Rotina e sonho

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​John Lennon já dizia: ”A vida é o acontece enquanto você faz planos para o futuro”. De tantas frases e citações existentes no mundo, essa com certeza é uma das minhas favoritas. Eu acredito muito que Deus fica rindo lá em cima, enquanto estamos aqui fazendo mil planos para nossas vidas, e que Ele sabe que muitas coisas já estão predestinadas a acontecer naquele momento. Talvez até o que chamamos de acaso, seja algo já escrito, mas como foge muito do nosso controle, acreditamos que seja uma casualidade. Aliás, se tem uma palavra que eu tenho certeza que é minha favorita, apesar de ser em inglês, é: Serendipity. Ela quer dizer, feliz casualidade. Aqueles momentos ou situações maravilhosas que nos acontecem e nos fazem abrir um sorriso do tamanho do universo.

Mas e aí, se a vida é o que acontece enquanto fazemos planos para o futuro, você está vivendo? Quais são esses planos? O que você está fazendo no presente para conquistá-los? O que é viver pra você? Existe também quem acha que os planos são muito grandes para a realidade que possui, mas que tal acreditar mais para que você possa enxergar melhor como conquista-los?

E quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Você consegue lembrar? Foi a algum lugar, comeu algo diferente, experimentou algum novo esporte, aprendeu algo novo. Seja lá o que for, se proponha a viver novas experiências, sair da rotina, aproveitar a vida, mas sem deixar os planos de lado. Se não souber exatamente e exatamente como quer estar, fecha teus olhos e pensa nas sensações que quer sentir, nas experiências bonitas que quer viver. A vida é um sopro, mas os dias se demoram. Vivemos exatamente nesse intervalo entre a rotina e o sonho. Sei lá dos novos caminhos. Os que pisei com passos de fé me trouxeram até hoje, nesse dia de quase morte e plena gratidão por essa vida que crio ao andar.

Que sua vida tenha sempre um sopro de vontade, uma fragrância de saudade e a alma em tranquilidade!​

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Muito além dos chocolates

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​Quando se fala em Suíça a primeira coisa que pensamos com certeza é a exuberante paisagem de montanhas, um clima ameno e os deliciosos chocolates tão desejados pelo mundo. Mas hoje eu gostaria de acrescentar mais uma detalhe nessa descrição, que lá se encontra a maior empresa privada do mundo no ramo de fragrâncias e aromas e ocupa o segundo lugar do setor no mundo inteiro. Localizada em Genebra, a Firmenich criou vários dos perfumes e sabores mais conhecidos do mundo e investe cerca de 10% do seu faturamento anual em P&D para entender e compartilhar o melhor que a natureza tem a oferecer com responsabilidade.

E nessa última sexta feira, a Firmenich abriu as portas do primeiro espaço na América Latina dedicado às fragrâncias. Em uma das localidades mais descolados de São Paulo, na moderna Vila Madalena, em um ensolarado dia de outono, foi inaugurado um Atelier para receber clientes e incentivar parcerias. Um espaço dedicado à cultura, criatividade e inspiração da perfumaria.

Estiveram na abertura Armand de Villoutreys, presidente de perfumaria e ingredientes e Jerry Vittoria, presidente mundial de perfumaria fina. Renomados perfumistas internacionais, incluindo o máster perfumer Olivier Cresp de Paris, o principal perfumer de Nova York, Frank Voelkl, vem como as estrelas da perfumaria nacional, o principal perfumer Adilson Rato e sênior perfumer Carmita Magalhães, e cliente estratégicos de perfumaria fina além dos principais influenciadores de perfumaria do Brasil. A inauguração foi ocasião de diferentes experiências sensoriais, com a exposição ‘Carte Blanche Brasilis’, que ofereceu aos perfumistas uma liberdade completa para expressar seus sentimentos, sua visão e sua intuição sobre a alma brasileira no universo dos perfumes.

O escritório da empresa já existe no país há quase 70 anos, e movimentos como esse foram feitos nos anos 90 e 2000, trazendo para Manhattan e Paris os Ateliers criativos de perfumaria fina das grandes casas, será este um novo movimento da indústria de perfumaria fina no Brasil? O empreendimento se encontra no Edifício Corujas na Vila Madalena.​

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Tem cheiro de 30 no ar!

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​Quando no começo da minha adolescência escutava Sandy & Junior cantando: ‘eu cresci agora sou mulher, tenho que encarar com muita fé’ eu realmente não sabia que precisava de tanta fé assim. Pois é, Acordando me despedindo dos 20 e poucos anos de Fábio Jr, e amanhã vou sextar ao som de: ‘não confie em ninguém com mais de 30 anos’.

Passar dos 20 para os 30 é como atravessar uma corda bamba ouvindo Elis cantar O Bêbado e o Equilibrista, tentando segurar um bocado de coisas importantes sobre braços, ombros e costas. A gente só mergulha nessa travessia porque não sabe direito o que tem do outro lado, mas é provável que as escolhas mais decisivas da vida sejam feitas nesse período.

É como se 10 anos significassem uma vida toda, a fase descompromissada e deliciosa da faculdade chega ao fim, o trabalho sério começa com a sensação de que você não tem a menor ideia do que está fazendo (não, você não é o único a achar que está enganando as pessoas, ou pensando como alguém pode confiar no que está dizendo ou fazendo). As pessoas mais velhas ao seu redor ficam repetindo que essa é a melhor fase da vida, e que é preciso viajar muito e conhecer o mundo, mas o que elas não te explicam é como faturar na mega sena, porque o vazio da sua conta bancária simplesmente não faz sentido. E durante esse tempo, você pode também sentir que a profissão que você foi escolhida com tanta certeza e amor começa a mostrar as garras, fazendo você se questionar se é aquilo mesmo você quer para o resto da vida.

As baladas ficam escassas, o netflix se torna uma agradável companhia no fim do dia e finais de semana, aprende para que serva cada produto de limpeza no supermercado, e que alguns tipos de refeição que você nem considerava como comida passam a fazer parte da sua dieta. Aquelas amizades que se juravam eternas em cartinhas nos cadernos de depoimentos da escola, se tornam suaves lembranças e você começa a entender quando sua mãe dizia que os verdadeiros cabem nos dedos de uma só mão.

Você já sustenta opiniões próprias (por piores que sejam), e se vê relendo sobre a história mundial para entender o que se passa pelo mundo, e pensa porque não prestou mais atenção naquelas aulas de geografia. Começa a ler mais livros e jornais, e ter mais senso crítico com aquilo que vê e fala.

Sabe, amanhã chega meus 30, talvez ainda não tenha decidido o quanto gostaria sobre minha vida, mas certamente seu o que não quero para ela. Acredite, você provavelmente já terá feito as pazes com seu cabelo, adotado um estilo de se vestir que reflita o pout pourri de emoções que transborda da sua alma. Você não faz ideia da quantidade de sapos que vai ter engolido até aqui, mas a parte boa é que aprenderá com cada um deles a ter um jogo de cintura sensacional. Hoje estou aqui refletindo e percebendo que desde os 20 eu estava ali treinando, caindo, me machucando e me reinventando para essa nova década de vida que é nada mais é que um incrível desordenado de dias a serem vividos um de cada vez!​


É hora de compartilhar!

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​Faz bem pouco tempo que as questões de gênero chegaram nas conversas do dia a dia, mas do mundo da moda elas participam há bastante tempo. Essa indústria sempre foi receptiva a ideias transgressivas, que desafiam os limites da autoexpressão. Agora, mais do que nunca, é possível perceber que a cada coleção que se lança se atenuam os limites entre o feminino e o masculino, um reflexo das discussões sobre gênero que invadiram o mundo da moda. Foi a partir da década de 80 que os estudos de gêneros passaram a abordar uma vertente que não incluía somente masculino ou feminino. Desde então, surgiu o termo não-binários, também denominados por estudiosos como ‘genderqueer’ ou agêneros. Por definição, são pessoas que podem se sentir transitando entre os dois gêneros, sem necessariamente estar em um deles. São indivíduos que resistem à normalização de gêneros. São pessoas cujos corpos denunciam uma resistência à imposição de normas.

Antigamente, no mundo da moda, usava-se o termo de unissex, que hoje em dia pouco se vê nas etiquetas e propagandas. Pois esse termo foi substituído pelo agênero, com peças universais, sem indicação de serem produzidas para homens ou mulheres especificamente, chegou ao universo dos perfumes e com assinatura de umas das maiores marcas do mundo: Gucci. Foi lançado agora no comecinho de agosto, pela primeira vez, um perfume neutro em gênero: Mémoire d’une Odeur. A campanha do perfume chamada ‘Memória de uma fragrância’, tem como rosto o cantor Harry Styles, que aparece com um diverso grupo de artistas, músicos, atores e modelos. A participação do cantor é extremamente assertiva, ele vêm se destacando ao desafiar as normas de gênero em seu vestuário, sendo um destaque no tapete vermelho ao usar tanto peças tido como tradicionalmente ‘femininas’ quanto ‘masculinas’. Além disso, já provou ser um super aliado da comunidade LGBT em seus shows.

O perfume compartilhável tem sua fragrância assinada por Alberto Morillas, e tem como notas de topo Camomila e Amêndoa amarga; notas de coração são Almíscar, Jasmim indiano e Jasmim; e as notas de fundo são Sândalo, Cedro e Baunilha. E já pode ser encontrado no mercado internacional com o valor de aproximadamente 120 dólares.​


Atchim!

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​Nesse último mês, experimentei pela terceira vez na vida o sabor ingrato da ‘ites’ que o inverno e sua secura trazem. Já não sei se era sinusite, rinite, tudo junto e misturado e nem se eu possuía nariz mais! Nasci numa família alérgica, tenho amigos alérgicos, e graças a Deus nunca precisei me preocupar com tais assuntos, mas passados alguns anos sem saber como era isso, esse novo mundo dos espirros resolveu se abrir para mim. Ainda bem que a alergia por fragrâncias, não me encontrou ainda, ou teríamos uma séria desavença, mas ela está presente na vida de muitas pessoas, o que ocasiona uma dificuldade de conviver em ambientes fechados com as outras, por conta das crises ocasionadas por perfumes e outras coisas que causam alergias.

É engraçado que a origem do perfume atual remonte aos egípcios e que era um meio para os nobres se distinguirem dos camponeses. Em outras palavras, o perfume que as pessoas espalham de forma tão imprudente (imprudente no sentido de que alguns preferem praticamente se banhar nele), na verdade se origina do desejo das elites egípcias de enfatizar seu status social. Além disso, eles também costumavam usar belos odores durante os rituais religiosos. Os persas, por outro lado, usavam perfume como sinal de seu poder político. No entanto, tudo isso mudou com os antigos gregos e seus antecessores, os romanos.

Foram os antigos gregos que usaram perfume regularmente em suas vidas diárias. Esta tradição depois se espalhou para os romanos e até mesmo para as terras da Anatólia e dos muçulmanos. Arqueólogos na província de Şanliurfa, no sudeste da Turquia, descobriram uma loja de perfumes antiga de mil anos com vários frascos de perfume, lançando nova luz sobre a história dos perfumes, em que o uso desse produto pode estar relacionando com a tradição de riqueza e uso de fragrância.

O uso do perfume prosperou em terras islâmicas e a admiração por bons perfumes transferidos dos muçulmanos para os europeus no século XII. Os franceses foram os primeiros a descobrir o potencial de belos aromas e começaram a produzir e comercializá-lo internacionalmente. No entanto, levou seis séculos para o perfume realmente se estabelecer comercialmente na Europa. A mistura refrescante de alecrim, bergamota e limão foi usada de várias maneiras: diluída em água de banho, misturada com vinho, comido em um pedaço de açúcar, como enxaguante bucal, em enemas, um ingrediente para um cataplasma ou injetado diretamente, entre outros. Os frascos de perfume do século XVIII variavam tanto quanto as fragrâncias e seus usos. De fato, durante um período em que o banho não era uma prática regular, esses belos odores provavelmente ajudavam muitas pessoas.

Graças a Deus os chuveiros tornaram-se mais comuns ao longo do tempo, mas o gênio perfume estava fora da garrafa e o uso de perfume cresceu exponencialmente. Embora a cidade francesa de Grasse já tenha sido o centro de fabricação de perfumes e comércio, Paris e suas casas de perfumes, como Houbigant e Guerlain, assumiram o mercado.

A crescente demanda por perfumes intrigou marcas de cosméticos, e uma por uma cada uma introduziu suas próprias fragrâncias. Entre eles, o icônico "No.5", da estilista francesa Coco Chanel, fez história. No entanto, hoje existem mais de 30.000 perfumes de grife no mercado, e o perfume não é mais apenas para os ricos. A indústria de perfumes sofreu várias mudanças na técnica, material e estilo. A indústria que incorpora criatividade,mística e romance, tudo combinado com marketing inteligente, para atrair as massas.

A mania de perfume do século 21 é bem diferente de suas origens. Uma vez considerado um sinal de status, hoje o perfume é uma parte da indústria cosmética e uma forma de as pessoas parecerem bonitas. O mercado global de fragrâncias foi de US $ 37,4 bilhões em 2012 e chegou a quase US $ 40 bilhões em 2016. As estimativas mostram que o mercado será de US $ 43,6 bilhões até 2021, o que significa que os espirros dos alérgicos não desaparecerão.

Especialistas dizem que todos devem possuir um perfume de assinatura, mas não necessariamente precisam entrar na sala antes de você. Enquanto recolhia informações e escrevia essa crônica, me deparei com um artigo citando Stephen Nilsen, perfumista sênior da Givaudan: "Hoje em dia as fragrâncias são muito diferentes daquelas de volta nos anos 80 que poderiam parar o trânsito! Quando usadas corretamente, você não precisará se preocupar se ofenderá seu colega de trabalho, porque nos certificamos de que eles tenham a quantidade certa de difusão para receber apenas elogios sem as reclamações. " Então, qual é a quantidade certa para se passar de perfume? Especialistas em fragrâncias aconselham cinco sprays de perfume todos os dias. Em vez de tomar banho, seu perfume vai durar mais tempo com menos sprays, se você pulverizar o perfume em torno de suas áreas de pulso, como o pescoço e pulsos.

Sejamos honestos, todo mundo quer cheirar como rosas, mas borrifar a garrafa inteira de uma só vez não vai te dar uma agradável essência de rosa que você estava querendo. Apenas mantenha os sprays no mínimo e tente entender melhor as pessoas ao seu redor.​

Homem não chora

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Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser para jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem — de agora em diante chamado HQEH — não deixa sua mulher mostrar a bunda para ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda para ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar por mais de 30 segundos, dá briga.

Não, esse texto realmente não poderia ser meu, é realmente mais uma das admiráveis e sarcásticas crônicas de Luis Fernando Veríssimo, extraída do livro As mentiras que os homens contam, um clássico brasileiro desse incrível escritor. O texto é longo, e mostra várias das tantas que esse ‘homem que é homem’ nos possibilita criar e imaginar desde que o mundo é mundo, e que os garotos costumam ouvir desde cedo, infelizmente! São, na maioria das vezes, ensinados a esconder suas próprias emoções e não demonstrar nenhum tipo de fragilidade. Mas acredito eu, que coragem maior é demonstrar aquilo que sentimos, e isso sim seria uma prova de masculinidade. Qual o problema de chorar? Abraçar? Dizer eu te amo? Pedir ajuda?

Pois foi pensando nisso que a Natura criou sua nova fragrância masculina especial para o Dia dos Pais, a Homem Dom, e ele tem a força e a doçura de um pai no mesmo frasco. Afinal, faz toda diferença quando os pais assumem seu real papel e estão ao lado dos filhos os amando e incentivando. O perfume tem notas de raiz de priprioca e baunilha negra.

Na pesquisa feita pela casa de fragrâncias, 7 a cada 10 homens foram ensinados a não demonstrar fragilidade, e 75% dos homens pesquisados afirmam lidar com algum distúrbio emocional nos dias de hoje, e que não podem demonstrar que precisam de ajuda. A agência de propaganda DPZ&T, promoveu então uma ação de marketing em dos lugares que mais reúnem pais e filhos no Brasil quando o assunto é entretenimento: o campo de futebol. Em duas partidas do Campeonato Brasileiro, realizadas no dia 14 de julho, os jogadores entraram em campo com a mão tapando a boca. A ideia simbólica era a de não expressar sentimentos. Os jogos foram do Corinthians x CSA e Cruzeiro x Botafogo, e no intervalo os comentaristas comentaram a ação de marketing, veiculando também o filme da campanha. E no campo alguns jogadores optaram por usar em suas camisas o nome de seus pais ou filhos, ao invés dos deles próprios. Simbolizando a conexão que o esporte às vezes cria, que nem a vida muitas vezes consegue fazer.

E para você, qual o significado de ser homem? Talvez poderíamos reunir em uma só definição, tanto homens quanto mulher: ser humano! E expressar mais seus sentimentos, chorar quando tiver vontade, e dizer ‘eu te amo’ mais vezes. Inclusive para outros homens, inclusive para seus filhos, inclusive para seus pais. Pois é, quem diria que um perfume poderia falar tudo isso em um único frasco!​

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Contos perfumados da realeza

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As mais preciosas essências têm sido associadas a reis e rainhas. Tribunais têm sido invadidos pelos cheiros por séculos, mas talvez a aristocracia mais aromática tenha sido encontrada na corte do sultão de Deccan na era da Índia, de 15 a 1700, e na “Corte Perfumada” de Maria Antonieta e Luís XVI, no final do século XVIII. Ambas as cortes eram exageradas na suntuosidade dos lugares e jardins e na exuberância dos perfumes belamente preparados.

Nos palácios do sultão Ali Adil Shah II de Bijapur, o perfume reinou supremo. Tanto a poesia como a pintura da época continham contos aromáticos cheios de flores, mitologia, romance e saudade. A poesia estava ligada ao plantio de jardins aromáticos, informando a colocação de flores, plantas e árvores.

Há, por exemplo, o conto da flor Parijata,, a única flor arrancada diretamente do chão e entregue em oferenda aos deuses. Pa-rija-ta era uma princesa mortal que se apaixonou pelo Surya, o deus do sol que dirigiu sua carruagem de fogo através do céu de leste a oeste. Depois de um encontro na terra, e com a chegada do verão, seu calor divino tornou-se forte demais, e ele a abandonou quando a noite apareceu. Devastada, Pa-rija-ta seguiu o deus sol e foi queimada pelo seu calor. Os deuses tiveram pena dos amantes, e Pa-rija-ta foi reencarnada como uma árvore de jasmin em seu mais belo esplendor, que Surya visitava todos os dias, seus beijos causando a fragrância persistente da exuberante planta. Incapaz de suportar a visão do amante que a deixava, as flores da Pa-rija-ta abriam apenas à noite, derramando seu perfume em forma de lágrimas.

As menções de flores de cheiro doce na poesia e mitologia Deccan geralmente remetem à sensualidade e à excitação. Os jardins ao ar livre foram criados ao longo de riachos. As flores foram colocadas com grande cuidado ao lado uma da outra para que houvesse a mistura de aromas, tanto no calor diurno quanto no frescor da noite. A copa de coqueiros e cipreste que circundava o lugar proporcionava sombra para o sol forte, e o aroma seco de argila quente e as notas mais frias do patchouli, ou vetiver selvagem, foram colocadas embaixo, e libertavam um aroma verde. Bacias de água de rosas foram colocadas ao pé de árvores floridas, de modo a fazer com que as flores se abrissem por completo. As treliças de rosas aromáticas de cem pétalas, violeta, calêndulas de cem pétalas, flores de champa e notas estridentes de romã, laranja, figo e manga brilhariam durante o dia. O aroma duraria pelas longas noites, quando os jardins eram incendiados com madeira de pau de águila, frankincense, madeira de sândalo e velas perfumadas de âmbar. No jardim iluminado pela lua, encontravam-se os aromas inebriantes da dama da noite, jasmin, o jasmim e a tuberosa, a rainha das flores. O jardim, iluminado e artisticamente aromático, era de sensualidade, sedução e poesia.

A fragrância se infiltrava em todos os momentos da vida na corte e era considerada importante tanto para a saúde como para o prazer. A inalação desses perfumes deve ser preenchida com o equilíbrio de aromas que proporcionariam humores refrescantes e de aquecimento dentro do corpo, e, portanto, o perfume era visto como parte integrante do equilíbrio do espírito interno.

Os jardins palacianos e o quarto de dormir eram uma experiência aromática e visual perfeitamente composta. Uma nota se levantava na brisa, outra seguia em uma canção de fragrância e jogo de cor. Flores, madeiras e ervas estariam intrinsecamente posicionadas para engenhosamente zombar do aroma de certas notas inebriantes de um único animal, como musk ou almíscar, âmbar e madeira. Rosas delicadas, amarelos brilhantes, verdes, vermelhos furiosos e marrons profundos criaram uma colcha de retalhos de cores ilustradas nas muitas pinturas da época. O verde, o incenso, as velas e as flores frescas tornaram-se a manifestação de um perfume vivo, respirante e imersivo. Nota por nota, as fragrâncias encheram a imaginação, inspirando os sentidos, ressoando acordes de fragrância, falando de arte sofisticada e uma devoção aos prazeres de uma vida perfumada.​

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

O cão engarrafado

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​Das grandes paixões que a vida me trouxe pela admiração e observação de quem me rodeava, uma delas foi o vinho. Eu só fui beber com mais de 25 anos, morria de medo do efeito do álcool, mas sempre achei bonito o processo de produção, as garrafas, rótulos, cheiros, o modo como ele se acomodava na taça. E isso não foi diferente com outras bebidas, como o whisky, a bebida escocesa que foi considerada tanto medicamento como alimento básico no país. E foi com esse fascínio que George Harper, especialista na bebida da Johnnie Walker, ajudou a criar uma nova linha da marca inspirada nos distintos perfis de aroma que as destilarias de cada um dos quatro cantos da Escócia oferecem.

A linha se chama, Johnnie Walker Black Label Origin, em que cada edição se aprofunda na quatro notas mais características da marca: baunilha doce, frutas de pomar, frutas ricas e aroma defumado. Cada blend de 4 e 12 anos é elaborado com whiskies de uma determinada região para captar as principais características de aroma dessa área, são elas: os frutados de Speyside, a riqueza das Highlands, as notas doces das Lowlands e o defumado de Islay. Três dessas edições limitadas têm um blend exclusivo de alguns dos nossos melhores single malts, e a outra edição reúne de maneira caprichosa whiskies de cereais e single malts para representar da melhor forma o perfil de aroma da região.

Para ajudar na degustação, cada embalagem vem acompanhada com um mapa da Escócia e explica mais sobre a região em que ele homenageia, juntamente com curiosidade e fatos interessantes relativos àquela parte do país. A série foi criada para descobrir, explorar e homenagear os aromas e sabores escoceses. Ela foi lançada agora em julho e estará disponível globalmente.​

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​​​

O mundo não acabou, mas mudou!

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Quando eu era uma criança o mundo só falava na chegada dos anos 2000, e como talvez esse fosse o fim do mundo. A meia noite daquele dia 31 de dezembro entre 1999 e 2000 passou e o mundo não acabou, mas acredito que muita coisa mudou. Naquela época escutava meus avós dizendo como sentiam falta da infância, de como as coisas eram feitas e as pessoas se comportavam, durante a minha infância até a considerada fase adulta eu acho que vivi umas duas infâncias, tamanha a mudança no mundo! Como nossa alimentação, a forma de se locomover, a rapidez das noticias, a facilidade da comunicação, a falta de tempo, a ansiedade, enfim... Eu poderia passar o resto do dia todo escrevendo sobre cada minúscula coisa do nosso dia a dia que foi alterada pela evolução do mundo.

Dentre tantas mudanças, a tecnologia nos trouxe a substituição das pessoas nas mais diversas formas, as máquinas substituem seres humanos o tempo todo: na cozinha, nos bancos, nos carros e aviões, nas construções, nas fábricas das mais diversas áreas, e até mesmo na porta da loja de perfumaria, você se lembra da moça que distribui o papel olfativo borrifado de perfume? Pois então, até ela foi substituída!

A agência de marketing baiana Ideia3 do publicitário Higor Amaral, responsável pelas franquias de O Boticário nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste criou um briefing e a empresa Social e Soluções tirou o plano do papel criando um modelo de totem que substitui esse funcionário. O perfume é borrifado na pele do usuário pela simples detecção de sua presença, sendo que ele é armazenado na própria embalagem original do produto, permitindo que o usuário tenha a noção real da fixação dele no corpo. O aparelho funciona à pilha, podendo ser levado a qualquer ambiente e evento.

A intenção nesse projeto é ir além de um simples contato entre a vendedora e um possível cliente, é marcar a imagem da embalagem, e fazer com que a própria atraia o público certo até o produto, embalagem essa que é um elemento fundamental no marketing do setor. O diretor da empresa que desenvolveu o totem, agora quer levar o formato a outros anunciantes, apostando no seu potencial. Hora de dar tchau para a mocinha do perfume, e um oi para as mudanças!​


O nome dela não é Jenifer!

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O nome dela é Marissa Zappas, antropóloga e perfumista que tem como trabalho e passatempo combinar essa duas paixões, sua tese foi sobre a história da construção do cemitério ao redor da Revolução Francesa. Um tanto quanto diferente, ela concentrou o seu trabalho no olfato e na perfumaria como uma extensão do corpo. Uma abordagem única e profundamente pessoal à fragrância foi inspirada na própria experiência de Marissa de usar o perfume de sua avó, Shalimar (Guerlain, 1925), para ‘canalizar seu espírito e invocar sua força’. Logo que formada ela passou a trabalhar simplesmente em uma das maiores casas de perfumaria do mundo, a Givaundan, sob orientação de Olivier Guillotin que foi o treinador do seu ‘nariz’.

Ali, em um dos berços da perfumaria mundial, ela ficou por dois anos desenvolvendo Redamance, uma coleção sua de perfumes em que cada um seria o retrato olfativo de uma mulher da história que nunca recebeu o devido reconhecimento. As mulheres que a inspiraram são: Maria, a Alquimista; Imperia, a Divina; Ching Shih e a Rainha Nzinga. Seu primeiro pensamento para criar essa coleção, foi a necessidade de se conectar com outras mulheres. Ela conta que costumava usar os perfumes dos seus melhores amigos, namorados e o famoso perfume da avó, isso a fazia sentir menos sozinha. E quando surgiu a ideia de transformar esse hábito em fragrâncias ela pensava muito sobre essas histórias ‘apagadas’, e que faria todo o sentido trazer as histórias dessas mulheres negligenciadas de uma maneira envolvente e poderosa para inspirar as mulheres dos dias de hoje.

Cada uma dessas 4 personagens foram escolhidas por três razões: mulheres complexas, relativamente desconhecidas e que tiveram vidas longas. Além de tudo são muito diferentes uma das outras em termos de personalidade, ambiente e da época em que viveram.

Maria, a Alquimista, foi a primeira alquimista da Grécia antiga e tinha uma teoria sobre como os metais se reproduzem que foi referenciada por Sócrates e Carl Jung, apesar de ter muito pouca informação sobre sua vida.

Imperia, a Divina, era da Roma do século XV e a primeira cortesã a alcançar o status de celebridade. Posava em sua janela e cobrava dos transeuntes que passassem por ali. Tinha regras rígidas também que seus clientes precisavam incorporar, como por exemplo, espírito, bom humor e deixar dinheiro ou um presente considerável ao sair. Ela foi pintada por Raffael, como um clássico arquétipo de Vênus e seu funeral foi uma das maiores celebrações que Roma já viu.

Nzinga, era uma rainha do século XVII de Angola, uma estrategista militar brilhante que não apenas lutou nas linhas de frente com suas tropas, mas derrotou os portugueses duas vezes, salvando Angola da invasão. Foi totalmente reverenciada pelo seu povo, mas infelizmente quando morreu as tropas portuguesas voltaram e assumiram o controle do local e seu povo.

Ching Shih, era uma cortesã do século XVIII em Xangai, que depois se casou com um pirata e assumiu o controle do seu navio, expandiu suas viagens em 70 e se tornou o mais poderoso pirata da história. Os governos portugueses e chineses foram atrás dela por décadas e ela finalmente se rendeu por uma grande soma de dinheiro e abriu e administrou um cassino em Xangai e morreu já bem velhinha.

Foram mulheres inspiradoras que lutaram e defenderam o que acreditavam, e apesar de não terem uma historia fácil, sobreviveram a tudo isso. E estão sendo honradas com suas lutas e vivências, depois de uma larga pesquisa histórica, trazendo vida através dos perfumes da linha Redamance. O lançamento está quase para acontecer do primeiro da linha, o Rainha Nzinga, assim que a campanha de crowdfunding acabar. Os outros três serão lançados no próximo na, 2020. E a ideia que fica com toda essa pesquisa e novidades? Que as pessoas usem os perfumes como fonte de coragem, inspiração ou para manifestar um ‘futuro eu’.​

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​​