​Estão vivos mas morreram

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Carmen Navarro Rivas recebeu todos os documentos que atestam a morte de seu filho, Hélio Luiz Navarro de Magalhães. Mas, há mais de 40 anos, tem certeza de que ele continua vivo, com nova aparência e outro nome. Hélio Luiz, diz o jornalista e professor Hugo Studart, em livro ontem lançado, é um morto-vivo: foi preso na Guerrilha do Araguaia e delatou os velhos companheiros para continuar vivendo. Borboletas e Lobisomens, o livro, diz que, apesar da ordem do presidente Médici de matar todos, seis outros guerrilheiros foram poupados em troca de colaboração. E, para que não fossem mortos como vingança, anunciou-se que mortos já estariam.

O livro provocou duros protestos de famílias dos guerrilheiros citados: dizem que é falso. O jornalista Fernando Portela, autor de ótimos livros sobre a guerrilha, disse que jamais ouvira falar de guerrilheiros poupados: todas as suas fontes garantiram que nenhum sobrevivera. Mas é difícil, prossegue, dizer que é falso um livro tão detalhado, com tantas fontes.

Há informações que são verificáveis, como: “Com o falecimento de seu pai, em 1999, Hélio Luiz se apresentou à Receita Federal, em 8 de agosto de 2001, com sua verdadeira identidade, a fim de regularizar o CPF e liberar inventário. Ato contínuo, forneceu à Justiça documento no qual abria mão dos direitos sobre o imóvel no qual seu pai residia com a segunda mulher, Elza da Costa Magalhães”. Há documentos? É buscá-los.

A guerrilha

O PCdoB, Partido Comunista do Brasil, defendia a luta armada contra o regime militar; e organizou a Guerrilha do Araguaia, que resistiu a duas ofensivas militares convencionais e foi destruída pela terceira, na qual a ordem era extrair informações dos guerrilheiros aprisionados, fosse como fosse, e depois matá-los, levando os corpos para destino desconhecido Diz Studart, no livro, que num pequeno hiato de poder, quando Médici passou a presidência para Geisel, houve gente poupada em troca da delação.

Todos os detalhes

O capítulo 19 do livro de Studart, em que narra essa história, com nome, codinome e fotos dos guerrilheiros apontados como mortos-vivos, está em http://www.chumbogordo.com.br/20390-sonata-para-carmen-siga-a-pista-e-leia-esse-capitulo-para-o-incrivel-trabalho-do-historiador-hugo-studart/

Lula ou Haddad?

O prazo final para o registro dos candidatos à Presidência é amanhã, dia 15. Espera-se que o PT tente registrar Lula como seu candidato, sabendo embora que é inelegível, para que haja impugnação, recursos, embargos, e a coisa se arraste até 15 de setembro, fim do prazo de programação da urna eletrônica. O objetivo é colocar nome e foto de Lula na urna, mesmo que o candidato seja Haddad, para que o eleitor vote em Haddad pensando que vota em Lula. Há um risco: se o TSE recusar o registro de Lula, encerra-se a manobra. Há um risco maior: o TSE recusar o registro e rejeitar qualquer substituição. Nesse caso, o PT deixa de ter candidato à Presidência.

Medo de tumulto

O setor de Inteligência de Brasília está preocupado com a possibilidade de tumultos na cidade durante a reunião do Tribunal Superior Eleitoral. O MST programou a “marcha a Brasília”, tentando reunir cinco mil pessoas em frente ao tribunal para manifestar-se por Lula. O temor é de que a marcha vise tumultuar Brasília, com invasões, fogo nas ruas, depredações e invasão de prédios públicos – o que já ocorreu em casos semelhantes. Dois mil homens deverão cuidar da segurança da cidade contra a bagunça.

Corrida frenética

A Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais, Abrig, promove na próxima quarta-feira, com a Fundação Getúlio Vargas, um debate entre os coordenadores dos programas de governo de todos os candidatos à Presidência da República. A ideia é ótima – mas deve estar provocando pânico nos diversos comitês de coordenação de campanha. O programa de governo normalmente é a última preocupação do candidato, e só é feito para cumprir tabela, caso um jornalista queira saber se existe. Em geral é um programa genérico, em que se defende o aumento dos salários, o crescimento econômico, a redução de despesas do Governo, a redução das desigualdades sociais e da mortalidade infantil e a vitória do bem sobre o mal. Mas arranjar coordenadores de planos de governo de uma hora para outra, e prepará-los para que enfrentem um debate, é mais complicado.

Pagando tudo

Imagine o coordenador do plano de Ciro mostrando onde vai buscar o dinheiro para limpar o nome de alguns milhões de cidadãos. Ou de Alckmin, explicando como o Centrão vai ajudar a baixar as despesas do Governo. Ou de Bolsonaro, achando verbas para abrir colégios militares às centenas. Ou de Boulos, provando que enfim temos um novo Lula.

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​Acreditar, jamais

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O PT, para protestar contra a ausência de Lula no debate – cumprindo pena por corrupção, não podia deixar a cadeia para comparecer – resolveu promover um evento paralelo, na Internet: o Debate com Lula. Uma grande ideia – só que não era com Lula. Nem debate, já que todos tinham a mesma opinião: Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Sérgio Gabrielli (presidente da Petrobras na época da compra da Ruivinha, aquela refinaria toda enferrujada em Pasadena) e Manuela d’Ávila. Sanduíche de pão com pão.

O debate dos candidatos na TV tem mesmo de ser em hora avançada. O telespectador pega no sono e embala até de manhã. Mas havia coisas curiosas a observar: por exemplo, seus maiores adversários acham que Bolsonaro é café com leite, tanto que não o atacaram. Alckmin, o quarto nas pesquisas, foi o mais atacado: imagina-se que, dono de quase metade do tempo de TV, o Picolé de Chuchu cresça, transforme-se numa Paleta de Chuchu e seja mais competitivo. De qualquer forma, ele se comportou no debate como um bom chuchu, insípido e difícil de ser engolido. Marina, a cometa que surge de quatro em quatro anos, estava como o Meirelles e o César Cielo: nada. Álvaro Dias devia estar com sono, falando arrastado (e sua aparência mudou: está a cara do Coringa, o inimigo do Batman). Boulos é articulado, mas precisaria dizer quem, daquele grupo, é dono de helicóptero. Faltou informar. E nada falou de cobrar aluguel de sem-teto.

Os rivais

Esperava-se que Bolsonaro e Ciro, os extremos do grupo (a menos que se leve Boulos a sério), fossem os grandes duelistas. Não foram. Bolsonaro reage bem quando atacado, mas é confuso para expor ideias. Colégios militares de alto nível, com disciplina rígida? Pode ser bom – mas é muito pouco em relação às necessidades do país. E os outros alunos? Ciro fala bem, tem boa presença, é convincente. Mas prometeu fazer tudo aquilo que levou o país ao buraco e não explicou por que desta vez será diferente.

Há o Cabo Daciolo. Sua arma é ser evangélico. Mas Marina também é.

De todos os lados

Sobra Henrique Meirelles. Tem excelente carreira na iniciativa privada, foi presidente do Banco Central de Lula, deixou boa imagem, foi ministro de Temer, ia bem – até que Temer gastou todos os cartuchos para ficar no cargo e dinamitou as bases da política econômica. Os petistas o consideram golpista; da política econômica atual, o aspecto mais visível é o marasmo, o desemprego. Não sabe se destaca seu lado de preferido de Lula, ou de Temer, ou de executivo de sucesso na iniciativa privada. Quer ser tudo ao mesmo tempo. Comunica-se mal: não aprendeu ainda a manter o foco.

Meiguices

As equipes de campanha dos candidatos agiram rápido: antes que os cronistas de Internet, em geral ácidos, popularizassem (em internetês, “viralizassem”) imagens e comentários mais maldosos, entraram brincando com características e erros de cada um dos debatedores. Tudo muito meigo, procurando mostrar que aqueles políticos profissionais são gente como nós.

Alckmin brinca com seu momento Montoro – o grande líder do PSDB que errava o nome das pessoas, chegando a chamar o mineiro Pimenta da Veiga, num comício, de “Pimenta do Reino”. Alckmin postou um vídeo em que cumprimenta Luciano Huck e “Eliana” (era Angélica). “Hoje fiz por merecer um belo puxão de orelhas”, diz o redator que escreve por ele.

Marina, parecendo feliz da vida, responde a perguntas do humorista Fábio Porchat; e colocou em sua rede o link chamando para ele.

Ciro é fofíssimo, o top da meiguice: postou bebê dando risada, um cão engraçado, gatinhos tocando piano. E sugere: “Quem você sugere para ver esse gatinho fofo? Quem a gente curte tem de vir junto. Quem é que você conhece que ainda não deu like (curtir) no Ciro?”

PT entrou no jogo, mas com uma seriedade soviética: pôs mensagens sugerindo que se coloque como toque de celular um jingle de Lula, junto a uma aula de como fazer isso; e sugere que se baixe a máscara do Lula. Além disso, há um pedido de doações para a vaquinha eletrônica de Lula.

Descoberta

Tem gente com boa memória na praça. Veja só o que foram desenterrar, para fazer piada com o o candidato a vice de Bolsonaro, o general Mourão (que falou da indolência dos índios e da malandragem dos negros): um samba de Sátyro de Melo, José Alcides e Tancredo da Silva Pinto que fez sucesso em 1950, na voz de Blecaute (na época, escrevia-se “Blackout”): “Chegou o general da banda ê ê; chegou o general da banda ê á/ Mourão, Mourão, vara madura que não cai/ Mourão, Mourão, Mourão, catuca por baixo que ele vai”. O samba tem quase 70 anos; foi regravado por Elis Regina em 1973. E que significam seus versos? Não se sabe; o que se sabe é que a obra se baseia num ponto de macumba. 

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​O vento sabe a resposta

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Tudo muito simples: o PT lançou Lula, sabendo que não pode ser candidato, e pôs Haddad de vice, mas para ser candidato a presidente. O PCdoB retirou a candidatura de Manuela d’Ávila à presidência e nada lhe deu em troca, mas ela sabe que será a vice de Haddad que é o vice de Lula.

Ciro namorou o Centrão mas pôs na vice uma esquerdista que, até há pouco, era ruralista e conservadora das que não comem tomate porque é vermelho. Boulos é candidato do PSOL mas apoia Lula que não pode ser candidato mas finge que é. Alckmin afirma que sabe poupar, e é verdade: sobrou-lhe o suficiente para conquistar o apoio do melhor bloco que o dinheiro pode comprar. Alckmin corre um risco: escolheu uma vice melhor do que ele. Ana Amélia é, de verdade, tudo aquilo que Alckmin diz que é.

E temos um caso curiosíssimo: pelo PMDB, maior partido do país, com apoio do presidente da República, há Henrique Meirelles, o candidato que é sem nunca ter sido. Meirelles tem dinheiro, pode pagar sua campanha, e isso é suficiente para explicar como chegou a candidato. Mas Meirelles não tem sorte: o presidente que o apoia é menos popular até do que Dilma, os caciques do maior partido do país foram cada um para seu lado, cuidar de seus superiores interesses, e a economia, que corria nos trilhos, desandou de tanto que foi ordenhada para alimentar um Congresso faminto, que queria devorar um presidente. Meirelles tem hoje só seu carisma – e é zero.

Hoje quem paga...

Há, no total, 16 candidatos à Presidência, já descontado Lula, que finge que é mas não é, e acrescido Haddad, que é candidato a vice mas vai mesmo é sair no comando da chapa. Desses, três têm chances: Bolsonaro, o líder nas pesquisas (mas que tem pouquíssimo tempo de TV), Alckmin, que montou uma grande coligação e fica com quase metade do tempo total de TV, e Haddad, por ser o candidato de Lula. Os outros estão é brincando de candidatos. Eles podem: dinheiro é o que não falta. O nosso dinheiro.

...somos nós

Quanto? Há a ponte aérea Curitiba-Brasília que todos os esquerdistas percorreram antes de decidir independentemente seu caminho, há a grande festa da convenção, com passagem, hotéis e refeições para os participantes, e com boa bebida. Há as viagens para discutir quem é que cada partido vai apoiar – tudo por conta do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário. Ou seja,  de novo vão mergulhar nos nossos fundos.

Começando!

Amanhã, quinta, o primeiro debate entre os candidatos à Presidência. Como sempre, a pioneira é a Rede Bandeirantes de Televisão. Lula quis participar, mas o TRF-4, Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, ignorou o pedido. A TV não é obrigada a convidar o vice para debater na ausência do titular. Se Haddad participar, fica claro que o vice não é vice.

Mais tarde, mais tarde

Lula sabe que não pode ser candidato, tanto que escolheu Haddad para substituí-lo. Por que tanto luta para adiar a declaração de inelegibilidade? Talvez por cálculo: em 15 de setembro, foto e nome do candidato entram nas urnas (a eleição é em 7 de outubro). Se Lula não tiver sido impugnado, seu nome e foto aparecerão na urna na hora da votação, mesmo com outro candidato em seu lugar. Gente menos informada pensará que vota nele, quando estará votando nesse outro candidato, embora indicado por ele.

Dilmo

É melhor calar, e deixar no ar a possibilidade de que o achem tolo, do que falar e acabar com a dúvida. O general Mourão, vice de Bolsonaro, na primeira declaração como candidato, afirmou que os brasileiros herdaram a indolência dos índios e a malandragem dos negros. Em seguida, garantiu que não é preconceituoso. Talvez não seja; talvez apenas ignore o sentido exato das palavras. Eventualmente, pode pensar que, como Mourão, seja um Moro grande. Não é: mourão é apenas um poste para firmar a cerca.

Proteção

A presença de Mourão na chapa, dizendo o que diz, certamente reduzirá as críticas a declarações estranhas de Bolsonaro, como a de que os militares não tomaram o poder em 1964, Vladimir Herzog pode ter cometido suicídio, ou que a ditadura não hostilizou a imprensa. Ignorar a censura ao Jornal da Tarde, a O Estado de S.Paulo e a O São Paulo, jornal da Arquidiocese de São Paulo, esquecer-se do fechamento do Correio da Manhã e da Rede Excelsior, omitir que o regime militar deu apoio a novos meios de comunicação que lhe fossem incondicionalmente fiéis é demais.

O veto à meningite

Este colunista conviveu com a censura prévia. E assistiu à censura da epidemia de meningite, para que ninguém culpasse o Governo. Só que era proibido divulgar também as precauções para evitar o contágio.

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​O que parece, e o que é

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Aécio desistiu de disputar a reeleição ao Senado, e tenta a Câmara Federal. Alegação: “A gravidade da situação de nosso Estado exigirá uma bancada forte e unida na defesa dos interesses de Minas”. Verdade: Aécio temia ser derrotado. E, sem foro, é com Moro. Aécio prefere o STF.

Alckmin escolheu uma grande vice: a senadora gaúcha Ana Amélia. Alegação: Alckmin disse que ela sempre foi sua favorita. Verdade: Alckmin tentou Josué Alencar, que pagaria sua própria campanha; e Álvaro Dias, para livrar-se do oponente que disputa seus eleitores. Na falta do dinheiro de um e dos votos do outro, optou pela melhor candidata.

Os verdes se aliaram a Marina, indicando Eduardo Jorge para vice. Alegação: “A aliança reforça o trabalho nos Estados”, disse o presidente do PV. Verdade: ou aceitava a vice de Marina ou ficava sem nada. 

O PSC, do Pastor Everaldo, retirou a candidatura de Paulo Rabello de Castro à Presidência e o indicou para vice de Álvaro Dias, do Podemos. Alegação: “A aliança”, diz Paulo Rabello, “é o primeiro passo para acabar com a picaretagem na política.”. Verdade: Rabello corria o risco de ter menos votos que Meirelles, pois de Meirelles se sabe ao menos que é candidato e foi ministro de Temer. Álvaro Dias empacou nas pesquisas e não tinha um vice popular. Vai portanto de Rabello, que não é popular mas tem boa reputação e ficha limpa. Antes ao lado do que concorrendo.

Assim é...

A aliança de Álvaro Dias com Rabello foi rica em boas frases. O Pastor Everaldo, presidente do PSC de Rabello, disse que a principal negociação foi programática. “O senador aceitou incorporar à sua proposta de governo nosso Plano de 20 Metas”. Claro! E o fará assim que descobrir que metas são essas. Renata Abreu, presidente do Podemos de Álvaro Dias, festejou a aliança: “Além de PSC e Podemos, o PRP estará na aliança”. Álvaro Dias disse que busca o apoio do PROS. E ainda falou com ar de alegria!

...se lhe parece

E Alckmin? Na Globonews, elogiou a história do PTB, que o apoia. É uma história rica, riquíssima: Roberto Jefferson, seu presidente, cumpriu pena por ser condenado no Mensalão, e é investigado pela Polícia Federal no caso da venda de registros de sindicatos no Ministério do Trabalho.

Falsa força

Os candidatos medem forças pelo número de simpatizantes no Facebook e no Twitter. Mas qual é o número? Com a ferramenta Twitter Audit, o colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br) apurou quantos simpatizantes são falsos. No caso de Lula, 20%. De Dilma, 30% - ou seja, de 6,02 milhões de seguidores, 1,8 milhão são fake. Bolsonaro tem, entre seus seguidores, 24% inventados (pior: segundo O Globo, um secretário parlamentar de Bolsonaro, cujo salário é pago pela Câmara, é figura-chave no esquema. Traduzindo, o caro leitor paga para o candidato ter seguidores fake). E o campeão absoluto em seguidores falsos é Alckmin, com 36%.

Pois é: contar seguidores no Facebook e no Twitter como se fossem eleitores é a mesma coisa que ficar rico no Banco Imobiliário.

Falsos puros

Lula jogou pesado e, de seu escritório na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, torpedeou a candidatura de Ciro Gomes (que foi seu ministro), única possibilidade real de união dos partidos de esquerda. A união de esquerda que podia admitir era em torno de seu nome – embora inelegível.

O PT mantém o discurso da pureza ideológica. Mas se aliou àqueles a quem chamava de “golpistas” para as disputas estaduais. Em Alagoas, fechou com Renan Calheiros; em Pernambuco, fez o possível para rifar Marília Arraes e se aliar ao governador Paulo Câmara, do PSB (mas Marília venceu a convenção – e agora?). No Piauí, a senadora Regina Souza, do PT, foi queimada; o partido apoia Ciro Nogueira, do PP, um dos líderes do Centrão (que, nacionalmente, está com Alckmin). E no Ceará o PT apoia Eunício – que não apenas chamavam de “golpista” mas atacavam por ser amigo do presidente Michel Temer. Em resumo, vale tudo, exceto aquilo que possa prejudicar a suprema posição de Lula.

Atenção às mulheres

Vale a pena prestar atenção nas duas gaúchas envolvidas na disputa pela Presidência: Manuela d’Ávila, candidata do PCdoB à Presidência, e Ana Amélia, do PP, vice de Alckmin, são adversárias, pensam diferente, mas pensam. Manuela d’Ávila tinha sido lançada pelo PCdoB para ocupar o espaço até que o partido decidisse o que fazer, mas ocupou-o tão bem que, a menos que haja uma união das esquerdas, é candidata até o fim. Ana Amélia é competente, ficha limpa, corretíssima (este colunista, que trabalhou com ela na Rede Bandeirantes de Televisão, é seu admirador). E há anos é colocada pelos jornalistas entre os melhores senadores. Observe.

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​Laranja madura

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Ser vice é o sonho de boa parte dos políticos deste país: vive em palácio, com ampla mordomia, dezenas de assessores, cozinha boa e gratuita, com os vinhos que escolher, carros, motoristas, bom salário, despesa zero, e não tem nada para fazer. Há políticos que usam dinheiro público até para tomar Chicabon. Por que, então, os principais candidatos não conseguem vice?

Bolsonaro, ainda em alta, tentou o senador Magno Malta, os generais Mourão e Augusto Heleno, a advogada Janaína Pascoal, o astronauta Marcos Pontes e o príncipe (sim, os temos!) d. Luiz Philippe de Orléans e Bragança. Nenhum aceitou. A aposta de hoje é que insista em Janaína.

Alckmin, dono da maior coligação, tentou o industrial Josué Alencar, a senadora gaúcha Ana Amélia, o ex-deputado federal Aldo Rebelo. Falhou. 

Marina Silva queria o ator Marcos Palmeira. E não tem outro nome.  

O PT não tem nem candidato à Presidência, quanto mais à vice. Quer porque quer lançar Lula, mesmo sabendo que, pela Lei da Ficha Limpa, é inelegível. Pensou-se em Manuela d’Ávila, mas é a candidata do PCdoB à Presidência. Ela até toparia, mas numa improvável união das esquerdas.

Meirelles é candidato do MDB. Mas sem chance. E, portanto, sem vice.

Que explica que políticos experientes rejeitem um cargo que iria projetá-los? Medo, talvez, da crise. Como diz a música de Ataulfo Alves, “laranja madura/ à beira da estrada/ tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé”.

Adeus, dr. Bicudo!

Inteligente, culto, corajoso, com caráter impecável; o dr. Hélio Bicudo, um dos poucos procuradores a lutar contra o Esquadrão da Morte e os torturadores do Governo militar, foi-se ontem, 31. Quem o levou não foi a idade, 96 anos: foi o amor, a tristeza pela morte de sua esposa, Déa, há meses. Bicudo, católico, foi fundador do PT e tentou evitar o “nós contra eles”. Chegou a levar a um comício petista o diretor de O Estado de S. Paulo, Júlio de Mesquita Neto. Desiludido com o PT, deixou-o; mais tarde, assinaria o pedido de impeachment de Dilma. Trabalhei com ele, sempre discordando, por 12 anos. Sempre, como hoje, lhe prestando homenagens.

A hora dos candidatos

Hoje, quarta, o PCdoB deve lançar Manuela d’Ávila. Mas pode mudar e decidir que o partido, aliado do PT desde 1989, vai se aliar a outros. Outros quer dizer PT – mas como indicar a vice de Lula se Lula dificilmente sairá?

Amanhã o MDB deve lançar Henrique Meirelles. Mas surpresas podem acontecer: há uma ala que não o quer, liderada por Renan Calheiros. Mas, se não for Meirelles, quem será? Renan, não: por causa da eleição em Alagoas, onde seu filho disputa a reeleição, prefere apoiar o PT. E não pode disputar uma eleição que possa perder, Sabe o foro privilegiado, né?

Sábado o PSDB e seus aliados do Centrão lançam Geraldo Alckmin; a Rede, Marina Silva; o Podemos, Álvaro Dias. E o PT deve insistir em Lula.

Famintos e bagunceiros

Militantes do MST decidiram ontem iniciar greve de fome em frente ao Supremo, pela libertação de Lula. O STF ordenou que saíssem, ficaram; a Polícia os tirou.

Não faça o que eu faço

Qual a opinião de Lula sobre greves de fome? Em 2010, estava em Cuba quando o preso Orlando Zapata morreu após quase três meses sem comer. Lula disse: “Greve de fome não pode ser utilizada com o pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter as pessoas em função da lei de Cuba”. Completou: “Imagina se todos os bandidos presos em São Paulo  entrarem em greve de fome e pedirem liberdade”. Ou seja, dissidente político, desde que em Cuba, é para Lula exatamente a mesma coisa que bandido.

Renovação

Esperando ansioso as eleições para renovar os quadros políticos? Pois, de acordo com as últimas pesquisas, a primeirona na luta pelo Senado em Minas é Dilma Rousseff, PT, com 27,8% das intenções de voto. Para a segunda vaga, quem surge é Aécio Neves, PSDB, com 20,8%.                                                            

Pode ou não pode?

O colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br) levanta uma nova hipótese sobre Dilma: ela pode ser declarada inelegível, apesar de o impeachment ter poupado seus direitos políticos. “Dilma”, diz Cláudio Humberto, “é ficha suja: foi condenada por um órgão colegiado (o plenário do Senado), no processo de cassação, e teve as contas de 2015 rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União”. Estaria, portanto, sujeita aos efeitos da Lei da Ficha Limpa. Mais, sempre segundo Cláudio Humberto: se o caso for levado ao Supremo, há ministros dispostos a anular o “fatiamento” do impeachment, pelo qual Dilma, apesar de condenada, manteve os direitos políticos, que deveriam ter sido suspensos por oito anos.

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​Todos sem vice. E para que vice?

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Alckmin anunciou Josué Alencar como vice. Pagou alto para tê-lo. Foi obrigado a curvar-se diante de Valdemar Costa Neto. Mas valia a pena: vice que paga a própria campanha é joia rara. Mas não o teve: Josué desistiu. Alckmin está entre o paranaense Álvaro Dias, que ainda não o quis, Aldo Rebelo e “uma mulher do Nordeste”. Por que não Kátia Abreu? Ela, que era ruralista e virou ministra de Dilma, por que rejeitaria Alckmin?

Bolsonaro tentou Magno Malta, anunciou o general Augusto Heleno, anunciou o general Mourão, anunciou Janaína Pascoal e continua sem vice. Vai tentar Janaína de novo, mas o que ela defende não é o que ele defende. E daí? Alguém precisa preencher a vaga – por que não ela? Pensa ainda em Marcos Pontes – aquele que foi ao espaço com passagem comprada pelo Tesouro e, na volta, aposentou-se, para ganhar a vida falando da viagem. 

Ciro, Marina, O Poste de Lula, nenhum tem vice (e não há sequer vices disputando o posto). Por que não aproveitar a oportunidade e extinguir esse cargo que, além de não servir para nada, exige palácios, seguranças, verbas imensas? Se o presidente viaja, não precisa de vice: hoje há ótimos meios de comunicação. Se por qualquer motivo estiver incapacitado para o cargo, pode ser substituído, sem custos, pelo presidente da Câmara, ou do Senado, ou do STF. Elimina-se a necessidade do Palácio do Jaburu, com toda a sua criadagem, mais a estrutura de mordomias. Chega de gastar o que é nosso!

Quem é quem

Imagine se Marcos Pontes, por exemplo, for o vice da chapa vitoriosa. Há alguns anos, o Governo brasileiro, numa iniciativa da NASA, pagou US$ 10 milhões para que um astronauta brasileiro participasse de um voo espacial americano. Pontes foi o escolhido e teve seus dias no espaço. O que se esperava é que Pontes transmitisse à equipe do programa espacial brasileiro sua experiência cósmica. Preferiu reformar-se. Transmissão de sua experiência à equipe do programa espacial brasileiro? Excluiu-se.

Sua Excelência, a TV

De acordo com a pesquisa IDEIA Big Data, para Veja, Bolsonaro só perderia hoje para Lula – e, como Lula não pode ser candidato, pela Lei da Ficha Limpa, Bolsonaro é o favorito. Mas todos olham com muita atenção para Alckmin: ele terá quase metade do horário eleitoral gratuito, enquanto Bolsonaro mal terá tempo de dizer “Meu nome é Jair”. Bolsonaro e outros candidatos tentam compensar essa desvantagem com o uso da Internet. OK, as redes sociais têm alguma força – mas não se comparam à TV. Há uma ótima ferramenta de WhatsApp que impressionou este colunista: permite enviar centenas de milhares de mensagens com índice zero de falhas. Todas as mensagens chegam a seu destino. É uma compensação – mas até agora a TV foi a principal arma. Bem usada, é decisiva. Mal usada, porém, é fatal.

Quem é quem

Antes de votar, conheça bem seu candidato. Zeina Latif, a brilhante economista-chefe da XP Investimentos, analisa dois candidatos que podem chegar ao segundo turno, Haddad e Bolsonaro, cujo pensamento sobre Estado e Economia é pouco conhecido. Zeina faz uma análise serena, sem paixões. Em http://www.chumbogordo.com.br/20094-corrida-maluca-por-zeina-latif/

Agora vai

Juros do cartão de crédito caíram: eram de pouco mais de 300% ao ano, estão em pouco menos de 300% ao ano. De boa notícia, é o que temos.

Velha verdade

Do jornalista e escritor Ruy Castro: “Idoso tem direito a andar de graça em ônibus, pagar meia-entrada no teatro e o dobro do preço no plano de saúde”. Citado por Cláudio Humberto em www.diariodopoder.com.br

Yes, it’s Portuguese!

Cansado de pedir tuna fish quando quer sanduíche de atum? Ou chamar notícias falsas de fake news? De, para fazer compras, ter de entender o que significam off, ou sale, e descobrir que delivery é o mesmo que “entrega”?

É um problema antigo: Lamartine Babo já tratava disso na década de 30, na divertida Canção para inglês ver, em https://youtu.be/USCS_EWv30g.

Jade, the Cat

Nossa analista sênior, a Gata Jade, está de volta, após merecidas férias, com a língua ainda mais afiada  Em http://www.chumbogordo.com.br/20089-com-bolsonaro-o-buraco-e-sempre-mais-embaixo-miau-da-jade-a-gata-sincera/

Cultura de volta

Depois de muitos anos de índices baixos, a Rede Cultura volta a atrair o público. Mas o carro-chefe de suas atrações é diferente dos habituais shows e Roda Viva: o Programa Papo de Mãe está próximo de 5 pontos no Ibope, muito acima de Roda Viva. O programa é apresentado por suas criadoras, Mariana Kotscho e Roberta Manreza, de segunda a sexta, em dois horários: 11h45 e 17h45. Aos sábados, entra em horário único, às 11h30.

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​Vices, vícios, vixe!

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Alckmin fechou com o PR de Valdemar Costa Neto e ganhou um vice: Josué Christiano Gomes da Silva, “o Alencar da Coteminas”. Valdemar ganhou a entrada no comando da campanha com mais tempo de TV e, mais do que isso, ganhou os, digamos, selos de proximidade com o PSDB. E o vice que Alckmin tinha ganho, tão bom que pagaria a própria campanha, se evaporou. Não quer mais ser vice, não. E pagar que campanha, se não sai?

A questão dos vices está estranha. Bolsonaro começou tentando Magno Malta, de olho nos evangélicos. De olho nos militares, tentou os generais Mourão e Villas Boas. De olho nas eleitoras, tentou Janaína Pascoal. Esta, aliás, foi à convenção para ser coroada. Fez um discurso discordando das posições de Bolsonaro e também ficou fora. E agora, quem é o próximo?

É curioso: candidatos com possibilidades de vitória (Bolsonaro é líder nas pesquisas, Alckmin domina o tempo de TV) sempre têm grandes filas de candidatos. O vice se elege com o voto do outro, trabalha pouco e só em certas ocasiões, pode chegar à Presidência sem conquistar um único voto. Que é que está ocorrendo? E não ocorre só na campanha presidencial: em Minas, o petista Fernando Pimentel quer como vice o mesmo Alencar que até anteontem era vice de Alckmin; em São Paulo, Paulo Skaf escolheu de vice uma oficial da PM pouco conhecida. Jô Soares dizia que vice não chega nem a nome de rua. Mas chega a presidente da República.

É samba!

Alckmin fechou com o Centrão e logo começou a briga. Paulinho da Força, que lidera o SD, Solidariedade, e a Força Sindical, foi ao candidato para reclamar de sua posição contrária ao Imposto Sindical. Alckmin, mais Picolé de Chuchu do que nunca, passou a defender uma tal “contribuição sindical societária”. E que é esta “contribuição sindical societária”? Para explicar de uma vez a questão, é a mesma coisa que Imposto Sindical: pegar um dia de salário por ano de cada profissional, seja ou não filiado ao sindicato, e dá-lo de presente a dirigentes sindicais. Paulinho é sindicalista e gosta de Imposto Sindical. Em compensação, Cristiane Brasil acusou Alckmin de recuar da posição inicial para agradar um só partido do bloco. Ela, do PTB, parece acreditar que o Centrão discute ideologias. Imagine: no Centrão, todos têm a mesma ideologia, aquela, e não se discute.

Questão de sorte

Os astros ajudam Alckmin. Era um deputado federal que jamais tinha participado do comando de seu partido, o PSDB, quando foi escolhido por Covas para vice. Estava lá quando o câncer levou Covas e o entronizou no Governo paulista. Serra, que o sucedeu, era do mesmo partido e cultivava sua ideologia: um grupo de amigos formado 100% por inimigos. Afastou os alckmistas e deixou Alckmin fora do jogo, até   que precisou dele e o levou para o Secretariado. Ele ressuscitou. E se vingou: hoje, a ala Serra do PSDB está isolada dentro do partido. Alckmin ia mal nas pesquisas, mas fechou o acordo com o Centrão que lhe dá o domínio da TV. Teve sorte de novo ao obter dois grandes reforços: a desistência de Josué Alencar e a diluição do poder de seu coordenador de campanha, Marconi Perillo.

Que se repete

Perillo, que conduziu a campanha enquanto Alckmin desabava nas pesquisas, ainda tem algum poder. Mas a sorte de Alckmin funciona: o apresentador Jorge Kajuru, que disputa o Senado por Goiás, ameaça a posição de Perillo, seu concorrente. E o candidato de Perillo ao Governo, o atual governador José Elinton, tem menos da metade das intenções de voto de seu adversário Ronaldo Caiado. Perillo talvez tenha de ficar em Goiás para lutar pela sobrevivência política.

Fraqueja!

Lembra-se do dia em que Bolsonaro disse que tem cinco filhos? Os quatro primeiro, homens; e da quinta vez, “deu uma fraquejada” e teve uma menina. Pelo jeito, Janaína Pascoal poderia ser vice, já que tem condições para isso, mas dependeria de uma fraquejada do candidato.

Tem festa. Pague!

A OAB/Goiás e o Instituto de Estudos Avançados em Direito lideram a campanha contra o projeto de lei que concede licença-prêmio aos juízes do Estado. O Tribunal de Justiça é a favor. A votação está marcada para hoje.

Comentário da advogada Maria Thereza Alencastro Veiga: “A cada 5 anos trabalhados os juízes e desembargadores terão três meses de descanso. Lembrando que têm dois meses de férias por ano mais 17 dias de recesso no fim de cada ano, terão em média 95 dias de férias por ano (...) Vai custar R$ 200 milhões por ano (...) a ideia é reduzir o horário de atendimento do Poder Judiciário para fazer caber esta história no Orçamento”.

É vendaval

A licença-prêmio é retroativa e pode ser paga em dinheiro.

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​Os ouros, naipe da sucessão

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De uma tacada só, usando os argumentos preferidos de boa parte dos políticos, Geraldo Alckmin se transforma no candidato dominante das eleições: terá quase a metade do horário eleitoral gratuito, e ganha o apoio do industrial Josué Christiano Gomes da Silva, ou “Josué Alencar”, filho do vice de Lula de 2002 a 2010. Josué é perfeito: promete não atrapalhar os planos de Alckmin e paga a campanha. Ou melhor, nem ele é perfeito. Ele é filiado ao PR de Valdemar Costa Neto, a quem muitos fazem restrições. Mas Valdemar não é exceção no grupo que apoia Alckmin: com ele estão 

Roberto Jefferson, Cristiane Brasil, Paulinho da Força, conhecidíssimos.

A tese de Alckmin, até hoje mal nas pesquisas, pode agora ser testada: quem tiver mais TV cresce. E ele tem quase metade do tempo total de TV.

Mas sejamos justos: não há candidatos viáveis mais ou menos impuros. O PT, seja quem for seu candidato, viu a condenação judicial de seu ícone, Lula; a prisão de seus tesoureiros; a pena de seus coordenadores. Ciro, que manteve imagem razoável, acaba de levar duas pancadas: o lançamento de sua candidatura foi murcho, e O Globo revelou que o deputado Leônidas Cristino pagou com dinheiro da Câmara mais de R$ 100 mil a um escritório de advocacia em Fortaleza do qual seu padrinho político Ciro Gomes é sócio. Cristino foi ministro dos Portos de Dilma, por indicação de Ciro.

Brigar por causa de política, hoje, é como ter crise de ciúmes na zona.

É ou não é

Alckmin finalmente tem sua chance de crescer – tanto que, após acertar a TV (quer dizer, com os partidos que cedem seus tempos de TV), recebeu a companhia, em comício, de João Dória Jr., candidato favorito ao Governo paulista e que tinha esperanças de substituí-lo na luta presidencial. Só que TV ajuda mas não é infalível: em 1989 (quando Collor derrotou Lula no segundo turno), o maior tempo era de Ulysses Guimarães, PMDB, que ficou em sétimo. O segundo em tempo foi Aureliano, que ficou em nono.

Hora H

Bolsonaro é um dos destaques da campanha, mas tem sete segundos de TV. Pela posição na pesquisa, deveria ter multidões de pretendentes a vice. Mas ainda não encontrou ninguém: tentou o senador Magno Malta (em busca do voto evangélico), o general Hamilton Mourão; anunciou o general Augusto Heleno, que comandou as tropas da ONU no Haiti, tem excelente imagem entre os militares. Teve suas propostas rejeitadas. Hoje, pensa na advogada Janaína Paschoal, que, com Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr., apresentou a proposta de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Você, empresário

O caro leitor talvez não saiba, mas é empresário, sócio de múltiplas empresas. Os governos que elegeu – Federal, estaduais, municipais – têm, juntos, 118.288 CNPJs – Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, algo, para empresas, próximo àquilo que o CPF é para as pessoas físicas.

Vejamos um CNPJ, buscado ao acaso (é o nº 74.170 da lista): pertence à Cabana do Jaime, dirigida por Jaílton Ferreira de Jesus. Situação ativa: está funcionando (a última verificação é de 10 de julho de 2017), e é órgão público do Poder Executivo Federal desde, pelo menos, 2006. Tem capital social de R$ 0,00 (zero reais), está localizada na avenida Otávio Mangabeira, praia de Piata, em Salvador, Bahia – uma beleza de lugar.  Tem telefone fixo (71), e os primeiros números são 328... Tem e-mail.

Não é difícil localizar a lista de CNPJs de entidades dos diversos níveis de Governo. Basta procurar em http://www.consultas......../. Sem problemas – mas será função do Governo Federal ter a propriedade de uma barraca de praia que serve bebidas e lanches a seus frequentadores? Quanto isso custa?

Licença jornalística

Na verdade, o caro leitor não é empresário, talvez nem seja formalmente sócio de uma empresa desse tipo. Mas cabe-lhe a honra de pagar a conta.

E não imagine que a coisa se limita a uma barraca de praia. Há também uma associação dos pescadores, uma associação de produtores rurais, um restaurante – não há dúvida, existe gente que tem sorte na vida. Porque controlar quase 120 mil empresas como essas deve ser muito difícil.

Prisão de novo

A Polícia Federal prendeu na sexta, pela segunda vez, o ex-governador André Puccinelli, a pedido da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Puccinelli, seu filho e o advogado tiveram prisão preventiva decretada, a pedido do Ministério Público Federal, em decorrência de apurações da Operação Lama Asfáltica. Estão detidos na sede da Superintendência da Polícia Federal. Puccinelli pretende se candidatar novamente ao Governo, pelo MDB. Há acusações referentes a contatos com a JBS, de Joesley Batista, à análise de documentos apreendidos em fases anteriores da Operação e de movimentações bancárias.

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​Escolha cuidadosamente. E daí?

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Vamos fazer de conta que todos os que se dizem candidatos vão mesmo ser candidatos (não vão – mas no Brasil acontecem tantas coisas estranhas que, de repente, pode até ser que os candidatos estejam falando a verdade).

O líder das pesquisas, Jair Bolsonaro, lembra com saudades o regime militar, em que a presença do Estado na economia foi gigantesca. Já se manifestou em favor de mais Estado na economia. Mas seu principal guru econômico é Paulo Guedes, seguidor da Escola de Chicago, que defende menos Estado na economia e mais iniciativa privada.

Alckmin é do mesmo PSDB de Fernando Henrique, que privatizou a Vale, os telefones, muitas rodovias. Mas foi Alckmin que vestiu a jaqueta ridícula cheia de nomes de empresas estatais, num debate com Lula, para provar que era contra privatizá-las. O PSB inclui, em seu nome, a ideia socialista. Mas pode acabar apoiando Alckmin, que nada tem de socialista. Ou Ciro, que se diz de esquerda mas foi quem implantou o Plano Real.

Lula não pode ser candidato, por causa da Lei da Ficha Limpa. Mas quer ser o candidato preferencial da esquerda. Em seu Governo, empreiteiras e banqueiros jamais ganharam tanto, nem foram tão agradecidos.

O caro leitor escolhe com carinho o candidato que exprime suas ideias. Mas pode estar votando contra o que pensa. Como se defender desse risco? 

Difícil: tendo sorte, talvez. Chamar os universitários não adianta.

A hora dos salgadinhos

A festa está começando: a convenção do PDT lança a candidatura de Ciro Gomes nesta sexta-feira. Quem será o vice? Depende: pode ser um socialista, do PSB, pode ser um conservador, do DEM. Pode ser Benjamin Steinbruch, dono da Companhia Siderúrgica Nacional, do PP. Alckmin não tem nomes: quer alguém do Nordeste, onde precisa crescer. Mas gostaria de ter o paranaense Álvaro Dias, que bloqueia seu crescimento no Sul. E boa parte de seus aliados gostaria mesmo é de trocá-lo por João Dória Jr.

Lado A, lado B

Nem Lula está sossegado: Tarso Genro, que foi seu ministro, gostaria de ver o PT apoiando Guilherme Boulos, do PSOL (o partido de sua filha, Luciana Genro). E quem seria o vice de Lula, se pudesse ser candidato? Há dois palpites: Jaques Wagner e Fernando Haddad. Um dos dois, mais provavelmente Haddad, será indicado por Lula para candidato do PT. 

Jair Bolsonaro deve ser lançado candidato oficialmente neste domingo, na convenção do PSL. Seu vice? Depois de pensar no senador Magno Malta, evangélico, e desistir (o partido de Malta é o PR, de Valdemar Costa Neto, que sabe direitinho quanto vale seu apoio), quer agora o general Augusto Heleno, PRP, que foi o primeiro comandante das tropas da ONU no Haiti, com trabalho elogiado, e comandante militar da Amazônia. Bolsonaro tem sete segundos de TV. Com o PRP, passa a 19 segundos.

Jacaré com cobra dágua

O presidente do diretório estadual do MDB de Minas, Antônio Andrade, que sugeriu um acordo com o DEM para apoiar Rodrigo Pacheco para o Governo, foi derrubado pelos deputados do partido. O MDB, partido de Michel Temer, está prontinho para aderir ao governador Fernando Pimentel, do PT, partido do Fora, Temer.

Renovação

O eleitor está cansado dos políticos? É verdade: está. Está desiludido? É verdade: está. E está disposto a mudar? Não, não está. Um balanço rápido mostra que a taxa de renovação no Congresso será reduzida. Às vezes irá ocorrer uma troca de nomes, mas de políticos conhecidos por políticos até mais conhecidos. Minas: os candidatos favoritos ao Senado são Aécio e Dilma. São Paulo: Suplicy. Bahia: Jaques Wagner. Goiás: Marconi Perillo (embora o candidato ao Governo Ronaldo Caiado, seu adversário político, tenha o triplo das intenções de voto do sucessor que indicou). Paraná: Roberto Requião e Beto Richa. Ceará: Cid Gomes, Eunício Oliveira.

Ótima notícia

A pedido do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, a presidente do Supremo, ministra Carmen Lúcia, suspendeu a medida pela qual os operadores de planos de saúde poderiam cobrar dos segurados até 40% do valor das despesas. A decisão já vale, mas pode ainda mudar: o plenário do STF a analisará depois das férias judiciárias. Em sua decisão, Carmen Lúcia lembra que, mesmo editadas por entidades administrativas, as normas não podem violar ou inovar o que está na lei. Mais: nas palavras da ministra, “saúde não é mercadoria, vida não é negócio e dignidade não é lucro – ademais, direitos conquistados não podem ser retrocedidos sequer instabilizados”. Mas é preciso tomar cuidado: quando o Estatuto do Idoso proibiu discriminação a quem tivesse 60 anos ou mais, os seguros-saúde e convênios passaram a multiplicar os preços quando o segurado faz 59 anos.

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​Loucademia de política

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Quem já escolheu seu candidato à Presidência talvez tenha de mudar de ideia: candidatos fortes, de partidos fortes, com verba forte, não chegam lá. Lula, por pertencer ao bloco dos fichas sujas; Alckmin, por pertencer ao bloco dos sem votos. Eleitores ocultos, mas conhecidíssimos, terão papel importante na eleição, em troca de um papel importante no Governo se o seu candidato vencer (fora outro tipo de papel, cujo valor não depende do resultado). Não pense que as alianças têm lógica, exceto aquela que a gente imagina. Um dos eleitores ocultos, Valdemar Costa Neto, do PR, oscila entre Bolsonaro e o candidato de Lula. Valdemar Costa Neto dispõe de valioso trunfo: Josué Gomes da Silva, filho do vice de Lula. José Alencar, e dono da Coteminas. Ele tem condições de pagar o custo de sua campanha.

Alckmin, ex-governador de São Paulo, esperava aliados como o DEM, o PSB, PP, SD, PRB, até mesmo o MDB. Mas a má posição nas pesquisas o enfraquece. O MDB prefere até Meirelles, que também vai mal nos índices mas pode pagar a própria campanha, deixando que a verba eleitoral se destine aos demais candidatos. A situação muda se Alckmin for trocado por Dória. O PMDB não faz questão de ter o presidente, basta estar no Governo. É sábio: quem ajuda a ganhar eleição escolhe o lugar primeiro.

Tirando o MDB, os possíveis aliados de Alckmin podem apoiar Ciro. Enfim, seja qual for o vitorioso, não se sabe que tipo de política irá fazer.

Dupla personalidade

Um caso curioso é o do PSD, de Gilberto Kassab. Kassab é ministro de Temer. Seria normal apoiar o candidato do Governo, Meirelles, ao menos por enquanto. Mas Kassab fez acordo com Alckmin. E seu braço direito, Guilherme Afif, diz que também é candidato. Normal: Afif era vice de Alckmin, um dos líderes da oposição a Dilma, e ministro da própria Dilma. 

A lei...

Pela Lei da Ficha Limpa, Lula não pode ser candidato, mesmo que seja libertado: foi condenado em segunda instância. Mas no Brasil nunca se sabe. Até já tiraram um mandato de presidente sem mexer em seus direitos políticos. De repente... é difícil, mas aqui nenhum absurdo é impossível. O PT iniciou há dias um movimento para registrar a candidatura de Lula, com atos espalhados pelo país. A campanha vai até 15 de agosto, quando o PT tentará registrá-lo. Caso a tentativa fracasse, haverá o Plano B.

...ora a lei

Mas o próprio Lula parece convencido de que não irá disputar. Vetou o apoio do PT a Ciro Gomes (que foi seu ministro e se propunha a fazer um Governo de esquerda, seja lá o que isso for), e deixou de sobreaviso dois fiéis entre os fiéis, Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, e Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, para se candidatarem caso seja preciso. Ao mesmo tempo, Wagner conversa com Josué Gomes da Silva em busca do apoio do PR. Josué parece interessado em ser vice: até já mudou o nome para “Josué Alencar”, para relembrar seu pai, que foi vice de Lula. E não se imagine que Wagner converse sem o aval de Lula: isso não ocorreria. Já outra informação ainda não foi confirmada: a de que Lula poderia aceitar Josué como candidato à Presidência, dando-lhe formalmente seu apoio.

Gleisi!!!

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffman, protestou contra a decisão judicial de proibir Lula de dar entrevistas. Disse que Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP foram autorizados a dar entrevistas, enquanto Lula foi proibido. Este colunista entende o que Gleisi quis dizer, mas acha que, por mau entendimento ou maldade, muita gente talvez interprete a sua frase como se ela estivesse fazendo comparações entre os três personagens.

O primeiro a desistir

Flávio Rocha, proprietário da Guararapes e das Lojas Riachuelo, tentou conseguir espaço para se candidatar. Seu projeto-base é atraente: pessoas físicas deixariam de declarar o imposto de renda, que seria cobrado a cada vez que depositassem ou retirassem dinheiro do banco. A sonegação estaria liquidada, e até os donos de dinheiro ilegal pagariam tributo. Já desistiu.

Paulo Rabello de Castro também não despertou as atenções, mas ainda é candidato pelo PSC. E há um candidato totalmente novo nessa campanha: João Amoedo, do Partido Novo. A grande novidade é que pretende reduzir o tamanho do Governo, limitando suas tarefas ao que for essencial.

A OAB e a ética

A Comissão Especial de Direito Penal Econômico da OAB/SP, que tem, entre outras, a missão de elaborar uma cartilha de recomendações sobre Advocacia e Lavagem de Dinheiro, acaba de reforçar sua equipe: nomeou para integrá-la a advogada Lilia Frankenthal, especialista em Direito Penal Econômico e Direito Empresarial. As recomendações da OAB/SP deverão englobar as diversas áreas do Direito e seu papel no combate à corrupção.

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