​Acabou-se a pouca vergonha

Postado em:

As orações dos bons cidadãos foram atendidas: o Brasil promove amplo combate à pobreza (os pobres estão perdendo por 7x1), o Governo tirou milhões da miséria (milhões devidamente embolsados por cidadãos que já estiveram acima de qualquer suspeita), e acabou-se de uma vez a pouca vergonha em Brasília, pois a pouca vergonha que existia já não existe mais.

O caso da nomeação de Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho é um fim de feira. E não apenas pela escolha para o Trabalho de uma pessoa já condenada duas vezes em processos trabalhistas: o pior é a entrega pública de um Ministério a Roberto Jefferson, proprietário do PTB e pai de Cristiane. Jefferson prestou um serviço inestimável ao Brasil ao revelar o Mensalão. Mas, para se vingar de José Dirceu, a quem acusava de ter-lhe prometido um pixuleco mais gordo que o efetivamente entregue, Jefferson revelou seus próprios e abundantes ilícitos – tantos que, apesar da delação, foi para a cadeia, de onde saiu há pouco tempo. É ele que manda num dos ministérios. E, para agradá-lo, Temer luta na Justiça para nomear sua filha.

Temer, político experiente, sabe que isso pega mal. Mas quer garantir os votos do PTB para a reforma da Previdência. O problema é que a compra dos votos dos parlamentares mais compreensivos já chegou a tal custo que talvez a reforma da Previdência, economicamente, não valha mais a pena.

Tem mais. Hoje, esta coluna inteira mostra o fim da pouca vergonha.

No Executivo...

O projeto de Orçamento de 2018 enviado pelo Governo ao Congresso prevê R$ 17.818,00 para o Gabinete da Vice-Presidência. Ocorre que o Brasil não tem vice-presidente e não o terá antes de 2019. Verba para que?

O Orçamento prevê também R$ 197,7 milhões para auxílio-moradia da Justiça do Trabalho. O Itamaraty, com 255 postos diplomáticos espalhados pelo mundo, tem menos: R$ 188,534 milhões. Segundo o bem-informado colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br), de Brasília, a Justiça do Trabalho, sozinha, custa mais do que toda a Justiça americana. A população dos Estados Unidos é 50% maior que a do Brasil.

...no Judiciário...

A Justiça trabalhista se esforça para manter-se à frente. O Tribunal Superior do Trabalho está comprando togas, becas e capas novas para seus dez ministros. São togas de gala, togas de serviço, os dois tipos com nomes bordados na parte interna, dez de cada; dez becas de secretário; 50 capas de serventuários; 30 conjuntos de jabor e punhos (os “punhos de renda”), com formato e comprimento sob medida. Valor da licitação: R$ 40 mil.

...na Justiça Eleitoral...

Coisa fina: a empresa Flextronics foi contratada pelo Tribunal Superior Eleitoral para desenvolver a impressora que, acoplada à urna eletrônica, imprima os votos, dificultando fraudes. Algumas curiosidades: dois centros de excelência de tecnologia avançada, o IME, Instituto Militar de Engenharia, e o ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, se colocaram à disposição do TSE para desenvolver o projeto, a preço de custo; o TSE contratou a Flextronics, sem licitação. A Flextronics investiu no projeto dinheiro do TSE, R$ 7,5 milhões, para depois vender este projeto ao próprio financiador. As urnas serão 30 mil, quando seriam necessárias, por lei, 600 mil. E quem ganhou a licitação para vender as impressoras? Pois é: a Smartmatic, a empresa de origem venezuelana que já fornecia ao Brasil.

...no Congresso...

Diz o artigo 57 da Constituição Federal, a Constituição Cidadã: “O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro. Parágrafo 1º: As reuniões marcadas para essas datas serão transferidas para o primeiro dia útil subsequente, quando recaírem em sábados, domingos ou feriados.” Só que não: 2 de fevereiro cai na sexta, e o retorno dos parlamentares, após as férias de fim de ano, deveria ocorrer no dia 5. Mas dia 13 é terça-feira de Carnaval. Dia 19 é segunda, e trabalhar na segunda é para quem não tem foro privilegiado nem auxílio-moradia. Os primeiros a voltar, portanto, chegarão ao Congresso no dia 20. A maioria volta mesmo é no dia 21.

...e os candidatos?

A equipe de Lula está convencida de que ele não será candidato apenas se não quiser. Se o recurso contra a sentença de primeira instância, que o condenou a nove anos e meio de prisão, for negado, ele cai na Lei da Ficha Limpa e não pode ser candidato; e pode ser preso imediatamente. Mas não é bem assim. O ótimo repórter Gabriel Manzano, no O Estado de S.Paulo, apurou cada uma das hipóteses – inclusive a pior para Lula, ser derrotado por 3x0. Os recursos no tribunal podem levar seis meses; e ainda pode recorrer ao STJ e Supremo. Se disputar a eleição e ganhar, quem o segura?

Quanto a Bolsonaro, disse a uma repórter que usava o auxílio-moradia, tendo casa em Brasília, para comer gente. Perdeu-se na primeira pergunta.

COMENTE[email protected]

Twitter@CarlosBrickmann

​O Brasil que o Brasil largou

Postado em: - Atualizado em:

Há territórios, no Rio, em que a Polícia só entra com apoio das Forças Armadas. Há áreas, em São Paulo, em que o Governo garante que a Polícia entra, mas onde não entra, não. Em todo o país, há glebas ocupadas pelos movimentos dos sem-alguma-coisa, com reintegração de posse concedida pela Justiça, em que a Polícia não entra. E há o caso mais escandaloso, que agora ocorreu em Goiás: a presidente do Supremo Tribunal Federal, um dos três Poderes da República, tinha decidido visitar o presídio dos motins. Mas desistiu: segundo sua assessoria, “por questões de segurança”.

A ministra Carmen Lúcia, presidente do Supremo e do Conselho Nacional de Justiça, tem segurança, pode convocar a Polícia Federal, estava com o governador Marconi Perillo, que tem sob seu comando a Polícia Militar de Goiás. Há a guarda do presídio. E a ministra não pôde entrar. A 200 km da Capital Federal, onde fica o comando das Forças Armadas, o presídio não obedece às autoridades: é exercido por facções do crime organizado, que decidem entre si, pelas armas, quem manda naquela área que, como nos foi ensinado, e até agora acreditávamos, pertencia ao Brasil.

O governador Perillo garantiu que a ministra não conversou com ele a respeito da visita ao presídio; e, se quisesse ir, “teria absoluta segurança para fazer a visita”. Sua Excelência só esqueceu de combinar com a equipe da ministra, cuja versão é outra. Em quem o caro leitor prefere acreditar?

Quem pode, pode

Os poderes Executivo e Judiciário não conseguiram garantir o acesso da presidente do Supremo Tribunal Federal a uma prisão goiana onde quem manda é o crime organizado (qual facção? Isso está sendo decidido com muito sangue). E o Poder Executivo acaba de descobrir que não tem poder nem para nomear ministros sem receber ordens de fora: o juiz federal Costa Couceiro, da 4 ª Vara de Niterói, suspendeu a nomeação da ministra do Trabalho, Cristiane Brasil, obrigando o Governo a adiar a posse. Adiar ou desistir: o recurso foi rejeitado pela segunda instância. Mas Temer garantiu que vai até o Supremo para manter a nomeação. Tudo, menos largar o osso.

A causa do bem

Por que insistir tanto em Cristiane Brasil, que não tem grande presença como deputada nem se notabilizou por vastos conhecimentos na área do Trabalho? Simples: Cristiana é filha do deputado Roberto Jefferson, chefão do PTB, que tem vinte votos na Câmara – votos que podem ser essenciais na votação da reforma da Previdência. Como comentou um assíduo leitor desta coluna, Alex Solomon, a negociação sobre a reforma da Previdência segue conforme a rotina: “É pagar ou largar”.

Dia D – ou quase D

Com manifestações ou sem elas, sejam favoráveis ou contrárias, e seja qual for o resultado do julgamento, o ex-presidente Lula não será preso no dia 24 de janeiro. De acordo com a assessoria de imprensa do TRF-4, onde deverá ser julgado o recurso de Lula contra a condenação em primeira instância, um condenado só pode ser preso depois de esgotados todos os recursos no segundo grau. Mesmo que nenhum juiz peça vista do processo, o que adiará a decisão até seu voto ser proferido, e Lula seja condenado por unanimidade, há a possibilidade de embargos de declaração, em que a defesa pede esclarecimentos sobre a sentença. Se houver prisão, só depois.

Válvula de escape

A notícia é excelente para o PT, que inicialmente ameaçava promover manifestações em todo o país (alguns dirigentes do partido, incluindo José Dirceu, falavam até em revolta). Depois reduziu as manifestações a duas, uma em São Paulo, outra em Porto Alegre, e estava em dificuldades para assegurar que as duas tivessem público ao mesmo tempo. Transporte, comida e hospedagem, mais o cachezinho dos voluntários, exigem quantias que hoje as centrais sindicais têm dificuldades de levantar, sem o imposto sindical e com a dramática redução das bancadas e cargos públicos do PT.

O incrível Huck

Luciano Huck, da Globo, apareceu no programa do Fausto Silva, como tantos astros da Globo. Se Huck será candidato, não se sabe. Ainda não é.

Hora H

O deputado Jair Bolsonaro, que até agora navegou tranquilo no mar sem candidatos das eleições presidenciais, está prestes a fazer uma descoberta: a de que não tem tempo de televisão, seja qual for o partido pelo qual decida sair. Nos blocos de 30 segundos, terá direito a algo como meio segundo. E nos blocos de 12m30s, terá pouco mais de 12 segundos. Dá para repetir, sincopadamente, por cinco vezes, a frase “Militar é bom, civil é ruim”.

Desembarque

Não dá tempo nem para responder à reportagem sobre o crescimento de seu patrimônio. O parco horário de que disporá não é tão mau assim.

COMENTE[email protected]

Twitter@CarlosBrickmann

​Mais infinda que o infinito

Postado em:

Nelson Marchezan Jr., PSDB, prefeito de Porto Alegre, sem consultar o governador gaúcho Ivo Sartori, MDB, pediu ao Governo federal que mande o Exército e a Força Nacional para manter a ordem na cidade, no dia 24, quando o apelo de Lula contra a sentença que o condenou a 9,5 anos de prisão será julgado pelo Tribunal Regional Federal. Conforme a decisão, o ex-presidente pode ficar inelegível pela Lei da Ficha Limpa e ser até preso.

A situação de Lula deixou o PT ultra-inquieto: o partido programou até a ocupação de Porto Alegre, líderes como José Dirceu pregam algo muito parecido com insurreição e guerra civil. Bobagem: se alguém ultrapassar os limites pode ser preso. E o PT tem um problema sério: sem o poder, com a Lava Jato, sem imposto sindical, como pagar os voluntários, transportá-los e alimentá-los? O partido se arrisca a um fiasco como o da última caravana.

Aí entra Nelson Marchezan Jr., ultrapassando os limites de ser prefeito e dando à manifestação petista, que não era muito diferente de demonstração de intenções, o caráter de coisa séria. Considera-se ameaçado, o prefeito! E pede gente fardada para protegê-lo das hordas vermelhas, que imagina que existam e que queiram ocupar sua cidade. Marchezan virou a esperança dos petistas radicais, ao dar-lhes crédito e visibilidade, como se força tivessem.

Frase de Einstein: “Duas coisas são infinitas, o Universo e a estupidez humana. Mas, com relação ao Universo, ainda não tenho certeza absoluta”.

...ói ele aí tra veiz

José Rainha, que foi líder do MST, perdeu o posto para Stedile e estava silencioso, foi convocado para ajudar a ocupar Porto Alegre (afinal de contas, é um a mais). Rainha diz que este será um “janeiro quente” e que todos devem se mobilizar em defesa de Lula. Há pouco mais de dois anos, Rainha foi condenado a 31 anos de prisão, mas não foi preso até agora.

Dois destinos

Lula em Porto Alegre, tentando reverter a condenação que sofreu em Curitiba, com risco de ser preso ou declarado inelegível; Temer, na mesma data, 24 de janeiro, a caminho de Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, levando os ótimos resultados que a economia brasileira vem apresentando. Com ele, os dois principais executivos da área econômica: o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. São bons resultados; e, se houver medidas de apoio – por exemplo, a volta do grau de investimento, perdido por Dilma – Temer pode até sonhar em ganhar popularidade e ser candidato à reeleição.

Desafio maior

A tropa de choque oposicionista nas redes sociais (e jornais) tem um problema sério para negar que os dados econômicos tenham melhorado. É que Meirelles foi repetidamente indicado por Lula a Dilma para ocupar o Ministério da Fazenda; e Dilma seguidamente o rejeitou. Lula tinha razão.

Martelo...

Ao mesmo tempo em que escolheu gente do ramo para tocar a economia e deixa seu pessoal trabalhar, Temer continua devastando a administração com apetite de gafanhoto faminto. A escolha de Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, para o Ministério do Trabalho, é um exemplo notável: Cristiane é citada na delação da JBS (por estar entre os negociantes de um pixuleco de R$ 20 milhões para o seu PTB, em troca do apoio do partido à candidatura de Aécio Neves, do PSDB, em 2014). É apontada na delação da Odebrecht como receptora de uma bonita mochila com R$ 200 mil. Há mais: dois funcionários a processaram na Justiça do Trabalho pedindo indenização por horas extras não-remuneradas. Ambos ganharam.

...na ferradura

Por falar em “ambos”, Moreira Franco e Eliseu Padilha, ambos ministros, estão ambos na mira da Lava Jato – ai de ambos se perderem o cargo e o foro privilegiado! Temer tem encontro com a Justiça de primeiro grau assim que deixar o mandato (por isso é importante para ele poder tentar a reeleição). Solitário num escândalo antigo, o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, era chamado por Carlinhos Cachoeira de “menino de ouro”. Cachoeira não é de distribuir elogios a quem não os mereça.

Tesouro detonado

Foi bonita a festa, pá, como disse Chico Buarque sobre outro assunto. O Rio teve fogos durante 17 minutos seguidos, um recorde. Mas a conta veio logo: os dois principais hospitais universitários do Rio ficaram ser verbas e ameaçam suspender a contratação de residentes – o que é pior do que parece, por prejudicar o atendimento dos pacientes e o treinamento dos médicos. As escolas de samba, habituadas a fartos cofres, ajustam em cima da hora seus desfiles, para que não lhes falte dinheiro no Sambódromo. Que ninguém diga que este é um problema do Rio: o Carnaval carioca é o grande símbolo do turismo brasileiro, e o Rio é o cartão de visitas do país.

COMENTE[email protected]

Twitter@CarlosBrickmann

​Tudo tem seu nome certo

Postado em: - Atualizado em:

Um dia, perguntaram a Lula se era comunista. "Não", respondeu. "Sou torneiro mecânico". Lula tinha razão e não tinha: não era comunista (como não é até hoje); torneiro mecânico tinha sido quando ainda era capaz de lembrar-se dos comandos de um torno. Lula tem fascínio por Cuba e pela família Castro, mas deve achar Maduro um chato. Maduro, Evo e outros seres servem a seus objetivos e são descartáveis. Usou, gastou, lixo.

Lula não é comunista. Nem outros que são chamados de comunistas porque não seguem totalmente a religião do Estado mínimo – até Fernando Henrique, que privatizou a Vale e a telefonia, virou comuna, porque torce para que Lula não vá preso. E João Dória, onde achará um cashmere vermelho para enrolar na gola do macacão Ferragamo sob medida?

Kim Kataguiri, direita? Imagine um debate sobre Economia, com Bolsonaro, Kim e o Instituto Mises. Kim teria de recorrer ao notável livro O caminho da servidão, de Friedrich Hayek: para debater à altura, só subindo no livro. E Suplicy, cuja tese da renda mínima vem da economia liberal, será direitista? Nem toda a direita é fascista, nem toda a esquerda é comunista. É preciso saber quem é quem para que o debate seja livre, sem ódios, e permita achar um caminho para o país. Caso se mantenha a troca de insultos, como no futebol, acabaremos, como no futebol, tendo jogos de torcida única. Que, em politica, se chamam ditaduras.

A guerra do pernil

O caro leitor acompanha a briga do presidente bolivariano Nicolás Maduro com fornecedores brancos, loiros, dizóio azul, neoliberais a serviço duzianque, que não entregaram os pernis encomendados pela Venezuela só porque a encomenda não foi paga? Pois é: a informação de cocheira (ou, em se tratando de pernis de porco, de cocho) é de que 20 mil toneladas de pernil foram embarcadas pelos exportadores portugueses, e estão guardadas na Colômbia, pertinho da Venezuela, para entrega assim que Maduro pagar o preço combinado de € 40 milhões. Mas não sejamos inflexíveis com Maduro: essa história de ele, como Pai dos Pobres, distribuir pernis ao seu povo, e por conta de produtores de outro país, é muito engraçada.

Dinheiro vira pipoca

No Rio de Janeiro os salários do funcionalismo estão atrasados, faltam recursos para enquadrar os narcotraficantes em guerra, não há dinheiro para despoluir seu cartão de visitas, a belíssima Baía da Guanabara, acabaram as verbas para manutenção dos carros da Polícia (que andaram enguiçando em frente à bandidagem). Mas houve dinheiro à vontade para pagar a mais longa queima de fogos do réveillon: 17 minutos de foguetório, disparado de grandes barcaças ancoradas perto da praia. Se houvesse 15 minutos em vez dos 17, qual a diferença? E 13, ou 10? Uma das cidades mais bonitas do mundo, com aquela orla, com o Cristo Redentor, teria a festa comprometida se houvesse menos volúpia em detonar o Tesouro carioca?

Amarelinha recorde

Em São Paulo, a grande atração só não foi mais ridícula porque custou menos. Mas na avenida Paulista foi batido o recorde mundial de gente pulando num pé só. Sim, fizeram isso. E não se limitaram a isso: fizeram a maior questão de registrar a besteira e incluí-la no Livro Guiness. Tudo bem, era feriado, festa, cada um se diverte como quer, mas recorde de amarelinha em grupo (para perna direita)... Agora, vamos á perna esquerda!

O dinheiro detonado

Mas sejamos compreensivos com os gastos de nossos dirigentes, mesmo que pareçam estranhos. Vejamos como funciona nosso país fora das festas. O Brasil paga auxílio-moradia a 88 juízes de tribunais superiores, nove ministros do Tribunal de Contas da União, 553 conselheiros de tribunais de contas de Estados e Municípios, 14.882 juízes, 2.381 desembargadores, 2.390 procuradores do Ministério Público Federal, 10.687 procuradores dos ministérios públicos estaduais. Total das despesas com auxílio-moradia a quem, em geral, ganha bem, mora em sua própria cidade e, com frequência, em casa própria, em bairros nobres: R$ 1 bilhão e 580 milhões por ano.

É nosso, mas é deles

O ano que agora começa é especial: nele ocorre a grande festa eleitoral. A campanha vai custar R$ 1,7 bilhão, todinha com dinheiro público, como o PT vinha reivindicando e os adversários se apressaram a apoiar. Os donos dos partidos distribuem as verbas de acordo com sua vontade. Imagine.

Feliz ano velho

O Rio começou 2018 com tiroteios em três favelas, São Paulo com a morte de um menino de cinco anos, atingido por bala perdida e pela incapacidade do sistema de saúde, que durante seis horas não o atendeu. Em Goiás, nove presos morreram numa rebelião (houve mais duas, essas porém sem vítimas) e dez ficaram feridos. O ano muda, o Brasil continua.

COMENTE[email protected]

Twitter@CarlosBrickmann

​2018, um ano claramente escuro

Postado em: - Atualizado em:

O presidente Michel Temer, usando sem parar a máquina do Governo, prometendo ampliar ainda mais as vantagens oferecidas a quem o apoia, mantendo-se ao lado de cavalheiros amplamente conhecidos como Romero Jucá, Eliseu Padilha, Moreira Franco, atraindo para seu grupo mais pessoas vocacionadas para integrá-lo, como o deputado Carlos Marun, tem o apoio de 6% do eleitorado – um número como o ostentado, veja só, por Dilma. Por que usar maneiras tão discutíveis de fazer política, para ter resultados tão frustrantes? Por que, com tão pouco apoio, ensaia tentar a reeleição?

Simples: porque a primeira obrigação de um político é sobreviver. Vale tudo, portanto, para manter-se no cargo, mesmo tendo de chamar de Vossa Excelência alguns cavalheiros que só agora aprenderam a usar talheres às refeições (e a devolvê-los no final do banquete). Sobreviver não quer dizer que continue dando as ordens – que essas, mesmo em seus melhores tempos, dava em voz tão baixa que o gravador de Joesley não pôde captá-las direito. Sobreviver significa ficar livre de juízes de primeira instância, como Sérgio Moro. Tentar a reeleição segue a mesma lógica: findo o mandato, Temer perde o foro privilegiado e cai nas mãos dos juízes de primeira instância, como Moro. Temer só não tentará a reeleição se houver um acordo que lhe garanta foro privilegiado ou indulto. Sem isso, não perguntem a Temer se prefere o demônio ou Moro. E se ele responde?

Perdão demais

Indulto é decisão privativa do presidente da República. O Supremo não deveria se intrometer no assunto, mas se intrometeu (e, cá entre nós, foi bom). O presidente decide, mas decidir aumentando ainda mais as regalias dos delatores é meio muito. Pense num dedo-duro bem safado, que trocou amigos e cúmplices por uma pena que é quase um prêmio. Ganharia mais um prêmio, ficando livre de cumprir outro pedaço daquela pena de mentirinha com a qual foi premiado, e sem pagar multa nenhuma? Dá inveja dos bandidos que roubam o Tesouro e, sem dó, entregam até a mãe.

Temer, mestre de Constituição, sabe que foi além do razoável. Se sabe, por que fez? Para indicar a aliados que, se apanhados, terão apoio, pois alguém lá em cima gosta deles. Que sigam votando com Temer. A arma de Temer para a reeleição é a economia. Se tudo der certo e ele ficar, será bom para o bando todo. Bando, claro, no bom sentido; é sinônimo de “grupo”.

É isso aí

Por falar em Carlos Marun, uma pessoa nova no grupo sempre é alguém que ainda não se acostumou a narrar os fatos da maneira que agrade os companheiros. Pois não é que Marun, agora ministro da Secretaria de Governo, acaba de admitir que está pedindo apoio à reforma da Previdência especialmente para quem recebe recursos oficiais?

“Não vamos abrir mão de pleitear o apoio dos agentes públicos brasileiros e, especialmente, daqueles beneficiados por ações do Governo”, disse. Ou, em linguagem menos rebuscada, é recebendo que se dá. É bom aproveitar a verdade antes que o ministro Marun aprenda a dizê-la.

O golpe e “o górpi”

O governo da Venezuela expulsou o embaixador brasileiro, por “representar um Governo de extrema direita” – na linguagem petista, “o górpi”. As coisas estão agora mais claras: a Venezuela está entre os quatro países bolivarianos que pegaram dinheiro do BNDES para realizar obras e, agora, dão o golpe no credor, não pagando as prestações. Segundo a Operação Lava Jato, há nesses empréstimos, com os quais seriam pagos os serviços de empreiteiras brasileiras, farto superfaturamento, que em parte voltou ao Brasil para pessoas bem relacionadas. Maduro falou mal do Brasil, do Canadá (que também expulsou diplomatas venezuelanos) e de Portugal (ver nota abaixo). Mas a crise que a Venezuela procura para ter um inimigo externo e abafar a crise interna é com outro país: a Guiana. Tão logo o vizinho descobriu petróleo na fronteira com a Venezuela, Maduro passou a reivindicar a região. Tenta intimidar o vizinho com os jatos Sukhoi que comprou da Rússia. Não vai adiantar: a Guiana tem o apoio de Brasil e Colômbia. E os Sukhoi são caças ótimos mas não voam sozinhos.

A Guerra do Pernil

O presidente venezuelano Nicolás Maduro está também em crise com Portugal. Prometeu distribuir pernis de porco neste fim de ano a todas as famílias venezuelanas, encomendou o produto a Portugal e só se esqueceu de pagar a conta – deste ano e do ano passado. Os exportadores portugueses suspenderam a operação, e Maduro acusa o Governo português de sabotar o socialismo venezuelano por ordem, claro, dos Estados Unidos. 

O curioso é que o Governo português, como o brasileiro, não exporta carne nenhuma: quem exporta são as empresas produtoras. E todas têm o vicio capitalista, neoliberal e pequeno burguês de exigir o pagamento.

COMENTE[email protected]

Twitter@CarlosBrickmann

Pensando o impensável

Postado em: - Atualizado em:

​A economia cresceu pouco, 0,1% no terceiro trimestre, mas acima do previsto. Prevê-se que em 2018 a produção cresça até 3% - nada espetacular, mas bem mais do que os números habituais. Os shopping centers, que tiveram queda de vendas nos dois últimos Natais, venderam 6% a mais neste ano. O Indicador Serasa-Experian teve o melhor desempenho desde 2011: na semana de Natal, as vendas subiram 5,2%. São números baixos, que partem de um patamar baixíssimo; não vão deixar consumidor algum com a sensação de que ficou mais rico. Mas podem deixá-lo com a sensação de que não ficou mais pobre.

E daí? Daí, nada. Mas há a queda dos juros básicos do Banco Central, que algum dia deve se refletir nos juros cobrados no crediário. Não é mais possível tomar mil reais emprestados e ficar devendo dez prestações de mil reais. Se a recuperação da renda dos consumidores se acelerar um pouco, se a inflação se mantiver baixa, estaremos diante de um cenário hoje improvável: um candidato do MDB à Presidência. Um candidato viável.

Quem? Há tempo até 2018. Pode ser, apesar da idade e das acusações, Michel Temer (para ele, ótimo: mais um tempo com foro privilegiado). Ou Henrique Meirelles, dono da política econômica. É do PSD, já foi do PSDB e do Governo Lula e, se precisar, muda de sigla. Tem carisma zero; mas tem como pagar a própria campanha. Pode emplacar? Resposta em 2018.

Através do espelho

Naquela antiga frase sobre o que pode sair da cabeça de juiz e de bunda de nenê, em geral se esquece o terceiro elemento imprevisível: boca de urna. Há uma foto clássica de eleições americanas em que o presidente Harry S. Truman, recém-reeleito, segura um jornal que anuncia a vitória de seu opositor Thomas Dewey. Jânio Quadros ganhou a Prefeitura de São Paulo pela primeira vez contra o favoritíssimo Francisco Antônio Cardoso; e pela segunda contra o ainda mais favorito Fernando Henrique Cardoso. Erundina, uma semana antes da eleição, era a terceira colocada. Virou o jogo e bateu o grande favorito Paulo Maluf. Duvida de Meirelles? Depois de bem-sucedida temporada como banqueiro no BankBoston, voltou ao Brasil e se elegeu deputado federal por Goiás. E Temer vem se elegendo, embora sempre com votação baixa, desde 1986. Bem ou mal, já chegou lá.

Portas abertas

Claro, Temer e Meirelles não são as únicas surpresas que podem ocorrer neste ano (nem as mais prováveis). Alckmin chefia um partido forte, com boas raízes no Centro-Sul. Dória já surpreendeu uma vez (embora nenhum de seus possíveis padrinhos vá se surpreender de novo). Há os corredores paraguaios Marina e Ciro – e se um deles acertar o ritmo? Álvaro Dias, Arthur Virgílio? Este colunista não apostaria em nenhum deles, nem em Bolsonaro ou Lula (mas também não apostaria contra eles). Joaquim Barbosa? Tantos candidatos só indicam que não há candidato nenhum.

Um país sem patrão

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, classificou o embaixador do Canadá em Caracas como "persona non grata" – ou seja, indesejável. O Canadá imediatamente expulsou de Ottawa o embaixador venezuelano – a retaliação tradicional diante do tipo de agressão cometido pela Venezuela.

Um país "mais compreensivo"

Um país “mais compreensivo”

A Venezuela também declarou “persona non grata” o embaixador do Brasil, informando que a medida é um protesto pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff. E o Brasil? Tão atrasado quanto os maduros, que só agora descobriram que Dilma foi afastada, o Governo brasileiro só retaliou a Venezuela na terça. Tem motivos – o Governo venezuelano vem atrasando o pagamento de compras no Brasil – e armas terríveis: basta liberar as confissões de empreiteiros brasileiros sobre a realização de obras por lá. Mas parece a ocupação militar da refinaria da Petrobras na Bolívia: protegemos ao máximo regimes que se dedicam a usar à vontade o dinheiro do Brasil.

Exemplo

A Unidade de Coordenação Central do Tesouro Espanhol acusa "o melhor jogador de futebol do mundo", Cristiano Ronaldo, de ter sonegado aproximadamente € 15 milhões (pouco mais de R$ 60 milhões), e pede sua prisão. O centro-avante do Real Madrid alega que paga "a peso de ouro" os especialistas que declaram seu imposto de renda, e portanto não tem culpa de eventuais erros. Caridad Gómez, a chefe da Receita espanhola, diz que contribuintes "com acusações muito menos graves" estão presos e que Cristiano Ronaldo usou testas-de-ferro e paraísos fiscais para sonegar. É famoso? Melhor: sendo preso, serve de exemplo aos sonegadores.

Desapega!

Luislinda Valois saiu do PSDB mas não quer deixar sua Secretaria, onde é mal avaliada. Mal avaliada por que? Ela não fez nada - nem de errado!

COMENTE[email protected]ickmann.com.br

Twitter@CarlosBrickmann

Nosso Natal, Natal tropical

Postado em: - Atualizado em:

Ho! Ho! Ho! E José Dirceu, condenado a mais de 30 anos de prisão, mas solto enquanto prega uma rebelião caso Lula tenha a condenação confirmada, ganha pensão mensal de quase R$ 10 mil da Câmara.

Ho! Ho! Ho! Lula foi condenado a 9 anos e meio de prisão por alguma daquelas coisas que ele usa mas não são dele. Apelou na forma da lei e o apelo deve ser julgado no dia 24 de janeiro. Seus seguidores divulgam abaixo-assinados. Normalmente, os signatários dizem que não são petistas. É verdade: são lulistas ainda mais radicais, o “eu não sou petista, mas...”

Ho! Ho! Ho! Está no Diário Oficial da União, do dia 11 último: a advogada Samantha Ribeiro Meyer foi nomeada conselheira da Itaipu Binacional, com pagamento de R$ 40 mil mensais e obrigação de comparecer a quatro reuniões por ano. Samantha Ribeiro Meyer vem a ser a ex-esposa de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Ho! Ho! Ho! Condenação vai, liminar vem, e todas essas jabuticabas estranhas acabam caindo nas mãos da Justiça. E daí? Teto salarial de juízes é definido pela Constituição. Nenhum funcionário público pode receber do Estado mais de R$ 33 mil, algo por aí. Mas a média salarial dos juízes é em geral superior a cem salários mínimos, uns R$ 100 mil mensais. Há juiz que ganha bem mais (veja, na nota abaixo, como achar o salário de alguém do ramo). Se com ele é assim, por que o juiz iria dar um jeito nos outros?

O lar do Bom Velhinho

Há dúvidas sobre o volume dos recebimentos de algum juiz? Vá a https://public.tableau.com/profile/fabios#!/vizhome/SalariosnoPoderJudiciario/Judiciario-TotaldeRendimentos. Tem juiz com quase R$ 250 mil.

O juiz e os juízes

Que é que o presidente da Ajufe, Associação dos Juízes Federais, acha da questão do teto salarial definido pela Constituição? O presidente Roberto Veloso distribuiu mensagem autocongratulatória dizendo que, apesar da campanha para atingir financeiramente os magistrados, eles não foram prejudicados, “pois o projeto do extrateto, que estava em vias de aprovação, não foi votado neste ano”. O projeto extrateto define o que pode ser pago fora do limite constitucional – como salário, nada.

A renda dos punhos

Ho! Ho! Ho! Pensa que a política externa é definida pelo Governo Federal e executada pelo Itamaraty, por profissionais escolhidos entre os disponíveis no Ministério das Relações Exteriores? Não é bem assim: já há interferência do Judiciário na escolha dos profissionais. O diplomata Sóstenes Arruda de Macedo pediu à Justiça Federal de Brasília que determinasse ao Itamaraty sua transferência para o Consulado em Paris – um dos postos mais cobiçados da carreira. A Justiça o atendeu – embora, até hoje, a transferência de diplomatas seja privativa do Itamaraty. A União deve recorrer, e por isso a decisão não terá efeito imediato.

Quem perde...

O Espaço Vital (www.espacovital.com.br), ótimo portal jurídico do Rio Grande do Sul, dá um balanço do que aconteceu com a Odebrecht durante o tempo, dois anos e meio, em que Marcelo Odebrecht ficou preso em Curitiba. Um resumo: quem comprou um título da Odebrecht em 2010 por US$ 100 mil tem agora, após sete anos, US$ 31 mil. A empresa está fora de concorrências no México e no Peru. E superar as desconfianças que passaram a cercá-la depois da Lava Jato é problema ainda sério.

...quanto perde

Quando Marcelo Odebrecht foi preso, em 2015, a empresa tocava US$ 28 bilhões em obras. Em julho de 2017, o volume de contratos tinha caído para US$ 15 bilhões. A dívida líquida, inferior à geração operacional de caixa, agora se multiplicou para 5,6 vezes este número. 

O x do problema

O problema dessa análise é algum número desconhecido: é válida enquanto se acreditar que, nas delações premiadas, o conglomerado de empresas confessou todas as eventuais transgressões da lei. Caso isso não tenha ocorrido, a situação do grupo pode estar bem melhor do que parece.

Só pra contrariar

O comando petista começou a orientar os chefes de equipe que procuram lotar Porto Alegre no dia 24, data do julgamento do recurso de Lula, para que busquem inundar de e-mails as caixas dos desembargadores do TRF-4. O tribunal analisará a sentença do juiz Sérgio Moro, de Curitiba, que condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão. Poderá optar pelo cancelamento ou manutenção da sentença, ou pela modificação do período de pena. Até agora, o TRF-4 tem adotado penas mais duras que as fixadas pelos juízes de primeira instância. A ordem é mandar o maior número possível de mensagens, mas em termos educados, sem ofensas.

COMENTE[email protected]

Twitter: @CarlosBrickmann

Os filhos de Papai Noel

Postado em: - Atualizado em:

Os delatores, que confessaram ter participado de milhares de crimes de corrupção, estão aos poucos sendo soltos, ou cumprindo pena no conforto de seu lar. Os delatados, que participaram de menos crimes, mas mesmo assim suficientes para criar-lhes enormes complicações legais, estão numa boa. Fora um ou outro, apanhado de surpresa pelo furacão Lava Jato, antes que seus companheiros de ladroeira tivessem elaborado uma boa estratégia de esquiva, os demais comemoram um réveillon dos sonhos – livres, leves, soltos. Sabe quantos processos o Supremo julgou contra a turma do foro especial? Puxe pela memória! Não lembra? Pois tem razão: nenhum.

Não é por falta de freguesia. Só a delação da Odebrecht rendeu a abertura de inquérito contra 24 senadores, 37 deputados e oito ministros do Governo Federal. O povo da toga discute entre si, pronuncia votos de matar os ouvintes de sono, discorre sobre qualquer tema. E para que? Para nada.

Para os delatores, os problemas foram superados. Marcelo Odebrecht fica em sua mansão de 3 mil m² em São Paulo, mas com uma restrição: só pode receber visita de 15 pessoas ao mesmo tempo (mais advogados). Adriana Ancelmo, esposa de Sérgio Cabral, volta à prisão domiciliar, para poder tomar conta dos filhos, e também é alvo de dura restrição: não pode usar Internet. Lúcio Funaro, o doleiro, foi para a prisão domiciliar.

Todos somos filhos de Papai Noel, mas alguns são mais queridinhos do pai.

O custo da Justiça

Os processos andam devagar, mas a Justiça busca equipar-se para cumprir suas tarefas. De acordo com o excelente site jurídico gaúcho Espaço Vital (www.espacovital.com.br), o gasto da Justiça Federal com o aluguel de veículos passou de R$ 99 mil em 2009 para R$ 25 milhões em 2016. São 16 mil por cento em sete anos, já descontada a inflação.

O custo da folia

O BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, decidiu contribuir com R$ 2 milhões para a SRCom, empresa que realiza o réveillon na praia de Copacabana. A Petrobras também vai contribuir, mas ainda não decidiu com quanto. A Caixa Econômica Federal e a Ambev estudam sua participação.

O país vai bem, obrigado. Se tudo der certo, quatro empresas arcarão com o maior custo do réveillon; das quatro, três são estatais. E a única que pode lucrar diretamente com a festa é a empresa privada, a Ambev, vendendo cerveja durante as comemorações.

Bye, bye, Brasil

Condenado, absolvido? O ex-presidente Lula não parece preocupado com seu futuro. No dia 24 de janeiro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, deve julgar o recurso de Lula contra a sentença do juiz Sérgio Moro que o condenou a 9 anos e 6 meses de prisão. Caso a condenação seja confirmada, Lula poderá ser preso. Mas ele já informou que pretende viajar para o Exterior dois dias após o julgamento, para participar em Adis Abeba, na Etiópia, de debates sobre a fome na África. Os debates foram convocados por um companheiro de PT, José Graziano, que chefiou o programa Fome Zero em seu Governo e hoje está na ONU.

Como é mesmo?

O simples anúncio de que está com viagem marcada para o Exterior logo após o julgamento pode servir como base para que Lula seja preso, garantindo sua presença para cumprir a eventual pena. Caso seja condenado, o TRF-4 poderá mandar prendê-lo na hora, para evitar que fuja.

O sonho brasileiro

A Ipsos, empresa internacional de pesquisa de mercado, acaba de chegar a uma conclusão surpreendente: 70% dos brasileiros acreditam que é possível governar o país sem corrupção. E 73% rejeitam o lema “rouba, mas faz”. Boa parte dos pesquisados acredita que há poucas discussões sobre o tema “como acabar com a corrupção”.

E por que a conclusão é surpreendente? Porque políticos que chegaram a renunciar ao mandato para fugir de denúncias de corrupção voltaram a se eleger com facilidade. E o PT, alvo de denúncias pesadas desde o início da Operação Lava Jato, tem tido bons índices de preferência para as eleições de 2018. Na pesquisa, foram ouvidas 1.200 pessoas em 72 municípios.

Um país enlouquecido

Um cunhado da apresentadora Ana Hickmann reagiu quando um jovem armado de revólver atirou na apresentadora e em sua assessora: com um tiro, matou o rapaz que tentava assassinar as jovens. E está sendo acusado de homicídio por um promotor, que alega que, embora tenha havido legítima defesa, foi excessiva, e o cunhado da apresentadora poderia ter evitado a morte do candidato a assassino. O promotor que nos perdoe, mas este colunista, em situação igual, descarregaria o revólver, para garantir a vida de suas parentes. Alguém seria capaz de moderar-se nessa situação?

____________________________

COMENTE:

[email protected]
Twitter: @CarlosBrickmann
www.brickmann.com.br
www.chumbogordo.com.br

​Brincando de faz de conta

Postado em: - Atualizado em:

Economistas de primeiro time, empresários influentes e políticos de importância chegaram à mesma conclusão: o Governo brasileiro precisa cortar as despesas. Como não disse PC Farias (e só não disse porque já tinha morrido), Madama estava gastando demais, até saindo da legalidade.

Para que se inaugurasse uma nova era de contas saudáveis, Madama caiu. O novo Governo que assumiu já fez de conta que não é o antigo, embora o elenco pouco tivesse mudado. Eles, os novos, cortariam despesas.

Mas, para cortar, era preciso cuidar dos amigos da casa. As despesas subiram uns R$ 50 bilhões. Houve o encontro com Joesley nos porões do Jaburu. Tentaram cassar o Vampiro por sugar a vaca leiteira. Mas, cassado o Vampiro, quem cortaria as despesas? Foi preciso gastar muitos pixulecos para manter vivo o Cortador Geral das Despesas da República. Mas atrair os votos essenciais para aprovar a Reforma previdenciária, mãe dos cortes de despesas, também teria seu custo. Num rápido balanço, foram cinco pagamentos e a Mãe dos Cortes não foi tocada. Mexer nesse vespeiro sai caro: não são só outros 500, mas cargos, áreas de influência, proteção contra juízes de primeira instância. Foi preciso até agradar Luislinda, que se achava escravizada por ganhar só trinta e poucos mil por mês. O PSDB saiu do Governo; ela preferiu sair do PSDB e ficar no bem-bom, recebendo. Claro, a solução é cortar despesas. Mas cortá-las custa caro.

Uma coisa e outra coisa

Quem trata política e finanças como coisas paralelas, afins, uma influenciando a outra, não entende nem de política nem de finanças.

Dirceu, tem pena

José Dirceu é o novo insuflador-geral do PT: está convocando petistas para lotar Porto Alegre em 24 de fevereiro, dia do julgamento pelo Tribunal Regional Federal do recurso de Lula contra a pena de nove anos e seis meses que lhe foi imposta pelo juiz Sérgio Moro. “A hora é de ação, não de palavras. De transformar a fúria, a revolta, a indignação e mesmo o ódio em energia, para a luta e o combate. Todos a Porto Alegre no dia 24, o dia da revolta (...)” Dirceu, que aguarda em liberdade o julgamento de seu recurso contra a pena de 30 anos e 9 meses por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, talvez corra risco de punição. Mas este é seu estilo: no governo Covas, em São Paulo, grupos de professores em greve bloquearam a entrada da Secretaria da Educação. Covas, sem segurança, já com o câncer que o mataria, foi agredido pelos, digamos, educadores. Dirceu deu apoio aos agressores, dizendo que era preciso surrar os adversários nas ruas e nas urnas. Errou: Fernando Henrique bateu Lula em duas eleições seguidas, no primeiro turno.

General punido

Demorou, mas o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, puniram o general Antônio Hamilton Mourão, transferindo-o da Secretaria de Economia e Finanças para o posto de adido na Secretaria Geral do Exército. Na última quinta, o general Mourão acusou o Governo Michel Temer de “equilibrar-se num balcão de negócios”. As Forças Armadas são organizadas com base na hierarquia e na disciplina, e seu comandante-chefe é o presidente da República. O presidente fala pela Força; seus subordinados devem calar-se.

Mourão já havia dado opiniões há algumas semanas, mas o general Villas Boas preferiu deixar pra lá. Agora sua paciência se esgotou.

Olhando o futuro

Nos tempos do Império Romano, era atribuído aos poetas (“vates”) o “poder divinatório”, a capacidade concedida pelos deuses de prever o futuro. Daí vêm as palavras “vaticínio” e “adivinhar”.

Pois bem: no Carnaval de 1949, Tancredo Silva, José Alcides e Sátiro de Melo fizeram seu vaticínio musical, gravado por Blecaute. Acompanhe a letra, caro leitor, quase 70 anos depois: “Chegou o general da banda, e ê/ chegou o general da banda, e á/ Mourão, mourão, vara madura que não cai/ Mourão, mourão, mourão, catuca por baixo que ele vai”.

Cinco letras que choram

Boa parte da família Odebrecht está de saída. Emílio, pai de Marcelo,se afasta do comando da empresa, e determina que, de agora em diante, o poder na Odebrecht seja entregue a executivos profissionais, de mercado. Sua esposa fica com ele no Brasil. Marcelo, o Príncipe dos Empreiteiros, deixa a prisão no dia 19: de agora em diante, cumpre pena em casa, com tornozeleira eletrônica, em companhia da esposa. Filhos e cônjuges de Marcelo Odebrecht, com toda a família, mudam-se para Frankfurt, na região. Os estudantes já estão matriculados em boas escolas da Frankfurt. Saem por livre e espontânea vontade: não aguentam mais o clima de hostilidade que enfrentam no Brasil.

COMENTE[email protected]

Twitter@CarlosBrickmann

​Rir, rir, rir com papai noel

Postado em: - Atualizado em:

Para extrair o melhor humor desta história real, é bom relembrar a figura de seus personagens. O primeiro, Fernando Henrique Cardoso, ele mesmo! – o presidente da República que contratou a chef de cuisine Roberta Sudbrack para incrementar as refeições em palácio. O segundo, mau humor permanente, é o senador José Aníbal. Floriano Pesaro, secretário de Dória; e o poeta e cientista político Fernando Fefo Guimarães. Todos tucanos; e Guimarães, além disso, criador da ala tucana Esquerda pra valer. Pois é.

Um encontro tucano, claro. E, claro, num bom restaurante de carnes importadas, harmonizadas com os vinhos caros da moda. Assunto maior, fora o cardápio: a necessidade de uma guinada do PSDB à esquerda. Nada mais justo, recordando-se a origem política muroesquerdizante dos tucanos.

A folhas tantas, após sabe-se lá quantas harmonizações bem sucedidas no cardápio, liberaram-se os espíritos, e o grupo começou a cantar o hino clássico do comunismo, A Internacional. Pense, caro leitor: Fernando Henrique e José Aníbal soltando a voz, “De pé, famélicos da Terra/ De pé, oh vítimas da fome/(...) Messias, Deus, Chefes Supremos/ Nada esperemos de nenhum/ Sejamos nós que conquistemos/ A Terra-Mãe livre e comum”.

A radical tentativa de buscar a esquerda pra valer ocorreu na última sexta, em Brasília. Ainda bem que o tempo voa: pense em ACM, sempre ao lado de Fernando Henrique, cantando com ele no Orfeão Vermelho.

Humor de Natal

Fernando Henrique se esforça, faz coisas esquisitas, mas Natal é uma festa onde Lula se sente melhor e se destaca sem precisar de bebidas harmonizadas com comida metida a besta. No sábado, 10, em comício, disse que o Rio de Janeiro “não merece que governadores eleitos democraticamente estejam presos porque roubaram dinheiro público”.

Essa coisa horrorosa de prender governantes democraticamente eleitos só porque roubaram dinheiro público irrita Lula. Política não é cadeia.

Proposta do horror

Há quem diga que quem fala demais dá bom dia a cavalo. Mas é pior: quem fala demais acaba revelando o que realmente pensa – e muitas vezes sua reputação sofre com isso. O juiz Sérgio Moro, avesso a badalações, sempre profissional, falando nos autos, acabou abrindo parte daquilo que pensa – e que horror! Moro propôs que a Petrobras institucionalize a virtude da delação. Disse que os bons funcionários, preocupados em garantir o sucesso da Petrobras, deveriam delatar colegas a seu ver corruptos. E que a empresa deveria estudar como gratificar o dedo-duro.

É bobagem por vários motivos – a começar porque não funciona. Não há grande empresa no mundo com sistema semelhante porque todas sabem que o clima de desconfiança as destruiria. Que Moro fique onde é mestre.

Quem com quem?

Quem acha que a posição tucana para 2018 está definida, após a escolha de Geraldo Alckmin para presidir o partido, engana-se. O PSDB enfrenta, em primeiro lugar, o risco do isolamento. Aliados tradicionais (PSB, DEM, partidos pequenos) se afastaram dos tucanos e têm alternativas – a começar pelo PMDB, que, no Governo, e se mantiver o sucesso da política econômica, pode lançar um candidato à sucessão de Temer. Pode ser, por exemplo, Henrique Meirelles, do PSD, mas flexível quanto a legendas; pode ser o próprio Temer – para ele seria ótimo, pelo foro privilegiado. Sem o tempo de TV dos aliados, as chances do PSDB são pequenas.

Bicadas no muro

E há outro problema que poucos tucanos levam a sério, mas que é sério: o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, tem a promessa de Alckmin de que o candidato será escolhido em prévia nacional, com debates entre os postulantes. Virgílio está disposto a brigar pela prévia; e, considerando-se a tradição tucana, terá muita gente a seu lado, querendo liquidar Alckmin de uma vez. Já houve brigas na convenção, quando a segurança hesitou em permitir que Virgílio subisse ao palco. O clima é tenso e pode piorar.

Olho nas exportações!

O Brasil parece, enfim, despertar para o comércio exterior: no dia 19, terça, o Instituto Aliança Procomex promove um seminário internacional Programa OEA no Cone Sul. O seminário ocorre no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo. Segundo o coordenador executivo do Instituto Procomex, John Mein, “o foco principal do Programa OEA é aumentar o nível de confiança das empresas intervenientes, objetivando facilitar os procedimentos aduaneiros, tanto no país, quanto no exterior, além de dar celeridade ao processo”. Até o dia 18, inscrições emwww.procomex.org.br; no dia 19, só inscrições presenciais. Mais informações com Linoel Dias, assessor de Imprensa do Procomex, (11) 3812-4566, (11) 9 9619-6108

COMENTE[email protected]

Twitter@CarlosBrickmann