Doentes: provocações

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Bombas atômicas... Bombas anônimas... canos vomitando balas a tirar vidas... Atirar!!! Pare!!! Dispare!!! Não pense. O alvo? A sociedade doente... o cidadão demente... o idealista... o ativista... o arrivista... o altruísta... os sem terra, os sem teto, os sem moral, os sem saco, os sem complacência, os sem inocência, os sem consciência. Os que não leem poesia, os que não obedecem a nenhum guia, os que não fazem parte da manada, os supostos inteligentes.... os sem nada. Os políticos... os paralíticos... os altos executivos... os investidores competitivos. Os que escrevem a história... os trouxas... os tapados, os transviados, os subversivos, os desvalidos, os sem memória. Os que desprezam a vida, os que não têm comida, os fetichistas, os fratricidas, os parricidas... Os que trapaceiam, os que incendeiam, os que bobeiam, os que não fazem parte do show, os revoltados que destilam seu veneno nas letras do Rock n' Roll...

Nessa sociedade descrente, dúvidas frequentes são desferidas como tapas em bocas sem dentes: Quem, na verdade, é o terrorista? Quem atravessa o caminho, quem bloqueia a entrada, quem explode a estrada, quem blasfema sozinho? Quem espalha o terror? Quem fomenta o horror? O que cegamente puxa o gatilho ou o que manda matar líderes para apagar o seu brilho? O que se refestela na praga do fanatismo ou o que assassina pessoas para implodir o capitalismo? O que está do lado de lá ou o que está do lado de cá? A esquerda ou a direita? A democracia manipulada ou a ditadura pseudo-humanizada? Osama Bin Bush ou George Bush Laden? O que assalta sempre apoiado por uma gangue ou policiais banhando as ruas de sangue? Os que transformam torcidas em grupos paramilitares ou torcedores abobalhados sendo humilhados aos milhares? Os que colaboram com as tragédias ou os que não riem nas comédias? Os assexuados que batem em homossexuais ou supostos defensores dos homossexuais que batem em quem não aceita suas posições radicais?

Nesse mundo doente, outras dúvidas indecentes escapam de bocas frementes: Como se acaba com vidas? Usando uma bala endereçada ou uma bala perdida? Obstruindo a liberdade ou distorcendo a realidade? Manuseando a palavra ou enganando quem lavra? Esfaqueando por causa de um boné ou obrigando os movimentos sociais a dar marcha a ré? Invadindo países cujos exércitos covardes fogem em desabalada carreira ou corrompendo governantes sem eira nem beira? Escravizando pequenos trabalhadores ou impedindo o acesso aos livros aos jovens leitores? Portando, para intimidar, pomposas carabinas ou estuprando, sem nenhuma culpa, incontáveis meninas? Construindo um muro que subtraia a visão ou fazendo um buraco no futuro de uma geração? Derrubando com armas aladas as Torres Gêmeas ou desassistindo com falsas promessas as pessoas ingênuas? Invadindo favelas a bordo de um caveirão ou subindo vielas carregando metralhadoras na mão? A polícia estourando bocas de fumo para pegar drogados e seus mentores ou a própria polícia assumindo no morro o papel do estado escondendo-se atrás de delitos e favores?

Assim funcionam as sociedades doentes: eleitores dementes, governos inconsequentes, policiais incompetentes, leis incongruentes. Justiça para os pobres, impunidade para os nobres, juízes subornáveis, sentenças contestáveis. Saúde precária, falta de uma medicina sanitária, pacientes amontoados em corredores, falta de preparo dos gestores. Bisturis amputando a vida dos meus e dos seus; médicos, contra toda ética, obrigados a brincar de deus. Remédios adulterados, hospitais sucateados, enfermeiros despreparados, farmacêuticos mal formados. Escolas decrépitas, metodologias caquéticas. Epidemia de educadores deseducados, pandemia de professores incapacitados. O estado lhes paga vergonhosos salários de fome que a metade do mês desafortunadamente consome. Alunos violentos convivendo com seus algozes em ambientes pestilentos. Otoridades a bordo de discursos viciados empurrando goela abaixo de pesquisadores sistemas há muito ultrapassados. O capital cria diferenças abissais, pois trata seres humanos como se fossem animais.

O estômago revolto do capitalismo pare párias, sem pátria, sem identidade nem visibilidade. Seres manipulados como cartas no jogo de baralho, não são cidadãos, mas penas números na carteira de trabalho. Não estão nas estatísticas sem nexo deixadas nas gavetas de órgãos públicos aos quais o público não tem acesso. O capital vomita um exército de homens indizíveis, sem propriedade nem nome, cujos braços não servem para abraços, apenas para o trabalho escravo nas lavouras, produzindo alimentos cheios de defensivos que não os defende da praga da fome. Os ecologistas veem nosso modelo de desenvolvimento atrelado ao consumismo, como a regra fundamental que joga o futuro do nosso planeta na beira do abismo. As hiper potências impedem as pobres de crescer e se manter. A fome é um grande instrumento de dominação e solitário direito dos ricos ao monopólio do pão: Prazer que é de um só, não é prazer. É estupro, egoísmo ou puro dever.

Animal político

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(O Boca do Inferno - direto do zoológico)

"O homem é um animal político", proclamou Aristóteles. Coitado do pobre filósofo, jamais imaginou que sua frase emblemática seria usada como argumento para a elaboração (é isso mesmo?) de redações encaixotadas e pilar de algumas ideias simplistas. O epiteto chique de "repertório" e, para ficar mais sofisticado, de "cultural" serviu para justificar o “decoreba” assassino do pensamento filosófico (filosofia - amor pela sabedoria).

Aristóteles acreditava que o homem só atingiria a felicidade em sociedade. Engraçado é que a sociedade prefere a infelicidade da guerra. A guerra é ocasionada pela falência da diplomacia, ou seja, a falência do discurso, da convivência harmoniosa. Mas, a desarmonia traz a felicidade para muita gente, senão o que seria dos vendedores e traficantes de armas e drogas. Por essa, Aristóteles não esperava. Estamos fadados, portanto, à infelicidade social. A palavra está falida, valem os emojs, os emotions. Um muque vale uma expressão, minion vale uma página. A diplomacia é a das fake News.

O gado, em linhas gerais, por não saber manipular o discurso, é apenas "animal". O dono do gado, “o político”, sabe manipular, escravizá-lo. Se não sabe, compra alguém que saiba. A felicidade não será jamais "política", tal o sentido pejorativo que a palavra e a pessoa que se abriga sob seu guarda-chuva adquiriram. Seria uma balada, se não fosse um balaço: a infelicidade é atingida pela vida em sociedade. Ah! Aristóteles!

Não é possível ser feliz, quando alguém “poderoso” disse que não disse o que disse: "Ninguém quer uma guerra. Guerra é ruim porque haverá perda de vidas. Há consequências colaterais. Mas não creio que Maduro vá sair do poder de uma forma pacífica. De alguma maneira, em alguma hora, em alguma medida, será necessário o uso da força porque Maduro é um criminoso." Depois de Aristóteles virar no túmulo, Jair Bolsonaro, que vive um embate inglório com a língua portuguesa, tal qual os dois últimos presidentes, pespegou: "Tem gente divagando sobre isso. De nossa parte não existe essa possibilidade." Aristóteles desvirou? Não creu?

Tite, animal técnico político, filósofo do ludopédio, resolveu dar uma de juiz do STF e soltou um “tapiazol com embromazil”, que pareciam impropérios, para explicar o que todo mundo já virá: o Brasil empatou com o Panamá por 1 a 1(número 76 do ranking da Fifa). Medroso, Tite soltou termos na entrevista coletiva, que driblaram o “senso” e a compreensão, como: "performar o resultado", "extremos desequilibrantes" e "lastro físico". O jornalista Raphael Rezende do SporTV e Alex Escobar dos multicanais multinacionais Globo entraram em pugilato verbal. Raphael Rezende prefere o barroquismo titiano; Escobar, o simplismo muriciano. O gado indignado esperava que o Brasil ganhasse em Praga da Tcheca. Aristóteles assim veria sua tese prosperar, a felicidade atingida pelo povão suado no circo, com facções prontas para se engalfinhar, assim que o arbitro marcar o primeiro pênalti mal marcado, depois desmarcado pelo VAR.

“Primeiro, eu queria te dizer que eu tenho muito respeito pelo ET de Varginha. E eu sei que aqui, quem não viu conhece alguém que viu, ou tem alguém na família que viu, mas de qualquer jeito eu começo dizendo que esse respeito pelo ET de Varginha está garantido” destrambelhou Dilma Rousseff. A felicidade foi atingida pela oposição e por mim que estou dedilhando esse texto. A língua portuguesa é, realmente, o maior instrumento de dominação de um povo que nunca foi “desasnado”, mas é feliz justamente pela sua ignorância, nunca conheceu metáforas surtadas, fala em uma língua e escreve em outra. Na frase “O homem é um animal político” há metáfora, ambiguidade e ironia política e duas certezas.

Esse texto destrambelhado, que misturou Aristóteles, com Dilma, 01, Bolsonaro, Raphael, Escobar, Tite, Murici, ET de Varginha e Dilma Rousseff é um primor da filosofia aristotélica. Se você não entendeu nada, não riu, não se preocupe, perdeu um tempo menor do que quem o escreveu. A língua portuguesa é um tremendo instrumento de enrolação. É sustentáculo do político que desfala o que tinha falado, para fingir que dá de comer ao animal. Coitado do Aristóteles, vítima da língua, instrumento social malvado, ora amiga da felicidade, ora inimiga, ora indiferente a ela. Inclusive, nem consegue defini-la. 

A cegueira da visão e a cegueira da audição

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Inep cria comissão para verificar se questões do Enem estão de acordo com a realidade brasileira

 Caros:

            Diz o ditado popular: “Em casa em que falta pão, todo mundo grita e ninguém tem razão”. Não me interessa em quem você votou no último pleito. Não me interessa também a que facção partidária pertence. O que me interessa é ponderar sobre algumas situações absurdas envolvendo o sistema educacional brasileiro: brigas, falácias, censura e discursos destrambelhados.  

O senhor “escritor” Olavo de Carvalho “manda prender e manda soltar” na Esplanada: ameaça, aos berros, retirar seu “pessoal”, quando não concorda com qualquer guinada ideológica do grupo em entorno do presidente; participa de banquetes diplomáticos como eminência parda; arvora-se de ideólogo do presidente; funda grupos ideológicos, mentindo que não são (apoiar o movimento “Escola sem Partido” é o maior exemplo); ataca abertamente o, segundo ele, “destoante” vice-presidente da república e praticamente nomeia ministros. Olavo de Carvalho é tido como mentor do ministro da educação Ricardo Vélez que que, por sua vez, é o mentor do presidente do Inep Marcus Vinicius Rodrigues, que, ao que parece, não é mentor de ninguém, é apenas um monitorado à beira do abismo.

O Ministro Velez vive o balança no cargo, mas não cai: a bancada evangélica pressiona, quer mais espaço, chama-o de 'maçã bichada'. Os líderes da bancada evangélica boicotam uns aos outros, os militares boicotam os dois, os técnicos do Instituto Paula Souza boicotam os três, olavistas boicotam os quatro. A pastora evangélica Iolene Maria de Lima, por exemplo, que seria a Secretária Executiva do MEC, caiu antes de assumir devido a uma entrevista destrambelhada à TV evangélica FELIZ CIDADE. Parece brincadeira, mas não é: três indicados, em três semanas, não assumiram (Luis Antônio Tozi, olavista, foi demitido, em seguida Rubens Barreto da Silva foi nomeado, mas caiu antes de assumir). A conclusão é simples: o MEC virou uma bagunça ideológica. Todo mundo grita, ninguém tem razão.

            Como se não bastasse a bagunça, o MEC virou refém de um grupo de “eleitos”: uma comissão de “iluminados” lerá as questões do banco de dados do INEP, segundo os temas “transversais de pertinência com a realidade social” (seja lá o que isso signifique), as “dissonantes” serão retiradas para posterior adequação (seja lá o que isso signifique). Os “iluminados” são os representantes do Ministério da Educação, Marco Antônio Barroso Faria; o secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior; o representante do Inep, Antônio Maurício Castanheira das Neves, diretor de Estudos Educacionais; e o representante da sociedade civil, Gilberto Callado de Oliveira, procurador de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina.

Por incrível que pareça, a comissão poderá fazer um trabalho cansativo que pode se tornar inútil, pois o presidente poderá vetar a prova. Tenho curiosidade de saber quais serão as conclusões às quais sua excelência chegará, afinal a questão sobre os gays, que o irritou, não defendia ideologia de gênero, versava sobre o dialeto usado por um grupo social. Ninguém vira gay por causa de uma questão de prova, afirmou a até então responsável pelo ENEM, Maria Inês Fini, que logo, em seguida, se demitiu. Ou será Flávio Bolsonaro, aquele que andou sentado na traseira do bugre presidencial durante a coroação do mito, que lerá e aprovará a prova?

Exigia-se, até agora, uma intervenção social na prova de redação. O aluno deveria apresentar “sugestões” para “minimizar” um problema social, mas não ferisse os direitos humanos; atualmente pode ferir os direitos humanos desde que apresente argumentos convincentes. Daqui para a frente, nem Deus sabe como será avaliada essa instrução, nem como serão instruídos os corretores das provas.

Senhores e senhoras: não existe isenção em nada, basta escrever qualquer texto ou ler a obra de qualquer autor ou analisar a atitude dos pais, dos técnicos de futebol, de quem quer que seja. Nenhum professor dará uma aula sem emitir opiniões, mesmo se elas não estiverem explícitas. O senhor Olavo de Carvalho, adepto do movimento “escola sem partido”, tem partido, o da escola sem partido, basta ouvi-lo berrar e bater na mesa nos seus vídeos. Esse negócio de esquerda e direita acorreu na Revolução Francesa (1789). Será que regredimos tanto assim?

Senhores e senhoras: mentores são ideólogos, têm partido político sim. Se não tivessem, logicamente, não seriam ideólogos. A partir disso tudo, a conclusão é simples: ninguém faz a mínima ideia de como será a prova do ENEM 2019, quais serão os possíveis temas abordados na redação e nas questões, mas é claro, óbvio que um exame nacional não foi criado para quem quer que seja fazer proselitismo religioso. Um presidente VETAR questões de uma prova é inédito na história de uma democratura, como a do Brasil: vetar é censurar e esta não está entre as atribuições do presidente da república. “Adequar” questões a uma suposta realidade também é censurar. Já sabemos onde isso vai dar: experimentamos essa coisa durante 26 anos e pagamos o preço até hoje. 

Relembrando...

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(Brilhante texto de Marcela Braganholo)

Adversativas.

Tenho pensado muito nas pessoas que adoram colocar um “mas” na vida. Ou melhor, não que eu esteja pensando nas pessoas, mas sim no que as fazem construir tantas orações coordenadas adversativas. E não me venham dizer que é por causa das adversidades da vida. Para mim, só existem adversidades porque existem orações que as exprimem (!).

Ok, forcei a barra. Mas não é no mínimo instigante pensar no que faz tanta gente não tirar o “porém” da boca? Não podem ver uma bela oração assindética, que já vão logo colocando uma vírgula e, em seguida, lançam, com tudo, o “contudo”. Às vezes, nem a vírgula aparece. Grave erro. São pessoas um tanto irritadas com a independência sintática de uma assindética.

Ganhei na mega sena, mas não fui o único. Estou de férias, mas está chovendo todos os dias. O Brasil está progredindo, mas não chegará nunca aos pés do mundo. Haja humor.

E quando não constroem adversativas, tratam logo de apelar para a subordinação. As concessivas, claro... Elas são a mais pura concretização linguística de tudo aquilo que foge à regra. Camuflam o peso da adversativa, mas não deixam de mostrar a insatisfação com a beleza da oração absoluta. A vida é bela, embora não seja para mim - é assim que dizem os casmurros não assumidos. A vida é bela, mas não para mim - é assim que dizem os casmurros. Parece, mas não é a mesma coisa – sutilezas da língua.

Não se trata apenas de uma diferença de composição da vida: uma vida subordinada, e outra coordenada. Trata-se, mais uma vez, da ênfase que damos a cada uma das orações. Para os coordenados, o "mas" vale mais. Para os subordinados, há um vestígio de insatisfação que se revela na concessão do "embora".

É por isso que admiro o período simples. Nada como a síntese de um verbo intransitivo e um ponto final. Fui. Cheguei. Saí. Dormi. Acabou. Nada de mas, nada de porém, nada de apesar de. A vida é assim e pronto. Seria muito mais fácil enxergar a poesia da vida se não estivéssemos viciados no período composto. As adversidades da vida não teriam espaço para existir. Não seriam verbalizadas. Não seriam projetadas. A vida não seria coordenada por um “mas”, nem subordinada a um “mesmo que”. E toda via seria completa e simples. Como um singelo verbo intransitivo seguido de um ponto final.

O que fazem as pessoas gostarem tanto de um “mas”? Não acho que seja a complexidade da vida. Talvez seja somente uma questão de ponto... De vista.

SEGREDOS CONFESSÁVEIS PARA UM JOVEM VESTIBULANDO: TUDO MUDOU PARA FICAR IGUAL

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(texto publicado pela primeira vez em 19/02/2014 e repetido todos os anos nesta época)

Quando eu tinha 18 anos, os professores pregavam: "Vocês estão no ano do vestibular. Vocês são um bando de alienados que não leem nem bula de remédio. Se não estudarem, não vão passar. "Era um pé no saco" - todo dia, toda aula. Havia um que contava os dias, as horas e os minutos para que faltavam, só nos sanear. Transformaram o tal vestibular em um monstrengo. Muitos amigos "piraram", viraram ursos: brancos, peludos e gordos. Esqueceram de viver. 
Os diretores diziam que tínhamos que escolher a profissão que exerceríamos para o resto da vida. Pensei: "O resto da vida é muito tempo".
Alguns amigos nasceram com o estetoscópio pendurado no pescoço: "Vou fazer medicina, penso nisso desde criança". Um tentou, três vezes, entrar na UFJF. De tanto decorar a apostila, tornou-se um dos melhores professores de biologia que conheço.Nunca exerceu a medicina, apesar de formado. Outro formou, jogou o diploma no colo do pai e foi fazer artes cênicas.
Nunca pensei no que queria ser. Em algum momento, pensei em ser diretor de teatro. Depois de um conto publicado pelo Diário Mercantil, tive certeza: "Serei escritor". Logo depois, a certeza foi para o espaço, então me imaginei jornalista. Sempre tive uma imensa dificuldade de obedecer a ordens, nunca daria certo.
Li muito. Os garotos da rua jogavam bola. Meu pai e meu irmão achavam que eu era doido ou gay. Para a tristeza deles, virei objeto de gozação. E eu, cheio de dúvidas, ouvia rock'n Roll.Aí a coisa virou. Certeza! Eu era maconheiro. Veado maconheiro, minha mãe cria que eu era o ser mais inteligente sobre a terra: mães são assim mesmo. Eu, cheio de dúvidas, era um adolescente. Algo parecido com uma bomba relógio.
Na fila de inscrição, conversei com várias pessoas. Uma delas me disse: "O seu negócio não é aprender português a fundo? Então, porque não faz letras? Dei-lhe razão, então, mais uma vez, troquei, para desespero da minha família, que queria um filho "dotô" médico ou padre ou milico. 
Fui parar no curso de letras. Na primeira aula, deu vontade de fugir: "O que diabos eu estava fazendo ali? Dar aulas? Jamais..." Como sou teimoso, insisti. E não é que comecei a gostar! No entanto, vivia grudado na "galera" do jornalismo.
Em 1978, as escolhas dos filhos eram motivadas pelo desejo das famílias de alcançarem "status". O negócio era ser médico, advogado ou engenheiro. O resto era "curso espera marido". Nunca ansiei por um marido. A famosa Leila Barbosa me deu uma chance e comecei a dar aulas aos 18 anos.
Hoje o leque é tão diversificado que as profissões que darão status não foram sequer inventadas. É um "crime" pedir a um jovem para escolher o que fará pelo "resto da vida". Falta-lhe maturidade. Conheço uma imensidão de jovens que "chutou o pau da barraca" e foi para o mercado de trabalho sem um diploma universitário. 
Pergunte a uma pessoa de 40 anos ou mais, se ela, algum dia, imaginou que carregaria no bolso o próprio telefone pela rua e/ou o próprio computador? Se ela imaginava o que seria a tal internet? Quantas profissões surgiriam a partir dela?
Tenho 59. Envelheço, mas meus alunos, todos os anos, têm 18 anos, por isso acompanhei gerações. Tenho ex-alunos que trazem seus filhos para estudar comigo. Vou-lhe contar um segredo, paciente leitor, que chegou até aqui: "Não sei o que quero fazer, é a opção mais concorrida do vestibular". Eu não suportaria ser o que outras pessoas queriam que eu fosse: tenho aversão a sangue e fardas...
Numa profissão tão desvalorizada quanto a minha. Vou-lhe contar outro segredo, perdido leitor: "Perdi uma namorada, cuja mãe me chamava de professorzinho", considero-me um professor vencedor. Ela fez por mim algo fantástico: Adoro desafios e provocações. Criei, há 28 anos, o Criar Redação, uma referência em Língua Portuguesa neste pais do Tio Sam.
Não saberia fazer outra coisa a não ser ensinar e provocar. Alguns alunos me amam; outros me odeiam, mas todos sabem que não há como ser indiferente a mim. Nunca fui óbvio.
Meu jovem aluno, não se desespere, o vestibular não é um monstro. E NADA É PRA SEMPRE.

​NÃO DEIXE A FACULDADE TE ESCOLHER: O IMEDIATISMO TRAZ CONSEQUÊNCIAS SÉRIAS.

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O melhor negócio é ingressar na vida universitária, principalmente para os enlouquecidos olhos dependurados nas famosas listas de espera para as diversas faculdades do país. O desespero é tanto que acaba por obstruir a razão na hora de escolher o que é melhor para si. Em cinco ou seis anos, o mercado "planta bananeiras"

Cuidado com alguns lugares comuns, não servem para nortear suas escolhas. Pense bem: toda escolha custa; e muito.

1. QUEM FAZ A FACULDADE É O ALUNO: Isso é uma meia verdade. Um mau aluno é ruim em qualquer faculdade; um aluno bom, vai na direção contrária. Se o currículo oferecido for deficiente em relação a faculdades mais conceituadas ou você terá que fazer muitos cursos de complementação ao se formar ou se sujeitar a empregos de menor remuneração no mercado de trabalho. A única diferença entre Deus e o mercado é que Deus perdoa.

2. FAZER UMA FACULDADE PARTICULAR É MELHOR QUE PAGAR CURSINHO: De novo, isso é a meia verdade. Por quê? Porque você precisa ver se o curso é conceituado no mercado, se está regularizado pelo MEC e esse o curso se enquadra realmente nas suas expectativas profissionais, senão perderá muito dinheiro ao desistir e ter que voltar para um cursinho. Você a quer ou ela foi sua última opção, por não se sentir preparado(a) para enfrentar uma melhor? Você se imaginou tomando uma atitude como esta em um mercado tão competitivo, quanto o nosso? Vale lembrar que há excelentes faculdades particulares e públicas caindo aos pedaços.

3. TODA FACULDADE É A MESMA COISA: Você nunca viu um bom aluno falar isso. Na verdade, o mal aluno fala isso para justificar uma má escolha ou a sua total falta de opção. Se todas as faculdades fossem a mesma coisa, por que há vestibulares muito mais concorridos que outros? Você não pode ser a mesma coisa, precisa ser um profissional diferenciado e muitas faculdades lhe proporcionam isso, dando-lhe a oportunidade de fazer intercâmbio com faculdades no exterior. Mesmo quem se dedica, já sofre com isso. Você entregaria sua vida nas mãos de um "qualquer coisa"? Você é preconceituoso, o mercado é.

4. O IMPORTANTE NÃO É O CURSO DE MEDICINA QUE SE FAZ, MAS SIM A RESIDÊNCIA: Essa afirmação não tem lógica, porque um aluno formado em uma má faculdade jamais conseguirá passar em uma boa residência, a não ser que mude de comportamento, a ponto de fazer "cursinho" na faculdade para ingressar na residência.

5. O VESTIBULAR DECIDE A SUA VIDA: O vestibular aponta um caminho a seguir, porém, em um país em que o sistema educacional não se preocupa em descobrir talentos e por isso não direciona o aluno para sua escolha profissional, você escolhe a profissão, baseando-se em desinformações ou preocupando-se com status. A faculdade muda muito o indivíduo e muitas profissões surgem no mercado. Você já imaginou a quantidade de novas profissões surgidas a partir da invenção do celular? Esses caminhos são descobertos dentro da própria universidade ou pelas oportunidades que o mercado de trabalho oferece.

HÁ OUTRAS TANTAS COISAS PARA COMENTAR, MAS FAREI ISSO EM OUTRO TEXTO. ESTAS SÃO AS IMEDIATAS.

​UNESP SUSPENDE VESTIBULAR DE MEIO DE ANO

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Minha filha se formou na UNESP em odontologia. Sempre quis ser dentista. Realizou-se. Sofreu devido ao currículo pesado. Jamais se arrependeu. Alunos levavam materiais extras para atender aos pacientes, mesmo assim valeu a pena. Acha a faculdade fantástica. Está eufórica, porque teve um artigo publicado em uma revista científica internacional. Seu orientador é considerado um dos maiores especialistas em clareamento dentário do país. 

Meu filho se formou em administração pública na Unesp, participou da empresa júnior, aprendeu, na prática, o que é ser um administrador, tanto que se candidatou a vereador. Veteranos e calouros têm encontro marcado todos os anos. Há, lógico, a festa, mas também há os que abrem caminhos para os outros. Brinco, que ele saiu da Unesp, mas a Unesp nunca saiu dele.

Conheço professores do departamento de letras e pedagogia da Unesp Araraquara, alguns conferencistas internacionais renomados, muitos por salários dignos; alunos lutam para melhorar instalações, currículos e outras “cozitas mas”. O professor “Fernandinho” (pequeno grande mestre) é reconhecido nacionalmente por suas traduções para o português de obras escritas em grego antigo. Da última vez em que tive o prazer de encontrá-lo, ele não sabia quando receberia o 13º salário do ano anterior, mesmo assim continuava lutando pela manutenção do curso de letras, um dos mais conceituados do país.

A Unesp de Franca, tida como uma das melhores faculdades de direito do país, em priscas eras, há tempos convive com problemas de verbas, tanto que já não é prioridade para muitos vestibulandos. Estamos perdendo uma das maiores instituições de ensino do país. Quando digo, deixamos, é porque todos sabemos que ela está rolando ladeira abaixo. Se não sabem, fiquem sabendo agora: Devido à falta de verbas, a bordo de desculpas esfarrapadas (atender os anseios da sociedade), não haverá vestibular de inverno nos próximos dois anos.

Seria interessante para o governo sucateá-la para vendê-la a preço de banana? Não sei, mas já vi esse filme no governo do presidente sigla: o consórcio que comprou a CSN com dinheiro emprestado pelo BNDES a fundo perdido sabe. A desculpa é a de que instituições governamentais são cabides de empregos? Sei já vi filmes pior que esse, a Vale do Rio Doce, nossa maior multinacional, foi protagonista dele: deu no que deu. Seria a crise econômica, a grande responsável pela falta de verbas? Já vi esse filme muitas e muitas vezes, cada hora com um protagonista diferente. O Brasil sempre esteve em crise. Em todos os governos, o desprezo pelas universidades públicas é o mesmo: Não fazer nada, para justificar que não há o que fazer. Seria o problema da má gestão de recursos na instituição que a tornou um problema? Então a má gestão começa no governo que colocou um mau gestor no comando da instituição. Seria a velha cantilena de que universidades públicas são feitas para os ricos? Então devemos matá-la, para depois ressuscitá-la privatizada e beneficente?

Há muito tempo, por sucessivos governos, a Unesp vem sendo sucateada. De fora, não conheço a fundo os problemas da instituição, então estou escrevendo sobre o que não sei? Sei o que está na cara: A Unesp não fará o vestibular do meio do ano, se não receber verbas para sobreviver. Estou fazendo uma pequena parte, que é escrever este artigo. Mas, pretendo fazer mais, muito mais pela faculdade dos meus filhos. O quê? Ainda não sei, mas não posso deixar um ser, que ainda respira, mesmo que por aparelhos, morrer. A sociedade anseia por um “não” vestibular púbico? Faz-me rir.

​SÓ INDIGNAÇÃO NÃO BASTA

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O DESASTRE DE MARIANA FEZ COM QUE O MUNDO SE VOLTASSE PARA A CIDADE DESTRUÍDA, MALTRATADA, O POVO POBRE DE DINHEIRO E DE CONHECIMENTO. A AUDIÊNCIA EXPLODIU COM O DESASTRE QUE ATÉ HOJE MATA GENTE, A SAMARCO NÃO. A MINERADORA MANTÉM A SUA SANHA POR DINHEIRO. A NÓS, CABE MAL E PORCAMENTE A INDIGNAÇÃO.

O CALOR INFERNAL FEZ COM QUE O MUNDO SE VOLTASSE PARA O BRASIL. COZIDOS E ASSADOS, AMALDIÇOAMOS OS TERMÔMETROS, O POVO OLHA PARA AS PREVISÕES DE MAJU COUTINHO, COMO SE ELA FOSSE O PROBLEMA E NÃO A NOSSA OMISSÃO.
POUCOS LUTAM PELA AMAZÔNIA, NENHUM DOS GOVERNOS SE ATREVE, POLÍTICOS GANANCIOSOS POR VOTOS APROVEITAM DAS TRAGÉDIAS E DA OMISSÃO. AS TRAGÉDIAS LÁ ACONTECEM, MORRE GENTE TODO DIA. A AUDIÊNCIA EXPLODE SE HOUVER UM DESASTRE VISÍVEL, AS MINERADORAS E MADEIREIRAS E GRILHEIROS ACOSTUMADOS A GANHAR NÃO.
O DESASTRE DE BRUMADINHO É UM MISTO DE MARIANA E AMAZÔNIA. MORRE GENTE TODOS OS DIAS, MUITO POUCAS PARA OS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. HOJE BRUMADINHO PARECE UM SET DE UM FILME DE FICÇÃO. CHEGA DE PASSIVIDADE, PRECISAMOS DESCOBRIR O BRASIL. QUEM PERMITE QUE A VALE CONTINUE A DEVASTAR, MATAR E MALTRATAR? MULTAS NÃO TRAZEM VIDAS DE VOLTA NÃO. TEMOS QUE IR ATRÁS DOS IRRESPONSÁVEIS, QUE PERMITEM ESSA SAGA DE DESTRUIÇÃO. O PRESIDENTE DA VALE PEDIR DESCULPAS NÃO AJUDA NO SOFRIMENTO DAS PESSOAS NÃO.
BASTA DE VOOS DE HELICÓPTEROS, DE AUTORIDADES PASSEANDO EM CIMA DA DESTRUIÇÃO. SÃO ELAS QUE DÃO O AVAL PARA A CONTINUAÇÃO DESSA SANHA POR DINHEIRO. A NATUREZA HUMANA NÃO SUPORTA ISSO NÃO.
BASTA DE OLHARMOS INDIGNADOS AGORA E, DEPOIS DO ALMOÇO, DAQUI A UMA SEMANA, NÃO LEMBRARMOS DISSO NÃO. 
BASTA DE FICARMOS SENTADOS ESPERANDO TRAGÉDIAS NA FRENTE DA TEVÊ. BASTA SÓ FICAR NA INDIGNAÇÃO.

TUDO O QUE FOI DITO ATÉ AGORA NÃO PASSA DE FALÁCIA. DAQUI A MENOS DEDE TRÊS ANOS, VIVEREMOS MAIS ALGUNS DIAS DE INDIGNAÇÃO. E SÓ.

 

Esse texto foi escrito para quem não passou no vestibular

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Sensação indescritível.

Depois do desespero que sai pelos poros, provoca frio na barriga, secura na boca, coração disparado, medo, tremor, o mundo parece preso único segundo na ponta do dedo.

Quanto mais a unha desce, mais raspa a página ou a tela. Aquela pequena lista enorme. A danada cresce à medida que o dedo escorrega. Dedo que arrasta junto aquele suor frio. Fogo, fogaréu.

O nome parece se brincar de pique-esconde. De repente, não mais que de repente, pula nos olhos. Os olhos parecem se enganar. Emerge do desespero a descrença. Um beliscão faz acordar. É hora, então, de pular, berrar, abraçar, chorar, chupar o ar. A felicidade explode: Olha ele aqui!!!!".

Do nada, surge um bando de estilistas bêbados que transformam euforia em calça rasgada, em camisa furada. 

Vestibular é um ritual de passagem em que maquiadores enlouquecidos transformam cabelos em caminhos de ratos, caras e bocas, em máscara de palhaço.

É quando todo um jovem acha bonito ser feio, deixar de ser humano para virar BIXO, perde qualquer noção de realidade: abraçar o sonho, tornar-se dono do próprio destino.

E nada mais há a dizer. Palavras não traduzem a felicidade de passar, da sensação tão humana de vencer, a capacidade de fazer o destino acontecer. 

Mas, e os que não passaram. Sentem-se o verme preso na pata do cocô do cavalo do bandido. Difícil encarar o mundo com os olhos no horizonte. Parece que até o cachorrinho cobra a Vitória, quando olha. E quando alguém diz: "O filho do fulano passou". Um insensível sussurra: "E passou de primeira". E o vizinho: "Não passou? De novo?" É a morte encarnada. E quando o papai diz: "Papai se sacrifica mais um ano e investe em você. Vou te dar tudo o que você quiser, mas dessa vez tem que passar". Você não é um ser, é um investimento. Investimento tem que render. Daí vem a ansiedade, a depressão, os florais, o psicólogo...

Calma: o mundo é redondo, numa determinada hora você está por baixo, em outra está por cima. Calma: Só peru e chester morrem na véspera. Lembre-se do velho Guimarães Rosa: “Todo mundo tem a sua hora e a sua vez”. E a sua vai chegar. 

Crie uma estratégia diferente da do ano anterior. Escolha a faculdade, não deixe que ela o/a escolha. Faça sua decepção se tornar um fator a seu favor. Mesmo que não tenha estudado nada ou teve notas ridículas, de um ano para outro a escola muda, o vestibular muda e, principalmente, você muda. Seja um ser humano e não um mero vestibulando. Se você tem medo, já perdeu. Cursinho é o mal necessário. Mude sua rota se achar necessário ou fique na mesma se se sentir seguro(a). "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Força e foco.

PARABÉNS

A TODOS AQUELES QUE PASSARAM

ÀQUELES QUE FICARAM PERTO E ESTÃO NAS LISTAS

ÀQUELES QUE TENTARAM, MAS JAMAIS DESISTIRAM 

E ÀQUELES QUE NUNCA DESISTIRÃO.

INVENTÁRIO DE NÓS

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Pense:

Quantos amigos sinceros fez neste ano? Quantas pessoas verdadeiramente interessantes conheceu? Quantas obras de arte o embasbacaram? Em quais livros mergulhou sem escafandro? Quais músicas entraram pelos poros? Foi ao teatro? Quais as obras arquitetônicas parou para se deliciar com a visão? Para quais lugares valeu viajar? Quais museus frequentou? Quais certezas o levaram a caminhos, que considerou tortos? Quais incertezas o lavaram tomar decisões, consideradas tortas, das quais não se arrependeu? Quais mentiras indecentes esteve predisposto a contar? Em que mentiras indecentes esteve propenso a acreditar? De quantas pessoas, consideradas desinteressantes, fugiu? Quantas vezes se arrependeu? Quantas vezes valeu a pena parar para admirar uma obra arquitetônica? Quanto valor deu ao aprendizado da história? Quanto valor dá ao conhecer, ao invés de decorar? Estudou filosofia e sociologia? O quanto sobre gente aprendeu? Quantos abraços deu? Quantas pessoas empurrou para fora do seu convívio com uma mensagem de watsapp? Por quantas pessoas realmente se apaixonou? Quantas pessoas odiou? Quantas pessoas realmente admirou?
Nosso mundo capitalista é quantitativo, contabiliza até emoções e fantasias. Você se tornou qualitativo? O quanto de conformismo ainda carrega? Ainda é capaz de argumentar? Defendeu seus ideais sem achismos ou fanatismos? Defende alguma causa social? Defende alguma causa ambiental?
Se você contabilizou tudo isso teve uma vida sem graça. Emoções, sensações e ideais é impossível contabilizar. Se você consegue, não viveu. Foi nuvem que passou e não fez chover.

Contabilize:

Comprou um terreno? Uma casa? Um carro importado? Enfurnou-se em uma mansão em um luxuoso condomínio fechado? Adquiriu um luxuoso apartamento à beira mar? Adquiriu alguma fazenda? Entrou para o seleto clube da elite? Comeu nos melhores restaurantes sem precisar conferir a conta? Viajou para a Disney, porque esse era o seu único propósito para acumular? Realizou todos os seus sonhos de consumo? Deixou de ser mais um na multidão, agora é celebridade? Virou doutor, mesmo não tendo doutorado? Passou a ser reverenciado por um bando de puxa-sacos? Passou a ser agraciado com prêmios que precisa comprar para receber? Passou a ser chamado de pessoa bem sucedida e por isso estampa capas de revistas? Anda cercado de seguranças? O mundo capitalista exige o bolso e a consciência, você está disposto a entregar-se de corpo e sem alma? Você, em algum momento, parou para pensar, ou se deixou levar pela onda consumista? Sua maior terapia é comprar, inclusive pessoas? 
Para você, somos o que somos ou o que pagamos para ser? Quanto você vale? 
O mundo capitalista contabiliza o concreto, só por causa dele as pessoas creem no sucesso. 
Só por causa desse tipo de acumulação, o ano é considerado por nós um ano repleto de realizações.

Feliz vida, repleta de conquistas, desejo-lhe, paciente leitor.