Bafômetro: recusa ao teste cresce 35% na região, diz Polícia Rodoviária

Ao menos 72 motoristas se negaram a fazer o exame em fiscalização do Réveillon. Prática é infração gravíssima

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​Um levantamento da Polícia Rodoviária apontou que, durante as festas de fim de ano, pelo menos 72 motoristas se recusaram a fazer o teste do bafômetro na região de Ribeirão Preto. 

O número cresceu 35,84% em relação ao mesmo período no ano passado, quando 53 pessoas não quiseram realizar o exame que verifica se o condutor bebeu antes de dirigir.

De acordo com dados da Polícia Rodoviária, na operação fim de ano 664 motoristas realizaram o teste, 38 entre eles foram multados e um foi preso por embriaguez.

A negação ao teste é uma infração de trânsito gravíssima com a mesma penalidade de dirigir depois de beber, ou seja, com multa de R$ 2.934,70, possibilidade de suspensão por 12 meses e retenção do veículo.

Para o tenente da Polícia Rodoviária Péricles Veronezi Flora, a recusa é uma imprudência do próprio motorista.

“Ele ainda insiste em dirigir sob o efeito de álcool. Mas, mesmo se recusando a fazer o exame, incorre nas mesmas medidas administrativas e penalidades como se estivesse embriagado. Além disso, o veículo também é retido até que o motorista apresente um condutor com condições de dirigir”, afirma.

O tenente explica ainda que a diferença é que o condutor que se nega a soprar o aparelho não é preso. “Somente se ele estiver com condições visíveis de estar embriagado, por exemplo, andar cambaleando, forte odor etílico, aí ele é apresentado pelos policiais até a delegacia”, diz.

Embriaguez

No Brasil não há tolerância para nenhuma quantidade de álcool no organismo de um condutor. Para que as normas vigentes chegassem à rigidez que têm hoje, entrou em vigor, em 2008, a Lei 11.705, conhecida como Lei Seca.

De acordo com o artigo 165 do CTB, o condutor flagrado dirigindo sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência comete uma infração gravíssima.

De acordo com a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), embriaguez ao volante é a segunda maior causa de mortes no trânsito no Brasil. A primeira é excesso de velocidade.

Quais são os motivos em recusar?

Para a psicóloga Danielle Zeoti, a recusa ao bafômetro tem relação com o conhecimento do senso comum. “É quase que um inconsciente coletivo, que, uma vez abordado em uma blitz, a pessoa não fornece provas contra ela mesma. Mas, também pode ser um traço onipotente que o ser humano acredita que nada vai acontecer com ele, que está acima das normas e das regras”, explica.

Danielle ainda pontua que existe uma questão cultural em não aceitar a fazer o exame etilômetro. “Há o fato de sempre levar vantagem, como por exemplo, a pessoa gosta de contar aos amigos que burlou uma blitz ou conseguiu enganar um policial. É aí que vimos um número elevado de motoristas que, infelizmente, com a tamanha irresponsabilidade continuam colocando famílias e vidas em riscos”, completa.



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