Poesia Acústica 9: 3 milhões de visualizações nas primeiras horas. Veja clipe

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 10 de julho de 2020 às 18:14
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 20:57
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Djonga, Xamã e Chris estão na faixa lançada nesta sexta (10), que já teve 3 milhões de visualizações

A nona faixa do Poesia Acústica foi lançada nesta sexta (10) com os rappers Djonga, Filipe Ret, Xamã, L7nnon, Chris, Lourena e Cesar MC. 

A série de rap acústico do canal carioca Pineapple Storm começou em 2017 e costuma reunir rappers em faixas mais longas.

Os rappers aparecem de máscara no começo do vídeo por conta da pandemia do novo coronavírus. “Me diz quando essa quarentena acaba, eu vou matar o corona nem que seja na porrada”, canta Cesar MC.

Já o rapper mineiro Djonga cita a cantora sertaneja Marília Mendonça e o jogador Gabigol em seus versos.

“Nós embalados ao som de Marília Mendonça, lembrei que sou louco por você, igual Mendonça da Grande Família louco com a amiga da dona Nenê”, canta Djonga.

O clipe de “Poesia Acústica 9 – Melhor Forma” teve mais de 450 mil visualizações nas primeiras horas no YouTube.

Poesia acústica: como série de vídeos virou referência na onda de rap com violão no Brasil

Clima de luau, banquinho e violão, juras de amor e… rap. A mistura faz cada vez mais brasileiros suspirarem – de paixão ou raiva. Quem reclama do açúcar no hip hop pode chorar mais, pois o sucesso continua.

O estilo explodiu há três anos, quando saiu “Deixe-me ir”, do canal 1Kilo (maio de 2017). Após 2 meses o Poesia Acústica, da Pineapple, surgiu e se firmou maior marca do rap acústico – já soma 830 milhões de views.

O criador do Poesia Acústica, Paulo Alvarez, fala sobre a série e como o “rapzinho e violão” se consolidou no pop brasileiro.

DE ONDE SURGIU?

Quem acha que a Poesia Acústica surgiu de uma “modinha”, foi isso mesmo – mas em outro sentido. A empresa Pineapple surgiu como marca de roupas no Rio, antes de tirar o foco da moda têxtil e entrar no rap.

Paulo achou que o rumo viria com a marca de roupas urbanas. Mas foi só a ponte para o rap.

Em festas para vender as camisas, teve mais contato com uma então crescente cena brasileira. A marca de roupa não decolou, mas da relação com os MCs veio a ideia dos vídeos.

A série de vídeos Poetas no Topo foi o primeiro projeto dentro do canal do YouTube PineappleStormTV, parceria de Paulo com o vizinho e produtor musical Lucas Malak, do estúdio BrainStorm.

O Poetas no Topo 1 saiu em dezembro de 2016 e tinha rappers que cresceriam muito na cena nacional, como Bk e Djonga. Já mostrava o faro de Paulo como “olheiro” do gênero.

Mas a explosão viria ao unir essa curadoria ao formato acústico. “Já com o Poesia Acústica #2, em agosto de 2017, a gente passou de 60 mil views por dia para 1 milhão, 2 milhões”, diz Paulo.

Os outros vídeos de rap com base tradicional também são fortes, mas os acústicos são de longe a maior audiência. Do 1,2 bilhão de visualizações da Pineapple, 832 milhões são só dos seis clipes da série acústica.

PORQUE O RAP ACÚSTICO VIROU?

O Brasil não inventou o rap acústico. A MTV dos EUA já fazia “unplugged” no programa “Yo!” lá em 1991. Mas o tal diálogo com samba, MPB e clássicos “de barzinho” pode explicar a proporção maior que tomou aqui.

Ele ainda aponta uma vantagem: “A letra é crucial no acústico, e os rappers têm uma lírica na média acima dos outros gêneros”. Na batalha de rimas e metáforas para ganhar o coração brasileiro, ele vê o rap na frente.

“A gente faz show do Poesia Acústica com público do funk, com artistas mais pop, o alcance é enorme. O acústico ajuda a quebrar barreiras para o rap. Toca de favela a shopping, em qualquer bar. Já popularizou”, diz.

Mas esta versão mais acessível e comercial também tem rejeição. Tanto que o Poesia Acústica #4 tem o título irônico “Todo mundo odeia acústico”.

“Tudo que tem um bilhão de likes vai ter um milhão de dislikes. Tem MC que fala mal e já me mandou direct no Instagram querendo entrar”, Paulo rebate.

E POR QUE TANTA GENTE?

As cifras são altas não só na audiência. Cada vídeo tem cerca de dez minutos de música, com até nove MCs cantando. Esse registro é chamado “cypher” (MCs reunidos que alternam rimas sobre mesma base).

O formato veio do rap de rua dos EUA e começou a pegar no Brasil junto com o acústico – mas não é usado só no “unplugged”, e aparece também no funk e no rap eletrônico com força atualmente.

Por isso, escolher bem cada artista e acompanhar a dinâmica entre eles é importante. Aí entra a receita…

O PASSO A PASSO DO POESIA ACÚSTICA:

  • Paulo Alvarez é o curador. Ele diz que procura os artistas por mensagem direta de Instagram mesmo, sem burocracia.
  • Ele busca MCs em ascensão, alguém da velha guarda, uma ou mais mulheres e nomes do funk (É mais ou menos uma fórmula, e o #7 tem tudo isso).
  • Lucas Malak também opina na seleção, mas a função maior é criar a base musical, enviada após a escolha dos cantores.
  • Um grupo de WhatsApp entre eles e os músicos é a principal forma de todo mundo acompanhar as partes dos versos que cada um vai criando.
  • Achar um dia para gravar é difícil, pois há gente de várias cidades e com agenda cheia.
  • Entre bater o martelo dos nomes e fazer o vídeo, o tempo médio é um mês e meio.
  • A equipe é cada vez maior. A gravação do Poesia #7, com título “Céu azul”, teve 40 pessoas no set, incluindo músicos.
  • Os MCs não pagam e nem recebem cachê. Mas ganham os direitos autorais, e entre 40 e 50% da renda do YouTube e plataformas de streaming – o resto cobre custos e lucro da Pineapple.

Há cantores que já reclamaram de não ganhar nada para participarem dos vídeos. O MC Raffa Moreira reclamou nas redes sociais de ter ganhado só “uma camiseta do abacaxi” (marca da empresa) pelo “Poetas no topo 2”.

Paulo fica nervoso ao comentar, e diz que cortou os trechos de Raffa do vídeo depois que ele falou mal da empresa. Mas ele afirma que quem espera recebe sua fatia (de 40 a 50% para os artistas de cada vídeo), além dos direitos autorais, via Ecad.

“SPIN-OFFS”

Alguns artistas também entraram na turnê Poesia Acústica, um dos desdobramentos do fenômeno:

“O primeiro show foi em janeiro de 2018 e a turnê mesmo começou em março. Já foram mais de 120 shows. Abrimos para o Planet Hemp, fizemos um festival grande em BH, o Planeta Brasil.”

A empresa também está agenciando artistas que já participaram do Poesia Acústica e outros projetos, como Cesar MC e DK 47.

A alma do negócio segue a ideia inicial de ser uma “casa do rap” para encontros, não produzir sob encomenda. “Recebo mensagem de MC que quer pagar, mas eu já ia chamar de graça mesmo. E vou continuar assim” diz.


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