim: "Toda caminhada começa com o primeiro passo". Então, tolos viram sabedoria na ignorância.

De fantasias heréticas a lendas urbanas, de ilusões românticas a pesadelos realistas, a literatura foi perdendo gradativamente o contato com a palavra. Com o tempo, o óbito de personagens, enredos, tramas, fantasias foi inevitável. Morreram os leitores de livros, nasceram os internautas. Esses se entregaram ao Instagram, ao Facebook, como às balinhas de ecstasy. O Google passou a ser a casa, a consciência, seu mundo. No auge da excitação, os argonautas do ciberespaço inventaram até um novo idioma, sem as palavras. Comunicavam-se por gestos, grunhidos, carinhas, bichinhos, que substituíram momentos de amor, desespero, raiva, pudor, humor por frases desconectadas de textos ínfimos, sem enredo. As redes sociais pescaram a criatividade.

Houve um tempo em que as pessoas entendiam melhor o mundo, porque entendiam melhor as palavras. Sabiam que tudo que está dentro ou fora de cada um, na imaginação ou na razão, é traduzido por palavras. Ler é adquirir vocabulário, portanto entender melhor as coisas e poder falar melhor com elas e sobre elas. Talvez seja por isso que as guerras são cada vez mais frequentes. O discurso faliu. A diplomacia morreu As pessoas se tornam cada vez mais agressivas, não conseguem expressar mais suas emoções, se é que ainda as têm. Será que ainda têm capacidade de se indignar? O mundo de hoje está muito sem graça. A arte de transmutar o mundo em palavras, letras e significantes e significados faliu. A criação parece um deserto. Virou "cover" e “releitura”. A originalidade agoniza. Caminhamos massificados em um deserto criativo: uberização; macdonaldização. 

O ENEM NUNCA CUMPRIU A PROMESSA

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Em artigo anterior, propus uma carta aberta ao senhor Ministro da Educação ou falta de educação, Abraham Weintraub, que adiasse a prova do ENEM. Nesse mesmo dia, em entrevista, ao vivo, na CNN, ofendeu a jornalista Monalisa Perrone. Para quem já ofendeu a China, segunda maior potência do mundo, nossa maior parceira comercial, destratar uma jornalista competente é fichinha. Ainda bem que a CNN saiu em defesa dela.
Weintraub, desde que se aboletou na cadeira de Ministro, mostrou total despreparo. Desmontou o INEP. Escreveu absurdos, deu mostras de racismo, misoginia, censura, falta de conhecimento da pasta que comanda e do país em que vive, posou de censor e se tornou um dos maiores fabricantes de "pérolas" da sabedoria de boteco, cada vez que abre a boca. A última sobre o ENEM: "Não é para atender injustiças sociais, é para selecionar os melhores".
Suportou humilhações públicas: O presidente disse textualmente, em frente às câmeras de tevê, que ele é a vítima preferida dos seus "esporros" diários.
Na primeira aula, brinco sério com meus alunos: "Só uma coisa eu sei neste ano, o ENEM vai dar errado neste ano". Um olha para o outro, o outro olha para o um, que cria coragem e pergunta: "Como é que o senhor sabe?". Fácil:Nunca deu certo. Entre a proposta e a execução há buracos enormes. Entre a promessa e a concretização, há buracos maiores ainda. Olhe o questionário socioeconômico.
É óbvio que o ENEM DIGITAL não tem como dar certo. Escolas públicas estão mais do que sucateadas. óbvio que a prova deveria ser adiada devido à pandemia. Ontem afirmou nervoso: "Vai haver ENEM". Hoje passou por cima do seu cadáver ambulante, foi obrigado a recuar para que o governo não sofresse uma derrota acachapante na câmara dos deputados. Parodiando Chico Buarque, a quem o ministro odeia, "a pandemia passou pela janela, só Abraham não viu". E o vírus não tem data para ir embora. Se for.
Para piorar, o exame nacional do ensino médio foi adiado entre 30 e 60 dias. É o foguete brasileiro Saci Pererê, segundo Chico Anísio: Pode cair no Oceano Atlântico, entre o Brasil e a África, se não chover. Prepare-se, pule sete ondinhas, faça pedidos mirabolantes, porque o ENEM pode acontecer apenas em janeiro, se não chover. Cuidado para não perder o rumo: o Abraham pode recuar, esse é um governo gangorra.


Carta aberta ao Ministro de Educação​

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Sr. Abraham Weintraub:

Apesar de todas as críticas que faço ao ENEM, que, na minha opinião, é um dos sistemas mais desiguais de ingresso às universidades públicas do país, venho solicitar: "Adie a data da prova". Não faz sentido mantê-la, por questões óbvias.
Seja inteligente, apesar de viver em um mundo paralelo. Pense. Pandemias não têm data e hora marcada para serem controladas. Vírus não podem ser ofendidos em fake news, nem espancados em manifestações.
Mesmo que o vírus seja controlado, não será possível preparar "os alunos de escola pública", em um tempo minimamente razoável, para disputar uma vaga com os de escolas particulares.
Observe: vários alunos de escolas públicas, contrariando a lógica, conseguiram ser aprovados. São exceções tão absurdas que os jornais correm para entrevistá-los. Acabam servindo de exemplo para estimular uma massa considerável de estudantes, que pretende desistir de estudar, afinal não vê sentido em entregar uma parte de sua vida a algo que não lhe servirá para absolutamente nada.
Sei que o senhor não conhece o Brasil, apesar de viver nele, mas "pense", se possível: A desigualdade digital no país é perversa. Uma das mais perversas do mundo. A internet do sul e sudeste é absurdamente mais veloz do que a do norte e nordeste. Muitos municípios sequer têm acesso a ela, nem a computadores. Usar um celular, mesmo no sul maravilha, para fazer inscrição em um sistema sobrecarregado, que cai a cada momento, não é fácil. Para conseguir a inscrição, é preciso passar o dia inteiro tentando.
Quando o aluno precisa pedir isenção, na hora H, curiosamente, o sistema cai. Parece brincadeira, mas convenhamos, é uma brincadeira nefasta.
Adiar a prova significa reorganizar um calendário: Será que o MEC não sabe sequer como fazer isso pelo menos?
O aluno brasileiro, mesmo o de escola particular, não tem disciplina para estudar online. Os professores não também foram capacitados para isso. A escola está sobrecarregada.
Há um surto de desespero, ansiedade e depressão tannto de pais quanto de alunos, que não sabem o que fazer. Pessoas apostam tudo nessa prova e, hoje, vivem de incertezas. O vírus escancarou a incompetência.

Atenciosamente

(Luiz Cláudio Jubilato - coordenador geral do curso Criar Redação, com 40 anos de experiência em vestibulares)

​HIPER-REALIDADE

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Cena: Homem bem vestido. Terno. Semblante sério. Voz empostada, mas não agressiva de vendedor de seguros: Não queríamos falar sobre isso neste momento de incertezas, mas, se você é um profissional de saúde, faça o seu seguro de vida agora. Você terá 50% de desconto e não haverá carência. Nossa seguradora foi a primeira a pensar na sua saúde e no seu futuro.

Máxima capitalista: Enquanto uns choram, alguns vendem lenço. É a morte literal do sermos humanos. O dr. Duncan MacDougall calculou, sem certeza, que, logo após a morte, todos perdem 21 gramas. Segundo ele, seria a perda da alma. O cálculo variou. Seres inumanos ganham muito à custa da desgraça alheia, esses não têm alma. Burlaram o cálculo.

“Nunca faça surpresas, porque, ao invés de surpreender, você pode ser surpreendido”. “Esse ditado popular é mais velho que o rascunho da Bíblia”. Ridículo: usei o pleonasmo depois do pleonasmo. Nossa vida virou uma sucessão de pleonasmos. É uma catacrese.

Não fomos surpreendidos, estamos, há muito, escrevendo nossa distopia, como se estivéssemos sentados frente a uma cartomante: Acredito (fui lá), mas não acredito (o futuro é feio, mas pode ser lindo). Pior, sabemos que o vírus clone virá e sem data marcada, mas virá, matará mais com requinte de crueldade. Dizem que este é um momento único na história. Mentira. Todas as gerações que passaram por isso creram que foi uma praga envida por Deus ou lemos, com clareza, as previsões de Nostradamus. Mentira. Somos maus alunos.

O boletim do mau aluno: Gripe Russa (H2N2 – 1889-1890) 1,5 milhão de mortos no Usbequistão, África, América, Europa, Ásia e Brasil. Gripe espanhola (H1N1 – 1918-1919) 100 milhões de mortos África, América, Europa, Ásia e Brasil. Gripe asiática (H2N2 – 1957-1958) 2 milhões de mortos China, Ásia, Oceania, África, Europa e Estados Unidos, Brasil. Gripe de Hong Kong (H3N2 – 1968-1969) 3 milhões de mortos Hong Kong e EUA.Gripe suína (H1N1 – 2009-2010) 17 mil. México. Gripe aviária (H5N1 – 1997 e 2004) 300 de mortos Sudeste Asiático, Europa e África. Surto de ebola (2013-2016) 11.323 mortos África, Ásia, Europa, EUA. Pandemia de covid-19 (?) todos os continentes.

Recriamos a realidade no cinema e na fotografia, agora nas redes sociais e antissociais: o hiper-realismo. Pessoas trancafiadas por vontade. Assustador, a doença andou na contramão, os ricos a pegaram primeiro e, agora, muitos estão à deriva em navios luxuosos, caixões flutuantes. Não há nenhum porto seguro. Nesta distopia, os ricos foram dizimados primeiro.

Montes de mortos extraídos do chão por empilhadeiras, antes de virarem adubos, de mortos depositados em caminhões frigoríficos, antes de empestearem o ar. Os sistemas de saúde, em colapso, condenam os velhos à guilhotina e os médicos ao dilema de deus em pânico. Salvem o futuro até 40 anos; enterrem o passado de 70 anos para cima.

Vivemos a hiper-realidade, uma espécie de imitação destrambelhada da noite de São Bartolmeu, em que os mortos eram transportados em carroças e depois queimados em covas coletivas. Vivemos um maluco holocausto, porque bala escolhe inimigos; vírus não.

Os donos do capital? O capital é a alma do negócio. Nossa história é mesmo uma sucessão infindável de pleonasmos: Trump paga mais caro por produtos chineses para combater o vírus. Pratica pirataria à luz do dia. O Brasil, aliado(?), ficou literalmente a ver navios. Trump chegou atrasado ao baile, mas tem cacife para comprar o clube; ao Brasil, cabe o nefasto papel de parede. O primeiro mundo escolhe quais povos do terceiro mundo vivem, quais morrem. Trump: American First. Brasil: “Ame-o ou deixe-o”. À elite, interna-se; aos pobres, enterra-se.

“O mineiro só é solidário no câncer”: frase que Nelson Rodrigues enfiou na boca do Otto Lara Resende. O brasileiro é solidário no desastre. Os espertalhões são solidários no roubo. O governo decretou estado de calamidade pública: já não estávamos antes? As “otoridades” só legalizaram a festa para a qual você não foi convidado. Estado de calamidade pública permite ao governante gastar sem licitar. Tudo passa a ser urgente. O governo não socorreu ninguém. Você não ganhou nada. Sua dívida está sendo “rolada”. Os boletos estão no fim do túnel. Que túnel?

Você corre o risco de perder o seu emprego; os políticos não.

Melhor comprar um seguro de vida, com o moço de eterno vendedor.

​Dos Smarthphones às plataformas de ensino

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Em outros artigos sobre educação, confessei minha aversão pelas palavras “oficina” e “plataforma”. Porcas, parafusos e roldanas, em formato de cérebro, me parecem não ter nada a ver com educação, e sim com mecanização, afinal educar não significa “consertar” e sim “concertar”. “Plataforma” me passa a sensação de prisão. Educação exige muito mais que fincar os pés no chão, propõe “alçar voo”, “mergulho”, “descobertas”.

Há também duas frases às quais tenho aversão. A primeira é “no meu tempo era melhor”. Quem se propõe a falar isso, apropria-se da história. A história, na verdade, não é de ninguém. Usá-la para embotar o jovem, como se ele tivesse cometido o crime de lesa-velhice, aí sim é crime. Vida é mutação, nunca estagnação. A segunda é “precisamos dar limite a essa criança”. Penso que a crise de criatividade, no mundo moderno, talvez se deva a isso, “impor” limites, embotar a criatividade da criança, torná-la a imagem e semelhança dos pais.
Como diria o grande filósofo Mussum: “É aí que está o busílis”. Há pouco participei de um debate com pais e educadores sobre “O uso do smarthphone em sala de aula”. Sempre fui favorável ao uso. O que me assustou foi a frase repetida por vários: “No nosso tempo era melhor”, a gente lia mais, prestava mais atenção às aulas, respeitava mais os professores. Mentira. Observem o mundo que legamos aos nossos filhos.
“Precisamos dar limites aos filhos, muitos pais deixam eles (sic) pra lá”. Eles terão a vida inteira para serem tolhidos. Ao invés de “limites”, não seria melhor criarmos estratégias para descobrir talentos. O uso do smarthphone nos tornará intrépidos educadores? Claro que não. Mas, ele já sinaliza duas questões: 1) Quais estratégias as escolas desenvolveram para usá-lo a seu favor? 2) Por que insistimos em uma escola punitiva e não proativa, que nunca levou nem ela, nem o aluno a lugar nenhum? Só a estudar para passar e não para saber.
As escolas estão a reboque da revolução tecnológica. A resistência a mudanças as torna “chatas”: 1) O celular se tornou a extensão do corpo e do cérebro. Os debatedores consultavam seus celulares a todo o momento 2) A única forma de comandar uma revolução é penetrar no mundo do revolucionário. Quem proíbe gosta de ser engando. 3) A escola, tal como a conhecemos hoje, está extinta, somente as paredes continuam de pé. 4) O professor, dono e senhor do conhecimento, tem que repensar sua conduta. A bordo de um dedo, qualquer aluno checa facilmente quaisquer informações. 5) A escola “impositiva”, sustentada pelas paredes da sala de aula, “enenzada”, “conteudista”, “punitiva” está fadada a morrer.
Professores, que só têm como recursos os slides, o powerpoint, a câmera de celular têm a falsa ilusão de que mergulharam no mundo da tecnologia. Ilusão? Sim. A linguagem virtual tem outra dinâmica: simplificada, móvel, colorida, interativa. Sentar um jovem em frente a uma tela de computador, durante 1h, “assistindo” a uma aula, chega a ser bisonho, basta observar a linguagem dinâmica do Facebook e do Instagram. São grandes os desafios: Como usar a tecnologia a favor da escola de forma interativa, o aluno não pode apenas ser um assistente do que a escola crê que deve ensinar? Como estabelecer uma relação que não envolva o mero adestramento via “plataforma”, tal como ela é usada hoje?
A pandemia do corona vírus fez com que essas discussões ganhassem contornos ainda mais fortes. No debate, todos queriam trocar impressões sobre como será a escola pós-pandemia. Eu não. Queria propor impressões sobre a escola de hoje, obrigada a pegar carona na calda do vírus, mais preocupada em dar uma rápida satisfação às famílias. Simplesmente transferiram a escola presencial para plataformas de videoconferência. Essas “plataformas” colocam o aluno, de novo, na condição de ser passivo. Diante de todos esses fatores, o professor quer que o aluno fale, participe, opine. Por isso, a redação é um bicho papão.
A escola foi pega com as calças nas mãos por um vírus. Inimaginável? Sim. Foi um ser microscópico que pôs a escola contra a parede. Mostrou o despreparo de educadores e escolas para lidar com uma situação inusitada. A sorte dela é que o aluno “enenzado”, acossado, “cheio de limites” só se preocupa com quantidade de horas/aula. Os professores do ensino fundamental estão à beira de um colapso, tiveram que criar estratégias de “ensino” na marra. Mas, mantiveram o mesmo sistema estressante de horas/aula sem levar em conta que entupir o aluno de atividades só geraria mais estresse.
Alguns problemas precisam ser ponderados: 1) A grande maioria dos professores não foi capacitada para usar ferramentas virtuais, apenas reprisam aulas presenciais. 2) Alguns professores são “analfabetos digitais” e não querem sair da sua zona de conforto. 3) A escola perdeu o bonde da história. A história do smarthphone, que contei acima, joga luzes sobre o hoje. “Não quero que meu filho use o celular na sala de aula, mas uso o meu nas reuniões”. Meu filho fica o tempo todo no celular.
A pandemia fez com que os pais finalmente aprendessem a diferença entre educação e ensino, filho e aluno. O confinamento desafiou pais a criarem estratégias para manterem crianças atarefadas, professores a se desdobrarem para chegar até elas. A escola do presente precisa olhar para o umbigo agora, para não se perder, querendo, “a toque de caixa”, fazer o que nunca fez. Agora é hora de dialogar, construir uma escola sem paredes.
Hoje, em uma propaganda, vi uma faculdade chamar pessoas para se matricularem, porque dá aulas com o mesmo número de horas de uma universidade presencial. Passei para outro canal.

PALAVRA COME HOMEM

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O presidente diz o óbvio. O ministro desdiz o óbvio. O assessor prediz o óbvio. O presidente diz que não disse o que todo mundo diz que ele disse. O ministro desdisse o que disse sobre o que o presidente disse. O assessor prediz o que o jornalista dirá sobre o que o presidente disse e o que ele diz que o presidente não disse. O presidente, o ministro, o assessor se apressaram a acusar a imprensa que imprensa de manipular o que o presidente diz que não disse.

O analista diz que o presidente manipula o ministro, que manipula o assessor, que não manipula o jornalista, que manipula o leitor. O presidente é imprensado pela imprensa, impressionada com o ódio destilado contra ela pelos correligionários dele. Os correligionários do presidente precisam da imprensa para propagar o seu ódio contra a imprensa. O presidente aponta o seu dedo acusatório. A imprensa disseca o acusador. Ironiza o seu dedo, que acusa a acusação.

O presidente berra que não tolerará a esquerda, que berra que não tolerará a direita, mas ambos entram na contramão. Os inimigos de hoje serão os aliados de amanhã: foi assim, é assim e assim será. Os da situação querem criar a lei para calar a oposição. Os da oposição querem criar a lei para calar a situação. E quem não é de esquerda, nem é de direita? Cala a boca? O equilíbrio não se sustenta, sustenta o desequilíbrio. Os espertalhões inventaram a centro direita, a centro esquerda e o centrão, uma espécie de virado a paulista: restolho de tudo o que há.

Direita volver!!! Esquerda volver!!! O maniqueísmo continua a assombrar o mundo. Mata sorrateiro mais que revolução. E a revolução que montava grupelhos do lado direito e do lado esquerdo da tribuna, que acabou em 1789, ainda nos assombra; a guilhotina também.

O ódio é fé cega, é faca amolada. Viraliza-se nas redes sociais virtuais e reais.A palavra manipulada pelo ódio mata mais que faca amolada. Uma mentira, dita mil vezes, não se torna verdade. Na verdade, atesta sim a burrice de quem não se embasa para desmenti-la. Se o fato é mais real, que qualquer realidade, imprima-se o fato. Mas, o que é mentira? O que é real? O que é fato?

Um post postado por um presidente vira fato, logo, em seguida, o suposto autor do suposto fato o retira, acusado de mentir. Mas, a mentira já se espalhou como fato. Imprima-se o fato? Vem uma enxurrada de comentários da direita e da esquerda comentando o comentário. Mas, e o fato de postar que virou também o fato de mentir? O assessor afirma que não foi o presidente que postou o post. O jornalista investiga para saber se a mentira é verdade.

Destruir a honra de alguém é muito mais fácil que construí-la, por isso os governantes governam agora via redes sociais. Sempre é: “Não fui eu”. “Forças ocultas querem me derrubar”. “Querem me derrubar”. A claque contratada aplaude a luta contra o sujeito indeterminado e apieda-se do vitimizado. É mais fácil construir uma verdade, que é mentira ou mentir sobre a verdade, que é verdade. O impacto viraliza, independentemente de ser verdade ou mentira: Primeiro, ambas são relativas; segundo, ambas sempre interessam a alguém.

Você já se perguntou a quem? Meias-palavras; meias-verdades, desinformação, subterfúgios: letalidade. Palavra mal intencionada é ovo da serpente. Você não entendeu nada? Informe-se. Cuidado: você está sendo enganado. E lapidado. E usado. E não é vítima. É responsável.

​HOJE É O DIA DO JORNALISTA

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Nunca a imprensa teve um papel tão significativo, tão importante quanto o dos dias de hoje. Jornalistas "sem fronteiras" literalmente.

Apesar de receber ataques verbais constantes, agressões de várias físicas, os jornalistas continuam a informar, a debater, a contribuir, a criticar. Uma grande quantidade morre nos "front".
Há os maus jornalistas? Claro. Os salários são ridículos? Claro.
Apesar de tudo, meus cumprimentos, principalmente aos amigos que fui construindo ao longo da minha história.

​VIRALIZOU

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Nunca, na história do homo sapiens, “que não sapiens, que não sapiens”, ocorreu um fenômeno de tal magnitude. Nem nas guerras tramadas pelos mandatários, que nunca estarão no front da batalha, ocorreu nada igual. Eles, que espetavam percevejos em cima de pedaços do mapa e contabilizavam homens mortos como baixas, nunca viram um inimigo tão invisível, tão insensível, contra o qual não adianta cavar trincheiras.

Os seres insepultos, mortos, derrotados pela ganância da primeira grande “guerra para acabar com todas as guerras”, os esfaimados, os corporalmente deletérios abrigaram o vírus da gripe, que nunca viveu em casulos, nem tréguas. Dizimou a humanidade, desumanamente fragilizada, utilizada como bucha de canhão. Mas, os exploradores de corpos e mentes pagaram também o preço.

Coloque percevejos, hoje, e eles cobrirão os territórios do mapa-múndi, como se fossem uma plantação de lírios. Povos estarão enfiados dentro de casa, amedrontados pelo inimigo que os olhos não veem, nascido da fome, das guerras. E já há tantos mortos, que não há como sepultá-los. O inimigo está à espreita. Insepultos, alimentam o inimigo que não conhece casulo, nem trincheiras.

O vírus imperativo afasta ainda mais pessoas desumanizadas pela solidão. A Inglaterra, há tempos, criou o ministério da solidão, dos trancafiados, dos que perderão a guerra para a ilusão. Não abrace. Não beije. Não cumprimente. Fique a dois metros de distância uns dos outros. Desinfete-se ao voltar da rua. Não saia de casa. Não... e ... não... e...não. Entregue-se ao mundo do vírus virtual, o vírus real vem espalhando o mal.

D... I.. S... T... Â... C... I... A...

E os distantes, o que farão? Desobedeciam à regra. Agora a obedecerão? Todos, entrincheirados na “Balsa da Medusa”, dar-se-ão as mãos? A realidade deglutiu a ficção. Nunca imaginei que minhas “retinas tão fadigadas” sobreviveriam para ver isso: homens mascarados, entubados, estupefatos, esgotando as gôndolas dos mercados, acreditando piamente na televisão, no Facebook, no Watsapp, no Instagram, obedecendo, cada vez mais cegos, às ordens do grande irmão.

Curiosamente, o vírus que afasta é o mesmo que aproxima. Nunca os negociantes da vida dos outros perceberam que teriam agora que negociar também as suas. o álcool, que os mata, é agora o que os salva. Agora terão tempo suficiente para lamber suas crias, educar os seus rebentos. Saberão como fazê-lo? O dinheiro não manda mais tanto na sua direção. É o vírus que delimita o sim e o não. Teriam se esquecido de como é amar no lugar restrito da casa: em ritos, sem reuniões? Teriam esquecido de que “é preciso amar as pessoas, como se não houvesse amanhã”? E os rebentos agradecem ao vírus. Finalmente, não receberão apenas ensino, e sim educação.

Muitas empresas falirão, muitas pessoas ficarão sem seus empregos, muitos lugares ficarão vazios, porém a crise da nação virou a crise sem perdão. Todos destruímos nosso mundo, não há inocentes, os enclausurados nada fizeram, conscientes nada fazem, os exploradores nada farão.

Reconstruir e reconstruir-se exige aproximação entre os inimigos, os indiferentes. Solidariedade, sem disfarce, não a hipócrita para ser descontada no imposto de renda.

Você rirá, virulento leitor, descrendo da minha visão romântica: uma leva de capitalistas ganhou dinheiro com o despencar das bolsas de valores e a disparada do dólar. Sei disso, como sei também que o mundo já acabou há muito, só se esqueceram de contar para você e você fez de tudo para não retirar a venda. Você já é um zumbi faz tempo, zumbi com GPS, agora com máscara guiado pelo grande irmão.

Sente-se e pense: As sextas-feiras chegam cada vez mais rápido. Isso interessa a você? Você está envelhecendo rápido. Então, interessa a quem essa cega dedicação? “O tempo passou na janela, só Carolina não viu”. A pesca esportiva machuca o peixe, mesmo que o joguem de volta no rio. Com um chip acoplado, poderá ser monitorado. O vírus destruiu essa lógica Aristotélica e o mundo sensível de Platão.

O avesso do vírus

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Surgiu o primeiro vírus seletivo na contramão da história. Há 100 anos, praticamente, a gripe espanhola enfiou milhares de pessoas pobres debaixo de sete palmos de terra. O corona é o primeiro vírus chique, ataca os ricos, que viajam pelo universo em aviões e cruzeiros marítimos. Pobre viaja de busão. Pega gripe. Já se sabia da existência do vírus muito antes do carnaval. A massa de turistas estrangeiros, chineses, italianos etc. etc. pelo jeito, não trazia na bagagem o tal corona, que aqui é nome de chuveiro. Chuveiro de raiz italiaa. Que perigo! Mas, se os turistas não viessem, haveria um caos econômico. Então, que vírus, que nada. Também!!! Não era preocupante. O Brasil é um país pobre, ele só ataca os ricos. Na América Latrina, pelo que se sabe, chegou atrasado e, em alguns países, nem chegou. A Europa ficou com todos para ela. Capitalizou o vírus. Socializou a confusão de informações. Só falta o movimento, SOMOS TODOS CORONA.

Os governos tomaram providências rápidas para enjaular o tal corona, nome de batalha italiana. Que perigo! Se o fizessem com tantas outras doenças, haveria uma praga de pobres zanzando por aí, querendo comer e beber. Seria a Guerra Mundial Z (de zumbis, sem Brad Pitt, que é rico), uma perigo para os catastrofistas de plantão. Será que, se o corona fosse uma doença de pobretões, haveria tanto alarde? Muita gente morre nas filas do SUS com doenças muito menos graves e ninguém faz nada. Gente pobre morre em pé de página. O Tom Hanks ri contaminado na primeira do Times. Ele não morreu em um naufrágio sem navio. O Náufrago sem nau. O corona dele é a coroa solar.

Você, desesperado leitor, vai me matar, xingar, porém não tem como contestar: a dengue e a febre amarela matam muito mais. Mas, são doenças de pobres. Esse vírus, de baixa letalidade, não justifica tamanha queda das bolsas de valores e a explosão do dólar, a não ser que especuladores estejam ficando biliardários à custa dele e subornando até as mães das mães?

Sério. Estamos vivendo uma crise econômica de proporções tão gigantescas, quanto a de 1929. A China sustentou o capitalismo durante, pelo menos, três décadas, agora a máquina emperrou. Os ricos aproveitaram a deixa e enfiaram, no meio do caos, a guerra do petróleo. Ela anda fazendo estragos monumentais disfarçada de corona. Trump está voltado para ela, de tal forma, que, mesmo tendo reuniões com um brasileiro contaminado, desprezou o vírus. Vírus brasileiro não pega em americano. É um vírus terceiro-mundista.

Existe uma máxima entre os economistas: “Enquanto uns choram, outros vendem lenços”. O perigo é a doença atingir os pobres e, como sempre acontece, são eles que levam a doença para a casa dos ricos. Então, temos que impedi-la, custe o que custar. A velha máxima: “Quer acabar com a fome, então mate todo mundo que está com fome”. O caos provocado pela gripe espanhola nos ensinou muita coisa: investir em higiene e em um sistema de saúde eficiente é crucial para destruir pandemias. Somos péssimos alunos. O sistema de saúde é um dos maiores ralos por onde escorre a corrupção no Brasil.

Sério. Muita coisa sobre o capitalismo, a pandemia confirmou: muito lenço está sendo vendido. A economia gira, sem uma guerra com armas letais. Guerras são muito caras; gaz Sarin, muito mais. Fabricantes de álcool gel, gêneros alimentícios e papel higiênico não podem reclamar. A inflação vai explodir, a falta de alimentos também. Os hipermercados vão estufar de tanto ganhar dinheiro. Quando enterrarmos o vírus, quem estava em casa, guardando dinheiro, sairá comprando o que ver pela frente. É assim que funciona, quando se quer reconstruir.

Assim sempre foi. Assim sempre será. Sabe quem mais ganha com tudo isso, por incrível que pareça, o meio ambiente que acaba sendo menos destruído pela nossa sonha consumista. Quem perde? Nossos relacionamentos: Distancie-se das outras pessoas (mais?). Expulse o sexo e o beijo do seu cotidiano (vírus maldito). E as baladas, como ficam? Cumprimente com o cotovelo (ridículo, melhor fazer mímica). Abraço? Nem pensar. Amar? Só mascarado. (como em Os Amantes, quadro surrealista de Magritte, em que os amantes se beijam, mas não se veem). O mundo já estava ficando chato, o corona fez ficar mais chato ainda. A desinformação e o alarmismo são piores que a contaminação. Cuidado com o seu dedinho no celular e no teclado do computador. Bem! Agora já era.

Respostas idiotas para perguntas imbecis

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I

- Professor, o senhor faz outra coisa além de dar aulas?
- Claro que faço: às vezes, faço papel de criptonita em filmes do Super-Homem e, às vezes, de teia de aranha nos filmes do Duende Verde. Agora, tenho um sonho: parar de dar aulas, pra fazer papel de parede nas novelas da Rede Globo. Se o Giani faz, por que não eu?

II

- Professor, a gente aprende literatura, pra quê?
- Para diferenciar você dá vaca da sua fazenda. Até agora vocês são iguaizinhos. Recite poemas de Camões para ela, quem sabe ela não dá mais leite? Quem sabe, não arruma um boi zebu pra ela? O perigo é ela se sentir a Capitu do Machado e te beijar na boca, de língua.

III

- Professor, você vai ensinar o quê na aula sobre Barroco?
- Vou ensinar a construir barracos, todo mundo a pular amarelinha e a comer em tachos de barro. Posso também ensinar todo mundo a treinar cuspe a distância.

IV

- Professor, pra que ficar lendo livros?
- Pra aprender a correr cem metros rasos e a dançar rumba no Centro de Tradições Gaúchas.

V

- Professor, por que a gente tem de estudar?
- Pra arrumar um jeito de acabar com a guerra entre os terráqueos e os Klingons ou a fazer papel de Chita, em filme de Tarzan. Talvez, a cantar Babalu em festa de criança.

VI

- Professor, eu preciso estudar pra essa prova?
- Não. O Batman nunca estudou pra virar morcego! O Lula nunca estudou pra andar na esteira. Tartaruga nunca estudou pra andar com a casa nas costas!

VII

- Professor, por que o senhor me deu zero nessa prova? Achei que eu tinha ido bem.
- Ah! Não é nada. Eu estava treinando a usar um compasso para explicar o livro O Cortiço. Você já tinha ido embora, quando expliquei sobre a influência da banana na vida sexual do macaco.

VIII

Professor, o senhor não entendeu nada sobre o que eu quis dizer nessa questão. Por isso riscou a questão com caneta vermelha?

- A questão é que adoro bolinhas de sabão e tarado por pintinhas vermelhas em quem contraiu sarampo. Além do mais, não sei nada sobre a filosofia de Confuso. O homem também pode ser a hemorroida do homem. Certo? Ou o enfarto do miocárdio. Certo? Ou o genuflexório da igreja. Certo? Ou até mesmo aquela bola idiota que desce na Time Square no ano novo americano