ABBEY ROAD

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Geralmente negligenciado nas enquetes de melhor disco dos Beatles em favor do estilo mais technicolor de Sgt. Peppers Club Band e do mais obscuro e menos ortodoxo Revolver, o último álbum gravado pelo grupo é uma coleção de músicas e fragmentos de músicas. É tão inovador quanto tudo o que o quarteto de Liverpool sempre fez, recheado de reviravoltas emocionais graças ao caos de seus anos finais como banda. Vale lembrar aqui que, apesar de ser sempre citado como o último disco gravado pelos dos Fab Four, Let It Be foi apenas o último a ser lançado!

Apesar das diferenças fundamentais entre eles, àquela altura, Paul McCartney e John Lennon eram ainda capazes de compor um material combustível. George Harrison, por muito tempo considerado, assim como Ringo Starr, um Beatle menor, havia se tornado um compositor para ser levado a sério, contribuindo com a super

inspirada “Something” e com “Here Comes The Sun”, muito mais doce do que qualquer canção de John e Paul.

Mas é a ácida crônica social dos dois últimos que torna Abbey Road essencial, um álbum com um “quê” de vingança.

Há o rock sexual de “Come Together”, o monstro psicodélico “I Want You (She’s So Heavy)” – onde se sobressai o baixo ágil de Sir James Paul McCatney- e a suíte que ocupa o lado B, amada e odiada pelos fãs dos Beatles na mesma medida. “Golden Slumbers” é um épico sob a forma de uma cantiga de ninar e “The End” é uma profética mostra de virtuosismo, na qual todos fazem um solo. Até Ringo Starr.

No link, John Lennon - Come Together.

Fontes e referências : 1001 DISCOS Para Ouvir Antes De Morrer- Robert Dimery.

Fotos: Liga Entretenimento/Divulgação)

LEMBRETE: Quinta-feira tem “Marcos Prado Convida” no Candeeiro Pizza Bar.

CLUBE DA ESQUINA

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Se Clube da Esquina fosse apenas a resposta brasileira a Sgt. Pepper’s..., já se destacaria como uma importante contribuição ao pop internacional. Mas esta magnífica coleção de canções, lançada originalmente como um álbum duplo, também transformou Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta em artistas de sucesso pelo seu próprio talento.

Embora Milton Nascimento – um cantor carismático com um falsete puro e cheio de espiritualidade – seja o centro de gravidade do álbum, ele ainda não era uma grande estrela, e Clube da Esquina é muito mais um trabalho de grupo, co-creditado também a Lô Borges. O disco mistura sons oníricos, letras surrealistas e uma ampla variedade de influências sul-americanas. É um marco da música popular que abriu as portas da criação para outros artistas.

O Clube da Esquina era um grupo de amigos de Belo Horizonte, Minas Gerais, que passou seis meses, durante o ano de 1971, numa casa alugada na Praia de Piratininga, em Niterói, compondo e compartilhando seu amor pelos Beatles. De volta ao estúdio, a música ganhou uma grandiosidade suntuosa com a orquestração de Eumir Deodato e Wagner Tiso. O álbum contém uma série de clássicos, como “Cravo e Canela” e “Nada Será Como Antes”.

A influência dos Beatles é particularmente forte no “rock mineiro” de Lô Borges, em faixas como “O Trem Azul” e “Nuvem Cigana”, músicas delicadas, cheias de encanto e sutilezas.

“CLUBE DA ESQUINA” foi gravado e lançado em 1972.

Fontes e referências : 1001 DISCOS Para Ouvir Antes De Morrer- Roberto Dimery.

Fotos: Liga Entretenimento/Divulgação)

MARCOS PRADO CONVIDA

Quem não apareceu no Candeeiro Pizza Bar, principalmente na última sexta-feira, não sabe o que perdeu. Depois do Grupo Jazzmin na quinta-feira, foi a vez das “Anabelas” esbanjarem simpatia e talento, mostrando repertório de finíssimo gosto em apresentação impecável. Marcos Prado e Leninha não escondiam o tamanho da satisfação e do orgulho com o resultado do trabalho e dedicação de suas meninas.

E nesta quinta, dia 28, Marcos convida a talentosa cantora Ialy Alcântara pra dividir com ele o palco do Candeeiro. Se eu fosse você, não perderia de jeito nenhum !

*Esta coluna é semanal e atualizada às segundas-feiras

NÃO DEIXE O SAMBA MORRER

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Era 1973. Eu estava travando meus primeiros contatos com o sucesso como apresentador de programas de rádio, saindo da PRB-5 (Rádio Club Hertz), que estava sendo riscada do mapa e rumando pra Rádio Piratininga, hoje Difusora de Franca, tempo áureo do rádio AM. Já cantava na Orquestra do Laércio de Franca e apreciava muito interpretar os sambas da época. Coisa de qualidade! E eis que desponta e passa ser uma campeã de solicitações por carta e telefone, Clara Nunes. Seu sucesso, vendendo dezenas de milhares de discos naquele ano, chamou a atenção das gravadoras para a possibilidade de vozes femininas serem capazes de lhes render bons lucros. Daí a oportunidade oferecida a cantoras como Alcione, que ganharia as paradas de sucesso no início de 1976 com “Não Deixe o Samba Morrer”, faixa de seu primeiro LP, A Voz do Samba, lançado no final de 1975. De autoria de Edson da Conceição e Aloísio Silva, dois modestos compositores baianos radicados em São Paulo, este samba e “Etelvina Minha Nega” (de João Carlos, pai de Alcione)

foram as únicas músicas do disco escolhidas pela cantora, sendo as demais incluídas pelos produtores Roberto Menescal e Roberto Santana. “Não Deixe o Samba Morrer” é um belo samba, que impressiona pela qualidade da melodia e cujo tema é anunciado no título (“Não deixe o samba morrer/ não deixe o samba acabar/ o morro foi feito de samba/ de samba pra gente sambar”).

Com o sucesso, Alcione, que é também trompetista, estaria em breve sendo convidada pra apresentar o programa “Alerta Geral”, da TV Globo. Hoje, o sucesso criado pela “Marron” conta com inúmeras gravações, tornando-se uma dos obras mais regravadas da MPB.

Fontes e referências : A CANÇÃO NO TEMPO – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello e Internet.

Foto: Liga Entretenimento/Divulgação)

MARCOS PRADO CONVIDA

Projeto que se consolidou, leva um sem número de pessoas que curtem música de qualidade todas as quintas-feiras ao Candeeiro Pizza Bar. Nesta semana, Marcos Prado apresenta-se com seu TRIO JAZZMIM, a partir das 20:30h. Na sexta-feira, o violonista e produtor continua em cena, desta feita ao lado do grupo vocal feminino ANABELAS, com início do show também previsto para 20:30h.

Recomendo e assino em baixo !


“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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The Beach Boys – LP “The Beach Boys Today”. Apesar de conter algumas músicas citadas pela crítica como muito ruins (?!?!), esse é o LP mais perfeito do grupo, dividido igualmente entre um pop casual do tipo rapaz encontra garota e baladas dramáticas inspiradas nos grupos femininos produzidos por Phil Spector.

Embora gravado um pouco depois de um dos integrantes, Brian Wilson, ter tido um esgotamento nervoso durante uma turnê, levado à exaustão por uma agenda carregada de shows, o álbum abre com uma das faixas mais exuberantes da banda:“Do You Wanna Dance ?”. Começa bem baixinho mas Brian aumenta o volume no primeiro refrão e os anos 60 começam a dançar no toca-discos. O resto desse lado continua a festa com “When I Grow Up”, tida como a música mais complexa e madura composta por Wilson até aquela data. Depois vem “Help Me, Rhonda” , a primeira gravação da faixa que logo se tornaria um de seus singles mais famosos.

Mas é o lado B que faz os especialistas vibrarem. As cinco baladas são canções de amor suculentas, pessoais, sensíveis e vulneráveis, diferentes de tudo o que havia no pop da época. Há uma pista clara do que viria no próximo trabalho, Pet Sounds, nas faixas “Please Let Me Wonder” e ”Kiss Me, Baby”, e esta última é quase tão boa quanto “God Only Knows”, de Pet Sounds. Pela primeira vez Brian superou os Beatles e os Stones, catapultando a banda para o primeira lugar nas paradas e dando início a uma batalha de dois anos pela supremacia musical, que terminou com outra crise nervosa e com o cancelamento das gravações de Smile.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Robert Dimery

Revista da Música

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CONVITE ESPECIAL

O projeto “MARCOS PRADO CONVIDA” acontece às quintas-feiras no CANDEEIRO PIZZA BAR, ocasião em que meu talentoso amigo produtor e violonista apresenta cantores e instrumentistas ao público fiel que o prestigia durante todo o ano, na mais aconchegante casa de massas e música ao vivo de Franca. O CANDEEIRO PIZZA BAR fica na Av. Antonio Barbosa Sobrinho, nº 809.


“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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O mundo da música tem despejado muitas fraudes por aí ! Entre tantas delas, artistas medíocres que prosperaram num grau muito acima do próprio talento, o que torna ainda mais trágico o fato de Otis Redding ter vivido tão pouco. Menos de três anos depois do revolucionário disco “Otis Blue: Otis Redding Sings Soul”, gravado em 1965, o avião que levava o astro e sua equipe caiu no Lago Monoma, no Wisconsin, no dia 10 de dezembro de 1967.

Como filho de pastor que era, o gospel estava em seu sangue, mas Otis Blue abrange ainda o soul, o R&B e o pop. Gravado no legendário estúdio da Stax, em Memphis, com um time de músicos que incluía os clássicos M.G.’s, o álbum é um primor. Todos os arranjos foram masterizados pelo próprio Redding.

As faixas misturam músicas originais e versões, duas das quais do mentor de Redding, Sam Cooke, mas a intensidade emocional com que são apresentadas deve-se apenas a Otis. “Respect” mostra um intérprete muito seguro de si, enquanto “Down Valley” é ao mesmo tempo original e suculenta. Há uma versão de “Satisfaction”, dos Rolling Stones que, simplesmente, deixa o vocal de Mick Jagger literalmente “no chinelo”.

O álbum colocou Otis Redding a caminho da fama mundial e ele chegaria ao auge no Festival de Monterey, em 1967, onde empolgou uma platéia predominantemente branca com números como “Try a Little Tenderness”, encerrando com palavras cruelmente proféticas: “Tenho que ir embora, mas não quero”.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Robert Dimery

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O projeto “MARCOS PRADO CONVIDA” acontece às quintas-feiras no CANDEEIRO PIZZA BAR, ocasião em que meu talentoso amigo produtor e violonista apresenta cantores e instrumentistas ao público fiel que o prestigia durante todo o ano, na mais aconchegante casa de massas e música ao vivo de Franca. O CANDEEIRO PIZZAR BAR fica na Av. Antonio Barbosa Sobrinho, nº 809.


“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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Gravado em 1970, Canto On Guitar é considerado um dos melhores álbuns de Baden Powell. A primeira faixa do disco é “Samba Em Prelúdio”, com letra do poeta Vinícius de Moraes, cantada excepcionalmente por Baden. A segunda música, “Três Temas da Fé Afro-Brasileira” é, como sugere o título, formada por três composições diferentes, separadas por alguns momentos de pausa: “Pai (Um Canto De Preto Velho)” – que entraria em outro álbum do violonista, lançado no ano seguinte - , “Filho (Batuque Para Um Orixá)” e “Espírito Santo (Oxalá)”. A percussão afro-brasileira é o denominador comum desses três temas. Em “Tributo A Um Amigo” , Baden aparece sozinho com o violão. “Quaquaraquaquá” é uma fusão entre samba e bossa nova, música composta em parceria com Paulo César Pinheiro. Por fim, “Cegos do Nordeste” encerra o álbum de forma brilhante, carregada de tons árabes. Um trabalho essencial e, encaixando-se perfeitamente no título do livro de onde extraímos texto e informações, um dos 1001 discos que você não pode deixar de ouvir enquanto vivo !

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Robert Dimery

Revista da Música

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CONVITE ESPECIAL

O projeto “MARCOS PRADO CONVIDA” acontece às quintas-feiras no CANDEEIRO PIZZA BAR, ocasião em que meu talentoso amigo produtor e violonista apresenta cantores e instrumentistas ao público fiel que o prestigia durante todo o ano, na mais aconchegante casa de massas e música ao vivo de Franca. MARCOS PRADO me convida e eu convido você pra ouvir nossa pequena homenagem a alguns dos grandes compositores da música brasileira. Entre eles, Taiguara, Ivan Lins, Milton Nascimento, Cartola e por aí afora. Nosso encontro acontece na próxima quinta, dia 10, às 9 da noite, e o CANDEEIRO PIZZAR BAR fica na Av. Antonio Barbosa Sobrinho, nº 809. Não abrimos mão de sua presença !

“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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Difícil imaginar uma voz mais suave que pudesse causar um impacto mais profundo. No território do R&B e do soul, a sonoridade elegante, contida e sofisticada de Sade marcou uma mudança paradigmática após décadas de domínio de Aretha Franklin, Tina Turner e outras cantoras formadas na tradição de blues e gospel. Mais ainda : a inclusão de ritmos de world music em Diamond Life levaria muitos artistas do Top 40 a fazer experiências sutis com ritmos latinos, caribenhos e outros sons exóticos.

O álbum abre com a calorosa bossa nova de “Smooth Operator”- um merecido sucesso mundial- e passa depois às românticas “Your Love Is King” e “Hang On To Your Love”. A interpretação desapaixonada de Sade algumas vezes é quase fria, mas o som aveludado de sua banda (também conhecida como Sade) transforma “I Will Be Your Friend” e “Why Can’t We Live Together” (antigo hit de Timmy Thomas) em músicas sedutoras.

Sua atração transcendeu classes, culturas, raças, idades e sexo. Com Diamond Life, tornou-se aceitável que um homem comprasse um álbum romântico sem que fosse apenas para impressionar uma mulher mas, também, para seu próprio deleite. A chave que abriu essa porta foi a voz de Sade. A mistura hipnótica de blues esfumaçado, jazz cintilante e pop sublime da cantora (na época com 25 anos) era absolutamente única.

O álbum foi sucesso imediato na Grã-Bretanha e seu lançamento nos Estados Unidos, em 1985, teve resultados semelhantes. Seriam vendidos seis milhões de cópias de Diamond Life, um recorde de vendas para o primeiro álbum de uma cantora inglesa.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Robert Dimery

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*Esta coluna é semanal e atualizada às segundas-feiras

“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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Ao se separarem, no fim dos anos 60, os Beatles deixaram um confuso legado em Let It Be. Companheiros da mesma década, Simon & Garfunkel se despediram com mais elegância, com um álbum que tem em sua faixa-título, “Bridge Over Troubled Watar”, um hino clássico.

Pequena em estatura e estilo, a dupla manteve sua grandeza graças a canções maravilhosas como “The Sounds of Silence”, de 1965 e “América”, de 1968. Em 1969, uma prévia de “Bridge Over Troubled Water”- o hit “The Boxer”- confirmou, de uma vez por todas, que o compositor Paul Simon não era mais ofuscado por Bob Dylan.

E, como Dylan, Simon escrevia letras poéticas. Mas, como Smokey Robinson, compunha músicas deliciosas que podiam ser cantadas tanto por crianças como por Aretha Franklin. De certa forma, a épica faixa-título não faz justiça a “Bridge Over Troubled Water”, porque não dá pistas de que, dentro do álbum, há canções vivas e alegres como “Cecilia” e “El Condor Pasa(If I Could)”.

Há também músicas delicadas e ilusórias, no caso de “The Only Living Boy In New York” e “So Long Frank Lloyd Wright”. Ambas foram escritas por Simon para seu futuro ex-parceiro Art Garfunkel, que tinha estudado arquitetura (daí a referência a Frank Lloyd Wright). Garfunkel havia abandonado algumas sessões de gravação para atuar no filme Ardil 22.

“Bridge...” é fácil de se gostar, mesmo para quem não liga para briga de parceiros ou música folk. Ao ouvir este disco, pode-se entender por que tanta gente fica com os olhos cheios d’água toda vez que os velhos companheiros fazem as pazes por tempo suficiente para cantarem juntos.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Robert Dimery

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“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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Seu nome era Ernesto Nazareth. Ele ouvia os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares e os levava para o piano, dando-lhes roupagem requintada. Sua obra se situa, assim, na fronteira do popular com o erudito, transitando à vontade pelas duas áreas. Em nada destoa se interpretada por um concertista, como Arthur Moreira Lima, ou um chorão como Jacó do Bandolim. O espírito do choro estará sempre presente, estilizado nas teclas daquele ou voltando às origens nas cordas deste. E é esse espírito, essa síntese da própria música de choro, que marca a série de seus quase cem tangos-brasileiros, categoria em que é enquadrada “Odeon”, escrita que foi em 1910. Obra-prima no gênero, esta composição é apenas mais uma das inúmeras peças de Nazareth em que “melodia, harmonia e ritmo se entrosam de maneira quase espontânea, com refinamento de expressão”, como afirma o pianista-musicólogo Aloysio de Alencar Pinto. “Odeon” é dedicada à empresa Zambelli & Cia., dona do cinema homenageado no título, onde o autor tocou na sala de espera. Localizado na Avenida Rio Branco nº 137, possuía duas salas de projeção e era considerado um dos “mais chics cinematógraphos do Rio de Janeiro”.

Em 1968, a pedido de Nara Leão, Vinícius de Moraes fez uma letra para “Odeon”, vindo a ser o tema de abertura da telenovela “A Sucessora”, em 1978.

Em 2000, a canção fez parte da trilha sonora de outra novela, “O Cravo e a Rosa”.

No ano de 2012 entrou para a história da música universal alcançando a impressionante marca de 325 gravações comerciais, feitas em diversos países.

Pra você apreciar, vídeo gravado em 2013, no Vinicius Bar: Thaís Motta com Marvio Ciribelli ao piano e os membros do Azymuth, Alex Malheiros ao contrabaixo e Ivan Conti (Mamão) na bateria.

Fontes : “A Canção No Tempo-85 Anos de Músicas Brasileiras”

Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello _ Editora 34

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“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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O guitarrista Al Kooper sempre foi irrequieto. Aos 15 anos já cantava numa banda chamada Royal Teens, que chegou a emplacar dois hits instantâneos. Logo passou a compor sob encomenda para diversas gravadoras e foi ele quem gravou o riff de órgão em “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan, em 1965. Tinha então 17 anos e topou a gravação ao ser desafiado e meio que desprezado pelo produtor do disco.

Como há muito queria ter sua própria banda,em 1967 uniu-se a Steve Katz e formaram um grupo com o objetivo de fundir um tipo de blues-rock selvagem ao jazz, que batizaram de Blood, Sweat & Tears. Lançaram um bem sucedido álbum denominado Child Is Father To The Man, mas Kooper desistiu do grupo logo após esse fato, o que não desanimou Katz e os demais membros, correndo logo atrás de outro cantor, fechando com o canadense David Clayton-Thomas, o que foi um ótimo negócio. Retrabalhando as idéias de Kooper, numa linha mais pop, o Blood, Sweat & Tears chegou ao primeiro lugar das paradas, faturando um Grammy como disco do ano.

Mesmo pelos padrões dos anos 60, o álbum era muita areia pro caminhão da banda, sustentado por duas releituras psicodélicas da primeira peça das Trois Gymnopedies, de Eric Satie e centrado num pouco ousado tema de jazz-rock de 12 minutos. Mesmo assim, há muita coisa boa: as versões com arranjos de metais de “Smiling Faces”, do Traffic e de “And When I Die”, de Laura Nyro. Também a interpretação muito forte de “You’ve Made Me So Very Happy”, original de Brenda Holloway, e a super destacada “Spinning Wheel”. Era arriscado regravar “God Bless The Child”, de Billie Holiday, mas o convincente Clayton-Thomas mostrou-se à altura de tal tarefa.

O sucesso da banda durou pouco. Após envolver-se em campanhas políticas com apoio declarado, a credibilidade do Blood foi a zero. Apenas os mais apaixonados pelo jazz, jazz-rock, blues e suas derivações, sem quedas pra outro lado que não fosse a música, é que continuaram cultivando a arte desta que foi uma das bandas mais emblemáticas dos últimos tempos.

O que Al Kooper acha disso está em sua divertida autobiografia, Backstage Passes And Backstabbing Bastards.

Veja aí esta raridade : “And When I Die”.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Ed. Sextante

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