Contos perfumados da realeza

Postado em:

As mais preciosas essências têm sido associadas a reis e rainhas. Tribunais têm sido invadidos pelos cheiros por séculos, mas talvez a aristocracia mais aromática tenha sido encontrada na corte do sultão de Deccan na era da Índia, de 15 a 1700, e na “Corte Perfumada” de Maria Antonieta e Luís XVI, no final do século XVIII. Ambas as cortes eram exageradas na suntuosidade dos lugares e jardins e na exuberância dos perfumes belamente preparados.

Nos palácios do sultão Ali Adil Shah II de Bijapur, o perfume reinou supremo. Tanto a poesia como a pintura da época continham contos aromáticos cheios de flores, mitologia, romance e saudade. A poesia estava ligada ao plantio de jardins aromáticos, informando a colocação de flores, plantas e árvores.

Há, por exemplo, o conto da flor Parijata,, a única flor arrancada diretamente do chão e entregue em oferenda aos deuses. Pa-rija-ta era uma princesa mortal que se apaixonou pelo Surya, o deus do sol que dirigiu sua carruagem de fogo através do céu de leste a oeste. Depois de um encontro na terra, e com a chegada do verão, seu calor divino tornou-se forte demais, e ele a abandonou quando a noite apareceu. Devastada, Pa-rija-ta seguiu o deus sol e foi queimada pelo seu calor. Os deuses tiveram pena dos amantes, e Pa-rija-ta foi reencarnada como uma árvore de jasmin em seu mais belo esplendor, que Surya visitava todos os dias, seus beijos causando a fragrância persistente da exuberante planta. Incapaz de suportar a visão do amante que a deixava, as flores da Pa-rija-ta abriam apenas à noite, derramando seu perfume em forma de lágrimas.

As menções de flores de cheiro doce na poesia e mitologia Deccan geralmente remetem à sensualidade e à excitação. Os jardins ao ar livre foram criados ao longo de riachos. As flores foram colocadas com grande cuidado ao lado uma da outra para que houvesse a mistura de aromas, tanto no calor diurno quanto no frescor da noite. A copa de coqueiros e cipreste que circundava o lugar proporcionava sombra para o sol forte, e o aroma seco de argila quente e as notas mais frias do patchouli, ou vetiver selvagem, foram colocadas embaixo, e libertavam um aroma verde. Bacias de água de rosas foram colocadas ao pé de árvores floridas, de modo a fazer com que as flores se abrissem por completo. As treliças de rosas aromáticas de cem pétalas, violeta, calêndulas de cem pétalas, flores de champa e notas estridentes de romã, laranja, figo e manga brilhariam durante o dia. O aroma duraria pelas longas noites, quando os jardins eram incendiados com madeira de pau de águila, frankincense, madeira de sândalo e velas perfumadas de âmbar. No jardim iluminado pela lua, encontravam-se os aromas inebriantes da dama da noite, jasmin, o jasmim e a tuberosa, a rainha das flores. O jardim, iluminado e artisticamente aromático, era de sensualidade, sedução e poesia.

A fragrância se infiltrava em todos os momentos da vida na corte e era considerada importante tanto para a saúde como para o prazer. A inalação desses perfumes deve ser preenchida com o equilíbrio de aromas que proporcionariam humores refrescantes e de aquecimento dentro do corpo, e, portanto, o perfume era visto como parte integrante do equilíbrio do espírito interno.

Os jardins palacianos e o quarto de dormir eram uma experiência aromática e visual perfeitamente composta. Uma nota se levantava na brisa, outra seguia em uma canção de fragrância e jogo de cor. Flores, madeiras e ervas estariam intrinsecamente posicionadas para engenhosamente zombar do aroma de certas notas inebriantes de um único animal, como musk ou almíscar, âmbar e madeira. Rosas delicadas, amarelos brilhantes, verdes, vermelhos furiosos e marrons profundos criaram uma colcha de retalhos de cores ilustradas nas muitas pinturas da época. O verde, o incenso, as velas e as flores frescas tornaram-se a manifestação de um perfume vivo, respirante e imersivo. Nota por nota, as fragrâncias encheram a imaginação, inspirando os sentidos, ressoando acordes de fragrância, falando de arte sofisticada e uma devoção aos prazeres de uma vida perfumada.​

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

O cão engarrafado

Postado em:

​Das grandes paixões que a vida me trouxe pela admiração e observação de quem me rodeava, uma delas foi o vinho. Eu só fui beber com mais de 25 anos, morria de medo do efeito do álcool, mas sempre achei bonito o processo de produção, as garrafas, rótulos, cheiros, o modo como ele se acomodava na taça. E isso não foi diferente com outras bebidas, como o whisky, a bebida escocesa que foi considerada tanto medicamento como alimento básico no país. E foi com esse fascínio que George Harper, especialista na bebida da Johnnie Walker, ajudou a criar uma nova linha da marca inspirada nos distintos perfis de aroma que as destilarias de cada um dos quatro cantos da Escócia oferecem.

A linha se chama, Johnnie Walker Black Label Origin, em que cada edição se aprofunda na quatro notas mais características da marca: baunilha doce, frutas de pomar, frutas ricas e aroma defumado. Cada blend de 4 e 12 anos é elaborado com whiskies de uma determinada região para captar as principais características de aroma dessa área, são elas: os frutados de Speyside, a riqueza das Highlands, as notas doces das Lowlands e o defumado de Islay. Três dessas edições limitadas têm um blend exclusivo de alguns dos nossos melhores single malts, e a outra edição reúne de maneira caprichosa whiskies de cereais e single malts para representar da melhor forma o perfil de aroma da região.

Para ajudar na degustação, cada embalagem vem acompanhada com um mapa da Escócia e explica mais sobre a região em que ele homenageia, juntamente com curiosidade e fatos interessantes relativos àquela parte do país. A série foi criada para descobrir, explorar e homenagear os aromas e sabores escoceses. Ela foi lançada agora em julho e estará disponível globalmente.​

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​​​

O mundo não acabou, mas mudou!

Postado em: - Atualizado em:

Quando eu era uma criança o mundo só falava na chegada dos anos 2000, e como talvez esse fosse o fim do mundo. A meia noite daquele dia 31 de dezembro entre 1999 e 2000 passou e o mundo não acabou, mas acredito que muita coisa mudou. Naquela época escutava meus avós dizendo como sentiam falta da infância, de como as coisas eram feitas e as pessoas se comportavam, durante a minha infância até a considerada fase adulta eu acho que vivi umas duas infâncias, tamanha a mudança no mundo! Como nossa alimentação, a forma de se locomover, a rapidez das noticias, a facilidade da comunicação, a falta de tempo, a ansiedade, enfim... Eu poderia passar o resto do dia todo escrevendo sobre cada minúscula coisa do nosso dia a dia que foi alterada pela evolução do mundo.

Dentre tantas mudanças, a tecnologia nos trouxe a substituição das pessoas nas mais diversas formas, as máquinas substituem seres humanos o tempo todo: na cozinha, nos bancos, nos carros e aviões, nas construções, nas fábricas das mais diversas áreas, e até mesmo na porta da loja de perfumaria, você se lembra da moça que distribui o papel olfativo borrifado de perfume? Pois então, até ela foi substituída!

A agência de marketing baiana Ideia3 do publicitário Higor Amaral, responsável pelas franquias de O Boticário nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste criou um briefing e a empresa Social e Soluções tirou o plano do papel criando um modelo de totem que substitui esse funcionário. O perfume é borrifado na pele do usuário pela simples detecção de sua presença, sendo que ele é armazenado na própria embalagem original do produto, permitindo que o usuário tenha a noção real da fixação dele no corpo. O aparelho funciona à pilha, podendo ser levado a qualquer ambiente e evento.

A intenção nesse projeto é ir além de um simples contato entre a vendedora e um possível cliente, é marcar a imagem da embalagem, e fazer com que a própria atraia o público certo até o produto, embalagem essa que é um elemento fundamental no marketing do setor. O diretor da empresa que desenvolveu o totem, agora quer levar o formato a outros anunciantes, apostando no seu potencial. Hora de dar tchau para a mocinha do perfume, e um oi para as mudanças!​


O nome dela não é Jenifer!

Postado em:

O nome dela é Marissa Zappas, antropóloga e perfumista que tem como trabalho e passatempo combinar essa duas paixões, sua tese foi sobre a história da construção do cemitério ao redor da Revolução Francesa. Um tanto quanto diferente, ela concentrou o seu trabalho no olfato e na perfumaria como uma extensão do corpo. Uma abordagem única e profundamente pessoal à fragrância foi inspirada na própria experiência de Marissa de usar o perfume de sua avó, Shalimar (Guerlain, 1925), para ‘canalizar seu espírito e invocar sua força’. Logo que formada ela passou a trabalhar simplesmente em uma das maiores casas de perfumaria do mundo, a Givaundan, sob orientação de Olivier Guillotin que foi o treinador do seu ‘nariz’.

Ali, em um dos berços da perfumaria mundial, ela ficou por dois anos desenvolvendo Redamance, uma coleção sua de perfumes em que cada um seria o retrato olfativo de uma mulher da história que nunca recebeu o devido reconhecimento. As mulheres que a inspiraram são: Maria, a Alquimista; Imperia, a Divina; Ching Shih e a Rainha Nzinga. Seu primeiro pensamento para criar essa coleção, foi a necessidade de se conectar com outras mulheres. Ela conta que costumava usar os perfumes dos seus melhores amigos, namorados e o famoso perfume da avó, isso a fazia sentir menos sozinha. E quando surgiu a ideia de transformar esse hábito em fragrâncias ela pensava muito sobre essas histórias ‘apagadas’, e que faria todo o sentido trazer as histórias dessas mulheres negligenciadas de uma maneira envolvente e poderosa para inspirar as mulheres dos dias de hoje.

Cada uma dessas 4 personagens foram escolhidas por três razões: mulheres complexas, relativamente desconhecidas e que tiveram vidas longas. Além de tudo são muito diferentes uma das outras em termos de personalidade, ambiente e da época em que viveram.

Maria, a Alquimista, foi a primeira alquimista da Grécia antiga e tinha uma teoria sobre como os metais se reproduzem que foi referenciada por Sócrates e Carl Jung, apesar de ter muito pouca informação sobre sua vida.

Imperia, a Divina, era da Roma do século XV e a primeira cortesã a alcançar o status de celebridade. Posava em sua janela e cobrava dos transeuntes que passassem por ali. Tinha regras rígidas também que seus clientes precisavam incorporar, como por exemplo, espírito, bom humor e deixar dinheiro ou um presente considerável ao sair. Ela foi pintada por Raffael, como um clássico arquétipo de Vênus e seu funeral foi uma das maiores celebrações que Roma já viu.

Nzinga, era uma rainha do século XVII de Angola, uma estrategista militar brilhante que não apenas lutou nas linhas de frente com suas tropas, mas derrotou os portugueses duas vezes, salvando Angola da invasão. Foi totalmente reverenciada pelo seu povo, mas infelizmente quando morreu as tropas portuguesas voltaram e assumiram o controle do local e seu povo.

Ching Shih, era uma cortesã do século XVIII em Xangai, que depois se casou com um pirata e assumiu o controle do seu navio, expandiu suas viagens em 70 e se tornou o mais poderoso pirata da história. Os governos portugueses e chineses foram atrás dela por décadas e ela finalmente se rendeu por uma grande soma de dinheiro e abriu e administrou um cassino em Xangai e morreu já bem velhinha.

Foram mulheres inspiradoras que lutaram e defenderam o que acreditavam, e apesar de não terem uma historia fácil, sobreviveram a tudo isso. E estão sendo honradas com suas lutas e vivências, depois de uma larga pesquisa histórica, trazendo vida através dos perfumes da linha Redamance. O lançamento está quase para acontecer do primeiro da linha, o Rainha Nzinga, assim que a campanha de crowdfunding acabar. Os outros três serão lançados no próximo na, 2020. E a ideia que fica com toda essa pesquisa e novidades? Que as pessoas usem os perfumes como fonte de coragem, inspiração ou para manifestar um ‘futuro eu’.​

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​​

Eternizando o acelerar dos motores

Postado em:

​Leia ouvindo: Vienna – Billy Joel

Das gostosas lembranças da infância, uma das que mais marcou era acordar cedinho no domingo com a cara toda inchada de sono pra tomar um leite morninho e assistir às corridas de Fórmula 1, Galvão Bueno narrando cada curva, a paisagem de cada lugar, o interesse pelos países ali envolvidos, pelos hinos e tantos outros detalhes ali presentes. E cada uma dessas memórias me veio à mente nessa semana em que o mundo perdeu um grande ídolo desse esporte, Niki Lauda, o incrível piloto que sobreviveu e renasceu de um acidente horrível e que estava de volta à sua Ferrari apenas 45 dias após o acidente.

E nesse mesmo mês, a Fórmula 1 e a Designer Parfums de Londres (empresa que assina a criação de famosos cosméticos e perfumes) assinaram um acordo de licença no qual a Designer Parfums se torna a primeira patrocinadora oficial da Fórmula 1 no nicho de indústria de perfumes. Essa noticia veio à tona logo em seguida em que a Fórmula 1 se associa a uma companhia de gestão de marcas (Global Brand Management Group) para melhorar o crescimento de seu público global e a experiência dos mesmos nesses eventos.

A Designer Parfums vem somar a isso tudo podendo criar a memória olfativa da Fórmula 1, se beneficiando de tecnologias extremamente inovadoras para garantir aos fãs ao redor mundo um novo modo de desfrutar de mais uma maneira de interagir com essa marca tão querida. Traduzir a Fórmula 1 em um perfume é com certeza um desafio inédito, uma fragrância que une uma proposta inovadora e arrebatadora, algo que combine a autenticidade dos perfumes com os valores da F1.

A empresa está disposta a correr riscos assim como nas corridas, para surpreender não só a F1 como cada um dos seus 500 milhões de fãs espalhados pelo mundo. O design da embalagem ficará por conta do designer Ross Lovegrove, a intenção é uma fusão de tecnologia e materiais novos, uma embalagem extremamente autêntica.

O desejo é que tal fragrância realmente crie sua identidade nesse mundo da F1, que encanta a tantas pessoas assim como me encantou desde novinha e que quem sabe possa se tornar eterno assim como a memória do austríaco nascido em Viena, Niki Lauda.


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Provando os cheiros

Postado em:

​Vire e mexe a ciência descobre que tantas coisas que nossas avós tanto nos diziam fazer tão mal à saúde e com o aval dos estudiosos, hoje em dia se tornaram essenciais nas nossas vidas. Dá para imaginar que exercício físico já foi tido como vilão e inúmeros alimentos que consumimos diariamente também? E na escola, o aprendizado muda todos os anos, algumas matérias e a forma como se aprende também. E se eu te disser que os pesquisadores estão até mudando o conceito dos nossos 5 sentidos? Seria isso possível?

Pois foi agora em Abril que cientistas de uma faculdade na Filadélfia nos EUA, descobriram que a língua pode sentir cheiros. Já imaginou que maluquice? O órgão que representa o nosso paladar agora podendo sentir cheiros? Pois foi isso mesmo que descobriram, que receptores olfativos funcionais (aqueles sensores que detectam odores pelo nariz), também podem ser encontrados nas células gustativas da língua. Contrariando uma vida de estudos em que se comprovava que as interações entre olfato e paladar podem começar pela língua e não pelo cérebro.

O biólogo celular e pesquisador da universidade, Mehmet Hakan Ozdener, acredita que a pesquisa pode ajudar a explicar como as moléculas de odor ajudam na percepção dos sabores. E pode até mesmo levar ao desenvolvimento de produtos que modificam o sabor, baseados em odor, que seriam muito úteis no combate ao excesso de sal, açúcar e gordura que estão diretamente associados a doenças como diabetes e obesidade.

As células gustativas, aquelas responsáveis por sentir o gosto (doce, salgado, azedo e amargo) funcionam como guardinhas que calculam o que é bom ou ruim para que possamos ingerir. Já o olfato é responsável por das informações sobre o sabor da comida (se é banana, amendoim, chocolate, etc). Por isso que esses dois sistemas eram considerados totalmente independentes até agora, que só interagiam após respectivas informações alcançarem o cérebro. E esses cientistas usaram um determinado método criado por eles, que prova que as células gustativas, na verdade, respondem às moléculas de odor de uma maneira extremamente parecida com as células receptoras olfativas. Essas descobertas abrem muitas portas para podermos entender qual a interação exata entre os receptores olfativos e nosso sistema gustativo, e ainda podem ajudar a compreender como nós conseguimos detectar odores, pois ainda não se sabe quais moléculas que ativam a maioria dos 400 tipos diferentes de receptores olfativos que possuímos.

Agora falta eles descobrirem se esses receptores de cheiros encontrados na língua estão localizados em todas as células gustativas, ou somente em específicas, como as que detectam o doce ou salgado. Em outro teste saber especificamente como as moléculas de cheiro interferem nas respostas das nossas células gustativas, e por último, mas não menos importante: como realmente funciona a percepção humana dos sabores.


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Smells like...

Postado em:

Se o cheiro do cloro e do protetor solar conseguem te levar de volta
à praia no meio de um dia frio de inverno, aquele macarrão fresquinho sendo cozido para aquele domingo em família, então não é nenhuma surpresa que uma fragrância possa transportá-lo a um momento especial da sua vida. Como uma memória da sua infância quando sua mãe te deu um beijo de bom dia ou aqueles minutos de nervoso antes de você ir pro primeiro dia de um novo trabalho. Existe uma ciência por trás disso, uma poderosa conexão entre o perfume e a memória trazendo recordações do subconsciente, nos mantendo conectados com o nosso passado.

Quando sentimos o cheiro de algo, o cheiro passa através do bulbo olfatório em nosso cérebro, que é a região que elabora as nossas impressões olfativas. Ele tem conexão direta com as duas áreas do cérebro que lidam com a memória e a emoção: a amígdala e o hipocampo. Ao contrário do resto de nossos sentidos, quando sentimos o cheiro de algo, o cheiro entra pelo córtex frontal e segue direto para a parte mais subdesenvolvida do nosso cérebro. Isso pode ser atribuído ao fato de nosso olfato ser o nosso sentido mais avançado no desencadeamento de emoções e memórias. É tão avançado que até mesmo os menores indícios de notas como as de baunilha e âmbar podem nos transportar de volta a uma memória intensa ou excitante.

A região do hipocampo do cérebro é também onde as memórias de curto prazo se transformam em memórias de longo prazo. O entrelaçamento entre o cheiro e o armazenamento da memória no hipocampo pode explicar por que certos aromas parecem se ligar a lembranças e emoções vívidas no cérebro, e voltam quando o nariz é exposto àquele gatilho em particular. Por exemplo, o cheiro do gengibre poderia evocar uma memória ou emoção relacionada ao amor e à intimidade, devido às suas tendências afrodisíacas.

Apesar da estreita ligação entre o olfato e a memória, o gatilho dos aromas não ocorreria se não fossem as respostas condicionadas, como o ato de ligar automaticamente um aroma a um evento, pessoa, coisa ou até mesmo um momento. Isso quer dizer, que de certa forma, você pode manipular esse gatilho, você pode associar cheiros a momentos e torná-los mais agradáveis e inesquecíveis. Hora de testar esse poder, e criar memórias incríveis para serem relembradas daqui muito anos!


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Menos moda, mais saúde!

Postado em:

Fazer caminhadas é às vezes quase como andar de ônibus ou de avião, sem querer acabamos ouvindo conversas que não são direcionadas a nós. Receitas, detalhes da compra do próximo carro, a consulta do médico, aquele amor que não deu certo... Caminhar com companhia é quase uma terapia realmente! Esses dias um papo em especial me chamou bastante atenção, uma educadora física fazendo um treino de corrida com a sua aluna. A professora falava sobre outra aluna: “Ela é tão magrinha, tem um corpo lindo, mas não consegue largar de comer os doces e farinha branca de vez em quando, não vai chegar a ter o seu corpo nunca! Vai sempre ter aquelas pochetinhas.” Voltando para casa abri as redes sociais e uma ‘chuva’ de fotos de não famosos de barriguinha de fora, exibindo a ‘saúde’ e felicidade, com milhões de curtidas e elogios, quando se vê que na maioria das vezes o que falta é auto estima. Acho que a busca pelo perfeito anda chata, é triste ver um profissional demonstrar que o certo é só aquele, que a vida não pode ser leve, que a busca pela saúde é muita mais que músculos e uma barriguinha chapada, que o bem estar e o realmente saudável (em todos os aspectos) vêm em primeiro lugar! Não adianta nada um corpinho lindo, e uma mente estragada tentando chegar nesse objetivo. O bonito é aquilo que te faz bem, não o que outros aprovam.

E com as pesquisas mostrando que no Brasil, as pessoas estão se preocupando mais com a saúde, as empresas têm investido cada vez mais nessa área. Um exemplo é a da indústria têxtil que já prepara para lançar no próximo verão tecidos funcionais, capazes de reter menos calor, controlar o odor do suor, proteger contra o sol e também contra os mosquitos como o Aedes aegypti. Algumas dessas peças foram desenvolvidas pela Nanox, uma empresa apoiada pelo programa de pesquisa inovativa em pequenas empresas da FAPESP. A empresa desenvolve, em parceria com indústrias têxteis, tecidos com partículas em escala nanométrica com diferentes propriedades. Essas partículas são feitas com diferentes materiais inorgânicos e podem ser adicionadas aos tecidos isoladamente ou combinadas para conferir as funcionalidades desejadas. Além de tudo isso, possuem menor impacto ambiental e não causam alergias.

Que a consciência evolua, e que esse ideais de beleza sejam esquecidos para valorizarmos aquilo que realmente importa: o bem estar e a felicidade! E que a tecnologia continue evoluindo para transformar e melhorar cada vez mais o que é uma grande barreira na vida de muitas pessoas, o exercício físico. E que você seja feliz independente de estereótipos, e encontre aquele esporte que te faça querer experimentar todas essas novidades tecnológicas e te faça muito bem!


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Fazendo desse mundo, melhor!

Postado em:


Essa semana foi especial quando se fala em preservação e cuidados com o meio ambiente e com a vida. As chuvas em todo o Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, nos levam a crer que cada vez mais o descaso político e de cada cidadão está cada vez maior. Li uma frase que mostra bem isso: Se você guarda o lixo no bolso para não jogar no chão, parabéns, você é o futuro do país. Porque são essas pequenas coisas que fazem a diferença no dia a dia.

Na semana passada, por exemplo, a prefeitura mandou seus funcionários para cortar a grama dos canteiros centrais da avenida que fica embaixo da minha casa, foram 8 funcionários que cortaram uma extensão de mais ou menos 700m de grama. E sabe onde ficou toda essa grama cortada? Em cima dos canteiros, esperando que as chuvas as carreguem para os bueiros para ajudar a entupi-los, e essa prática pode ser vista por toda a nossa cidade!

Mas, podemos voltar a pensar nas pessoas que ainda guardam o lixo no bolso para jogar no lugar correto depois, que apesar de serem minoria em mundo tão grande, elas existem! Uma delas mora nos EUA e é um dos grandes nomes de Hollywood, Michelle Pfeiffer. Sim, a estrela de Batman e Scarface deixou de usar perfumes por mais de 10 anos depois de estudar melhor como cada fragrância era produzida após ter seu primeiro filho e querer saber melhor sobre que produtos usar em sua família, e o quão pouco se sabe sobre aquele conteúdo em frascos tão bonitos. Nos EUA existe um grupo ativista chamado de EWG (Environmental Working Group) que oferece uma ferramenta que classifica a toxicidade dos produtos de cuidados pessoais. E eles explicam que não é que toda fragrância seja de alguma forma tóxica, mas que é impossível saber 100% o que está dentro daquela fórmula. Isso quer dizer, que seus fabricantes não são transparentes quanto à produção e segurança de matérias primas. Uma das mais perigosas são os ftalatos, substâncias solventes e fixadores que podem causar problemas no desenvolvimento e reprodução.

Depois de conversar com diversas empresas e fabricantes por anos sobre o desenvolvimento de uma linha de fragrâncias segura para a saúde e meio ambiente, Pfeiffer não conseguiu com que essas empresas concordassem com a transparência total e ainda ouviu por diversas vezes que esse projeto ia falhar, com certeza. Apesar de não conseguir um parceiro para esse desenvolvimento, ela continuou com a sua defesa de produtos sustentáveis e seguros e se juntou ao conselho do EWG em 2016 e assim resolveu abrir sua própria empresa de fragrâncias. Ela foi diretamente conversar com a Internacional Flavors & Fragrances (IFF), a empresa líder no mundo em inovações quando o assunto é experiência sensorial. Seu objetivo apesar de muito claro, era extremamente complexo para os perfumistas, porque seria o primeiro desenvolvimento de fragrância certificada pelo EWG e pelo Cradle to Cradle (como um selo de qualidade que comprova que aquele produto é fabricado de forma sustentável e segura) e poderiam usar apenas 300 ingredientes, em comparação com os 3000 típicos, afim de cumprir com os rigorosos padrões de ambas organizações. São 35 etapas para serem cumpridas e verificadas para essa produção. Se um único ingrediente fosse questionado pelo EWG, o produto teria que ser reformulado completamente.

E assim foi feito, foram desenvolvidas 5 fragrâncias unissex para essa coleção, cada uma acompanhada de um cartão com uma descrição completa do que há em sua composição. O frasco é feito de vidro 90% reciclável e a tampa é feita de soja. O valor é de US$120 e está sendo comercializada somente pelo site nos EUA. A linha leva o segundo nome de seus dois filhos, ‘Henry Rose’. E já é considerada uma linha de fragrâncias de primeira categoria como as de Viktor & Rolf, Gucci e Balenciaga. Até agora no mundo, somente 1303 empresas cumpriram padrões para a verificação do EWG e apenas 650 têm a certificação Cradle to Cradle. Mas como nós seres humanos, não podemos andar com rótulos em nossa pele mostrando se nos importamos ou não com o mundo (assim como os produtos de beleza), esperamos que a consciência seja melhorada a cada dia!


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

All we need is love

Postado em:

Em plena terça feira, no meio da tarde e um sol digno de verão, você entra num shopping na maior metrópole do país e para todo canto que você olha você é recepcionado com um sorriso. Como se fosse Natal e as pessoas estivessem mais amistosas, só que na verdade elas estão ali uniformizadas caminhando em direção a um mesmo objetivo, assim como você: realizar um sonho pela primeira vez, ou repeti-lo por mais uma vez.

Foi isso exatamente isso que me aconteceu na terça feira da semana passada, logo que entrei pelas espertas portas automáticas do shopping Bourbon em São Paulo, presenciei a magia que já tinha ouvido falar por várias vezes na minha vida, mas nunca tinha visto com meus próprios olhos: um Beatle prestes a entrar no palco. Eu sei que a arte tende a unir todo o tipo de público, e eu amo estar em contato com ela em suas mais diversas formas. Principalmente em shows, que já tive o prazer de ir a seus mais diversos tamanhos, porém esse foi único! Quando separei minha linda camiseta branca com seu escrito ‘The Beatles’, jamais imaginei que outras 40 mil pessoas estariam ali igualmente esperando esse dia para usar as suas também! E como era bonito, usávamos o shopping como de passagem para ir em direção ao estádio, e todos rindo, ensaiando suas músicas favoritas, contando histórias dos outros shows da banda ou de seus Beatles favoritos. Gente de toda idade, velhinhos que mais conseguiam ficar em pé na fila à crianças que mal sabiam pronunciar a letra das músicas direito. Uma energia que a gente acha que só vai presenciar em sonhos ou filmes, cheia de respeito e companheirismo.

Na fila, em um ótimo papo, ouvia o marido contar do amor dele e da esposa pelo Paul e dos tantos shows que já haviam presenciado dele, e que apesar de amar música ele tinha mesmo era o prazer de acompanhá-la e se divertir entre amigos, porque a verdadeira paixão dele eram carros antigos, e ela o acompanhava em suas aventuras e encontros de maníacos por carros. E como essas duas paixões de ambos os uniam. Do lado de trás, outro casal mais novo discutindo se prefeririam o show do Paul ou do Guns N’ Roses, eu só fiquei prestando atenção nela dizendo que o Paul era um músico 100% romântico e que na opinião dela Axl ganharia disparado nessa comparação. Fiquei imaginando qual foi a reação dela depois que o show acabou e presenciou uma lenda de quase 77 anos interpretando suas mais belas músicas e de seus companheiros de Rock n’ Roll na maior parte das 3h de apresentação. Eu sei, sou uma Beatlemaníaca, mas algumas coisas são únicas e incomparáveis.

Já sentados em seus devidos lugares, esperando horas para finalmente ouvir os primeiros acordes, a gente olha para o lado, escuta mais histórias, se apresenta para os vizinhos de assento, e percebe que está lindo dividindo uma pipoca com alguém que conheceu há apenas 60 minutos atrás. Começa o show, as pessoas resolvem se postar em sua frente, em lugares ‘proibidos’ afinal se houvesse necessidade de evacuação do local, isso seria um problema, e os mesmos vizinhos de cadeira que acabam de te conhecer estão protegendo seu anglo de visão e despachando os ‘folgados’ para bem longe dali com tapinhas nas costas e um breve: ‘com licença, ta atrapalhando a gente aqui’.

O show continua e sorrisos são trocados, pulos são dados e os olhares se cruzam em pleno frisson do momento. De repente as luzes se acendem, o show termina, alguns se despedem, outros se sentam e esperam tentar entender o que aconteceu ali. Que foi exatamente o que aconteceu comigo, sentei e fiquei repassando cada minuto do dia, cada momento, cada pessoa, cada música, cada sensação, cada cheiro, cada sabor... A arte faz isso com a gente, realizar sonhos faz isso com a gente, exalta a empatia e a alegria e principalmente, o AMOR! Eu pude repassar por diversas vezes tudo o que eu vi e só enxerguei amor, amor nas pessoas, nas histórias, no artista que está em cima de um palco em turnê internacional enquanto pessoas da mesma idade dele já não pensam em sair de casa para trabalhar mais, na gentileza, em cada comida e bebida servida, nas pessoas super cordiais trabalhando para uma estrutura daquele tamanho funcionar perfeitamente para 48 mil pessoas... tudo isso, se resumindo em uma palavra: AMOR! Sim, All we need is Love! E um pouquinho de perfume rs


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.